O ar da madrugada nos corredores de pedra do castelo era gélido, cortante, mas não servia de porra nenhuma para esfriar o inferno que estava queimando nas veias de James.
Cada passo que ele dava para longe dos aposentos da Rainha era um castigo físico. O atrito do veludo negro do gibão contra a sua pele suada era uma tortura pura. A calça grossa esmagava a ereção que teimava em não baixar — uma ereção dolorosa, de pedra, latejando a cada batida do coração. Era a frustração doentia de um viciado que teve a seringa arrancada do braço um segundo antes de injetar a droga.
Ele caminhava pelas sombras, esgueirando-se rente às tapeçarias pesadas, evitando as tochas tremeluzentes que os guardas mantinham acesas nos cruzamentos. James não parecia um Rei que acabara de assumir o trono; ele parecia um cão de rua enxotado a chutes, lambendo as próprias feridas no escuro. A mente dele estava um caos absoluto. A lembrança das mãos molhadas de Catherine roçando na sua pele, o cheiro forte de jasmim, a humilhação do tapa estalado na bunda, o olhar predatório dela enquanto negava o orgasmo que ele tanto implorou... tudo girava na cabeça do garoto, corroendo qualquer pingo de sanidade que ainda restasse.
Mas a pior parte, a parte que o deixava verdadeiramente aterrorizado consigo mesmo, é que ele tinha adorado cada segundo daquela submissão asquerosa. Ele queria rastejar de volta. Queria arranhar a porta dela.
Incapaz de voltar para o próprio quarto e encarar o teto no escuro, sentindo pena do próprio pau dolorido, James decidiu desviar o caminho. Ele precisava andar. Precisava sentir que, pelo menos no papel, aquele castelo de merda pertencia a ele e não aos fantasmas da sua fraqueza.
Seus passos o levaram para a Ala Oeste, onde ficavam os aposentos dos conselheiros e convidados nobres. Era o covil dos velhos. O corredor estava silencioso, mergulhado na escuridão, exceto por um feixe fraco de luz amarelada que vazava por baixo da pesada porta de carvalho de um dos quartos principais. Os aposentos de Lorde Thorne.
James parou.
O instinto primitivo dele — o velho hábito do garoto covarde que viveu dezoito anos espiando a vida dos outros pelas frestas — falou mais alto que a maldita coroa na sua cabeça. Ele prendeu a respiração. Um som abafado vazou pela madeira grossa. Não era o som de um velho roncando, nem o murmúrio de uma reza noturna.
Era o som de carne batendo contra carne. Um gemido rasgado. O ranger violento de uma mobília de madeira maciça sendo arrastada milímetros contra a pedra a cada impacto.
O voyeur que morava na cabeça de James despertou na hora. O sangue dele ferveu com uma curiosidade mórbida. Ele caminhou na ponta das botas, silencioso como um fantasma, até colar o rosto na porta. O castelo era velho, e as tábuas rústicas não se encaixavam perfeitamente depois de tantos invernos. James encontrou uma fenda fina, bem na altura dos olhos. Ele fechou um olho e colou o outro na madeira. Ele esperava ver Thorne gastando o resto de sua vitalidade com alguma cortesã barata e suja trazida da cidade baixa.
Mas a visão que o atingiu fez o estômago do garoto dar um nó de nojo e descrença.
Lorde Thorne, o homem que horas antes discursava sobre honra, luto e moralidade na sala do conselho com a postura de um santo, estava nu da cintura para baixo, coberto de suor e pelos grisalhos. E ele não estava com uma mulher. Thorne mantinha Lorde Vance, o conselheiro mais novo e bajulador da corte, curvado violentamente sobre uma escrivaninha de mogno. Os mapas do reino, os decretos e as leis estavam todos amassados sob o peito de Vance, que ofegava com a cara esmagada na madeira.
A foda era mecânica, suja, carregada de uma agressividade que não tinha porra nenhuma a ver com tesão de verdade, mas tudo a ver com poder político, dominação e humilhação. Thorne grunhia, os dedos grossos e cheios de anéis cravados nos quadris de Vance, empurrando com uma força bruta que fazia os frascos de tinta tremerem e quase caírem no chão.
James sentiu um gosto azedo na boca. Aqueles eram os homens que o julgavam? Aqueles eram os "sábios" de moral inabalável que queriam mandar a sua mãe para a Ala das Viúvas por respeito à tradição?
Ele já ia recuar, enojado e pronto para ir embora, quando a voz rouca e entrecortada de Thorne o congelou no lugar.
— Aquele merdinha... — Thorne rosnou, aprofundando uma estocada que fez Vance soltar um gemido esganiçado. — Aquele ratinho assustado acha que tem culhão pra bater na mesa pra mim...
Vance tentou buscar ar, a voz trêmula e submissa:
— James... o Rei... ele estava perigoso hoje, meu lorde... não acha que ele...?
Thorne deu uma risada seca, o som molhado dos corpos batendo ecoando no quarto de forma grotesca.
— Perigoso? O garoto mija nas calças se ouvir um trovão mais alto! Ele é um fantoche, Vance. Um pedaço de barro frouxo.
— Mas e o pai dele? Alistair era um monstro... — Vance murmurou, arfando pesado, as unhas arranhando o mogno. — James pode ter herdado o sangue do pai... o Leão...
Thorne gargalhou alto, uma risada cheia de escárnio que paralisou James do outro lado da porta.
— Alistair? O grande Leão do Norte? — Thorne zombou, metendo com mais força, quase punindo o outro por mencionar o nome. — O velho Alistair não passava de um corno! O maior corno manso que esse reino de merda já viu!
A palavra bateu na testa de James como uma marretada de ferro. Corno.
— O quê? — Vance engasgou, chocado, a fofoca política paralisando até a dor da foda bruta. — A Rainha...? Mas como? Quem foi? Algum lorde? O Capitão da Guarda?
— Guardas? Lordes de província? — Thorne cuspiu com um nojo profundo. — Não seja burro, Vance. Ninguém sabe com certeza, ninguém tem a porra de uma prova. A vadia é esperta, não deixa rastros soltos, e matava quem desconfiava. Mas as paredes desse castelo têm ouvidos há vinte anos. O cheiro de incesto exalava daquele quarto sempre que Alistair viajava para caçar. Todo mundo no alto conselho desconfiava... era o irmão dela. O próprio irmão!
James parou de respirar. O peito dele travou. A saliva desceu arranhando a garganta seca.
— O Duque?! — Vance ofegou, o choque evidente na voz. — Os deuses nos perdoem... isso é uma abominação...
— Deuses não têm nada a ver com aquela cadela — Thorne rosnou, ofegante. — Ela não deitava com os guardas porque é arrogante demais. Aquela ladainha escrota de sangue puro que a família dela carrega... ela purificava a porra da linhagem na própria cama do Rei, com o próprio irmão! Uma aberração nojenta, doentia. E é com essa vadia manipuladora que o nosso reizinho de merda divide o teto e os conselhos. Mas não por muito tempo. Nós vamos afastar ela, quebrar a cabeça daquele garoto e governar esse buraco do nosso jeito!
O som de um orgasmo sujo e gutural engoliu o resto da frase. Thorne desabou sobre as costas do outro conselheiro, bufando como um animal cansado.
Do lado de fora, no corredor escuro, James cambaleou para trás. As costas dele bateram contra a parede de pedra fria com um baque surdo que a madeira da porta abafou.
O mundo inteiro dele começou a girar. O ar faltou nos pulmões.
Corno. O próprio irmão. Sangue puro. Incesto.
As palavras ecoavam na cabeça dele como sinos batendo nas portas do inferno. O pai dele, o monstro aterrorizante que assombrou sua infância, não era um leão indomável; era um corno patético. Um idiota feito de palhaço na própria cama. Mas o que realmente fodeu o cérebro de James de um jeito irreversível foi a identidade do amante. O irmão dela. O falecido Duque. O tio de James.
A mente do garoto não reagiu com o nojo moral e religioso que Lorde Thorne e o resto do mundo esperavam. Não. Foi o exato oposto. O cérebro doente de James deu um curto-circuito perverso e brilhante.
Se a mãe dele não era uma puta barata que dava para guardas sujos... se ela só abria as pernas para a própria carne, para manter a tal Linhagem Pura longe da "lama"... então o delírio da mãe era real. O veneno que ela tinha sussurrado na banheira não era apenas um pretexto para manipulá-lo; era a mais absoluta e crua verdade sobre quem ela era.
A reação física de James foi instantânea e avassaladora. Um ciúme rasgado, violento e extremamente possessivo pelo tio morto queimou a garganta dele como ácido. Ele odiou o fantasma do Duque com todas as forças. Mas, ao mesmo tempo, a porra do pau dele deu um tranco violento dentro da calça, duro como ferro maciço.
O tesão provocado por aquela revelação grotesca foi um tsunami. A ideia de que a mãe dele só era tocada pelo próprio sangue, de que ela era intocável para os mortais comuns, validou todos os desejos mais sujos que ele reprimia. A abominação não era um defeito, um pecado; era o selo da família. Era o que os tornava deuses.
Ele não era mais apenas o fantoche domado. Ele era o próximo da linhagem. O último sangue puro vivo além dela. E ele ia matar, estripar e queimar qualquer um que duvidasse disso ou tentasse tirá-la dele.
James se desgrudou da parede. A caminhada dele de volta não foi furtiva. Os passos eram pesados, ritmados, as botas de couro estalando contra a pedra do chão como os tambores de um exército marchando para o matadouro. Ele cruzou a fortaleza como uma tempestade escura. O ciúme pelo irmão dela e a luxúria tinham se fundido em uma coisa só, numa massa de energia caótica e assassina.
Ele caminhou até a Ala Leste. Ele ia entrar lá. Ia foder a porta, invadir o quarto, encostar Catherine na parede e exigir saber os detalhes. Queria ouvir da boca dela que o tio estava morto e que agora ele era o único. Ele queria pegar o que ela tinha negado na banheira.
James chegou diante das pesadas portas duplas de carvalho dos aposentos da Rainha. O silêncio do corredor era sepulcral.
Ele levantou a mão direita. O punho estava cerrado com tanta força que os ossos estalavam. Ele estava a um segundo de esmurrar a madeira e girar a maçaneta de ferro. A respiração dele era um chiado animalesco. Ele sentia o cheiro dela do lado de fora. A mente dele projetava Catherine do outro lado, talvez deitada na cama de lençóis escuros, nua, esperando pra ver se ele ia quebrar.
Mas, a milímetros de bater na madeira... o punho de James parou no ar.
Ele congelou.
Uma clareza perturbadora e fria cortou a neblina de tesão e ódio na cabeça do garoto.
Se ele entrasse agora, o que ele seria? Ele seria apenas um menino ciumento. Um moleque cobrando atenção, choramingando sobre fofocas que ouviu por trás das portas como um voyeur patético. Ele entraria lá e ela riria dele. Ela diria que ele não passou no teste. Que o tio dele era um homem de verdade e ele era só um rato curioso com o pau duro. Ela ia negar de novo. E James sabia que não ia aguentar ser enxotado uma segunda vez na mesma noite.
“Reis só gozam quando a dona da coroa manda. E amanhã cedo, você vai destruir aquele velho filho da puta. Vai provar que é digno de carregar o meu sangue.”
As palavras dela, ditas no vapor do banheiro, ecoaram cristalinas na mente dele.
James abaixou a mão lentamente. Ele não podia entrar como um vira-lata babando de desejo. Deuses não imploram. O tio dele, o Duque morto, provavelmente tomava o que queria porque tinha poder para isso. Para apagar o fantasma do tio, para provar que a linhagem agora começava e terminava nele, James precisava entregar um sacrifício. Um troféu sangrento.
Ele precisava das cabeças do Conselho.
O garoto encostou a testa quente contra a madeira fria e pesada da porta da Rainha. Ele fechou os olhos. A calça apertava a ereção a um ponto quase insuportável, mas agora a dor era combustível. Ele levou a mão direita até a maçaneta de ferro e a apertou com tanta força que o metal pareceu ceder sob os dedos dele.
Ele não ia entrar. Ainda não.
— Amanhã... — James sussurrou para a madeira, a voz saindo num timbre rasgado e ameaçador, uma promessa solene feita no vazio do corredor. — Eu vou lavar o salão com o sangue deles amanhã. Eu vou arrancar a língua do Thorne com as minhas próprias mãos. E quando não sobrar mais ninguém pra sussurrar o seu nome... eu vou entrar nessa porra de quarto e você vai ser minha. Só minha.
O silêncio do outro lado da porta foi a única resposta.
James soltou a maçaneta. O olhar dele, quando abriu os olhos na escuridão, não tinha mais um pingo de medo ou confusão. A inocência estava completamente morta e enterrada sob uma montanha de luxúria, ciúme e perversão.
Ele deu as costas para o quarto da mãe e caminhou em direção aos próprios aposentos. Ele se sentaria na sua cama no escuro, não para chorar, mas para esperar o sol nascer. A reunião do Conselho seria o espetáculo principal, e o Rei já estava vestido para o banho de sangue.
CONTINUAÇÃO DE A Avaliação do Garanhão