O som da chave na fechadura foi a fanfarra da sua vitória. A porta se abriu, e ela entrou não como uma sobrevivente, mas como uma conquistadora.
O visual da executiva de Luanda ainda estava lá, mas relaxado. Ela vestia um conjunto de cashmere caríssimo, o cabelo ruivo solto e levemente ondulado, brilhando como fogo sob a luz do hall. Carregava uma bolsa de couro nova, claramente uma compra de última hora no duty free. Seus olhos, longe de estarem quebrados, brilhavam com uma energia elétrica, uma centelha de poder recém-descoberto.
"Estou em casa!", anunciou, com uma voz um pouco mais grave, mais rica, que parecia carregar ecos da África. Deixou a bolsa cair com um gesto despreocupado e cruzou a sala com passos decididos, os saltos altos ecoando no piso. Em vez de desabar em meu peito, ela me agarrou pela nuca e me puxou para um beijo profundo, possessivo, selvagem. Seus lábios sabiam a vinho tinto caro e a uma vitória doce. Quando se separou, seus olhos faiscavam.
"Foi incrível, Henrique. Absolutamente incrível", ela respirou, os dedos traçando a linha do meu maxilar. "Domingos, aquele urso... ele tem uma força... e o Kiala, tão metódico, tão controlado... até perder o controle." Ela riu, um som baixo e rouco. "Eles assinaram tudo. TUDO. E me deram um colar." Ela puxou delicadamente a gola do cashmere, revelando um colar de diamantes em bruto, pesado e primitivo, contrastando absurdamente com a pele alva do seu pescoço.
Ela estava eufórica, não traumatizada. A viagem não a havia consumido; havia-a forjado.
O banho que se seguiu não foi um ritual de limpeza, mas de celebração. Ela mesma despiu o cashmere com uma sensualidade teatral, exibindo o corpo para mim como se fosse um troféu. As marcas estavam lá: os hematomas em formato de dedos nas ancas, a mordida acima do seio, o arranhão nas costas. Mas ao invés de beijá-las com piedade, ela as apontou com orgulho.
"Vê isso? Foi quando o Domingos me segurou contra a janela, com toda Luanda lá embaixo. E esta...", ela tocou a mordida, "foi o Kiala, achando que podia me dominar. São medalhas, amor. Prova do que eu consigo extrair deles."
Na banheira, ela se recostou, os olhos fechados, um sorriso satisfeito nos lábios. "Lava-me", ordenou, não como um pedido de socorro, mas como uma rainha concedendo um privilégio. E eu lavei. Lavei o corpo que havia sido o campo de batalha e o instrumento de uma conquista monumental. A água não levava apenas sujeira, levava o último vestígio da esposa recatada. O que emergiu da banheira envolta em vapor e toalha de algodão egípcio foi uma Deusa Negociadora.
Na cama, ela não procurou consolo. Procurou reconexão. "Agora, me mostra", ela sussurrou, rolando por cima de mim, seus olhos faiscando no escuro, "me mostra que mesmo depois de tudo isso, você ainda é o único que sabe como me possuir por inteiro, e não apenas usar partes de mim." Foi uma noite de sexo intenso, territorial, onde ela reivindicava o próprio prazer com uma ferocidade nova, e eu, dominado por um tesão imenso e complexo, tentava seguir o ritmo da criatura magnificente em que ela se transformara.
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Segunda Parte: O Presente dos Pedreiros – A Deusa no Canteiro
A euforia de Luanda se solidificou em confiança de aço. Luciano apareceu com a proposta do "presente de final de ano" para os pedreiros. Ele esperava resistência, talvez negociação.
Ele subestimou a nova ruiva.
Enquanto ele explicava o plano no nosso sofá, ela ouviu, inicialmente impassível, bebendo seu chá. Quando ele terminou, pousando a taça de espumante, ela não olhou para mim em busca de salvação. Olhou para Luciano com os olhos estreitos de uma estrategista.
"Quatro?", ela perguntou, a voz calma.
"Quatro", confirmou Luciano, cauteloso.
"Homens do canteiro. Trabalhadores braçais."
"Exato."
Ela fez uma pausa, seus dedos finos batendo levemente no joelho. Então, um sorriso lento, perverso e genuinamente animado começou a se formar em seus lábios. Foi um sorriso que me deu arrepios.
"Perfeito", ela disse, a voz um purr de satisfação.
Luciano arregalou os olhos, surpreso. "Perfeito?"
"Absolutamente. Em Luanda, foram dois homens de poder, que usavam terno e charuto para mascarar a fera dentro. Eles negociaram. Estes...", ela fez um gesto desdenhoso com a mão, "estes são feras sem máscara. Puro instinto. Pura força bruta. Pura... necessidade." Seus olhos brilharam com curiosidade intelectual, como um cientista diante de um novo experimento. "Será fascinante. Será real. Nada de joguinhos de poder de boardroom. Apenas fome. E eu, o banquete."
Ela se voltou para mim, o sorriso ainda nos lábios. "Você vai adorar ver, Henrique. Vai ser... primitivo. Autêntico." A sugestão na sua voz era inconfundível: ela antecipava o espetáculo, e antecipava meu tesão em vê-la no centro dele.
Luciano recuperou a compostura rapidamente, um sorriso de admiração genuína surgindo em seu rosto. "Brilhante, ruiva. Brilhante. Você entende perfeitamente o jogo."
Na noite anterior, ela não tremeu de medo. Ficou excitada. Escolheu o "vestido" com cuidado: um top de renda preta barata e uma saia curta e plissada de PVC vermelho, algo que pudesse ser rasgado com facilidade e que gritava "presente de revista". "Tem que ser a fantasia deles", ela explicou, girando na frente do espelho. "Tem que ser exatamente o que eles sonham quando fecham os olhos no alojamento. A boneca inflável perfeita que ganha vida."
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O Canteiro de Obras – Sábado, 14h
No escritório poeirento ao lado, eu, Will e Luciano observávamos a tela granulada. A ruiva estava na sala de cimento, mas não parada. Ela se movia. Pivotava nos saltos altos, passava as mãos pelo próprio corpo, um pré-show para um público que ela sabia estar chegando. Estava visivelmente excitada, os mamilos endurecidos contra o tecido barato do top.
Quando a porta se abriu e os quatro homens entraram, paralisados pela visão, ela não recuou. Ela sorriu. Um sorriso largo, convidativo, lascivo.
"Entrem, homens", ela disse, a voz melosa e carregada. "O presente é todo seu. Venham desembrulhar."
Foi como liberar molas. Eles avançaram, mas desta vez, havia uma dinâmica diferente. Ela não era um objeto passivo. Era um catalisador. Quando o mais velho, Osmar, a agarrou, ela gemeu alto e dramaticamente, arquendo as costas, encorajando-o. "Isso, seu forte... me quebra!" Quando o mais jovem a beijou, ela devorou sua boca com igual ferocidade, suas mãos se enterrando nos cabelos suados dele.
Ela dirigia o caos. "Você aí, o calado!", ela gritou para um dos homens que hesitava. "Vem cá, seu lindo, deixa eu ver essas mãos calejadas em mim!" Ela os colocava em posição, sussurrava ordens sujas nos ouvidos deles. "Me vira assim... agora pega por trás... sim, assim, caralho!"
Na tela, era uma cena de pura luxúria consensual e descontrolada. Ela gritava de prazer, não de dor. Quando a saída de PVC rasgou, ela riu. Quando a jogaram sobre a lona, ela abriu os braços. Beijava a boca suja de um enquanto outro a penetrava, e acariciava a cabeça do terceiro que estava entre suas pernas.
"É isso, me come tudo, seus gostosos! Me enche de porra de pedreiro! Faz de mim a puta do canteiro de vocês!", ela gritava, sua voz ecoando no ambiente cru, um hino de pura depravação libertadora.
Ela beijava as mãos sujas de cimento que a marcavam. Lambia o suor dos rostos dos homens. Ela não apenas os satisfazia; ela os extasiava, transformando a brutalidade num festival de prazer compartilhado. Era claro que nenhum deles, em seus sonhos mais loucos, imaginava um "presente" assim, tão participativo, tão voraz, tão gratamente puta.
Quando Osmar a pegou por trás, ela olhou diretamente para a câmera escondida, um sorriso triunfante e sujo nos lábios, e gritou: "VÊ SÓ, CORNO? VÊ COMO SUA PUTA ADORA SER PRESENTE? VÊ COMO ELA ENCHE A BUCETA DE PORRA DE POBRE?"
Foi a coisa mais cruel e erótica que eu já tinha ouvido. Meu corpo reagiu com uma violência que me envergonhou e me exaltou.
Will, ao meu lado, observava com a boca levemente aberta, não mais com a frieza do gestor, mas com o assombro de um homem vendo uma força da natureza em ação. "Meu Deus...", ele murmurou. "Ela é... perfeita."
Luciano olhava com um orgulho quase paternal. "Eu te disse. Ela entende. Ela é o produto. E o produto ama ser consumido."
O ato durou uma eternidade gloriosa e depravada. Quando os quatro homens, agora exaustos, deslumbrados e um pouco atordoados, se afastaram, a ruiva não ficou imóvel no chão. Ela se sentou, com dificuldade, apoiada nos cotovelos, o corpo inteiro coberto de uma mistura de fluidos, sujeira e suor que brilhava na luz fraca. Estava despedaçada, arranhada, e radiante. Ela respirou fundo, ofegante, e soltou uma risada rouca, vitoriosa.
Os homens saíram, cambaleando, olhando para trás com uma mistura de gratidão, admiração e medo.
No escritório, Will assobiou baixinho. "Bom. Eu diria que o bônus de Natal deles está mais do que pago."
Luciano apenas sorria, saboreando o sucesso.
Desta vez, quando entrei na sala, o cheiro era animal, mas não doído. Era o cheiro de sexo suado e satisfeito. Ela olhou para mim, seus olhos verdes queimando como brasas em meio à sujeira do rosto.
"E então?", ela perguntou, ofegante, um desafio na voz. "Foi bom o espetáculo do seu corno?"
Eu não a embrulhei em um cobertor. Estendi a mão para ela. Ela a pegou, e eu a puxei para cima, contra meu corpo, sentindo a sujeira e o suor dela me impregnarem. Beijei-a com uma paixão possessiva e doente, saboreando o gosto salgado dos outros homens nela.
"Foi a coisa mais linda e nojenta que eu já vi", sussurrei contra seus lábios. "Você foi perfeita."
Ela riu, cansada e vitoriosa, e se apoiou em mim. "Eu sei. Agora me leva pra casa, corno. Tô suja, tô arrebentada, e tô com mais tesão do que quando cheguei. Preciso que você me limpe... e depois me foda lembrando que, mesmo sendo a puta deles hoje, eu sou sua puta pra sempre."
E assim foi. O presente havia sido dado, recebido e adorado por todos os envolvidos. E a ruiva, a Deusa do Canteiro de Obras, ascendera a um novo patamar: ela não era mais vítima ou instrumento. Era a arquiteta do próprio prazer e da própria degradação, e nós, todos nós, éramos apenas espectadores privilegiados e participantes gratos da sua obra-prima.
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