Dez minutos. Talvez quinze. O tempo perdeu o sentido.
Então, a batida.
— Pedro, Pedro — a voz de Júlia do outro lado, abafada pela madeira, mas firme.
Ele não respondeu. Não conseguia. As palavras estavam presas em sua garganta como um nó.
— Pedro, preciso que você abra a porta. Precisamos conversar.
O silêncio se estendeu entre eles como um abismo.
— Pedro, me ouviu?
— Sim — respondeu ele, finalmente, a voz rouca, quase inaudível.
— Bom — disse ela, e havia algo em seu tom que ele não conseguia decifrar — uma calma que parecia mais assustadora que a raiva. — Estou na sala te aguardando.
Os passos dela se afastaram pelo corredor. Pedro sentiu o pânico se instalar em seu peito. O que ele fizera? O que ela ia dizer? O que seu pai faria quando soubesse?
Dez minutos se passaram. Talvez mais. Pedro ficou ali, sentado no chão do quarto, a cabeça entre os joelhos, o corpo ainda tremendo com o choque e o desejo residual.
Novas batidas na porta.
— Pedro, precisamos conversar — a voz dela, novamente, mais firme agora. — Não vou embora até você abrir.
— Já vou — respondeu ele, levantando-se com esforço. — Já vou.
Lavou as mãos na pia do banheiro, a água fria contra a pele quente. Olhou-se no espelho — o rosto pálido, os olhos arregalados, o cabelo desgrenhado.
Finalmente, abriu a porta e caminhou até a sala, os passos pesados, a cabeça baixa.
Júlia estava sentada no sofá, de roupão, uma toalha enrolada no cabelo molhado. Seus pés estavam descalços, e a luz da tarde entrava pela janela, iluminando suas pernas que se estendiam diante dela. Ela parecia calma — uma calma que era quase mais aterrorizante que a fúria.
— Senta — disse ela, apontando para o sofá em frente a ela.
Pedro obedeceu, sentando-se como um aluno na diretoria, as mãos sobre os joelhos, os olhos fixos no chão.
— Pedro, o que aconteceu? — perguntou ela, a voz baixa, mas firme. — Por que você fez o que fez?
Ele não respondeu. Não conseguia encontrar as palavras.
— Sou quase como sua mãe — continuou ela, e havia algo em seu tom que era ao mesmo tempo materno e severo. — Isso não é certo. O que está acontecendo com você?
O silêncio se estendeu entre eles.
— É muito feio o que você fez. Me diga o que está acontecendo. É uma coisa da idade? Você está confuso?
Pedro assentiu, quase sem querer. Era mais fácil concordar do que explicar.
— Puxa — disse ela, cruzando as pernas. O movimento fez o robe se abrir ligeiramente, descortinando a coxa, a pele ainda úmida do banho. — Você precisa resolver isso.
Pedro não sabia se olhava para as coxas ou continuava cabisbaixo. Seus olhos dançavam entre o chão e a visão que se oferecia diante dele.
— Eu entendo que, na sua idade, os meninos têm suas necessidades — continuou ela, a voz agora mais suave. — É normal. Mas sou quase sua mãe, Pedro. Fica muito feio fazer isso.
Ele queria sumir. Queria que o chão se abrisse e o engolisse. Mas também queria aquelas coxas.
— Olha — disse ela, esticando-se para pegar algo sobre a mesa ao lado. — Eu peguei um livro que pode te ajudar nesse assunto.
O movimento a fez inclinar-se para o lado, e o robe se abriu ainda mais. Pedro viu mais daquela coxa, viu a pele branca e macia, e então, num flash, viu os pelos pubianos escaparem pela borda do robe.
Ele tremeu. Seu pau, que já estivera tão faminto minutos antes, agora endurecia novamente sob o moletom. E ele não estava usando cueca — a ereção era visível, uma barraca que se formava sob o tecido.
Júlia já tinha o livro na mão quando se virou para entregá-lo. Seus olhos encontraram os dele por um instante, e então desceram.
Ela viu.
Arregalou os olhos, o livro ainda suspenso no ar entre eles.
— Nossa, Pedro — disse ela, a voz num tom que oscilava entre a repreensão e a surpresa. — De novo?
O ar pareceu congelar ao redor deles.
— Vai até o banheiro e se alivia — disse ela, com uma calma que parecia ensaiada, mas com um tremor quase imperceptível na voz. — E depois volta aqui para terminarmos a conversa.
Pedro não precisou ouvir duas vezes. Levantou-se, envergonhado e ofegante, e correu para o banheiro.
A porta se fechou atrás dele, e ele encostou-se a ela, ofegante, o coração disparado, o pau dolorosamente ereto. Fechou os olhos e viu Júlia — sentada no sofá, as pernas cruzadas, os pelos pubianos escapando pelo robe.
Não havia como escapar. Não havia como negar.
Ele se aliviou ali mesmo, a mão deslizando sobre o membro num movimento rápido e desesperado, a imagem dela gravada em sua mente.
E quando terminou, a vergonha se misturou ao desejo num coquetel que ele não sabia como digerir.
Pedro aproveitou e tomou um banho. Precisava relaxar, revigorar. Tudo estava muito intenso — a visão de Júlia sob o chuveiro, a queda desastrada no banheiro, a conversa na sala, a ordem para se aliviar, a nova ereção que surgira diante da visão das coxas dela. Sua mente estava um turbilhão de imagens e emoções, e ele precisava de um momento de paz.
A água quente escorreu por seu corpo, ajudando a espairecer. Os músculos tensos começaram a relaxar lentamente, e ele se perdeu no vapor, nos pensamentos que flutuavam como bolhas. Por alguns minutos, esqueceu do tempo, do mundo lá fora, das consequências de seus atos.
Mas o mundo não o esquecera.
De repente, mais batidas na porta. Desta vez, mais firmes.
— Pedro, o que está acontecendo? — a voz de Júlia, agora com um tom de preocupação genuína. — Se aliviar demora tanto assim? Isso não faz mal? Precisamos terminar nossa conversa.
Pedro abriu os olhos, o encantamento quebrado. Desligou o chuveiro rapidamente, a água parando num chiado. Enxugou-se às pressas com a toalha, esfregando o corpo molhado, e pegou o primeiro calção que encontrou na gaveta — um velho calção de malha fina, que ele usava para dormir. Vestiu-o, junto com uma camiseta, e ainda meio molhado, o cabelo pingando, abriu a porta e saiu.
— Nossa, finalmente — disse Júlia, um suspiro de alívio escapando de seus lábios. — Achei que você tinha morrido ali dentro.
Ela riu baixinho, mas havia um brilho de preocupação genuína em seus olhos.
— Eu me preocupo com você — disse ela, e ao mesmo tempo, colocou um braço em volta da cintura de Pedro, conduzindo-o suavemente em direção à sala.
O toque foi inesperado. A mão dela, quente e firme, envolveu sua cintura como se ele fosse uma criança que precisasse ser guiada. Pedro sentiu a pele arrepiar sob o contato, o corpo enrijecendo. Ele andava como um robô, os passos mecânicos, desconcertado com a intimidade daquele gesto.
— Com conversa, quase sempre é possível resolver as coisas — disse ela, enquanto chegavam à sala. A voz dela era calma, quase maternal, mas havia algo por baixo — uma tensão que ele não conseguia identificar.
Júlia apontou para o sofá de dois lugares.
— Senta aqui.
Ele obedeceu, sentando-se como um autômato. Ela sentou-se ao lado dele, tão perto que ele podia sentir o perfume do banho ainda presente em sua pele. A toalha já havia sido retirada do cabelo, que caía agora em ondas úmidas sobre os ombros.
— Nossa, você nem se penteou — disse ela, com um tom de censura suave. — Ainda está um pouco molhado.
Sua mão encontrou o cabelo de Pedro, alisando-o, ajeitando os fios desordenados com uma familiaridade que beirava o carinho materno. Os dedos dela deslizaram pelos fios molhados, e depois, num movimento natural, escorregaram para seus ombros, alisando a camiseta, sentindo o tecido úmido contra a pele quente.
— Você está todo molhado ainda — murmurou ela, a mão deslizando por seus ombros, pelos braços, pelo peito.
Pedro sentiu seu corpo reagir. Apesar de toda a vergonha, de todo o constrangimento da situação anterior, aquelas caricias — tão suaves, tão íntimas — ativaram novamente aquele vulcão pulsante em seu interior. A respiração ficou mais curta, o coração acelerou, e sob o calção de malha fina, a realidade do tesão pulsante tornou-se inegável.
O tecido fino não escondia nada. A ereção se formou rápida e dura, uma barraca que se erguia sob a malha como uma acusação silenciosa. Pedro não podia fazer nada para esconder — não havia onde se esconder, nada que pudesse disfarçar a evidência de seu desejo.
Júlia, quando percebeu, soltou um "OH" dramático, os olhos arregalados.
— Nossa, Pedro — disse ela, a voz num tom que oscilava entre a repreensão e a surpresa. — Parece que você tem mesmo um problema.
Ela balançou a cabeça lentamente, os olhos fixos na ereção que pulsava sob o tecido fino.
— Como é possível isso? — continuou ela, a voz mais baixa, mais íntima. — Ou é um problema sério, ou você não está fazendo direito.
Pedro não sabia o que dizer. Não conseguia formar palavras. Seu corpo inteiro estava em chamas, e a visão de Júlia tão próxima, tão bela, tão tangível, era mais do que ele podia suportar.
Ela se levantou de repente, um movimento fluido e decidido. Estendeu a mão para ele, a palma aberta num convite.
— Vem — disse ela, a voz firme, mas com uma suavidade que o desarmou. — Vou te ajudar a resolver isso.
Pedro sentiu-se hipnotizado. A mão estendida, o olhar dela, a promessa implícita naquelas palavras — tudo isso o puxava como um ímã. Ele pegou a mão dela sem pensar, os dedos se entrelaçando, e deixou-se levar.
Ela o guiou pelo corredor até o quarto. O quarto dela. A cama estava desfeita, os lençóis ainda marcados pelo corpo que ali dormira. A luz da tarde entrava pela janela, banhando o ambiente em tons dourados.
— Deita — disse ela, apontando para a cama.
Pedro deitou-se como uma ovelha mansa indo para o abate. O corpo estava rígido, os olhos fixos no teto, o coração batendo tão forte que ele podia ouvir o sangue pulsando em seus ouvidos.
Júlia sentou-se na borda da cama, ao lado dele. Seus olhos percorreram o corpo de Pedro, detendo-se na ereção que se erguia sob o calção fino. Ela inclinou a cabeça, um sorriso enigmático nos lábios.
— Nossa, Pedro — disse ela, a voz baixa, quase um sussurro. — E grande assim mesmo, ou está crescendo?
Ele não respondeu. Não conseguia. As palavras estavam presas em sua garganta, engolidas pelo turbilhão de emoções que o consumia. Vergonha, desejo, medo, excitação — tudo se misturava num coquetel que o deixava paralisado.
O silêncio se estendeu entre eles. A mão de Júlia repousava sobre a cama, a centímetros do corpo dele. A respiração dela era calma, controlada, mas havia algo em seus olhos — uma faísca que ele nunca vira antes.
pedrobo1960