Categoria: Heterossexual
Data: 22/09/2026 09:38:09
Assuntos: Heterossexual, Sexo.
L. Vicente não sabia muito bem por que saiu de casa naquela noite. Quase nunca aceitava convites para festas – de aniversários a casamentos. A comemoração ocorreria num pequeno bar não muito longe de sua casa, onde estariam presentes um bando de conhecidos, um bando de desconhecidos e dois amigos, que estavam anunciando a chegada de um bebê. O casal de amigos era importante para L. Vicente, o que explica, ao menos em partes, o aceite. Arrumou-se displicentemente e borrifou quatro vezes o seu melhor perfume, como manda o manual. Estava pronto.
Não muito distante dali, uma garota se preparava para ir à mesma festa. Ao contrário de L. Vicente, entretanto, Marina. começara a se preparar com muita antecedência. Desde que recebera o convite, ela havia revirado todas as lojas de roupa da cidade. No entanto, acabou comprando seu vestido pela internet. Era um vestido vermelho, nem muito longo nem muito curto, um palmo e meio acima de seus joelhos, pairando entre o formal e o informal. Assim que o vestiu, notou que o caimento era perfeito. O vermelho sempre fora sua cor, realçando sua pele. O toque final foi o batom, também vermelho. Estava pronta.
Ambos chegaram quase juntos. Não se conheciam, mas se cumprimentaram à porta. Durante boa parte da noite ele ficou sozinho, batucando as músicas, que iam de The Offspring a Kings of Leon, com os dedos no balcão enquanto tomava uma dose de whisky com gelo. Ela, por outro lado, conversava ora com um, ora com outro, passeando graciosamente por todos os grupos, enquanto bebia seu gin tônica. Os mundos dos dois pareciam, para quem quer que observasse, completamente diferentes, pareciam que jamais se cruzariam.
Quando L. Vicente estava prestes a sair – sempre saía mais cedo nas poucas vezes que aceitava ir a algum lugar – o amigo o chamou, perguntando se poderia dar uma carona à Marina, que também iria embora mais cedo devido a uma conferência que teria na manhã seguinte. Ele prontamente se colocou à disposição, convidando-a a caminhar com ele até o local onde o carro estava estacionado. Logo de início gostou dela; não tanto pela aparência, que inquestionavelmente era deslumbrante, mas principalmente pelo sorriso sincero e pela atenção que dedicava à conversa, não importando o assunto. L. Vicente, sabia que a maior parte das trocas de palavras que as pessoas chamavam de conversa nada mais era do que uma batalha de monólogos. Pouquíssimas eram as pessoas dispostas a ouvir com atenção. Marina, por acaso, era uma dessas raras pessoas.
Quando chegaram em frente ao prédio em que ela morava, Marina o convidou a entrar. Sentado no sofá caramelo, L. Vicente, a aguardava, enquanto ela lhe preparava mais uma dose de whisky com gelo. Ela tomou para si uma taça de vinho, sentando-se ao lado dele. A música que tocava suavemente ao fundo era de Neil Diamond, que descobriram ainda no carro que era um gosto que tinham em comum. Enquanto conversavam, ela olhava dentro de seus olhos. Ele retribuía. Poucos minutos depois, Marina colocou sua mão sobre a perna dele, dando o sinal. Ele inclinou-se na direção dela e seus lábios se aproximaram. Podia sentir o hálito dela, acre devido ao vinho. Encostou seus lábios nos dela, sentindo a temperatura de seu rosto subir, e deu-lhe um beijo apaixonado. Suas mãos percorriam as pernas dela aos poucos, como que descobrindo cada parte com prazer. Marina colocou a mão sobre a dele, convidando-o a subir mais, tocando as partes que até então estavam escondidas pelo tecido vermelho. Sentia o calor do corpo dela.
Ela o empurrou levemente, levantou-se e tirou o vestido, ficando apenas com suas roupas íntimas de renda preta. Colocou os joelhos sobre as coxas de L. Vicente enquanto o ajudava a tirar a camisa. Depois foi ele quem se levantou para terminar de se despir, jogando as roupas no chão, junto ao vestido dela. Ela livrou-se do sutiã e ele pôde sentir os seios firmes sob suas mãos. A respiração de Marina se alterava de forma quase impercetível quando ele tocava os mamilos eriçados. Ele a penetrou vigorosamente, como nunca tinha feito com ninguém. Naquele momento nem uma palavra sequer foi trocada – estavam em completo transe. Só era possível escutar a respiração pesada e os sons de prazer. Os corpos já suados, um sobre o outro, numa dança que seguia o ritmo da música ao fundo, até chegarem ao ápice do prazer.
Tanto ela quanto ele sabiam que o que havia acontecido deveria ficar em segredo. Apesar da conferência, Marina queria ficar deitada mais um pouco em seu peito, escutando sua respiração. Sentia-se livre ali, nua. Ele pensava pouco, ainda enfeitiçado pelo cheiro dela, pelos cabelos que lhe caíam sobre o peito, ainda molhados pelo suor.
Quando foi embora, após a despedida selada com um longo beijo, pensou em tudo o que aconteceu, na improbabilidade daquilo. Talvez aceitasse mais convites a partir de então, quem sabe. A única certeza que tinha era que, a não ser nas lembranças, jamais a veria novamente.
Por Tuga069