A mulher misteriosa. A mesma senhora madura, com seu estilo ousado, estava parada no salão e, acenou alegremente para ela, com um sorriso conhecedor nos lábios vermelhos. Marianne fez uma carranca imediata. Ela não estava com humor para joguinhos, mas, com um suspiro pesado, engoliu o orgulho e a serviu mais uma vez, recebendo em troca aquele mesmo olhar profundo e avaliador.
O tempo avançou. No dia 12 de agosto, o sol estava um pouco mais gentil. Marianne e Kate decidiram aproveitar a folga para fazer uma caminhada no parque local. , as duas caminhavam lado a lado pelo caminho de pedras sob a sombra das árvores, observando o movimento casual de um corredor passando por elas, ambas vestindo roupas curtas e frescas para lidar com o verão da Flórida.
Logo, o cansaço as venceu, e elas se sentaram em um banco de madeira próximo, Marianne cruzou as pernas, exibindo seus shorts curtos, enquanto Kate abraçava os joelhos, olhando para a paisagem verde.
— Difícil acreditar que o verão já está acabando — comentou Kate, quebrando o silêncio.
— Eu sei, né? — respondeu Marianne, brincando com a barra do próprio top. — Embora seja meio inútil pensar assim, já que só temos praticamente uma temporada quente aqui o ano todo.
— Você sabe a que estou me referindo. Importa um pouco para mim; começarei a faculdade logo. Os meus dias na cafeteria logo acabarão.
Marianne desviou o olhar para o chão, sentindo um nó se formar na garganta.
— Yeah, eu sei a que você se refere. Eu só estou tentando não pensar nisso.
— Sinto-me bem em começar algo novo e fresco depois daquele lugar — Kate suspirou, apoiando o queixo no joelho. — Estava começando a me dar nos nervos... Apesar de que eu nunca cheguei no mesmo nível de exaustão que você. Nosso chefe me perguntou se eu sabia se você estava dormindo enquanto trabalhava. Ele ouviu reclamações de alguns fregueses. Eu disse a ele que não, que deveria ser alguém mentindo para prejudicar você.
Marianne soltou uma risada seca e sem humor.
— Eu me pergunto por que ele não vem e me pergunta isso diretamente. E eu não quero que você me cubra, Kate. Eu já disse a ele que eu tiro, sim, uma soneca durante algumas horas de trabalho e que esses fregueses de merda se incomodam de me acordar.
— Hah, yeah. Talvez ele fique intimidado por você. Mas... mesmo que esse trabalho seja péssimo, eu vou sentir falta de fazer palhaçadas com você.
— Eu sei a que você está se referindo. Você é a única coisa boa nesse trabalho, Kate. Você é como aquela irmãzinha irritante que eu nunca tive.
— Hah. Foda-se você, eu não sou irritante, eu sou adorável — Kate rebateu, fingindo ofensa.
— Com certeza... mas também irritante.
O sorriso de Kate desapareceu lentamente, dando lugar a uma expressão de genuína melancolia. Ela olhou para a amiga.
— Marianne, eu não sei como colocar isso. Mas realmente é uma droga que nós não vamos passar mais tempo juntas como estamos acostumadas com a minha ida para a faculdade. Quero dizer, de fato nós podemos mandar mensagens e ligar uma para a outra, mas não é a mesma coisa. Nós nos víamos todos os dias no trabalho e saíamos juntas; você tornou meu tempo aqui memorável. Eu realmente tirei a sorte grande com você, até porque eu não sou daqui e não conhecia ninguém. Acho que o que estou tentando dizer é que... me sinto muito mal por te abandonar.
Marianne sentiu o peito apertar, mas forçou um sorriso reconfortante.
— Kate, pode parar. Você não deveria se sentir mal por ir atrás daquilo que quer fazer. Eu também me sentiria péssima em arrastar você lá para baixo comigo. Divirta-se na faculdade. Estude algo pelo qual você tem interesse.
— Eu irei, Marianne. Mas ainda assim... Eu vou sentir muito a sua falta.
— Eu sei... e eu também sentirei a sua. Mas nenhuma de nós irá morrer. Nós ainda nos veremos e manteremos contato.
Kate assentiu, fungando levemente antes de mudar de assunto, a curiosidade brilhando em seus olhos.
— E o que você irá fazer? Você vai continuar trabalhando na cafeteria?
— Eu não sei. Agora que você está saindo, eu duvido muito. Sério, eu já teria me ferrado e surtado mais cedo sem você.
— O que você irá fazer, então? Aquele programa de enfermagem que sua mãe mencionou?
— Droga, não. Eu não aguento hospitais.
— Você tem algo mais em mente?
Marianne hesitou, mordendo o lábio inferior.
— Talvez.
— E o que é? — Kate se endireitou no banco, totalmente atenta.
— É meio improvável, mas... tem uma senhora que às vezes vem tomar café. Eu não sei mesmo se você já a viu. Ela tem um corte lateral, tatuagens e alguns piercings. Ela deve ter uns 40 ou 50 anos, eu acho.
A expressão de Kate se iluminou com o reconhecimento.
— Yeah, eu acho que sei a quem você se refere. Eu penso que já a servi algumas vezes. Ela é muito agradável, sempre me chama de "pedaço de torta".
— Yeah, eu acho que nós estamos falando da mesma pessoa — confirmou Marianne. — Ela disse para mim, lá no começo do verão, que poderia ter algum trabalho para mim.
— Realmente? Ela disse que tipo de trabalho?
— Não, ela foi muito vaga sobre isso. Só mencionou que era um pouco arriscado e que... envolveria tirar minha roupa.
Os olhos de Kate se arregalaram quase comicamente. Sua mandíbula caiu.
— Mas que merda?! Ela é uma cafetina?
— Hah. Foi exatamente isso que eu perguntei a ela — Marianne riu, lembrando-se da interação no beco. — Mas ela disse que não é nada disso. É provavelmente algumas fotos para algum tipo de catálogo de lingerie, se eu tiver que adivinhar. Ou eu não sei... Talvez algumas fotos de seios para um calendário masculino. Eu tiraria algo dos meus seios, até reduziria, até porque minhas costas machucam um pouco.
Kate balançou a cabeça freneticamente, a imaginação fértil trabalhando a mil por hora.
— Mas que merda, é isto! É pornô, Marianne! Ela quer que você faça pornô!
— Cale a boca, Kate! Não é pornô. Isso não faz nenhum sentido. Como ela saberia alguma coisa de pornô?
— Ela deve fazer, ou costumava fazer! — Kate gesticulava animada, mergulhando na própria fantasia. — Imagine, talvez ela queira fazer uma cena com você e mais um cara quente. Ela vai te ensinar como foder adequadamente... E então te mostra como domar o cachimbo dele, vocês duas começam a chupar... Então ele vai soltar uma massiva carga em ambas de vocês...
Marianne olhou para a amiga com uma mistura de choque absoluto e repulsa divertida.
— Mas que porra, Kate!? Quantos pornôs você assiste na sua hora vaga!? Ela tem cem anos, não tem como ela ter algo a ver com pornografia. E que merda você acabou de descrever?! Você é alguma especialista em pornografia agora?
— Ora, vamos, garota! Como você é inocente; ela pode totalmente se encaixar na categoria madura. Ela interpreta a mulher madura sedutora do bairro, que atrai jovens para sua casa e faz o que quer com eles. Ou a mãe gostosa da sua amiga, ou a mãe gostosa da sua namorada que te seduz e você não consegue resistir. Ela bate totalmente com o perfil! E você precisa começar a assistir a alguns pornôs para ficar mais familiarizada com eles em sua futura carreira.
— E talvez você deba assistir menos dessas coisas! — Marianne rebateu, as bochechas coradas. — Olha. Não tem como ser pornografia, ok? É como eu disse, deve ser algumas fotos ousadas para sei lá que propósito.
— Ok, então, que se dane. Mas para mim é pornô, Marianne. E note que você nem disse que não faria se fosse pornografia...
— Porque eu sei que não é pornô! Nem ferrando que isso seja. Não há um ponto em ficar pensando "eu faria", porque não é.
— É, tanto faz — Kate deu de ombros, um sorriso pervertido no rosto. — Só não faça nada estranho quando começar a filmar essas cenas. Você sabe... não vá para a Europa e acabe sendo mijada... Porque, se fizer isso, eu não serei capaz de assistir aos seus vídeos.
Incrédula com o rumo bizarro da conversa, Marianne levantou-se do banco bruscamente, ajeitando o short.
— Ok, sua pervertida. Eu sinto que quero um sorvete bem agora. E você vai me acompanhar ou planeja fantasiar com mais alguns pornôs nesse banco?
Kate riu alto, levantando-se e espanando a parte de trás do short. Enquanto caminhavam juntas em direção ao carrinho de sorvete, Kate lançou o desafio final:
— Eu aposto 20 pratas que é pornô.
Marianne olhou para ela, o orgulho falando mais alto, e disparou com um sorriso confiante:
— Fechado. Você está com tudo.