com o cara mais velho, C1



Um conto do Leonardo com 22 anos. capitulo 1
Tchack, tchack, tchack.

O som da faca batendo no prato de porcelana era quase rítmico, uma contagem regressiva para o fim do meu intervalo. Leo, 22 anos, futuro enfermeiro e, no momento, estagiário no hospital central. O "Dona Célia", um restaurantezinho espremido na calçada da frente, era meu refúgio diário. O cheiro de feijão fresco e fritura era um antídoto para o odor de antisséptico que parecia ter grudado na minha alma.
Eu estava terminando meu PF quando o ar mudou. Uma lufada de perfume caro — algo amadeirado, com notas de couro, nada a ver com o colônia que eu usava — me atingiu antes mesmo de eu vê-lo.

— ...não, não, eu já te disse, o contrato tem que ser assinado hoje. — A voz era grave, impaciente, colada ao ouvido por um celular de última geração.
Ele passou. Rápido. Um homem de uns 40 anos, ou talvez um pouco mais, mas daqueles que o tempo trata bem. Estava impecável num terno cinza-chumbo, sem gravata, a camisa branca de linho com os dois primeiros botões abertos. O que me chamou a atenção, além do conjunto da obra, foi a calça. Ajustada. Muito ajustada. Tecido nobre, mas sem medo de desenhar as coxas fortes e a curva do quadril enquanto ele caminhava. Ele quase me atropelou. A bainha da calça dele roçou no meu ombro, e eu instintivamente me encolhi na cadeira de plástico.
— Desculpe — ele murmurou, sem nem olhar pra mim, os olhos fixos na tela do celular enquanto manobrava entre as mesas apertadas.

Fiquei olhando ele se afastar. Uma figura de poder e pressa num lugar que cheirava a comida caseira.
Minutos depois, ele estava sentado na mesa exatamente à minha frente, na minha linha de visão direta. O telefone estava em cima da mesa agora, e ele folheava um maço de documentos, a testa franzida em concentração. Ele pediu um café preto e um sanduíche natural. Nem tocou na comida.
Eu tentei voltar pro meu arroz com feijão, mas era impossível. A cada garfada, meus olhos, como se tivessem vida própria, fugiam pra ele. A luz que entrava pela janela do restaurante batia no rosto dele, destacando as primeiras linhas de expressão ao redor dos olhos castanhos, a barba rala e bem cuidada. Ele exalava uma confiança que me atraía, uma maturidade que contrastava com a minha vida de xérox e banho de leito.
Eu estava em uma daquelas longas, e talvez atrevidas demais, observações, quando ele levantou a cabeça.
Merda.

Nossos olhos se encontraram. Puros. Sem filtro. O olhar dele era sério, focado, mas mudou ligeiramente quando percebeu que o garoto de uniforme de enfermagem branco estava secando-o há Deus sabe quanto tempo. Houve um segundo de choque silencioso.
Meu coração deu um solavanco. Instintivamente, como qualquer pessoa normal faria, eu desviei o olhar. Fiquei fascinado pela textura da minha farofa por dois segundos, sentindo o rosto queimar.
Mas aí o meu eu "Leo" falou mais alto. Eu não era de me esconder. Eu tinha 22 anos, estava em forma — o treino de corda e a academia garantiam isso — e, bem, eu gostava do jogo. Se eu fui pego, fui pego. Não havia por que fingir.
Respirei fundo e forcei minha cabeça a levantar de novo. Lento. Confiante. Voltei meu olhar para ele, sustentando-o. Dessa vez, não era apenas observação. Era um desafio. Um convite. Eu era atrevido, sim. E ele?

Os olhos dele ainda estavam em mim, mas a surpresa tinha dado lugar a algo novo. Uma curiosidade divertida. Um canto de sua boca pareceu subir, quase imperceptivelmente, num meio-sorriso cínico e surpreso.
Levantei da mesa devagar. O relógio no meu punho avisava que eu tinha exatamente dez minutos para atravessar a rua, bater o ponto no hospital e vestir o jaleco. Passei no caixa, paguei meu PF e caminhei em direção à saída, dando as costas para a mesa dele.
Mas a sensação de estar sendo observado é um negócio engraçado. É como um arrepio sutil na nuca.
Ao chegar perto da porta de vidro do "Dona Célia", não resisti. Mudei o apoio do pé e me virei para trás de esgueira, fingindo checar algo na rua. Pego no pulo. Ele não estava mais olhando para o meu rosto. Os olhos castanhos dele estavam descaradamente descendo pela minha cintura, travados na curva do meu quadril e no volume que a calça justa do uniforme do hospital não fazia questão nenhuma de esconder. O treino pesado de pernas não mentia. Ele sabia disso, e eu também.

Sustentei a curva do meu sorriso, dei um meio-passo e saí para o calor da calçada.
Os dias seguintes foram uma rotina cinzenta de turnos longos, aferição de pressão e relatórios de enfermagem. Voltei ao restaurante quase todos os dias no mesmo horário, mas nada. Nem sinal do terno cinza, do perfume amadeirado ou daquela calça alinhada. Cheguei a achar que tinha sido só um evento isolado, um flerte bobo de horário de almoço.
Até aquela terça-feira.
O treino na academia estava no ápice. Eu estava no meu elemento: a corda de pular.
Rra-tchack, rra-tchack, rra-tchack.

O som cadenciado ecoava pelo espaço de treino. Meu corpo já estava coberto por uma película fina de suor que brilhava sob as luzes do teto. A regata colava no peito e nos abdominais, mas era o shorts branco que chamava a atenção — a malha leve, agora levemente úmida de suor, aderia à pele, desenhando cada músculo das coxas e deixando pouco para a imaginação. O ritmo era intenso, rápido, mantendo meu coração acelerado.
Em uma transição de movimento, desacelerei o giro da corda e dei uma volta de 180 graus para mudar de posição.
Foi quando os vi.

Aqueles mesmos olhos. Intensos, atentos, me acompanhando à distância.
Ele estava parado na recepção da academia, preenchendo a ficha de matrícula e tirando as medidas com o instrutor — o movimento clássico de quem acabou de se matricular. Mas ele claramente não estava prestando atenção no formulário.
Sem o terno chique, ele parecia diferente, mas ainda mais imponente. Usava uma calça de moletom cinza bem fino e uma camiseta de malha fria que marcava os ombros largos e o peitoral definido. Uma bolsa de treino de couro preta pendia de uma das mãos, provavelmente recheada com as coisas para o banho pós-treino. De onde eu estava, dava para notar bem: pelo menos 1,80m de altura, uma postura ereta e uma estrutura física que deixava claro que ele já puxava ferro há muito tempo.

Interrompi o movimento da corda, deixando-a repousar frouxa nas minhas mãos. Passei o braço pela testa para enxugar o suor, sem nunca desviar o olhar do dele.
Se no restaurante ele achou que me pegou desprevenido, agora o jogo era no meu terreno. Sorri de canto, deixando transparecer toda a minha audácia, e dei mais um salto curto, reiniciando o ritmo da corda só para ver até onde a atenção dele aguentava.
Depois de algum tempo, eu já estava no limite. Tinha passado muito do tempo normal do meu treino, só enrolando na área dos pesos enquanto fingia prestar atenção no movimento ao redor. De relance, eu observava o instrutor orientar o cara nos aparelhos. Ele visivelmente nem dava atenção; parecia até entediado, respondendo com acenos curtos enquanto os olhos dele teimavam em escapar na minha direção.

Assim que o instrutor se afastou e ele ficou sozinho, não perdeu tempo. Caminhou devagar na minha direção, a postura ereta e suave ao mesmo tempo.
— Que coincidência, nos encontramos de novo — ele disse, parando a uma distância confortável, com a voz grave e calma.
Fiquei feliz por dentro. Ele se lembrava de mim, e aquilo era uma porta escancarada.
— Não seria o destino? — respondi com um sorriso de canto, tirando a luva de treino e estendendo a mão. — Prazer, Leonardo.
ele prontamente fez o mesmo, sorrindo enquanto segurava a minha mão com firmeza, um aperto quente e demorado.
— Ou quem sabe moramos no mesmo bairro — ele provocou, os olhos castanhos fixos nos meus. — Prazer, Alexandre.
ele não parecia nada tímido. Logo se ajeitou no banco ao lado e começou o treino dele com uma facilidade e técnica de quem claramente já tinha anos de experiência com musculação.
Terminei minhas últimas séries, peguei minhas coisas e fui direto para os chuveiros. O vestiário estava calmo. Tirei a roupa, liguei o chuveiro e deixei a água lavar o suor do treino.

Minutos depois, escutei os passos dele entrando no recinto. Ele se organizou com calma em um dos armários, pegou a toalha e seguiu para a área das cabines. Escutei o barulho do registro se abrindo alguns boxes de distância.
— Água fria! — ele falou alto, a voz ecoando pelas paredes de azulejo, claramente para mim.
— Verdade, mas a gente se acostuma — respondi, rindo fraco sob o jato.
— Leonardo, você poderia me emprestar o shampoo? Acabei esquecendo o meu — pediu ele.
A gente mal se conhecia e ele já estava cheio de intimidades.
— Claro — respondi.

A minha intenção era só esticar a mão para fora do box, já que ele estava em uma cabine mais distante. Mas, para a minha surpresa, ouvi os passos dele se aproximando. Sem avisar, Alexandre caminhou até o meu box e abriu a porta, me pegando completamente desprevenido.
E eu, claro, nem fiz questão de tentar me cobrir.
Pelo contrário. Continuei parado sob o jato de água, a espuma do meu próprio sabonete escorrendo pelos meus ombros e peitoral. Alexandre congelou por meio segundo na porta. Ele usava apenas uma toalha pequena na cintura, e a visão do meu corpo inteiramente nu e molhado fez os olhos dele se fixarem em mim.
— Aqui está — falei, sustentando o olhar dele com um sorriso atrevido e entregando o frasco.
Ele segurou o frasco e eu, com a naturalidade de quem está sozinho no próprio banheiro, virei de costas e continuei meu banho. Deixei a água fria escorrer pelas minhas costas enquanto ensaboava o pescoço. Senti que ele hesitou na porta. Os segundos que ele permaneceu parado ali, em silêncio, deixavam pouca margem para dúvida: ele devia estar conferindo se a água descia direto pelo meu rego, escorrendo entre as nádegas, ou talvez estivesse apenas aproveitando a vista privilegiada da minha bunda farta, destacada pela postura.
Não me virei para confirmar. Deixei que ele olhasse.

Depois do banho, já de calça jeans e uma camiseta limpa, eu estava de frente para o espelho do vestiário, arrumando o cabelo. Foi quando ele apareceu.
Alexandre chegou com a toalha branca amarrada na cintura, o corpo ainda úmido. Se com a roupa de treino ele já parecia imponente, ali, sem camisa, a presença dele era inegável. O peitoral era largo, marcado por pelos escuros que desciam em uma linha reta pelo abdômen rígido, sumindo por baixo da toalha. E havia um detalhe impossível de ignorar: um volume considerável, nada normal, se desenhava na toalha, bem na região da virilha.
— Aqui está seu shampoo. Obrigado. — Ele estendeu a mão, parando bem próximo, perto o suficiente para eu sentir o cheiro do sabonete misturado com aquele calor pós-banho.

Eu estava no meio do processo de ajeitar os fios ruivos, mas parei. Peguei o frasco.
— Não por isso — disse, sem tirar os meus olhos dos dele pelo espelho antes de me virar de frente. — Então, você mora por aqui mesmo?
— Sou novo no bairro — ele respondeu, encostando o quadril em um dos bancos, a postura relaxada. — Naquele dia que a gente se encontrou, eu estava fechando uma transação. E agora vou precisar passar alguns meses aqui.
Ele estava incrivelmente aberto. Direto, sem rodeios. Era estranho, considerando que eu não passava de um cara que ele tinha esbarrado no restaurante e visto nu no chuveiro.
— Ótimo, seja bem-vindo. Até outro dia — falei rápido, pegando minha mochila. Meu tempo estava esgotado; a agenda do dia era apertada e eu precisava correr para a faculdade.

Dei o primeiro passo em direção à saída, mas a voz dele me segurou.
— Espere. Não conheço ninguém na cidade. A gente poderia sair qualquer noite para beber...
Parei e olhei por cima do ombro. A proposta era tentadora. Muito tentadora.
— Claro. Depois a gente marca — desconversei.
— Me passe seu número — ele insistiu, já fazendo menção de buscar o celular na bolsa.
— A gente se encontra em outra tarde e vê isso — respondi com um sorriso educado, mas firme, e empurrei a porta do vestiário.

Enquanto caminhava para o ponto de ônibus, a imagem dele de toalha não saía da minha cabeça. Eu queria, claro que queria. Ele era um homem lindo, seguro, com aquela aura de poder que me atraía. Mas eu não ia me deixar levar tão fácil. Não era mais nenhum moleque ansioso por uma transa fácil ou um caso de amor dramático. Eu já tinha aprendido algumas lições.
Homens como o Alexandre, bem-sucedidos, viajando a negócios, cheirando a perfume caro e com aquela confiança toda... geralmente escondem uma aliança no bolso do paletó. E eu não tinha tempo, nem paciência, para ser a aventura passageira de um cara casado, por melhor que fosse a vista.

continua...

Foto 1 do Conto erotico: com o cara mais velho, C1


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Ficha do conto

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maximilan

Nome do conto:
com o cara mais velho, C1

Codigo do conto:
269915

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
15/08/2026

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