Gustavo sempre foi um homem que chamava atenção pela beleza do rosto e por uma elegância natural. De altura média e físico comum — muito longe do corpo atlético do jovem Beto ou do tamanho imponente do homem do bar que cruzariam o caminho deles mais tarde —, ele compensava qualquer falta de músculos com uma inteligência afiada.
Bem resolvido, assumira muito cedo a gerência do escritório de TI onde trabalhava, o que lhe rendia uma conta bancária bastante confortável. Era o clássico "cara gente boa". Tinha tido apenas dois relacionamentos curtos antes de Marina e uma bagagem sexual tímida. Nunca fora de farra. Na intimidade, era incrivelmente dedicado à esposa, focado em dar prazer.
Marina, por outro lado, era o furacão contido. Linda, de pele dourada e um longo cabelo preto. Seios médios cujos bicos sempre teimavam em marcar o tecido das roupas — detalhe que, mais tarde, se tornaria a desculpa perfeita para Gustavo pedir que ela saísse sem sutiã.
Sempre ativa, mantinha-se dedicada à musculação desde adolescente, o que lhe garantia um corpo impecável. Mas o que parava o trânsito, inegavelmente, era a sua bunda: grande, empinada e perfeita.
Publicitária descolada e bem remunerada, Marina tinha mais vivência que o marido. Iniciara a vida sexual cedo e já colecionava alguns relacionamentos sérios no currículo.
A semente da fantasia de Gustavo não brotou do dia para a noite. Começou com provocações quase inocentes antes de saírem de casa.
— Amor, o que você acha? — Marina perguntava, segurando duas opções de roupa.
Gustavo a avaliava com um olhar clínico e sempre apontava para a saia mais justa, ou pedia para ela tirar o sutiã sob a blusa de seda.
— Você é impossível, Gustavo. Eu vou chamar muita atenção assim — ela ria.
— Essa é exatamente a ideia — ele respondia, com um sorriso de canto.
Aos poucos, ele passou a comprar presentes fora de época. Roupas mais curtas, lingeries provocantes. Para acompanhar a nova estética, Marina intensificou os treinos na academia. E foi lá que a primeira peça do jogo apareceu: Thiago, um instrutor que não conseguia disfarçar o olhar quando ela agachava.
Em um sábado à tarde, Gustavo jogou a isca.
— Percebeu como aquele instrutor novato quase quebrou o pescoço olhando pra você hoje?
Marina corou, dando um tapinha no braço dele.
— Ai, Gustavo, para! Ele só tava prestando atenção no meu exercício.
— Aham. Sei. Ele tava prestando muita atenção na execução perfeita do seu quadril — Gustavo provocou, a voz baixando um tom.
Ela desconversou, mas a vaidade gritou alto. E a ideia de ser observada e desejada por outro, com a aparente aceitação do marido, plantou uma faísca perigosa na mente dela.
Naquela mesma noite, a transa deles foi muito mais intensa. Em um momento em que Marina sentava de costas no pau de Gustavo, ele provocou:
— Se aquele instrutor da academia já ficou doido vendo seu agachamento, imagina se ele estivesse vendo este agachamento aqui...
Marina fingiu achar graça, forçando uma risada. Mas, involuntariamente, aumentou a intensidade da rebolada. Gustavo sabia que estava no caminho certo.
No dia seguinte, um presente aguardava Marina ao chegar em casa. Uma calcinha fio-dental e um shortinho de academia que destacava sua bunda, acompanhados de um bilhete: "Seus agachamentos vão ficar ainda melhores".
— Impossível usar isso na academia, meu amor. Quem sabe eu uso em casa com você.
— Você quem decide, amor. Use como achar melhor — respondeu Gustavo. Esse jeito confiante transmitia extrema segurança para sua esposa.
O divisor de águas, no entanto, aconteceu um mês antes da viagem, em um barzinho sofisticado no Itaim.
Eles estavam bebendo e conversando na mesa quando Marina notou uma mulher deslumbrante na mesa ao lado. Ela usava um vestido revelador e estava acompanhada do marido, que bebia seu uísque de forma tranquila. No entanto, os olhos da mulher estavam fixos no balcão do bar, onde um homem alto a encarava de volta.
Marina cutucou Gustavo por debaixo da mesa.
— Amor, disfarça e olha a mesa do lado — Marina sussurrou, inclinando-se para frente. — A mulher tá paquerando aquele cara do bar na cara dura. O marido tá bem ali do lado e não percebe nada.
Gustavo deu um gole na bebida, olhando a cena com uma calma que contrastava com a indignação curiosa de Marina. Ele deu um meio sorriso.
— Talvez ele perceba, Marina. Talvez ele só não se importe.
Meia hora depois, Marina levantou-se para ir ao banheiro. O corredor era levemente escuro e isolado. Ao virar a esquina em direção às cabines, ela travou o passo. Prensada contra a parede, a mulher da mesa ao lado estava aos beijos quentes com o homem do balcão. As mãos dele estavam por baixo da saia dela, completamente entregue.
Marina recuou, o coração disparado no peito. Ela voltou para a mesa quase sem fôlego, os olhos arregalados.
— Gustavo... você não vai acreditar — ela disse, a voz trêmula de choque e adrenalina, debruçando-se sobre a mesa. — Eu acabei de ver a mulher aos beijos com o cara no corredor do banheiro. E ele com a mão enfiada entre as pernas dela!
Coitado desse marido dela.
Arriscado ter uma confusão aqui se ele perceber.
Gustavo não pareceu nem um pouco surpreso. Pelo contrário, ele riu baixo, bebericando seu uísque com uma calma irritante.
— Você se impressiona muito fácil, meu amor — ele comentou, os olhos brilhando de malícia. — Não duvido nada que o marido saiba e esteja curtindo tudo isso daqui da mesa.
Marina soltou uma risada nervosa, balançando a cabeça em descrença.
— Ah, claro! Você acha que todo mundo tem essas suas fantasias malucas!
Gustavo apenas sorriu, encostando-se na cadeira de forma relaxada.
Minutos depois, a mulher despontou no salão. Ela caminhava com a mesma pose elegante e altiva de antes, mas Marina notou o detalhe: o batom estava visivelmente borrado no canto dos lábios.
Eles observaram atentamente enquanto ela se sentava e cruzava as pernas sob a luz fraca do bar.
Foi Gustavo quem quebrou o silêncio, inclinando-se na direção de Marina.
— Olha o tornozelo dela — ele sussurrou, apontando discretamente com o queixo.
Marina estreitou os olhos. No tornozelo esquerdo da mulher, brilhava uma corrente delicada de prata com um pequeno pingente de pimenta vermelha.
— Uma tornozeleira. O que tem? — Marina perguntou, confusa.
— Não é sobre a tornozeleira em si. É sobre o pingente — Gustavo explicou, a voz baixando para um tom quase didático e fascinado. — Dizem que é um código. Um símbolo de casais liberais. Indica que ela é uma mulher casada, mas aberta a outros homens... com o aval absoluto do marido.
Marina arregalou os olhos, genuinamente espantada com a cena e com a precisão da informação.
— E como você sabe de tudo isso? — ela brincou, o tom misturando surpresa e uma faísca inegável de excitação.
Gustavo deu de ombros, abrindo um sorriso lento e indecifrável.
— Eu sou uma pessoa curiosa.
O choque inicial de Marina deu lugar a um formigamento de puro tesão. Mas o que a deixou completamente fora de órbita não foi apenas o beijo apaixonado que a mulher deu no próprio marido logo em seguida, como se estivesse dividindo o gosto do estranho com ele. Foi uma constatação muito mais sutil.
No carro, Marina estava em brasa. Enquanto Gustavo dirigia, ela começou a beijar o pescoço dele. As mãos deslizavam pelo pau dele, que já dava sinal de vida.
— Quer dizer que meu maridinho entende tudo de mundo liberal e esposas compartilhadas...
Foi a primeira vez que Marina usava a palavra que, algum tempo depois, viraria código de domínio e submissão. O pau de Gustavo deu um salto na hora.
— Só no mundo da teoria — ele respondeu, enigmático.
Marina colocou ele para fora e iniciou uma punheta suave.
— Cuidado. Se eu gostar, você vai precisar aprender na prática — sussurrou Marina.
Gustavo precisou se concentrar muito para não gozar ali mesmo.
Em casa, o sexo foi intenso. Gustavo aproveitou a deixa:
— Você está mais quente hoje. Está se imaginando no lugar daquela esposa?
Marina fingiu-se tímida.
— Seu safado. Me fode, vai.
A semente estava plantada.
Dias depois, o planejamento para a viagem comemorativa de cinco anos de casamento foi revelado. Gustavo escolhera o Nordeste.
— Sol, praia e, o principal, a mil quilômetros de casa — Gustavo disse, entregando a ela uma pequena caixa preta. — Acho que temos muito a aproveitar...
Marina abriu a caixa.
Dentro dela repousavam o biquíni de crochê cru, minúsculo, e uma saída de arrastão vazada. Peças que a Marina de um ano atrás jamais teria coragem de usar fora de quatro paredes. Ela olhou para Gustavo, os olhos arregalados, o coração batendo rápido no peito enquanto a memória da mulher no bar voltava com força.
Na semana do embarque, eles saíram para jantar. Marina usava um vestido mais curto que o habitual. Um homem do outro lado do salão passou a noite inteira devorando-a com os olhos.
Gustavo, ao invés de sentir ciúmes, instigou.
— Aquele cara tá louco pra vir aqui. Se eu for ao banheiro, ele vem.
Marina estremeceu, a intimidade pulsando de forma dolorosa sob a mesa. A promessa silenciosa do que fariam no Nordeste já estava consumindo os dois.
— Para com isso, amor — ela rebateu. — Sabe que eu nunca trairia você.
— Só é traição se eu não soubesse.
Essa frase de Gustavo foi uma chave que abriu a mente de Marina.
— Vamos embora. Agora — determinou ela.
Eles mal conseguiram chegar ao apartamento. A tensão daquela noite explodiu assim que a porta se fechou.
— Me fode — implorou ela.
Gustavo sentia a buceta encharcada de Marina.
— Isso tudo foi pelo homem que lhe paquerou no restaurante?
— Talvez. — Ela não estava preparada para falar em voz alta.
— Ele quase lhe comeu com os olhos com o seu marido na mesa... imagina se você estivesse sozinha.
O vulcão dentro de Marina entrou em ebulição. Ela o virou em um único movimento, empurrando Gustavo na cama. Colocou o pau dele para fora e sentou de uma vez só.
— Você está brincando com fogo, meu amor — provocou Marina.
— Vai ver eu quero me queimar — devolveu Gustavo.
— Então se prepara, maridinho. Seus desejos podem acabar sendo realizados.
Aquela noite marcou a virada de chave definitiva.
O ensaio perfeito para o que estava por vir.
Uma viagem que deixaria ambos,



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