com o cara mais velho. c2



um conto de Leonardo e Alexandre
Capítulo 2
Alexandre, um homem bonito e bem-sucedido — ou pelo menos era exatamente o que aparentava —, e eu, apenas um jovem de 22 anos, rando o chão no final da faculdade de Enfermagem, sem um tostão no bolso. Eu realmente deveria achar que um cara daqueles estaria interessado em mim?
De fato, ele se mostrou bem interessado. E, não vou mentir, isso já me deixou balançado. Mas, como eu disse antes, não sou nenhum adolescente que no primeiro piscar de olhos já sai abrindo as pernas.
Minhas experiências com homens héteros — ou que se diziam héteros — nunca foram legais. Ficar calejado me ensinou a pisar no freio. Eu poderia até contar alguns casos para provar por que fiquei assim tão arisco...
Na segunda série do ensino médio, meu corpo já estava bem desenvolvido. O treino de futebol e a genética ruiva ajudavam, mas a minha bunda sempre foi o alvo principal dos olhares. Tinha um garoto do terceiro ano, aquele tipo clássico: namorador, popular, o cara que todas as garotas da escola queriam. Durante os preparativos de um trabalho no laboratório, meio que ficamos a sós.
Ele começou a se aproximar, cortar espaço. Como eu era completamente inexperiente na época, não sabia disfarçar nada. Fiquei olhando para ele, encarando mesmo. Ele, percebendo a minha entrega, mandou na lata:
— E aí, topa dar uma chupadinha?
Fiquei vermelho — mais do que o meu próprio cabelo. A vergonha me paralisou por um segundo, mas ele logo completou, baixando a voz:
— Relaxa, não se preocupe... Ninguém vai saber.
Claro que eu, inocente, acreditei. E rolou ali mesmo, atrás das bancadas. Ele tinha uma pica torta pra esquerda, o que no momento achei até engraçado, e não demorou dois minutos para gozar na minha boca, sem nem avisar.
E o tal "segredo"? Foi meia verdade. Não demorou uma semana para eu ouvir piadinhas nos corredores. Ele não contou com todas as letras, mas soltou indiretas para os amigos, o suficiente para espalhar o boato de que o "ruivinho da segunda série era fácil".
Aquela história da escola foi só o começo. Quando passei no vestibular e cheguei na capital, eu ainda era ingênuo sobre como as pessoas funcionavam. Conhecia muito pouco de BH, perdido entre as ladeiras, o movimento do centro e essa sensação de ser só mais um caipira tentando a sorte na cidade grande.
Logo no primeiro período da faculdade de Enfermagem, conheci o Gabriel. Ele era quatro anos mais velho, já estava no final do curso, e tinha aquele ar de quem dominava tudo ao redor. Para mim, que estava deslocado e deslumbrado com a vida universitária, a atenção dele pareceu um prêmio.
Durante meses, o esquema foi o mesmo: ele me usou muito bem. A gente se encontrava quase todo final de semana na kitnet dele, entre paredes mofadas e um colchão no chão. Ele me fodia com vontade, aproveitando cada pedaço do meu corpo, e eu achava que aquilo era o início de algum tipo de conexão de verdade. Eu me entregava inteiro, crente de que a gente tinha algo especial.
Até que a realidade me deu um tapa na cara.
Numa tarde de quinta-feira, no meio do pátio do campus, eu estava saindo da biblioteca quando o vi caminhando na minha direção. Mas ele não estava sozinho. Ele vinha de mãos dadas com uma garota, rindo, carregando a mochila dela. Quando os nossos caminhos se cruzaram a menos de um metro de distância, eu parei, esperando pelo menos um aceno, um franzir de testa, qualquer sinal de reconhecimento.
Ele passou direto. Nem sequer piscou. Olhou através de mim como se eu fosse um pedaço de vidro, como se a minha pele não tivesse estado colada na dele poucas horas antes.
Aquilo me destruiu por dentro, mas também terminou de moldar a carcaça que eu visto hoje.
Então, quando vejo um homem como o Alexandre — maduro, bem-sucedido, cheio de charme, querendo me levar para beber e me cercando nos bastidores da academia —, o meu alarme toca no volume máximo. Eu posso até ter a bunda farta, o corpo trabalhado e esse olhar atrevido de quem não tem medo de nada, mas por trás dessa fachada, tem um Leonardo que aprendeu no fórceps a não servir de marmita escondida para o ego de ninguém.
Por mais que eu tentasse bancar o durão e me convencer de que ele era só mais uma cilada, foi só chegar em casa que a fachada caiu. No banho do meu próprio apartamento, fechei os olhos e aquela cena no vestiário voltou com força total: o corpo másculo, os pelos subindo pelo abdômen e o volume absurdo que a toalha tentava esconder. Fiquei completamente excitado. Terminei me aliviando ali mesmo, debaixo da água quente, pensando nele e em cada detalhe daquele encontro.
Nos dias seguintes, tentei desesperadamente manter a minha rotina normal. Voltei para o ritmo pesado do hospital e para os treinos, mas a presença dele na academia era uma constante. Quase sempre, Alexandre chegava justamente quando eu já estava finalizando minhas últimas séries.
Ele acenava de longe com aquele sorriso contido e eu retribuía com um aceno de cabeça rápido, tentando a todo custo evitar olhar para ele. Fingir desinteresse, no entanto, não é nada fácil quando o cara parece desenhado à mão. Eu me concentrava nos aparelhos, na respiração, em qualquer coisa que não fosse a presença dele — até que percebi os passos curtos e a sombra dele se aproximando do meu banco.
Ele parou do meu lado, encostando a mão na cintura e me encarando com aqueles olhos castanhos refinados.
— E então, Leonardo... vamos tomar aquela cerveja qualquer noite dessas? — a voz dele veio baixa, carregada daquela confiança tranquila que me desarmava por inteiro.
A semana arrastou-se até a sexta-feira.
Naquele dia, Alexandre chegou mais cedo. Diferente das outras vezes, manteve uma certa distância, focando no treino dele. Mas, de tempos em tempos, acabava passando perto de onde eu estava para pegar um halter ou mudar de aparelho, soltando aquelas frases curtas com a voz grave:
— Tudo bem?
— Tudo tranquilo?
Eu apenas concordava com a cabeça e dava um sorriso contido, tentando não me entregar.
Ele finalizou o treino dele primeiro e seguiu para o vestiário e para a área dos chuveiros. Alguns minutos depois, precisei ir também. O vestiário não estava vazio dessa vez; tinha outro cara usando os armários do outro lado do espaço, o que deixava o ar um pouco menos intimista.
Lavei o rosto, troquei de roupa e peguei minha mochila. Quando eu estava caminhando em direção à saída, Alexandre — já de banho tomado, vestindo uma camisa polo ajustada e exalando aquele perfume amadeirado — se aproximou de mim, parando a um passo de distância.
— Olha, desculpe se pareci intrometido nesses últimos dias — ele disse, com um tom de voz calmo e sincero, mantendo o olhar fixo no meu.
Fiquei visivelmente constrangido com a abordagem direta dele, sentindo minhas bochechas esquentarem.
— Pareci antipático, né? — soltei, tentando disfarçar o desconforto.
— Antipático, não. Mas fechado — ele respondeu, dando um meio-sorriso compreensivo. — Vou te dar espaço. Não quero te deixar desconfortável.
A atitude dele foi diferente de tudo o que eu esperava. Ele não foi agressivo, não insistiu e nem agiu com arrogância. Ele simplesmente demonstrou respeito ao meu tempo. E aquilo desmontou metade das minhas armas.
Antes que ele se virasse para sair, tomei a iniciativa, deixando o meu lado atrevido e decidido falar mais alto:
— Olha... podemos sair no sábado para tomar aquela cerveja.
Joguei a mochila sobre a única cadeira da mesa de jantar e me deixei cair no colchão. O silêncio do meu pequeno kitnet parecia enorme. O espaço era humilde — um cômodo que unia quarto e cozinha, com o zumbido fraco da geladeira velha ao fundo —, mas era o meu canto em BH.
Fiquei ali deitado, olhando para a tela do celular iluminando o meu rosto. Na lista de contatos, o número dele brilhava em destaque: Alexandre.
Minha cabeça era uma tempestade. Uma parte de mim lembrava da decepção com o Gabriel, do medo de virar só mais uma diversão de fim de semana para um cara de terno e perfume caro. Mas a outra parte — a parte que encarou ele no restaurante e sustentou o olhar no chuveiro — sabia que a atitude dele no vestiário tinha sido diferente. Ele não tinha me pressionado. Tinha me oferecido espaço.
Respirei fundo, sentindo o peito inflar. Ajeitei os travesseiros, sentei na cama e encarei o teclado do celular. Chega de remoer o passado.
Criei coragem e mandei uma mensagem de texto:
“Boa noite, Alexandre.”
Bloqueiei a tela imediatamente e joguei o aparelho do meu lado no colchão, o coração batendo um pouco mais rápido do que o normal. Agora, a bola estava do lado dele.
continua…

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Ficha do conto

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maximilan

Nome do conto:
com o cara mais velho. c2

Codigo do conto:
270016

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
16/08/2026

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