com o cara mais velho. C3



contos de Leonardo e Alexanddre
Capitulo 3
Capitulo 3
Fui trabalhar na manhã seguinte. O sol parecia mais quente e até o trânsito caótico não conseguiu me incomodar. O coletivo seguia devagar, mas eu estava tão imerso em pensamentos que nem notei quando o rapaz ao meu lado tocou meu ombro, pedindo passagem.
Minha cabeça não saía da mensagem que o Alexandre tinha enviado em resposta ao meu boa noite: “Terei uma ótima noite depois dessa mensagem, até amanhã à noite.”
Chega a ser engraçado, estou parecendo um adolescente. Respiro fundo, olho para o lado para deixar o rapaz passar e só então me dou conta: a próxima parada já é a minha.
Meu expediente naquele sábado terminaria às 18h, mas a rotina no hospital estava desgastante, quase fora do normal. No refeitório, meus colegas conversavam sobre assuntos aleatórios, só que nada parecia fazer sentido para mim. Eu simplesmente não conseguia acompanhar. O nervosismo e a ansiedade iam tomando conta enquanto o relógio, num ritmo arrastado e fora do compasso, parecia não avançar.
Respirei fundo e repeti para mim mesmo o meu velho mantra: “Esse não é você.”
Tentava a todo custo voltar à normalidade, me convencendo de que seria apenas um encontro amigável e que eu não podia alimentar falsas expectativas. Foi no meio desse turbilhão que o Thiago passou por mim e me deu um tapa na bunda — algo que eu detesto e que ele sabe muito bem.
— A gente precisa marcar uns comes e bebes no meu apê — disse, dando uma pegada no próprio volume e piscando para mim.
— Vai sonhando — respondi seco, deixando mais do que claro que aquilo nunca aconteceria.
O Thiago tinha uma idade próxima à minha e estava concluindo o estágio. Era um cara de corpo bonito, é verdade, mas o que realmente me afastava dele era a forma como falava das pessoas, sempre tratando todo mundo como mero objeto sexual. Eu até me pegava projetando algo, curioso para conhecer aquele corpo e conferir aquele volume de perto, mas a realidade logo se impunha no final da minha viagem mental: eu seria apenas mais uma transa na lista dele e assunto de fofoca pelo hospital inteiro. Não, definitivamente eu não iria conhecer aquele corpo.
No final da tarde, já de volta ao meu pequeno e confidente espaço, tomei um banho demorado. Precisava me barbear, depilar minhas partes íntimas e caprichar na higiene corporal. Não que eu estivesse planejando ir para a cama com o Alexandre — claro que isso nem rolaria num primeiro encontro —, mas ele precisava ver o quanto eu era cuidadoso comigo mesmo. Afinal, eu era pobre, mas limpinho, e precisava manter o mesmo nível que ele transparecia ter.
Cheguei ao local alguns minutos antes do combinado. A movimentação naquela noite de sábado ainda estava fraca por conta do horário. Pedi uma soda italiana de limão siciliano e passei a beber lentamente para enrolar. Enquanto esperava, observei que o ambiente era frequentado por muitos casais LGBT, o que me deixou bastante tranquilo. Alguns rapazes passavam perguntando se eu estava sozinho, outros piscavam e tinha até quem jogasse beijo.
Foi então que alguém puxou a cadeira à minha frente. Fiquei sem reação: era o Thiago.
— Não sabia que você frequentava esse tipo de boate — soltou, com aquele tom maldoso de sempre.
— Oi, Thiago. Surpreso estou eu. Você, que sempre ostenta sua fama de comedor de mulher...
— Nunca disse que era só de mulher... Mas mudando de assunto: está acompanhado?
— Não é da sua conta. Agora vaza.
— Calma, Léo, vamos conversar. Quem sabe a gente não termina no banheiro? Aqui é bem privativo.
Antes que eu pudesse reagir, ele passou a mão pela minha coxa e a apertou bem próximo à minha virilha.
— Sério que você vai seguir por esse caminho? Eu já disse que não rola nada entre a gente.
— Eu sei o que é um "não", e vou parar... Mas é você que me deixa doido com essa bunda rebolando o dia todo no hospital. E além do mais, já te peguei secando minha rola, o volume dela, então... estou disposto a fazer esse sacrifício — provocou, com um sorriso malicioso.
— Assim como você olha para a minha bunda, eu olho os volumes de todo mundo. É pura curiosidade, nada mais. Agora dá para se retirar? Estou esperando alguém.
Ao se levantar para sair, ele fez questão de exibir um volume bem aparente na calça — devia estar excitado com a provocação. Foi difícil desviar o olhar, mas me forcei a encarar bem nos olhos dele.
— Então, vai me dizer que você não ficou desejando? — disse ele, dando as costas antes que ouvisse umas boas.
Decidi que ele não merecia nem a minha raiva. Apenas o ignorei e voltei minha atenção para o copo, que já estava pela metade.
Ele se afastou para o fundo do local e eu nem me importei se continuaria olhando. O problema é que o tempo foi passando. Esvaziei a soda, pedi uma cerveja para não parecer que tinha levado um bolo e continuei ali. Depois de uma hora inteira de espera e nem um sinal no celular, a ficha finalmente caiu.
Voltei para casa frustrado. Nada de mensagens do Alexandre e, como um bom moço, eu também não mandei nada. No domingo, segui minha rotina de sempre para distrair a cabeça: limpei o kitnet, lavei roupa e saí para caminhar no final da tarde.
À noite, encarei o celular. Não era possível ele simplesmente desaparecer sem me dar uma satisfação. Tomei coragem. Eu sei que não deveria, mas não ia ficar calado aceitando aquilo numa boa depois de ele ter insistido tanto para a gente se encontrar. Digitei e enviei: “Espero que esteja tudo bem. Boa noite.”
A mensagem nem sequer chegou ao destino. Entendi na hora: ele tinha me bloqueado.
Na segunda-feira, meu turno só começava às 18h. Pela manhã fui para a faculdade e, à tarde, segui para a academia ainda alimentando a secreta esperança de cruzar com ele por lá. Nada. Aproveitei o treino para colocar toda a raiva para fora, descontando a frustração no ritmo do pular corda.
Já mais relaxado, peguei minha mochila e segui para o hospital, pronto para encarar mais uma plantão noturno — e torcendo para não ver o Thiago por perto. Mas é claro que ele foi a primeira pessoa a me receber.
— E aí, ficou só naquela cerveja mesmo?
Apenas olhei para ele com desdém, ignorei e continuei caminhando até o posto de enfermagem para pegar meu itinerário da noite com o chefe. Eram quatro pacientes para assistir: verificar temperatura, trocar curativos e o que mais fosse preciso.
— Oi, Léo, já viu seus pacientes hoje? — a Júlia passou por mim, desanimada.
— O que aconteceu com essa cara? — perguntei ironicamente. Ela era sempre a mais animada do setor.
— Enquanto eu fico com as senhoras rabugentas, você estará em companhia de belos pacientes.
— Que sorte a minha... Pelo menos terei uma noite prazerosa — rimos juntos.
Com a prancha em mãos, entrei na enfermaria masculina. Meus olhos correram pelas leitos até pararem em uma figura familiar conversando com um senhor de uns 60 anos. Era o Alexandre. Ele estava todo machucado, com a perna enfaixada e a cabeça coberta de ataduras.

continua...

P.S.: Ainda não defini o nome desse conto/romance, se alguém tiver uma ideia, pode comentar.

Foto 1 do Conto erotico: com o cara mais velho. C3


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Ficha do conto

Foto Perfil maximilan
maximilan

Nome do conto:
com o cara mais velho. C3

Codigo do conto:
270085

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
17/08/2026

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