Perguntei: "E o áudio, amor? Você gravou tudo?"
Ela: "Gravei, amor. Na hora que eu te mandei que ele tinha chegado, eu coloquei pra gravar. E ainda tive o cuidado de deixar o celular o mais perto possível."
Eu ali, feliz, como uma criança esperando presente de Natal: "Então me manda, amor."
"Tô te encaminhando."
Peguei meu fone: "Amor, vou me trancar aqui no quarto, tá?"
"Por quê?" E ela mesma respondeu, rindo: "Ah, já sei. Você quer ouvir e bater uma punhetinha, né?" E completou: "Amor, então eu vou dormir, porque amanhã saio cedo pro trabalho. Beijo, te amo."
Me tranquei no quarto. Agora era a prova real. Aumentei o som no máximo — queria ouvir tudo, no maior detalhe possível. Tinha hora que o barulho quase me deixava surdo, mas esse era o preço. Eu não queria perder nada.
Cada momento do áudio ia confirmando o relato dela. Ela não tinha aumentado nem escondido nada. A fofoca do serviço. O estacionar o carro e ter que sair. Até chegar na outra parada.
E então veio o momento mais esperado. Mais aguardado. Eu, atento, ouvindo o carro desligar, o mexer do banco, eles conversando e rindo, ele elogiando ela, falando do WhatsApp…
E, de repente, depois de alguns segundos de silêncio — aquele som. Aquele barulho de beijo de língua. Caralho. Ela realmente beijou ele. E não parava. Parecia infinito.
Daí escuto: "Que tal irmos pro banco de trás?" E ela, sem cerimônia, sem dificultar nem por charme, respondeu: "Vamos." Ouço as portas abrirem. Barulho de movimentação. E então os risinhos, os beijos, os gemidos leves, baixinhos…
Não preciso narrar o que veio depois no áudio. Mas teve um momento que me cortou: aquele som estalado, seco — o tapa na bunda da minha esposa. E o gritinho. Aquele "ai" que não era de dor. Aquele grito de quem queria mais.
Tudo que ela tinha me relatado era real. Eu estava ouvindo. Imaginando. Imaginando do jeito que ela tinha me mostrado dentro do nosso carro.
E então ouço: "Caralho, tô sem camisinha." Forcei o ouvido. E escutei, claro como o dia: "Relaxa. Eu tenho."
O resto, o áudio contou. Eu não vi — mas ouvi. Ouvi ela conversando. Ouvi ela beijando. Ouvi ela sendo comida por um negro, dentro do nosso carro. Ouvi eles reclamando do calor, rindo.
Caralho. Ela me traiu mesmo. E não foi só transar — ela se divertiu. Ela bateu papo, fofocou, riu, se entregou. Ela curtiu.
Sim. Minha esposa é uma vadia. Minha esposa dá pra outros. E pior — minha esposa confirmou: preto é melhor. Tudo é melhor. E minha dúvida, aquela que me corroía: será que ela ia gamar? Sim. Gamou.
Me aceitei como corno. Nossa vida continuava tudo igual. A diferença é que, quando eu olhava no espelho, eu sabia: sim, eu sou um chifrudo. Não é fantasia. Não é só desejo. Sou chifrudo. Sou corno. E pior — sou manso.
Dias se passaram. Ela normal. Eu perguntava: "Viu ele no serviço?" Ela respondia: "Às vezes sim, às vezes não." Conversavam pouco no WhatsApp, não tinham muito assunto. Daí eu cobrava: "E aí, amor, vai pro motel com ele?" Ela: "Pois é, tô só esperando. Mas ele fica dando desculpa — diz que tal dia tem compromisso, outro dia tem outra coisa. Vamos ver quando ele vai ter tempo."
Passaram mais uns dias.
Um certo dia ela me manda mensagem do trabalho: "Amor, marquei de dar uma voltinha com ele de novo hoje."
Me pegou desprevenido. "Sério, amor? Hoje? Mas vão pra onde?"
"Ah, amor, não sei."
"Como assim não sabe?"
"Amor, ele mandou mensagem perguntando se eu tava livre hoje à noite, e eu disse que sim."
Cara. Fiquei com muito tesão, claro. Mas confesso — fiquei com muito ciúme também. Como assim ela não tinha dito nada? Como assim já aceitou?
Ela falou pouco comigo durante o dia. Chegou na correria, mas chegou mais alegre que o normal. Mais segura, sabe? "Oi, amor… me ajuda pra eu não me atrasar."
"Peraí, amor, me explica melhor…"
Ela parou. Me olhou. "Tá bom, amor, pode falar."
"Pra onde vocês vão? Vão pra um motel? Ficar na rua é perigoso. Pode aparecer alguém, querer roubar, ver vocês, fazer alguma coisa com você."
"Mas amor, lá é tranquilo."
"Amor, nenhum lugar é tranquilo. Aqui é cidade grande, a gente tem que tomar cuidado. É melhor ir no motel."
"Mas amor, ele disse que precisa ser rápido, porque tem que buscar a filha dele. E ainda falou que é final de mês, tá sem dinheiro pra pagar motel."
"Mas como assim, amor? Esse cara não tem nem cem reais pra pagar um drive-in? Pelo amor de Deus, é perigoso."
"É que ele precisa buscar a filha, amor. Então tem que ser rápido."
E foi nessa hora que meus olhos encheram de água. Ficaram lacrimejando. "Amor… você tá defendendo ele como se ele fosse seu marido."
Ela: "Não, amor, não é isso. Mas se você quiser, eu não vou. Deixa, vai. Eu digo pra ele que não vou mais."
Eu, perdido, sem saber o que dizer, sem saber o que sentir: "Tá bom, amor. Vai. Mas toma cuidado."
"Certeza, amor? Você quer mesmo?"
"Sim, amor. Pode ir."
"Então tá bom. Pode deixar que eu gravo tudinho pra você, tá?" E foi tomar banho.
É, meu amigo. Dessa vez eu não me senti só corno. Me senti um frouxo de verdade. E eu sei o que você tá pensando: "cara, pra tudo isso você precisava ter tomado as rédeas." Mas a verdade é que corno gosta disso. No fundo, no fundo, quanto mais ela fica no poder, mais ela me humilha, mais excitante fica, mais gostoso. O problema é que é uma mistura de sentimento. Quem é corno sabe o que eu tô dizendo. A gente fica meio que se humilhando só pra ver até onde ela vai ter coragem. E já adianto: minha esposa não tem limite. Vocês vão ver mais pra frente.
Não vou repetir os detalhes. Mas sim — minha mulher foi de novo trepar com o negro que ela tanto gostou. Foram umas duas horas. Devem ter transado uns quarenta minutos; o áudio deu quase uma hora, mas teve as conversas antes e depois.
Eu realmente era corno. Agora era corno por duas vezes. Agora eu tinha, de fato, a vida de corno. Confesso que estava com medo, meio atordoado — mas sim, eu estava gostando. Eu queria mais. Eu queria que ela arrumasse outro cara na empresa, só pra ver até onde ela iria.
Nas nossas transas, ela repetia o quanto foi bom trepar com o negro. O quanto se sentiu preenchida. O quanto gostava do cheiro dele. Eu ficava louco. E sempre, quando eu estava perto do fim, ela dizia — normal, tranquila, mas olhando no fundo dos meus olhos, com aquele sorriso de canto de boca:
"É, amor. Você que quis ser corno. Agora você é mesmo."