A tela do computador iluminava o quarto escuro, refletindo nos olhos de Luís um turbilhão que ele passara anos tentando abafar. No circuito do site liberal, ele já era um rosto conhecido: saía com mulheres, participava de encontros com casais, performava exatamente o papel que a sociedade esperava de um homem viril. Mas, bem lá no fundo, onde a mente se recusa a acender a luz, algo latejava. Uma vontade antiga, guardada a sete chaves, de experimentar o toque de outro homem. Um desejo bissexual que ele maquiava com tabus e medos, mas que nunca deixava de queimar. ?Até que, em uma noite de navegação silenciosa, o cursor parou no perfil de Jorge. ?As fotos mostravam um homem atraente, moreno, de traços marcantes e um corpo musculoso que exalava uma masculinidade segura e decidida. Na descrição, o aviso claro: ativo. O diálogo entre os dois começou despretensioso, mas a tensão subiu rápido. Jorge, com uma maturidade que instigava, fez o convite definitivo: "Vem até o meu apartamento. Vamos tomar um bom vinho e ver o que acontece." ?O coração de Luís disparou. Uma euforia inédita, misturada com uma pontada de pânico, tomou conta do seu peito. Era a perspectiva real da sua primeira vez. ?O caminho até lá foi uma batalha mental. Dentro do carro, a caminho do endereço de Jorge, a voz do medo gritava na sua cabeça: "Não vai. Dá meia-volta. Inventa uma desculpa e desmarca." As mãos suavam no volante, o estômago contraía. Mas a curiosidade e o desejo reprimido por uma vida inteira falaram mais alto. Ele estacionou. Ele subiu. ?Quando a porta se abriu, Jorge o recebeu com um sorriso acolhedor e um olhar que parecia ler a alma de Luís. O ambiente era intimista, com pouca luz, e o som suave de uma música de fundo ajudava a quebrar o gelo. Jorge serviu o vinho. O líquido encorpado desceu aquecendo o peito de Luís, mas o verdadeiro calor veio da postura de Jorge: ele foi extremamente sensível, percebendo o nervosismo no ar e conduzindo a conversa sem pressa, com uma leveza que começou a desarmar as defesas do convidado. ?Entre um gole e outro, a temperatura subiu. Ali mesmo na sala, Jorge começou a se despir com uma naturalidade magnética. Quando ficou completamente nu, revelou o corpo imponente e o órgão já rígido, pulsando rijo diante de Luís. ?Luís engoliu em seco, sentindo uma inquietude avassaladora. O choque do visual misturado com a proximidade do proibido o fez hesitar. Percebendo a respiração acelerada dele, Jorge deu um passo à frente, mas não forçou nada. Olhou fundo nos olhos de Luís e, com uma voz firme e ao mesmo tempo doce, garantiu: — Ei... relaxa. Eu não vou fazer absolutamente nada que tu não queiras. ?Essa frase foi a chave que abriu a última tranca. Jorge estendeu a mão. Luís, trêmulo, a seguiu. Ele foi conduzido com delicadeza até o quarto. ?No calor daquela cama, o que se seguiu foi uma experiência indescritível. Luís carregava o fantasma do medo — medo da dor, medo do desconhecido —, mas a sensibilidade de Jorge transformou o momento em algo quase romântico, de uma entrega absoluta. Os primeiros toques foram lentos, as bocas se encontrando em beijos quentes e exploratórios, enquanto as mãos de Jorge massageavam o corpo de Luís, fazendo-o relaxar cada músculo. ?Quando o ato aconteceu, a transição foi tão cuidadosa, tão lubrificada e paciente, que a dor que Luís tanto temia simplesmente não existiu. Em seu lugar, uma onda de prazer intenso e profundo o invadiu. Era uma sensação que ele nunca, em toda a sua vida, sonhara sentir. Cada movimento de Jorge dentro dele parecia arrancar uma camada de culpa, de preconceito e de repressão. ?Ali, naquela penumbra, tudo o que Luís tentara esconder da sociedade, todos os tabus que o acorrentavam e os medos que o perseguiam se desfizeram por completo em cima dos lençóis. Ele não era mais o homem que se escondia; era, pela primeira vez, ele mesmo por inteiro. ?O ritmo aumentou, a pele suada colada, os gemidos ecoando pelo quarto. Sentindo-se o homem mais feliz do mundo, liberto de todas as amarras, Luís atingiu o ápice. Foi um gozo catártico, volumoso, intenso — ele gozou rios e rios, lavando a alma e o corpo em um prazer puro e incontrolável, enquanto Jorge o acompanhava no mesmo compasso, entregando-se juntos àquela descoberta. ?Deitado no peito de Jorge depois da tempestade, ouvindo os batimentos cardíacos compassados dele, Luís sorriu no escuro. O mundo lá fora continuava igual, mas, dentro dele, tudo tinha mudado. Ele finalmente havia se descoberto.
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