Ricardo bebeu bastante. O suficiente pra ficar descontraído, mas não o suficiente pra apagar. Ele me olhou de um jeito que só nós entendíamos, bocejou alto, bateu a mão na testa:
— Nossa, gente... a bebida bateu forte hoje. Acho que vou deitar mais cedo. Boa noite pra vocês!
Eu o acompanhei até a nossa barraca, ajudei ele a se acomodar. Ele me segurou pela mão, sussurrou baixinho só pra mim:
— Vai... eu estou ouvindo tudo... faz o que tem que fazer...
Ele fechou os olhos, virou de lado, e fingiu um ressono leve.
Respirei fundo, abri o zíper da barraca e voltei pro fogo.
Estavam os três ali, sentados em volta da fogueira, iluminados pelas chamas tremeluzentes. Juca com uma garrafa de cachaça na mão, José olhando pro fogo, Marcelo mexeu nos gravetos quando me aproximei.
Sentei num banquinho, me acomodei. O pijama marcava tudo. E sem sutiã, com o frio da noite e com o fogo que já começava dentro de mim, meus bicos estavam completamente duros, apontando, visíveis mesmo sob o tecido fino. Eu sabia que eles percebiam, mas ninguém dizia nada.
— E por que não, José? Não tem nada demais nisso, não é mesmo? Somos todos amigos.
Ele riu baixinho, olhou pro fogo:
— Ah, Luana... homem fala muita bobeira quando está entre homens. Pensa muita bobeira também. Eu não ia querer saber que vários homens estavam olhando a minha mulher, conversando com ela... Pensando coisas.
Aí eu me inclinei um pouquinho pra frente, consciente de que meus seios pareciam ainda mais firmes naquela posição, e retruquei suavemente:
— Mas o Ricardo não liga pra essas coisas bobas. Até porque vocês não falaram nada demais comigo, nem pensaram, não é mesmo?
Houve um silêncio breve. O fogo estalou. Então Juca, com aquela voz grave e suave, resmungou com um sorriso meio safado:
— Falar não... masss...pensar é meio difícil de evitar né....e acho que isso...... ah, isso a gente faz.
Todos rimos juntos, mas o riso foi diferente. Mais baixo. Mais quente. O clima mudou de uma vez. Ficou denso, carregado, e no fundo daqueles olhos eu vi: eles estavam tão perdidos quanto eu. E lá dentro da barraca, a poucos metros de nós, eu sabia que o Ricardo estava deitado, de olhos abertos, ouvindo cada respiração, cada palavra, esperando pra ver até onde eu iria.
Senti um arrepio percorrer minha espinha inteira. O fogo iluminava os rostos deles de forma tremeluzente, criando sombras que os faziam parecer mais fortes, mais misteriosos. Eu cruzei as pernas devagar, consciente de que o pijama subia um pouquinho a cada movimento, e vi os olhos de José descerem rapidamente pela minha coxa antes de ele puxar o olhar de volta pro fogo, como se tivesse sido pego fazendo algo proibido.
— Então me contem… — comecei, virando o corpo um pouquinho mais na direção deles, sentindo o tecido fino do pijama deslizar sobre minha pele, os bicos dos meus seios ainda duros e latejando — …o que é que vocês estavam pensando, hein?
Marcelo pigarreou, olhou para os amigos como se pedisse socorro:
— Nada não, Luana… coisa de homem mesmo, besteira…
— Besteira? — sorri, me inclinando mais um pouquinho pra frente. Dessa vez não me importei se eles olhavam. Eu queria que olhassem. Deixei que vissem como meus mamilos apontavam rígidos sob o pano fino. — E desde quando pensar em uma mulher é besteira? Principalmente quando ela está bem aqui, ouvindo tudo.
Juca soltou um riso baixo, balançando a cabeça:
— Você é perigosa, sabia? O Ricardo sabe que você é assim? Que você gosta de provocar feito isso?
— Ele sabe tudo sobre mim — respondi suavemente, passando a ponta dos dedos pelo gargalo da garrafa de cachaça, sentindo o vidro fresco — inclusive que eu gosto de ser olhada. Gosto de saber que causo alguma coisa nas pessoas. Que só de estar aqui sentada com vocês, eu já consigo deixar vocês desconcertados.
José respirou fundo, e quando falou, sua voz estava mais forte:
— Não é qualquer mulher que faz isso não… você é diferente. Sabe que você não devia estar falando assim com a gente não? Somos amigos do seu marido. Isso não é certo.
— E quem disse que eu quero sempre o que é certo? — me levantei devagar, sentindo o ar fresco da noite na minha pele, e me aproximei um pouco mais do fogo, me aquecendo, de costas levemente viradas pra eles. — Às vezes o errado é muito mais gostoso. E vocês três… vocês acham que vieram aqui só pra pescar e beber cachaça?
Ninguém respondeu, mas o silêncio deles foi a confirmação mais alta de todas. O ar parecia mais pesado agora. Eu podia ouvir o som das folhas se mexendo ao vento, o crepitar da lenha queimando, e acima de tudo — a respiração deles, mais profunda, mais acelerada.
Virei-me de volta pra eles, e dei um passo pequeno em direção ao círculo de luz do fogo.
— Eu vou ser sincera com vocês… — falei baixinho, olhando nos olhos de cada um deles, um por um — …eu nunca imaginei isso também. Nunca pensei que eu estaria aqui, no meio do mato, no escuro, com vocês três, com o meu marido ouvindo tudo ali atrás… e sentindo esse fogo queimando dentro de mim como se eu fosse explodir a qualquer momento.
Marcelo se levantou devagar, as mãos tremendo levemente ao apertar os joelhos:
— Luana… acho que você não sabe o que está provocando aqui… nós somos quatro contra uma… e homem tem seus limites, mas quando ele perde a cabeça…
— Eu confio em vocês — interrompi, firme mas suave, olhando direto nos olhos dele — e confio em mim. E se eu estou aqui… é porque eu quero estar. Agora me digam… qual de vocês vai ser o primeiro a admitir que quer me beijar? Que quer sentir se essa minha pele é tão quente quanto parece?
Juca se levantou também, e José não ficou para trás. Os três de pé agora, mas parados, como se lutassem consigo mesmos. A distância entre nós era pouca. Eu podia sentir o calor do corpo deles misturado ao calor do fogo.
— Se você der um passo pra trás agora — disse Juca, com a voz mais baixa e tensa que já ouvi — acabou. Nós vamos sentar, beber, fingir que nada aconteceu. Mas se você não recuar… não tem mais volta, Luana. Nós não vamos conseguir parar.
Olhei para a entrada da barraca. Aquele zíper fechado escondia o meu mundo, meu Ricardo, meu tudo… e ao meu redor, três homens que eu conhecia a vida toda, amigos, maridos de amigas, prestes a cruzar uma linha que ninguém jamais apagaria.
Respirei fundo, sentindo meu coração batendo tão forte que doía no peito, e dei um passo em direção a eles. Não para trás. Para frente.
— Então não parem.......
