PARTE II
Diante da reação de Théo fiquei a pensar no que seria melhor para ele; quanto a mim, eu não tinha dúvidas, eu me encantara com o garoto, e só de imaginar que eu poderia vir a ser seu primeiro macho, minha libido ia a mil.
Ele não era um deus grego no corpo "normal", mas seu jeitinho simples, até acanhado me excitava; ademais, nas insinuações que fiz, nos toques, na punheta e no beijo, jamais se mostrou fez resistente, deixou fluir; e era isso que me motivava a ir adiante; eu seria pra ele a porta de entrada num novo universo, até então muito bem guardado dentro dele.
Aguardei o dia seguinte e nada, nenhuma manifestação dele; mais um dia se passou sem que eu recebesse sequer um olá, ou bom dia; no terceiro dia, não resisti e lhe mandei pelo zap um convite para mais um happy hour. No meio da tarde recebo uma resposta, dizendo que podia encontrá-lo na saída do trabalho, apenas isso. Me animei, tomei um banho, perfume suave, por precaução levei camisinha e gel... vai que.
Cheguei com o carro, ele já esperava num ponto de ônibus com o mesmo olhar e expressão de recato, como da primeira vez; entrou perguntou se estava tudo bem, respondi que sim e perguntei o que ele propunha; sugeriu de irmos ao mesmo barzinho do outro encontro, e lá fomos nós, pedimos as mesmas bebidas e petiscos; sem arriscar nada, deixei que ele conduzisse a conversa, até que me falou, quase como um desabafo.
-Tony... sua voz era trêmula... eu nunca tive nada com homem; o que aconteceu entre a gente foi meio louco pra mim; tenho um primo da mesma idade, com quem troco confidências, até acho que ele é gay, mas nunca rolou nada entre nós, mas ele sempre me falava de umas fantasias dele com homens; então falei que também tinha essas fantasias, e contei pra ele o que rolou entre eu e você, como se fosse uma dessas fantasias.
A tudo eu ouvia com atenção e interesse, sem saber, mas curioso, de onde ele queria chegar; então perguntei a reação do primo e ele prosseguiu:
-Meu primo me falou que se encontrasse um homem, como esse da minha fantasia, ele não ia deixar escapar e realizaria seu sonho de foder com um coroa.
-E você pretende deixar escapar, perguntei indo direto ao ponto.
-É por isso que quero conversar com você; sou totalmente virgem, ao menos era até ficar com você naquele banheiro; peguei num pau e bati punheta pra outro cara e beijei um homem pela primeira vez na vida; apesar do coração disparado e a cabeça a mil, eu gostei; mas estou com muito receio, medo mesmo de prosseguir com isso.
Foi a deixa que eu precisava para seguir com meu plano e propus irmos dali prum motel, onde poderíamos "brincar" mais à vontade e sem atropelos; mas sua postura foi reativa; disse que nunca tinha ido a um motel e, pior, entrar lá com outro homem podia pegar muito mal; pensei um instante e sugeri nos hospedarmos num hotel, desses tipo "day use", que tem alta rotatividade por conta do meio corporativo e não chamaria atenção; porém impus uma condição; como já era final de tarde, ele teria que passar a noite comigo.
Sempre reticente e cauteloso, Théo ficou alguns minutos em silêncio; aí falou que precisava "armar um esquema" com o primo, que lhe daria cobertura, caso fosse passar uma noite fora, sem dormir em casa; ele e o primo sempre saiam juntos pro rolê e já tinham esquema pras famílias; fui paciente e entendi as precauções dos jovens para "transgressões juvenis"; tudo acertado fomos pro hotel e nos instalamos num quarto pra casal e eu, embora com tesão nas alturas, mantive o controle para não assustar meu parceiro iniciante.
Primeiro o puxei para um abraço e busquei seus lábios; ele cedeu e nos beijamos, um beijo longo e lascivo; fiz menção de tirar suas roupas mas ele pediu calma; sentamos na beirada da cama e ele, com voz trêmula e as mãos suadas me perguntou o que exatamente eu pretendia; respondi que "tudo e nada"; que meu desejo com ele era sexual, mas que eu respeitaria integralmente seus limites, bastava ele me dizer; Théo então se abriu e desabafou:
-Eu sempre tive interesse e senti atração por homens; desde adolescente, com meu primo fiz confidências mas nunca tivemos coragem de avançar em intimidades; eu sempre batia punhetas ora pensando no meu primo, ora vendo fotos e vídeos de machos fodendo; você me provoca um tesão gostoso e a nossa broderagem no banheiro me faz desejar mais; mas tenho medo... de me entregar e achar que sou gay; e se acontecer, como será depois.
Notando e compreendendo sua aflição, o deixei à vontade para fazer e permitir acontecer somente aquilo que se sentisse confortável e fosse prazeroso; ao perceber que seria respeitado e podia confiar em mim, me pediu que tudo acontecesse naturalmente; voltou-se pra mim num afetuoso abraço; acariciei sua nuca, com os dedos na vasta e generosa cabeleira; ele me abraçava forte e suas mãos acariciavam minhas costas; suavemente lambi e beijei seu pescoço, senti seu corpo estremecer e se arrepiar inteiro; ele veio e me beijou de forma arrebatadora, metendo sua língua fundo na minha boca; notei que o carinho se transformava em tesao e desejo; ainda vestidos, joguei meu corpo sobre a cama e o trouxe junto; nossos lábios continuavam colados, eu sorria sua saliva e me deliciava com seu hálito perfumado; em instantes nossos cacetes latejavam e pulsavam dentro da calça a exigir uma luta de espadas; sem dizer palavras, desajeitados, braços e pernas entrelaçadas, começamos a nos despir.
A tarde já findara e a tênue luz da lua se insinuava pela janela aberta; a noite se anunciava a prenunciar momentos de lascívia, desejo e muitas sensações de prazer.