Capítulo 9, Conto 6: O Clímax do Observatório
A tarde caiu e a neblina, enfim, se dissipou, revelando o prédio em frente com uma clareza cortante. Estávamos os três no meu escritório: Sofia sentada na minha mesa, Helena na poltrona lateral com uma taça de vinho, e eu no centro, com o binóculo de teatro que Sofia me dera de presente.
O Show Particular
A vizinha apareceu. Ela estava sentada em uma poltrona de veludo, bem de frente para a janela. Dessa vez, não havia marido, não havia "inocência". Ela usava apenas um colar de pérolas e estava com as pernas abertas, as coxas gordinhas transbordando pelas bordas da poltrona.
Ela segurava um vibrador negro, grande, e o deslizava pela pele da barriga antes de mergulhá-lo na buceta cabeluda. O contraste do objeto moderno com a mata de pelos rústica era hipnotizante. Ela olhava diretamente para nós. Ela sabia que a "doutora" estava lá hoje.
A Reação em Cadeia
— Vejam como ela se oferece... — sussurrou Helena, levantando-se e caminhando até ficar atrás de mim, encostando o corpo no meu. — Ela não está apenas se masturbando. Ela está realizando um ato de exibicionismo clínico. Ela quer que nós três a consumamos.
Sofia se aproximou, colocando a mão na nuca de Helena, forçando-a a olhar para a vizinha. — E o que a "clínica" diz sobre o que você está sentindo agora, Helena? Porque eu sinto o seu coração batendo nas minhas costas.
Helena não respondeu. Ela apenas assistia à vizinha, que agora encostava o vibrador no vidro, deixando uma marca circular de umidade, enquanto a outra mão apertava um de seus seios grandes.
— Eu sinto... — Helena começou, a voz sumindo. — Eu sinto que a análise acabou. Eu quero ser o objeto de estudo agora, João. Esqueça a vizinha por um momento... descreva para ela, olhando nos olhos dela, o que você faria se aquela mulher do outro lado fosse eu.
Sofia me deu o comando com um aceno de cabeça. Eu virei para Helena, enquanto a vizinha continuava seu show no vidro, e comecei a narrar a nossa própria versão daquele pecado, ali mesmo, sob o olhar cúmplice da mestre e o brilho da janela vizinha.
A noite na Serra trouxe uma tempestade como poucas vezes vi. O vento uivava entre as fendas das janelas de madeira e, em um estalo violento de um trovão que pareceu sacudir as fundações da casa, a luz se apagou. O breu foi total, restando apenas o som da chuva torrencial e a respiração pesada de nós três no escritório.
Sofia, sempre prevenida, acendeu algumas velas. A luz bruxuleante das chamas criava sombras gigantescas nas paredes, transformando o cômodo em uma espécie de templo improvisado.
Capítulo 9, Conto 7: O Ritual das Sombras e o Veredito
Estávamos os três sentados no chão, sobre o tapete persa, cercados pelo calor das velas. O cheiro de cera queimada se misturava ao perfume de baunilha de Sofia e ao aroma mais seco, quase medicinal, que emanava da pele de Helena.
A Janela Escura
Olhei para fora. O prédio vizinho também estava às escuras. A janela da nossa vizinha gordinha era agora apenas um retângulo negro, um vazio que a nossa imaginação precisava preencher.
— Ela deve estar lá... — comecei, a voz baixa, quase um sussurro. — No escuro, sentindo o frio da tempestade, com a pele arrepiada. Consigo imaginar o marido dela a encontrando apenas pelo tato, as mãos perdidas naquela mata de pelos úmida, o corpo dela se abrindo como terra molhada sob a chuva.
Helena estava sentada entre mim e Sofia. Ela não usava mais os óculos. Sem a barreira das lentes, o olhar dela era puro desamparo e desejo.
— A privação sensorial... — Helena murmurou, aproximando-se de mim até que nossas coxas se tocassem. — ... aumenta a projeção do desejo. João, no escuro da sua mente, quem é que você está possuindo agora? É a vizinha real, gordinha e visceral, ou é a ideia de uma doutora que perdeu toda a razão?
A Fusão Total
Sofia, a mestre, deu o xeque-mate. Ela se posicionou atrás de Helena e começou a desamarrar o nó do hobby de seda da psicóloga.
— Não escolha, João — comandou Sofia. — Use a imagem da vizinha para moldar a Helena. Trate-a como se ela fosse aquela mulher do outro lado. Deixe a "análise" de lado e sinta a carne.
Naquela penumbra, as mãos de Sofia guiavam as minhas. Eu toquei o corpo de Helena, sentindo a maciez da pele dela, mas minha mente via as curvas generosas da vizinha. A Dra. Helena soltou um gemido que não tinha nada de clínico quando eu a prendi contra o chão, exatamente como o marido da vizinha fizera no vidro na noite anterior.
O Gozo no Silêncio da Serra
A tempestade lá fora era o eco do que acontecia ali dentro. Helena se entregou totalmente, abandonando o papel de observadora para se tornar o próprio objeto do experimento. Sofia assistia, tocando-se ao ritmo dos nossos movimentos, deleitando-se com a desintegração total da postura da sua terapeuta.
Gozei enquanto o trovão final ecoava, sentindo que, naquele momento, não havia mais distinção entre a mestre, a psicóloga e a vizinha. Éramos um único organismo de carne, segredo e fetiche, unidos pelo silêncio cúmplice da Serra.
CAPÍTULO 10 - O casarão em reformas
O ar da Serra parecia mais denso naquela parte da estrada. O casarão não era apenas uma construção de madeira e pedra; era um monumento ao isolamento que buscávamos. Adquirimos a propriedade após Sofia insistir que nossas experiências precisavam de um palco maior, longe dos olhares curiosos da cidade, onde os ecos dos nossos jogos não encontrassem paredes vizinhas tão próximas. Era uma construção imponente, com varandas de madeira trabalhada que circundavam toda a estrutura, prometendo ser o santuário perfeito para a autoridade da mestre e para as nossas explorações sensoriais.
