Maurício vinha de Porto Alegre apenas para vê-la. Combinaram um ponto de encontro discreto, um bistrô sofisticado na cidade dela. Ana chegou no horário, o coração acelerado pela expectativa. Sentou-se, pediu uma taça de vinho e esperou.
Passaram-se trinta minutos. Depois, uma hora. As mensagens enviadas pelo WhatsApp sequer mostravam o segundo traço de recebidas. As ligações caíam direto na caixa postal. Aos poucos, a ficha foi caindo: Maurício não vinha e nem se daria ao trabalho de se explicar. A decepção ameaçou marejar seus olhos, mas Ana respirou fundo. Olhou para o próprio reflexo na taça de cristal. Aquela produção impecável, o desejo acumulado e a sua própria dignidade não seriam desperdiçados por causa de um homem sem palavra.
"Ele não sabe o que perdeu", pensou, deixando o dinheiro do vinho sobre a mesa e levantando-se com a postura impecável que os saltos lhe davam.
Em vez de ir para casa, rumou para o pub mais badalado da cidade. O ambiente era escuro, iluminado por luzes neon, com um som envolvente e uma energia vibrante. Ana caminhou até o balcão e pediu um gim-tônica. Sua presença magnética não passou despercebida.
— Uma mulher deslumbrante assim não deveria beber sozinha — disse uma voz firme e aveludada ao seu lado.
Ana virou-se e deparou-se com Gustavo. Ele tinha 26 anos, uma energia jovem e magnética, ombros largos e um sorriso de canto de boca que transbordava confiança. Os olhos dele percorreram o corpo de Ana sem pressa, fixando-se no decote e depois subindo para sustentar o olhar dela.
— Eu não planejava ficar sozinha por muito tempo — Ana respondeu, aceitando o jogo de sedução.
O diálogo fluiu como se já se conhecessem há anos, mas com a tensão sexual de dois estranhos que se desejam imediatamente. Gustavo era inteligente, provocante e sabia exatamente como tocar a vaidade de Ana. Cada risada compartilhada vinha acompanhada de um toque sutil: a mão dele que roçava a dela no balcão, o calor do corpo dele aproximando-se quando o pub ficava mais cheio.
Não demorou muito para que Gustavo aproximasse o rosto do ouvido de Ana, sentindo o perfume que a havia acompanhado a noite toda.
— O seu perfume está me deixando louco. E esse vestido... eu só consigo pensar em como vai ser fácil tirá-lo de você. Vamos sair daqui?
O convite direto acendeu o resto de racionalidade que Ana tinha, transformando-o em puro tesão. Ela apenas assentiu, deixando-se guiar pela mão firme dele até o carro. O destino não precisava ser discutido: o melhor motel da região.
Assim que a porta da suíte se fechou, o jogo de aparências terminou. Gustavo a prensou contra a parede com urgência, e as bocas se encontraram em um beijo faminto, profundo, cheio de línguas e mordidas leves que fizeram Ana arfar. As mãos dele desceram pelas costas dela, apertando suas nádegas por cima do tecido fino do vestido preto, erguendo-a levemente.
Ana envolveu a cintura dele com as pernas, sentindo a rigidez do membro de Gustavo contra a sua intimidade já completamente molhada. Ele a carregou até a cama King Size, deitando-a com cuidado, mas sem perder o ritmo.
Com movimentos ágeis, Gustavo livrou-se da própria camisa, revelando um abdômen definido e o peitoral quente que colou contra o de Ana. O contraste do salto alto dela arranhando as costas dele enquanto se beijavam deixava o ambiente ainda mais erótico. Ele deslizou as mãos pelas coxas de Ana, subindo o vestido preto até a cintura. A calcinha de renda foi rasgada lateralmente pelo puxão impaciente de Gustavo, que soltou um gemido ao ver a vulnerabilidade e a entrega dela.
Gustavo desceu os beijos pelo pescoço, contornando o colo e abocanhando um dos seios por cima do sutiã, fazendo Ana arquear as costas na cama, entregue ao prazer. Quando ele finalmente se posicionou entre as pernas dela, olhou fixamente nos seus olhos.
— Você é a mulher mais linda que eu já vi — sussurrou, antes de penetrá-la de uma só vez.
Ana soltou um gemido alto, ecoando pelas paredes espelhadas do quarto. O encaixe era perfeito. Gustavo começou com investidas lentas e profundas, saboreando a reação dela, para logo em seguida aumentar o ritmo, transformando o ato em um ritmo selvagem e compassado. O som dos corpos se chocando, o calor da pele suada e o aroma do perfume de Ana misturado ao desejo preenchiam o quarto.
Ana puxava os cabelos dele, cravando as unhas em seus ombros, pedindo por mais. Gustavo a virou de costas, de joelhos na cama, mantendo os saltos altos dela apontados para o teto. Nessa posição, a penetração ficou ainda mais intensa. Ele segurava a sua cintura com força, deixando marcas vermelhas na pele clara, enquanto a preenchia por completo a cada estocada.
O ápice não demorou a chegar para ambos. Sentindo as contrações íntimas de Ana se intensificarem ao redor do seu membro, Gustavo acelerou os movimentos, dando estocadas rápidas e profundas. Ana atingiu um orgasmo ruidoso e prolongado, tremendo inteira, e segundos depois, com um gemido grave, Gustavo derramou-se completamente dentro dela, desabando exausto sobre suas costas.
Ficaram abraçados na penumbra do quarto, os corações desacelerando aos poucos. Ana sorriu no escuro, sentindo o corpo leve e plenamente satisfeito. Maurício e a decepção do início da noite eram agora uma lembrança distante e insignificante diante da noite fantástica que ela havia se permitido viver.