Quando o amor incomoda - 68



Gurizão empurrou a porta de vidro da delegacia com o ombro, o corpo ainda tenso pelo ambiente frio e formal que deixava para trás. O sol da manhã batia forte na calçada, fazendo o suor brilhar nos ombros largos e nos braços definidos que se moviam com naturalidade sob a regata preta justa. Ele caminhou com passos largos e seguros em direção ao hospital.
Alguns quilômetros dali a campainha toca, Gustavo grita alertando que já está indo atender.
— Luigi?
— Alguma notícia do meu filho? Fui na casa dele, ninguém atendeu.
— Entra, não o encontramos ainda, mas temos uma pista…
Diz Gustavo ao pai de seu namorado.
Na recepção do hospital, o ar condicionado contrastava com o calor de fora. O cheiro de álcool e café pairava no ar. Guiomar estava sentada atrás do balcão, cabelos presos em um coque improvisado, uniformizada, digitando algo no computador. Ao levantar o olhar e reconhecer o visitante, seus olhos se estreitaram com malícia. Um sorrisinho safado se espalhou pelos lábios carnudos e ela piscou devagar, provocativa.
— Fala, Guiomar, bom dia! — disse Gurizão, a voz grave e brincalhona ecoando no corredor claro.
— Bom dia, Felipe. Eu ia perguntar se está tudo bem, mas pelo que estou vendo está tudo ótimo — Respondeu ela, inclinando levemente o corpo para frente, o olhar percorrendo o peito largo e os braços do rapaz. — Veio ver sua mãe?
Gurizão soltou uma risada baixa e larga. Contraiu deliberadamente os bíceps, ostentando a definição muscular sob a regata, e deu um pequeno giro de ombros para que ela apreciasse melhor as costas largas e o trapézio marcado.
— Também… mas eu queria saber se a Marilda está bem… ver ela…
A expressão de Guiomar mudou num instante. O sorriso safado desapareceu, substituído por uma curiosidade desconfiada. As sobrancelhas se arquearam e ela franziu a testa, o olhar ficando mais penetrante.
— Marilda? A Marilda dona da loja Elegance, a que ficou viúva e veio toda fodida de madrugada, essa Marilda? Porque, você é da família?
Gurizão manteve o sorriso, mas a voz ganhou um tom mais sério, quase impaciente, enquanto gesticulava com as mãos grandes.
— Como você bem descreveu: dona da loja Elegance, minha patroa, e que ficou viúva do esposo e também dono da loja. Meu irmão é o subgerente e está desaparecido, então eu ia perguntar a ela. Mas como você está tão inteirada sobre a situação da loja que paga meu salário, quero saber se é para eu ir abrir a loja para eu ganhar dinheiro e comprar meus suplementos ou a loja vai ficar fechada até tudo se regularizar eu ficar sem dinheiro para pagar a academia, suplementos e perder esse corpão delicioso?
Guiomar fechou o semblante por completo. Os lábios se apertaram em uma linha fina. Sem mais provocações, ela apenas apontou com o queixo na direção do corredor e murmurou o número da ala e do quarto. O gesto foi seco, quase ríspido.
Gurizão piscou para ela de novo, o sorriso safado de volta, e se afastou flexionando os braços uma última vez, as costas largas se movendo sob a regata enquanto caminhava com passos firmes e um tanto exibicionistas em direção ao quarto indicado.
Longe dali, na fazenda que cercava a igreja Nova Palavra, o ar era pesado de terra molhada, café maduro e silêncio tenso. O sol já estava alto, castigando a plantação. Depois da sessão de “readequação comportamental”, chicotadas, xingamentos e orações gritadas diante de todos os rapazes, os que haviam sido pegos transando foram levados sob guarda para o isolamento. Os demais retornaram aos postos de trabalho, os ombros curvados, os rostos fechados.
Luiz Felipe colhia café com movimentos mecânicos, os dedos sujos de terra e seiva. O rosto estava vermelho de revolta contida. Ao lado dele, Gabriel trabalhava em silêncio, a postura mais encolhida, o olhar baixo. Luiz Felipe se aproximou o suficiente para que a voz não ultrapassasse o sussurro.
— Não podemos continuar aqui. Temos que fugir.
Gabriel ergueu o rosto por um segundo. Os olhos estavam cansados, as sobrancelhas franzidas de preocupação.
— Eu já te expliquei, Luiz… não dá pra fugir. Somos vigiados o tempo todo. Não tem nada por perto e não temos para onde ir.
— Você não tem. Eu tenho! — Luiz Felipe fechou o punho em torno de um galho, a voz embargada de urgência. — Tenho uma casa, família e um namorado lindo me esperando.
Um vigia passou a poucos metros, o cacete batendo ritmicamente contra a coxa. Fez um “Shiiiiiiiii” longo e ameaçador com a boca, o olhar duro cravado neles. Os dois baixaram a cabeça imediatamente e voltaram a colher.
Alguns minutos se arrastaram. Luiz Felipe notou que o semblante de Gabriel tinha se tornado ainda mais abatido. Os ombros caíram, os lábios se apertaram e uma sombra de dor passou pelo rosto jovem.
— Desculpa… eu não quis dizer…
— Não, tudo bem. Eu entendi — Respondeu Gabriel, a voz baixa e rouca. Ele parou de colher por um instante, os dedos tremendo levemente sobre o cesto. — Sabe… eu tinha… tinha um namorado. O Francisco. Antes dele eu nunca tinha namorado ninguém. Não me sentia atraído por garotas, e os garotos… bom, a maioria me ignorava e os outros me zoavam, xingavam, provocavam a cada palavra, gesto ou simplesmente por eu estar presente.
Ele engoliu em seco. Uma lágrima escapou pelo canto do olho e escorreu lentamente pela face suja de terra.
— Quando eu conheci o Francisco, tudo mudou. Era fácil conversar com ele. Mesmo quando discordávamos de alguma coisa, ele fazia parecer normal… que não era obrigatório sermos iguais em tudo, e estava tudo bem. O Francisco não é padrão. Ele odiava qualquer exercício físico, mas amava séries e jogar videogame. É sedentário, por isso é bem gordinho, e era zoado por isso. Ninguém parecia ver o quanto ele é legal, divertido, carinhoso…
Gabriel apertou os lábios com força, tentando conter o choro. Luiz Felipe observava em silêncio, a expressão agora mais suave.
— Está com saudades dele?
Gabriel balançou a cabeça devagar, os olhos fechados, confirmando.
— Um dia estávamos na minha casa jogando videogame. Ele, como sempre, super empolgado… e eu querendo safadeza, como sempre — Pela primeira vez desde que se conheceram, um pequeno sorriso triste iluminou o rosto de Gabriel ao lembrar. — Até que ele venceu e veio me abraçar comemorando. Beijou meu pescoço, meu peito… e nós nos beijamos na boca.
A voz dele falhou por um segundo. Ele passou a mão no rosto, sujando ainda mais a pele.
— Minha mãe entrou no quarto de uma vez para nos chamar para jantar e nos flagrou em pleno ato. Foi muito grito, choro, xingamento e humilhação. Meus pais expulsaram o Francisco da casa e proibiram ele de voltar. Confiscaram meu celular e me proibiram de ver e falar com ele. Meu pai queria me expulsar de casa, mas minha mãe pediu um tempo para pensar melhor e arrumar outra solução. Foi então que ela foi conversar com o pastor Ubirajara. Minha mãe já conhecia e frequentava a Nova Palavra, mas era algo esporádico… mais por influência da nossa vizinha. Uma semana depois, meus pais me jogaram aqui. Disseram que se eu me “curasse” eu poderia voltar para casa. Do contrário…
Luiz Felipe ficou em silêncio por um momento, o olhar fixo no horizonte da plantação.
— E o Francisco? Não soube mais dele?
Gabriel balançou a cabeça de novo, os ombros caindo ainda mais.
— Fiquei sabendo que a mãe dele foi expulsa de casa com ele pelo padrasto… e voltaram para a cidade dela, em outro estado.
Em Serra Verde, o sol do início da tarde já furava as frestas da cortina mal fechada do pequeno apartamento. O quarto cheirava a sexo misturado com o aroma adocicado de perfume de Milena e o calor abafado típico de ambientes sem ar-condicionado. Eduardo dormia de bruços, a cueca branca colada no corpo, a bunda marcada, as costas largas e lisas subindo e descendo com a respiração pesada. A ereção matinal já empurrava o tecido fino, deixando um volume generoso contra o colchão.
— Acorda, vagabundo!
A voz de Milena cortou o silêncio como um chicote. Ela puxou a coberta de uma vez só, expondo o corpo inteiro do rapaz. De pé ao lado da cama, a mão na cintura, o cabelo loiro preso de qualquer jeito, a camiseta larga caindo de um ombro e revelando a curva de um seio sem sutiã. Os olhos castanhos brilhavam entre irritação e tesão contido.
Eduardo se mexeu, ainda zonzo, a voz sonolenta:
— Ei… tá maluca?
— É assim que você está procurando emprego, Eduardo?
Ela se inclinou um pouco, o olhar descendo direto para a “barraca” que se formava na frente da cueca.
— Aí que saco, Milena… Eu já enviei currículo pra todas as empresas e lojas de Serra Verde e até pra algumas em outras cidades. Agora é aguardar. Ou acha que eu vou colocar uma arma na cabeça deles e dizer “me contrata ou eu atiro”?
— E acha que eu vou ficar sustentando macho? Quem tem filho barbado é gato!
Eduardo se sentou na beira da cama, passando a mão pelo cabelo bagunçado, o sorriso preguiçoso se abrindo. O volume na cueca latejava visível.
— Relaxa, mamãe… logo eu arrumo um trampo. Mas tem que ter calma. Afinal, a gente mora numa currutela no fim do mundo. Tem algo pra comer aí? Tô brocado de fome.
Milena deu um passo à frente, o corpo ondulado se movendo sob a camiseta. O olhar dela desceu de novo, demorando no pau que já marcava forte.
— Ae? Então levanta daí e coloca uma bermuda. Camisa não precisa… deixa assim. Lava essa cara, escova os dentes e penteia o cabelo. A poderosa aqui, hoje vai te dar trabalho.
Eduardo puxou-a pela cintura de uma vez, os dedos firmes na curva da bunda dela, forçando-a a sentar no colo dele. A “loira” caiu de pernas abertas sobre a ereção dura, o tecido da cueca e da calcinha dela se esfregando.
— É vai? Então senta aqui no garanhão… que ele tá pronto pra ser cavalgado.
Milena soltou um risinho baixo, provocante, e começou a rebolar devagar, circular, sentindo o pau grosso latejar sob ela. A umidade da cueca dele já manchava a calcinha fina.
— Tô sentindo mesmo… — Murmurou ela, a voz mais mansa, os quadris se movendo com mais pressão, o pau dele escorregando entre as nádegas. — Mas guarda essa “animação” pra live. Anda… começa em cinco minutos.
Disse Milena com um tom de voz de imposição.
— Live?
Questiona sem intender coçando a cabeça Eduardo. Milena se inclinou, os seios pesados pressionando o peito dele, a boca quase colada no ouvido:
— Se esqueceu que a fodona aqui tem uma loja virtual de produtos eróticos? Mas eles não se vendem sozinhos… precisam ser estimulados, desejados, influenciados, exibidos, de mons tra dos!
Continuou rebolando, mais lenta agora, deliciando-se com a forma como o pau dele pulsava e babava dentro da cueca. Depois parou de repente, se levantou e saiu do quarto balançando o quadril de propósito, a camiseta subindo o suficiente para mostrar a curva da bunda.
Eduardo ficou sentado por um segundo, a respiração ofegante, o pau doendo de tão duro. Levantou-se e foi até o banheiro, a mancha úmida na frente da cueca branca traçando um caminho claro de desejo. O espelho refletiu o corpo jovem, os músculos ainda marcados, o olhar já aquecido pela provocação dela.
No hospital de Serra Verde, o corredor da ala interna era silencioso demais. O ar cheirava a desinfetante e a algo mais doce, quase adocicado, que não combinava com o ambiente. A porta do quarto 214 estava entreaberta.
Gurizão parou um instante antes de entrar. O corpo largo preenchia o vão da porta: regata preta colada nos ombros largos, nos braços definidos, no peito que subia e descia com a respiração controlada. Os olhos escuros varreram o interior do quarto com uma mistura de preocupação e algo mais… algo que não se deixava ler facilmente.
— Marilda… como você está, meu amor?
A voz dele saiu baixa, quase íntima. Ele avançou em dois passos largos e a envolveu num abraço firme, os braços fortes fechando-se em volta do corpo dela. O calor do peito dele se colou ao dela, o cheiro de seu perfume masculino invadindo o espaço.
Marilda empurrou o peito dele com as duas mãos, o gesto brusco, os olhos arregalados. O rosto pálido, os lábios entreabertos, uma expressão que misturava surpresa, medo e algo que ela não conseguiu esconder a tempo.
— Aí… aí… Gurizão? O que você está fazendo aqui?

Autor: Mrpr2

Foto 1 do Conto erotico: Quando o amor incomoda - 68


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Quando o amor incomoda - 68

Codigo do conto:
270547

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
23/08/2026

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