Um conto erótico de Leandro Vicente
Categoria: Gay
Data: 25/09/2026 09:12:40
Assuntos: Bissexual, Boque-te, Corna, Cunete, Dominação, Gay, Humilhação, Macho, Namorada, Pés, Podolatria, Romance, Sigilo, SPH, Submissão, Traição.
Na rua o calor ainda apertava, mas já estava anoitecendo. Saí da casa de Carlos e caminhei até o carro com o corpo doendo, com medo de que alguém me visse ali.
A direção continuava puxando pra esquerda e fazendo aquele barulho. No caminho parei em um lugar pra comprar umas coisas, entrei rápido, escolhi sem pensar e paguei. Joguei a sacola no banco de trás. Liguei o carro e segui pra casa.
Eu tentei evitar, mas tive que passar novamente no cruzamento — aquele cruzamento — parei. Dessa vez parei. Estava vazio. A poça de óleo tinha sumido. O palco de hoje mais cedo já não estava mais lá. O ato, consumado.
Cheguei em casa e tranquei a porta. Encostei as costas nela e fiquei parado. O apartamento estava escuro e o silêncio zumbia. Escondi na sala a sacola que comprei e acendi a luz da cozinha. O relógio do micro-ondas marcava 18:47. A Gi chegaria em umas duas horas. Ela não pode me encontrar assim. O gosto de Carlos ainda está na minha boca agora. O que ela vai pensar? Enjoo. O gosto de outro homem.
Na bancada da cozinha, a garrafa de gin que eu bebi mais cedo. É isso! Era o gin. Só pode ser o gin. Eu estava bêbado quando respondi "Ok" pra aquela mensagem, bêbado quando dirigi até a casa dele, bêbado quando gritava o nome daquele escroto de quatro. Ninguém toma decisões confiáveis com quatro doses de gin e um acidente de carro no mesmo dia. Li sobre isso em algum lugar — desorientação, comportamento fora do padrão, o corpo em modo de sobrevivência. Qualquer pessoa reagiria de um jeito estranho naquelas circunstâncias.
Peguei a garrafa e me servi de mais um copo, pra acompanhar o raciocínio.
Fui pro banheiro. Tirei a camiseta pela cabeça, joguei no cesto. A bermuda tirei devagar, feito curativo em ferida aberta. Estava com raiva e vergonha. A cueca tinha uma mancha seca na frente. Minha porra. Do gozo que saiu sem ninguém ter me tocado, enquanto o leite dele descia pela minha garganta. Enfiei tudo no fundo do cesto, debaixo de outras roupas.
Fiquei nu de frente pro espelho.
Os joelhos vermelhos, levemente ralados — do chão da sala, do concreto da garagem, do asfalto do cruzamento. Três vezes ajoelhado num dia só. Que patético. Na cintura e nas nádegas, marcas arroxeadas dos dois lados, do tamanho exato das mãos dele. Apertei uma com o polegar. E junto com a pressão veio a cena inteira: eu de quatro na cama dele, o rosto enfiado no travesseiro, minha bunda empinada porque ele mandou empinar, o barulho da nossa pele batendo, molhada.
Aquele cara pensou que tava falando com quem? “Gostosa, putinha, boa garota”. Ele vai ver.
No pescoço, um roxo escuro perto da clavícula. Quando foi? Foi quando ele entrou em mim e desceu a boca ali pra me amolecer. E amoleci. Filho da puta, deixou um chupão em mim. Me marcou! Me marcou que nem cachorro mija no poste! E se a Gi vê isso? Esse cara é doente!
Olhei pra baixo. Duro. Meu pau latejando. Meu corpo tinha acabado de assistir o replay inteiro e respondido como um cachorro que ouve o barulho da coleira.
Entrei no chuveiro e abri a água no máximo. Frio. Gelado. Agarrei o sabonete e comecei a me esfregar com as duas mãos, nos braços, no peito, no pescoço, com força, como se Carlos fosse uma camada de sujeira entre a pele e a carne.
"Levanta. Vai embora. Já me causou problemas demais por um dia só."
Depois de tudo. Depois de eu ter beijado cada dedo do pé dele na sala, ter engolido ele inteiro até engasgar, ter tirado minha roupa — depois de tudo isso, Carlos vestiu uma cueca, me olhou de cima, e me mandou embora como quem diz pro cachorro sair do sofá. Não me ofereceu o chuveiro. Não perguntou se doía. Não ofereceu um copo de água. Ele nem se deu ao trabalho de me acompanhar até a saída.
Esfreguei as axilas, o estômago, passei o sabonete entre as pernas com a pressão de quem tenta arrancar uma mancha de graxa.
Parte de mim queria ter ficado. Queria que ele continuasse o cafuné. Queria que tivesse me olhado depois e dito qualquer coisa que não fosse uma ordem de saída. Que tivesse me dado uma razão. Um caminho a seguir.
No fim serei mais uma das histórias que ele vai contar rindo no vestiário pro Fábio: "Aquele carinha ali, o que bateu no meu carro? Tu não vai acreditar no que ele fez na minha sala."
Que tipo de homem quer carinho de outro homem depois de ser fodido por ele?
A espuma descia e era como um batismo. Voltei pros braços. Passei de novo. De novo. O sabonete escorregou e eu peguei do chão sem parar. Esfreguei a virilha até arder, o pescoço até ficar vermelho. Se eu pudesse abrir minha pele e lavar por dentro eu abriria.
Disciplina. Deus. Carreira. Estudo. Mulher vem por consequência.
Quantas vezes eu repeti isso? Aquelas palavras eram minha armadura. Eu vestia todo dia junto com meu perfume e minhas camisetas, e ela me protegia de tudo — da expectativa, das piadas, do meu próprio reflexo. E agora eu estava aqui tentando vesti-la mais uma vez e ela não entrava. Os ombros não encaixavam. As costuras tinham mudado de lugar. Eu era o mesmo corpo, mas alguma coisa tinha sido reorganizada por dentro.
Esfreguei o rosto. A boca. Escovei os dentes e enfiei os dedos na boca para esfregar a língua, engasguei, cuspi. O banho mais banho da minha vida e eu ainda me sentia sujo.
Que mané carinho. Eu não sou veado. Estou com nojo daquele cara. A minha intuição sempre esteve certa. Aquele cara não é boa peça. É um tarado, se aproveitou de um momento estressante para me quebrar. Eu tava bêbado. E a partir de hoje eu não volto naquela academia. Vou treinar em outro lugar, vou ver se o Gustavo vai comigo. Não quero ver aquele cara, nem de longe.
Encostei a testa no azulejo e fiquei parado encarando a parede. Fechei a água.
Chega de drama. A Gi ia chegar em uma hora, talvez menos. Me sequei de costas pro espelho. Tinha uma vida pra viver. E uma mulher para encantar. Passei meu desodorante Senador, balm pra barba, perfume. Vesti uma bermuda preta, longa e limpa e uma camiseta branca oversized com o símbolo sigma S vermelho atrás, e um sorriso no rosto.
Eu precisava ocupar as mãos e a cabeça. Abri a geladeira com propósito — coxa e sobrecoxa, laranjas, creme de leite, talharim. O prato favorito dela: frango assado ao molho de laranja e talharim ao alfredo. Ia fazer jantar, arrumar mesa, acender vela. Ser o Gabriel que ela merece.
Liguei o forno. Temperei o frango — sal, alho, azeite, páprica. Enfiei na assadeira. Enquanto esquentava, arrumei a mesa: dois pratos, dois copos, guardanapo de pano que a Gi trouxe e eu nunca tinha usado. Achei uma vela no fundo de uma gaveta e acendi. A chama ficava oscilando.
A campainha tocou. O frango ainda não estava pronto.
Abri a porta e Giovanna estava ali com uma sacola de mercado numa mão e o celular na outra, provavelmente me ligando de novo. Me olhou de cima a baixo.
— Gabs! Te mandei mensagem o dia todo. Te liguei umas cinco vezes. Caixa postal.
— Oi, Gi. Desculpa. Entra.
Ela entrou e largou a sacola na bancada. Dei um abraço e a beijei. Com a mesma boca que... Enfim. Giovanna beijou de volta, um selinho demorado, e eu segurei o rosto dela com as duas mãos porque era isso que namorado faz.
— Que cheiro bom. Você tá cozinhando? — Ela olhou pra mesa. Os dois pratos, os copos, o guardanapo de pano, a vela. — Gabriel. Você fez tudo isso?
— Tô tentando. O frango ainda não tá pronto.
— Hmmm. Que bom! Trouxe vinho pra gente.
— Bom.
Me virei para ver o frango no forno. Ela estranhou minhas respostas curtas.
— Você tá estranho. O que aconteceu?
Eu tinha ensaiado isso no chuveiro, entre uma esfregada e outra. A versão oficial: acidente de trânsito. Que era verdade. Só que não era tudo.
— Gi, eu sofri um acidente. Lá no centro hoje, saindo da academia. Bati no carro de um cara.
— O quê!? Como assim? E você não me avisa? Você se machucou?
— Não, eu tô bem. Foi culpa minha, furei um pare. O carro ficou meio zoado na direção, mas anda. O do outro cara ficou pior.
— Meu Deus, Gabriel! Que susto! — Ela passou a mão no meu rosto, me examinando como se procurasse um corte escondido. O olhar dela desceu pro pescoço. — E você ficou o dia inteiro resolvendo isso? Por isso não respondeu?
Ali estava a porta. Aberta, iluminada, esperando eu passar por ela com a mentira certa.
— É. Fiquei com o cara esperando o guincho do irmão dele, depois fui ver uns orçamentos, o celular morreu no meio da tarde. Quando vi já era quase noite. Desculpa, Gi. Devia ter avisado.
— Ah, amor. — Ela encostou a testa no meu peito e ficou ali. — Que dia horrível. Imagina se tivesse sido pior? Imagina se você tivesse se machucado de verdade?
Coloquei a mão nas costas dela e fiquei parado. Senti o peso do corpo dela contra o meu, a respiração morna no meu peito, a confiança total de alguém que não desconfia de nada. Giovanna estava preocupada comigo. Genuinamente preocupada. E eu estava ali, cheirando a mentira, recebendo o cuidado que não merecia de uma pessoa que eu tinha traído há menos de quatro horas.
— E o carro do outro cara, vai ter que pagar?
— Não sei ainda. Estamos negociando.
Estamos negociando.
— Tá bom. Tomara que dê tudo certo. — Ela se soltou, olhou pra cozinha. — Deixa eu ver esse frango.
Giovanna foi até o forno, abriu, espetou o frango com um garfo. Já tinha costume na minha cozinha. Sabia onde ficava cada coisa melhor que eu. Ajustou a temperatura, abriu a sacola que tinha trazido — vinho, sorvete, um pacote de pipoca de micro-ondas. Coisas de sábado à noite.
— Você fez talharim? — Ela olhou pra panela limpa na pia.
— Fiz. Tá ali no escorredor.
— Molho de laranja?
— Uhum.
Ela provou o molho. Fez uma careta mínima, dessas que ela disfarça pra não me magoar. Foi até a geladeira, pegou mais uma laranja, espremeu, acrescentou um pouco de mel e mexeu. Em dois minutos o molho estava melhor do que tudo que eu tinha feito na última hora.
— Pronto. Agora deixa comigo que você já fez demais pra quem bateu o carro hoje.
Giovanna tirou o frango do forno, cortou, montou os pratos. Colocou o talharim do lado, regou com o molho que ela tinha corrigido. Trouxe as cervejas. Sentou na cadeira que eu tinha arrumado pra ela, abriu o guardanapo de pano no colo — o guardanapo que ela mesma tinha trazido meses atrás e nunca tinha visto eu usar. Olhou pra vela acesa, pro prato, pra mim.
— Você sabia que eu ia precisar disso hoje, né?
Eu que estava precisando. Mas não disse nada.
Comemos. Gi falava do dia dela — na Guarda, trânsito, correria, lidar com o público. Não registrei exatamente o que ela falava. Respondia com a cabeça, sorria quando era pra sorrir, fazia perguntas quando o silêncio durava demais. O frango estava seco nas pontas mas ela não reclamou. O talharim tava bom. O molho, graças a ela, tinha ficado aceitável. E a vela derretia devagar entre nós dois, fazendo sombras na parede, iluminando uma mesa de mentira que ela achava que era de amor.
No meio do jantar peguei o telemóvel pra trocar a música. WhatsApp aberto, a última conversa: "Carlos Acidente." Bloqueei a tela e guardei o Telemóvel no bolso da bermuda. Pelo resto da noite ele ficou ali, pesando na perna como um segredo com bateria.
Depois do jantar Gi lavou a louça enquanto eu secava. Ela cantarolava alguma coisa e eu fingia que não estava contando os segundos. Abrimos o vinho que ela trouxe. Sentamos no sofá. Ela puxou minhas pernas pro colo dela e ficou passando a mão na minha canela enquanto procurava algo pra assistir. Parecia um sábado qualquer.
— Gabs, vem cá. — Ela se virou pra mim no sofá e puxou a gola da minha camiseta pro lado. — Isso aqui foi do acidente?
Os dedos dela estavam em cima do roxo. Do chupão. A unha raspou a borda da marca e meu corpo inteiro contraiu.
— Foi. Bati no volante com o impacto. O cinto segurou o corpo mas o pescoço foi pra frente.
A frase saiu rápida, pronta demais. Eu não tinha ensaiado essa.
— Parece um hematoma feio. — Ela apertou de leve com o polegar. — Dói?
— Um pouco.
— Você devia ter ido no médico, Gabriel. E se tiver alguma coisa? Chicotada no pescoço é sério. Minha tia teve e ficou meses com dor.
— Não foi tão forte assim. Tô bem, Gi.
— Está bem nada. Olha essa marca. — Ela ficou examinando, a cabeça inclinada. — Parece mais um... — parou no meio da frase. Me olhou.
Meu estômago afundou.
— Parece mais um o quê?
— Nada. Esquece. — Ela soltou a gola e voltou a mexer no controle. — Só que é estranho. Marca de volante fica na testa, no peito. No pescoço assim, na lateral...
— Gi, eu tava sentado meio torto. A batida veio do lado. Perpendicular.
— Está. — Ela ficou em silêncio um segundo a mais do que o normal. Depois deu um gole no vinho e colocou Gente Grande pra assistir.
A cabeça disparou e meu coração entalou no pescoço — justamente em cima da marca que Carlos deixou. Essa foi por pouco. A Gi não insistiu, mas também não disse "ah tá" com aquele tom de quem engoliu a desculpa. E se ela continuar desconfiando?
E o Gustavo? Gustavo treina na mesma academia que Carlos. Eles se falam. Ele disse que os caras de lá até ajudaram ele num exercício. E se Carlos solta alguma coisa? Não precisa nem ser explícito. Basta um olhar, uma piada, um "e aí, seu amigo sumiu hein" — Gustavo é curioso e vai suspeitar rapidinho.
Meu pai. Conhece todo mundo na merda dessa cidade. Pra qualquer suspeita chegar aos ouvidos dele são dois telefonemas! "Não vai me dizer que é veado, filho."
Se ele descobre isso? Se qualquer um deles descobre? Não o acidente. O resto. O que eu fiz de joelhos. O que eu gritei.
— Gabs? — Gi me cutucou com o pé. — Tá no mundo da lua.
— Oi. Desculpa. Esse acidente mexeu comigo.
— Eu sei, amor. Tá escrito na sua cara. — Ela se aproximou e encostou a cabeça no meu ombro. — Quer que eu te anime um pouco?
Ela disse enquanto prendia o cabelo.
Não respondo. Giovanna toma meu silêncio como sim.
Ela se ajoelha entre as minhas pernas, puxa a barra da minha camiseta pra cima e beija minha barriga. As mechas vermelhas do cabelo roçando na minha pele. Desce. Beija abaixo do umbigo, na linha de pelo, devagar, enquanto os dedos puxam o elástico da bermuda. Levanta o olhar pra mim — aqueles olhos castanhos que ficam quase dourados com a luz da vela que ainda tava acesa na mesa da cozinha. Tira minha bermuda e minha cueca de uma vez, jogando pro lado. Começa a acariciar meu pau com a boca por cima, os lábios molhados passando pela extensão, o hálito quente. Beija minha virilha, meu saco, sobe e engole. Tarefa fácil. Eu estava mole.
Gi insistiu. Chupava devagar, com vontade, a mão firme na base, a outra subindo pela minha coxa. Eu sentia tudo — a boca quente, a língua, a pressão — mas era como assistir de fora. Meu corpo estava ali e não estava. Flácido.
Não queria frustrar ela. Não queria me frustrar mais ainda. Essa vai ser minha prova.
Desligo a TV.
Coloquei as mãos na cabeça dela e empurrei devagar pra baixo. Ela pensou que eu queria as bolas. Não. Mais embaixo. Posicionei a boca dela entre meu saco e meu cu e Gi começou a lamber. Quente. Molhado. Minha barriga contraiu e minhas pernas abriram sozinhas. Ela não sabia que eu sentia prazer ali. Nem eu sabia antes de hoje. Gi foi descendo, lambendo mais embaixo, mais perto, até a língua encostar no meu cu. Meu quadril levantou do sofá sozinho.
"Hah! Gostou? Nunca ninguém te chupou aqui?"
A voz de Carlos. Nítida. Como se ele estivesse ali no quarto, encostado na porta, assistindo de braços cruzados com aquele sorriso de merda.
Meu pau endureceu de uma vez.
Puxei Gi pra cima e fomos até a cama nos beijando. Ela caiu de costas, o cabelo espalhando no travesseiro, a camiseta subindo até os peitos. Arranquei a calcinha pra baixo sem tirar a camiseta — ela gostava assim, com pressa, quando eu tomava a iniciativa sem pedir licença, o que não era frequente. Abri as pernas dela com os joelhos e me encaixei entre as coxas. A pele quente do interior das coxas dela na minha cintura. Rocei a cabeça do pau na entrada. Ela estava molhada. Gi segurou meu braço com as duas mãos e me olhou.
— Gab — Ela gemeu.
Não respondo.
Entrei devagar. Tirei. Entrei de novo, mais fundo. Ela apertou meu braço e gemeu com a boca fechada. Repeti — tirando e entrando, cada vez com mais peso. Enterrei tudo de uma vez e olhei nos olhos dela.
— Porra, Gi...
Ela gemeu alto. Unhas nas minhas costas. Na minha cabeça pulsava feito um estroboscópio: o pau de Carlos na minha frente, grosso, escuro, as veias pulsando. A cabeça rosada encostando na minha boca. O gosto. O peso na minha língua.
— Isso Gab, mais forte.
Meti bruto. Segurei a cintura dela e puxei contra mim a cada estocada. O corpo dela balançava embaixo de mim, os peitos sacudindo por baixo da camiseta, a boca aberta, a testa suando. Cada metida que eu dava era o pau de Carlos me abrindo, o saco batendo na minha bunda, o cheiro dele, a mão dele na minha nuca me empurrando contra o colchão, o pé dele no meu rosto. Ele estava atrás de mim agora, no meu quarto, me fodendo enquanto eu fodia ela.
— Gabriel... caralho...
Agarrei as coxas dela, levantei o quadril, mudei o ângulo. Gi arqueou as costas e agarrou o lençol com as duas mãos. Aumentei a velocidade e desci a mão pro meio das pernas dela, massageando. Ela travou. As coxas apertaram minha cintura e todo o corpo dela tremeu. Senti a buceta dela ficar mais molhada. Ela estava gozando em volta do meu pau. O gemido dela saiu longo, quase um grito, e eu senti as paredes dela pulsando.
Não parei. Continuei metendo, ofegante, Carlos colado em mim, me mandando empinar, dando tapa na minha bunda, sussurrando no meu ouvido "aguenta, putinha". Me acabei. Gozo como quem estava na seca, as pernas tremendo, enterrado nela até o fundo. Não sei quantas vezes gozei, mas enquanto meu corpo se esvaziava eu sentia a porra de Carlos descendo pela minha garganta mais uma vez. O gosto quente, doce, grosso.
Simultâneo ao nosso orgasmo, a tempestade desabou lá fora. Trovão. Chuva grossa batendo na janela.
— Nossa, Gabriel. O que deu em você?
— Gostou? — Estava ofegante.
— Gostei? Olha pro seu colchão.
Era isso. Era isso que eu precisava ver. Tá aí a prova. Eu sou um homem que faz mulher gozar. Eu, Gabriel Moreira, 23 anos, macho. Fiz a Giovanna tremer embaixo de mim. Com o pau que aquele cara disse que não servia pra nada. Serviu sim, seu filho da puta. Serviu muito bem. E aqui enterro essa história, como enterrei meu pau na Gi.
A partir de agora, hoje cedo não existiu. Não aconteceu nada na casa de ninguém. Carlos? Não conheço. Apago o contato? Não. Parece que estou fugindo de alguma coisa. Não fujo de nada.
Gi se aconchegou no meu peito. O cheiro do cabelo dela, o peso leve do corpo, a respiração acalmando. Ficamos assim. A chuva batendo na janela, a vela apagada pela corrente de ar, a sala escura. Isso é real. Isso é o que eu quero. Uma mulher bonita, que me quer, que gosta de mim, que acabou de gozar comigo. Comigo. Não preciso de mais nada.
Levantei devagar e fui até a sala. A sacola do banco de trás do carro — a que eu tinha jogado ali quando cheguei — estava no canto, perto da porta, onde eu tinha largado sem Gi perceber. Peguei e voltei pro quarto. Gi estava deitada de bruços, o lençol na cintura, me olhando curiosa.
— O que foi?
Sentei na beira da cama. Tirei de dentro da sacola uma caixinha pequena. Uma aliança de prata. Comprei hoje voltando do… acidente. Não sabia exatamente por que estava comprando aquilo. Agora eu sabia.
— Gi, quer namorar comigo?
———
E aí, pessoal! O que tem achado da série de contos? Será que Gabriel vai fingir que nada aconteceu? Ou vai voltar atrás e mandar mensagem pra Carlos?
Por Tuga069
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