Marlene foi a primeira a falar. Seus olhos estavam inchados.
"Desculpe pelo que aconteceu ontem à noite", disse ela baixinho. "Eu não devia ter agido assim. Não vai acontecer de novo. Prometo."
Alípio olhou para ela. Tinha olheiras profundas e parecia mais velho e cansado do que o normal.
"Comecei a sair com a Bruna para me afastar de você", confessou ele sem rodeios. "Para tentar pensar em outra coisa. Mas... agora eu gosto dela. Gosto mesmo. Ela é uma boa moça. Calma. Ela não me faz sentir como se eu estivesse fazendo algo horrível."
Marlene sentiu uma pontada no peito. Assentiu com a cabeça, engolindo em seco.
Permaneceram em silêncio por um tempo. Então ela começou a chorar baixinho, com a cabeça baixa. Alípio também chorou, embora tentasse disfarçar enxugando o rosto com a manga do suéter. "Acho melhor eu ir embora por um tempo", disse ele finalmente. "Um amigo da universidade tem um sofá sobrando. Vou ficar lá por alguns meses. Assim, nós dois podemos respirar." Marlene não tentou impedi-lo. Apenas assentiu novamente.
Os meses passaram lenta e friamente. Alípio cumpriu sua palavra e vinha almoçar apenas nos fins de semana. Era sempre a mesma coisa: ele chegava, eles comiam quase em silêncio, ele ajudava com a louça e, antes das quatro da tarde, já estava atravessando a rua para ir à casa de Bruna. Marlene os observava da janela. Ela os via passear, às vezes de mãos dadas. Bruna ria muito. Alípio parecia mais relaxado com ela.
Marlene tentou se convencer de que precisava esquecê-lo. Que tinha sido apenas uma aventura de uma noite, alimentada por ciúmes. Ela começou a sair com um colega de trabalho do supermercado, um homem de quarenta e nove anos chamado Raul, divorciado e bastante tranquilo. No início, era apenas um café depois do trabalho. Depois, um jantar ocasional. Mais tarde, um filme. Eles se beijaram rapidamente no carro antes de se despedirem. Mãos sobre as roupas. Nada mais. Ela se obrigou a responder às mensagens dele, a rir de suas piadas. Tentou sentir alguma coisa.
Numa noite de outubro, Alípio acompanhava Bruna até em casa, como de costume. No caminho, a dois quarteirões do prédio dela, reconheceu o carro da mãe. Parou, segurando a mão de Bruna. Viu Raul se inclinar sobre o banco do passageiro e beijar Marlene. Não foi um beijo rápido. Foi um beijo longo e profundo, com língua, e a mão do homem estava sob a saia da mãe, acariciando sua coxa. Alípio sentiu uma pontada de ciúme tão forte que lhe deu dor de estômago. Bruna percebeu que ele havia paralisado e perguntou se havia algo errado. Ele murmurou que não estava se sentindo bem, que o jantar não lhe fizera bem, e continuaram andando.
Ele se despediu de Bruna com um rápido beijo nos lábios e, em vez de voltar para o apartamento do amigo, subiu até a casa da mãe. Usou a chave que ainda tinha e entrou. Sentou-se na sala escura e esperou.
Marlene chegou quase uma hora depois. Acendeu a luz do corredor e deu um grito de susto ao ver a figura sentada no sofá.
"Droga, Alípio... você me deu um susto enorme."
Ele não se levantou. Falou em voz baixa e tensa.
"Quem era aquele cara que você estava beijando no carro?"
Marlene permaneceu imóvel, ainda de casaco. Olhou para ele e, em vez de sentir raiva, sentiu uma profunda e sombria satisfação. Ele a tinha visto. E estava com ciúmes.
Ela tirou o casaco lentamente e o jogou sobre o encosto de uma cadeira.
"O que isso te importa?", respondeu calmamente. "Você tem a Bruna, não tem? A boa moça, aquela que te dá tudo o que você precisa."
Alípio se levantou de um salto. Agarrou-a pelos braços e a beijou com força, pressionando-a contra a parede do corredor. Marlene sentiu-o arrancar os botões de sua blusa num movimento rápido. Os botões voaram pelo chão. Ele arrancou seu sutiã e apertou seus seios com raiva.
"Quem diabos era aquele?", repetiu contra sua boca.
Marlene engasgou, mas não o empurrou. Pelo contrário, cravou as unhas na nuca dele e mordeu seu lábio inferior.
"Isso te incomoda?", sussurrou com um sorriso pequeno e cruel. "Te incomoda que outro homem me toque?" Alípio a empurrou contra o braço do sofá. Levantou sua saia e puxou sua calcinha para baixo. Enfiou dois dedos nela com força. Marlene estava completamente molhada pelas caricias no carro e também por esse ato de violência dele. Ele percebeu e soltou uma risada curta e amarga.
"Você está transando com uma garota de vinte anos", disse Marlene enquanto ele a tocava com força. "E agora você vem aqui como um animal selvagem porque eu beijei um homem?"
"Cala a boca", rosnou ele.
Virou-a de costas, curvou-a sobre o sofá e baixou as calças. Umedeceu o pênis com a mão e penetrou-a com força. Penetrou-a completamente. Marlene soltou um gemido abafado contra a almofada. Ele começou a foder com estocadas rápidas e fortes, como se quisesse extrair algo dela. Agarrou seus quadris com firmeza, cravando os dedos em sua carne.
Enquanto a fodia, falava entre dentes cerrados:
"Bruna é boa... ela é doce... e eu estou bem." com ela.
Marlene, com a voz embargada pelas estocadas, respondeu:
"E o que ela te dá que eu não posso?"
Alípio hesitou por um segundo, ainda dentro dela. Então respondeu, bem baixinho:
"A virgindade dela."
O silêncio que se seguiu foi denso. Só se ouvia a respiração ofegante deles.
Marlene permaneceu imóvel. Sentia-o pulsando dentro dela. Fechou os olhos por um instante. Então, com voz baixa, mas firme, disse:
"Então a possua."
Alípio não se moveu.
Marlene se sentou um pouco, ainda com ele dentro dela, e olhou para ele por cima do ombro. Seus olhos brilhavam.
"Me foda no cu", disse ela. "É a única coisa que posso te dar que ela ainda não te deu. É a única coisa virgem que me resta."
Alípio a encarou. Algo mudou em sua expressão. Ele saiu de dentro dela com cuidado. Marlene se virou e sentou na beirada do sofá. Ela o encarou por um segundo, como se ainda pudesse mudar de ideia. Então, deitou-se, encolheu os joelhos contra o peito e abriu as pernas, expondo-se completamente.
"Faça isso", sussurrou ela. "Antes que eu mude de ideia." Alípio ajoelhou-se à sua frente. Afastou suas nádegas com as mãos. Cuspiu em seu ânus e espalhou a saliva com o polegar. Marlene se tensionou instantaneamente, mas não fechou as pernas. Ele posicionou a cabeça do seu pênis, ainda brilhando com o líquido dela, contra a entrada apertada.
"Vai doer", avisou ele baixinho. "Vou devagar." E então Alípio empurrou. A princípio, apenas a cabeça entrou apertada. Marlene soltou um gemido abafado e agarrou as almofadas. A ardência era intensa, como uma ferida aberta. Ele continuou empurrando, centímetro por centímetro, sem nunca desviar o olhar do rosto dela. Os olhos de Marlene estavam fechados e sua boca entreaberta, sua respiração ofegante, um ricto de dor.
"Porra..." ela soluçou quando ele estava quase todo dentro dela. "Dói muito..." Alípio só parou quando estava completamente dentro dela. Ficou imóvel, tremendo, a testa pressionada contra a dela. Lágrimas escorriam pelos cílios de Marlene, mas ela não pediu que ele parasse. Em vez disso, ergueu a mão e agarrou a nuca dele, abraçando-o com força.
"Mexa-se", sussurrou ela. "Mete. Quero que você goze dentro de mim."
Ele começou a se mover. No início, devagar, quase cauteloso. Mas, aos poucos, o ritmo foi ficando mais profundo e intenso. Marlene chorava e gemia ao mesmo tempo, cravando as unhas nos braços dele. A dor ainda estava lá, mas se misturava com outra sensação: a sensação de ser tomada de uma forma que ninguém jamais havia feito. Alípio a penetrou com força, olhando em seus olhos. Quando gozou, foi com um gemido longo e controlado, esvaziando-se dentro dela. Marlene sentiu o calor intenso preenchendo-a e fechou os olhos com força. Eles permaneceram assim por alguns segundos, entrelaçados, respirando um contra o outro.
Finalmente, foi Alípio quem falou, quase num sussurro:
"Agora estamos quites... agora estamos quites." Ele se retirou com cuidado. O sêmen começou a vazar lentamente. Marlene estava deitada no sofá, com as pernas abertas, o ânus latejando e dolorido. Ela não se mexeu quando ele subiu as calças e apertou o cinto.
Alípio olhou para ela por mais um instante. Parecia que ele queria dizer algo, mas no fim, apenas pegou o casaco, abriu a porta e saiu, fechando-a cuidadosamente atrás de si.
A casa ficou em silêncio novamente.





adorei, essa estoria vai longe e principalmente um toque de bdsm, sem excesso, quero muito ver até onde vai essa estoria
a pressão continua de forma insana, essa saga é muito diferente do que tenho visto no universo dos contos, adorando e as fotos bem de acordo com a estória