A Madrastra - parte 04



A luz da manhã entrou pelas frestas da cortina como uma intrusa indesejada, pintando o quarto em tons de cinza e ouro. Júlia despertou lentamente, o corpo ainda pesado da noite anterior, a mente girando em torno de imagens que se recusavam a se dissolver.

O gosto da confusão estava em sua boca como um resíduo amargo. De um lado, o prazer carnal que a noite passada despertara — o vibrador contra sua pele, as fantasias com Pedro, o orgasmo que a fizera perder o fôlego. De outro, a moral do casamento, o pacto silencioso que fizera ao trocar sua liberdade por segurança, sua identidade por submissão.

Pedro era como um filho, pensou ela, os olhos fixos no teto. Ela o vira crescer, compartilhara refeições com ele, preocupara-se com seus estudos e sua saúde. Havia nele uma familiaridade que beirava o materno, uma proteção instintiva que ela sentia desde o primeiro dia em que entrara naquela casa.

Mas também havia algo mais. Algo que a fazia fechar os olhos com força, como se pudesse apagar da mente o que insistia em permanecer. Não era apenas o corpo dele que a atraía — era a maneira como ele a olhava, como se ela fosse a única mulher no mundo. Era a intensidade, a fome, a promessa de algo que o marido jamais lhe dera.

Júlia sentou-se na cama e passou as mãos pelo rosto, tentando afastar o torpor. A noite passada fora um mergulho em águas profundas, e agora ela emergia para um mundo que parecia o mesmo, mas não era.

Levantou-se e foi até o armário. Sua mão vagou pelas roupas, tocando os tecidos familiares — os vestidos discretos, as blusas recatadas, as saias que iam até os joelhos. Tudo aquilo era a armadura da esposa que o marido esperava, a imagem que ela construíra para si mesma.

Mas hoje, algo a impeliu para um canto diferente do armário. Seus dedos encontraram um vestido que ela comprara numa liquidação e nunca usara — mais curto, mais justo, mais decotado do que qualquer coisa que ela ousasse vestir na presença do marido. O tecido era leve, de um tom azul-claro que combinava com seus olhos. Ela o tirou do cabide e o segurou contra o corpo, olhando-se no espelho.

A mulher que a encarava era a mesma de sempre, mas seus olhos tinham uma faísca nova, algo que ela ainda não compreendia totalmente.

Vestiu-se lentamente, sentindo o tecido se ajustar às curvas de seu corpo de uma maneira que a fazia sentir-se exposta e poderosa ao mesmo tempo. O vestido terminava alguns dedos acima do joelho, um comprimento que ela nunca usava. O decote deixava à mostra o início de seus seios, e a cintura ajustada realçava suas formas de um modo que era quase provocante.

Júlia olhou-se no espelho por um longo momento. A mulher ali era ela, mas também não era. Era uma versão de si mesma que sempre existira em algum lugar profundo, esperando o momento certo para emergir.

Ela desceu para a cozinha com passos firmes, determinada a manter o ar de normalidade. A noite passada não precisava ser mencionada. O que acontecera em seu quarto, as fantasias que a consumiram — tudo aquilo podia permanecer enterrado, pelo menos por enquanto.

Pedro já estava sentado à mesa quando ela entrou. O café estava preparado, os pães dispostos num cesto, os talheres alinhados com a precisão de sempre. Ele ergueu os olhos quando ela apareceu na porta, e o choque em seu rosto foi imediato.

Júlia viu seus olhos percorrerem o vestido, descerem pelo decote, pararem brevemente em suas coxas descobertas. Viu a forma como sua mandíbula se contraiu, como sua respiração mudou sutilmente. Mas ela fingiu não notar. Cumprimentou-o com um "bom dia" neutro e foi até o fogão, como se estivesse vestindo sua roupa de sempre.

— O café está pronto? — perguntou ela, a voz propositadamente casual.

— Sim — respondeu ele, a voz um pouco mais rouca que o normal. — Acabei de fazer.

Ela serviu-se, sentou-se à mesa e começou a comer com uma naturalidade ensaiada. Seus movimentos eram os mesmos de sempre — pegar o pão, passar a manteiga, levar o café à boca — mas havia algo diferente na forma como ela se inclinava, como seus braços se moviam, como o vestido se esticava sobre seu corpo a cada gesto.

Pedro não conseguia deixar de notar. Seus olhos a seguiam como se fossem imantados, registrando cada curva que o vestido revelava, cada centímetro de pele que a roupa deixava à mostra. Ele tentava se concentrar no café, no pão, em qualquer coisa que não fosse o corpo de Júlia diante dele, mas era impossível.

A pergunta escapou antes que ele pudesse contê-la:

— Júlia, você vai sair?

Ela ergueu os olhos do prato, mantendo a expressão serena.

— Por quê? — perguntou, como se não soubesse o que ele queria dizer.

— A sua roupa — disse ele, apontando com um gesto vago. — Você... você não costuma se vestir assim.

Júlia inclinou a cabeça, um sorriso quase imperceptível nos lábios.

— Ah, sim. Logo mais, vou ao mercado. Preciso comprar algumas coisas para o jantar.

A explicação era simples, plausível, cotidiana. Mas Pedro sentiu uma pontada no peito — uma sensação estranha, desconhecida, que ele não sabia nomear. Era uma mistura de admiração e algo mais amargo, algo que se parecia com insegurança. A ideia de Júlia sair vestida assim, bonita, exposta aos olhares de estranhos, provocava nele um desconforto que ele não esperava sentir.

Ela não era sua. Não tinha por que se sentir assim. Mas o ciúme se instalou em seu peito como uma pedra.

No entanto, enquanto Júlia se movia pela cozinha para pegar mais café, para arrumar a mesa, para sentar-se novamente, Pedro não conseguia resistir. Cada movimento dela era uma coreografia que o hipnotizava — a forma como o vestido se ajustava ao seu quadril quando ela se inclinava, o balançar de seus cabelos quando virava a cabeça, a maneira como seus dedos seguravam a xícara com uma elegância que ele nunca notara antes.

Ela comeu lentamente, mastigando com uma calma que parecia deliberada. A cada garfada, Pedro sentia o aperto em seu peito se intensificar. O desejo de tocá-la, de puxá-la para si, de beijar aquele decote que agora se oferecia como uma promessa — tudo isso se misturava à frustração de saber que ela estava ali, tão perto, mas ainda tão distante.

— Come, Pedro — disse ela, a voz suave, quase maternal. O tom era meigo, acolhedor, como o de uma mãe que cuida do filho. — Vai esfriar.

Ele se derretia. Não pelo tom materno, mas pelo contraste. Aquela mesma voz que falava com doçura era a mesma que ele imaginara gemendo seu nome na noite anterior. Aquelas mesmas mãos que agora seguravam o pão eram as mesmas que, em sua fantasia, percorriam seu corpo. Aquele vestido, que parecia feito para seduzir, cobria a mulher que ele desejava com uma intensidade que beirava a loucura.

Pedro comeu mecanicamente, mas seu olhar estava fixo nela. Em cada movimento de Júlia, ele via uma pergunta não formulada, um convite que ela talvez nem soubesse que estava fazendo.

Ela, por sua vez, mantinha a fachada com uma disciplina que a surpreendia. Mas por dentro, cada olhar de Pedro era uma faísca que incendiava sua pele. O vestido, que parecia uma armadura de ousadia, era também uma confissão silenciosa.

Quando terminaram o café, Júlia levantou-se e começou a recolher os pratos. Pedro ficou sentado, observando-a, a pergunta ainda pairando no ar entre eles.

— Você vai voltar cedo? — perguntou ele, a voz um pouco mais baixa.

Ela virou-se, os olhos encontrando os dele por um instante mais longo que o necessário.

— Depende — respondeu ela, um sorriso enigmático nos lábios. — Do que você quer que eu traga do mercado.

Ela saiu da cozinha com a leveza de quem não percebe o peso de suas próprias palavras. Mas Pedro ficou ali, imóvel, o coração batendo contra as costelas como um pássaro enjaulado.

O que ela queria dizer com aquilo? Que opções ele teria? O que ele poderia pedir?

A ousadia do vestido, o olhar de Pedro, a tensão que se acumulava entre eles — tudo aquilo era um fio que se enrolava cada vez mais apertado em torno de ambos. E enquanto o dia avançava, a casa parecia respirar em antecipação a algo que nenhum dos dois tinha coragem de nomear, mas que ambos sentiam se aproximar.


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Ficha do conto

Foto Perfil Conto Erotico pedrobo1960

Nome do conto:
A Madrastra - parte 04

Codigo do conto:
274652

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
14/10/2026

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