Eduardo entra no carro de Luiz Felipe, o clima dentro do carro é tenso um total silêncio que pesava como a chuva que batia no para-brisa. Eduardo olhava pela janela, mandíbula travada. Luiz Felipe manteve os olhos na estrada até não aguentar mais.
— E então? Não queria conversar? Pode falar. Tô escutando.
Eduardo demorou a responder. A voz saiu baixa, quase arrastada:
— Acho melhor a gente conversar no bar do Tonho. O que acha?
Luiz Felipe apenas assentiu. Virou o volante e seguiu pela avenida encharcada.
O bar estava vazio. Só a luz amarelada do balcão e o cheiro de cerveja velha. Tonho levantou a cabeça assim que os dois entraram e já apontou o dedo:
— Sem confusão aqui no meu bar.
— Tranquilo, Tonho. Só viemos conversar. Respondeu Luiz Felipe, puxando uma cadeira.
Eduardo pediu duas cervejas geladas. Tonho olhou para Luiz Felipe, que confirmou com um aceno discreto. Os copos chegaram gelados e a cerveja suando.
Eduardo girou o copo entre os dedos antes de falar:
— Eu… tô tentando mudar. Sério. As coisas que eu fiz… eu sei que foram merda. Não tô pedindo perdão fácil. Só… não entendo a relação de vocês. Você e o Gustavo. Desde quando é assim? Vocês sempre se pegaram?
Luiz Felipe bebeu um gole longo antes de responder. A voz saiu firme, mas não agressiva:
— Agradeço o esforço. Reconheço que é um começo. Mas perdão não é como apertar um botão de desligar. Vem com tempo. E sobre eu e o Gustavo… a gente se gosta. Se ama. Quer ver o outro bem. Crescer. É simples assim, como todo mundo.
Disse Luiz Felipe apoiando os cotovelos na mesa, olhando Eduardo de frente e continuou após um gole de cerveja.
— Eu sempre me achei normal. Igual a todo mundo. Só na puberdade percebi que algumas coisas pareciam… diferentes. As meninas eram bonitas, eu reconhecia isso… mas não dava vontade de beijar, de ver sem roupa, de nada como eram com os outros garotos. Com o Gustavo foi diferente. O interesse veio depois, não tem muito tempo. Foi derepente. E quando veio, veio forte.
Eduardo baixou o olhar para o copo. A chuva lá fora continuava, mas agora fina.
Do outro lado da cidade, o sofá da sala estava ocupado com Manu deitada no colo de Diego e na poltrona George com Marcelo sentado no tapete entre as pernas do namorado
— Quem vai querer mais pipoca?
Perguntou Diego, já se levantando.
— Eu vou. E você, mô?
Marcelo respondeu todo meloso, se espreguiçando contra o peito de George.
Maria Eduarda riu alto:
— Eu também quero, Diegão. Traz bastante.
Diego, só de calção largo caindo no quadril e peito nu, sumiu na cozinha. O cheiro de manteiga logo tomou a sala.
George, sentado no tapete entre as pernas do namorado, passou a mão pelos cabelos de Marcelo e que perguntou, com voz preguiçosa:
— E aí, Manu… o que tá planejado pro futuro? Casar com meu irmão, ter quinze filhos e virar dona de casa enquanto ele monta a academia dele? Ou tá na vibe personal trainer também?
Maria Eduarda torceu o nariz, rindo:
— Nenhuma dessas. A gente começou a namorar agora. Tô curtindo muito o seu irmão, não me entenda mal…
— Que bom. Já ia te enxotar daqui, racha.
— Amorrrrrr!
George puxou a orelha de Marcelo, que só gargalhou.
— Mas quero conhecê-lo melhor antes de pensar em casamento. E quando isso acontecer… aí sim penso em filhos. No máximo dois.
— Um casalzinho!
Gritou Diego da cozinha.
Marcelo se virou para George, fazendo biquinho:
— E você, mô? Quer ter um casalzinho comigo?
— Só se for dois pitbulls.
George respondeu rindo alto.
— A gente pode adotar, já pensou?
— Amor, somos dois viados. Olha pra mim: eu sou negão, você um pardinho lindo… e os dois pobres. Quem vai liberar dois muleques pra gente?
— Quando eu for um estilista famoso eu quero adotar sim.
— Ok, ok. Primeiro você se forma, vira estilista, fica famoso… e aí a gente pensa se vai ou não adotar. Fechado?
— Aceito!
Marcelo fez o bico mais exagerado ainda e ganhou um beijo demorado de George.
Diego voltou com a bacia enorme de pipoca e entregou para Manu, que agradeceu com um beijo estalado na bochecha, mas Diego a beijou na boca. Marcelo gritou da sala:
— Ei! E a minha pipoca?
Diego parou no meio do caminho, olhando de cima:
— Você é muito folgado mesmo. Eu já fiz. Quer que eu traga e ainda dê na boca?
— Só traz a outra parte deixa que meu negão faz!
Marcelo provocou, piscando.
Diego jogou um pouco de pipoca na cabeça do irmão e todo mundo riu enquanto assistiam filme com a chuva lá fora.
No quarto, a luz estava baixa. Kenji deitado de lado, cabeça apoiada no peito peludo de Luigi, dedos traçando círculos lentos entre os pelos grisalhos. O corpo do quarentão estava quente, sólido, cheirando a sabonete.
Luigi falava baixo, quase num murmúrio, planejando a viagem:
— A gente pega a estrada cedo. Primeiro dia já dorme numa pousada perto do mar. Quero te ver molhado de água salgada…
Kenji sorriu contra a pele dele, beijando o peito bem no meio.
— Obrigado por me levar junto. Tô muito empolgado pra conhecer tudo isso com você.
A mão de Kenji desceu devagar pela barriga firme, parou na elástica do short de dormir e escorregou por baixo. Luigi soltou um suspiro fundo quando os dedos frios envolveram o pau já meio duro. Kenji apertou de leve, subindo e descendo a pele com o polegar, sentindo o volume engrossar na palma.
— Continua falando dos planos.
Pediu Kenji, voz rouca, enquanto lambia um mamilo.
— Eu gosto de ouvir você falando enquanto eu te toco.
Luigi engoliu em seco. A voz saiu mais baixa ainda:
— Depois a gente sobe a serra… tem uma trilha que termina numa cachoeira escondida. Quero te foder lá. Com a água caindo nas suas costas…
Kenji gemeu contra a pele dele e apertou o pau com mais força, agora completamente duro, a cabeça já úmida. Luigi ergueu o quadril, empurrando a mão do mais novo, enquanto a outra mão dele descia pelos cabelos escuros de Kenji e puxava de leve.
— Continua.
Exigiu Luigi, quase num rosnado.
Kenji obedeceu. A boca desceu pelo peito, pela barriga, até abrir o short e engolir o pau grosso de uma vez só. Luigi arqueou as costas, soltando um gemido baixo e gutural. Os dedos de Kenji apertavam as coxas grossas, as unhas arranhando a pele enquanto a garganta se abria para receber tudo.
O quarto ficou cheio só do som molhado da boca de Kenji e dos suspiros pesados de Luigi.
No bar do Tonho, Luiz Felipe voltou do banheiro. Eduardo já estava em pé, mexendo no bolso.
— Melhor a gente ir. Já tá tarde.
Chamou Tonho, acertou a conta. Luiz Felipe tentou dividir, mas Eduardo levantou a mão:
— Foi só uma cerveja. Tô desempregado, mas ainda pago essa. A próxima é por sua conta.
Propôs um brinde. Os dois tomaram o último gole. O líquido desceu amargo.
A chuva agora era só uma garoa fina. Entraram no carro. Luiz Felipe ligou o motor e saiu. A cidade passava embaçada pelos vidros.
Ele sentiu o corpo pesar de repente. Os braços ficaram lentos no volante. A visão começou a tremer nas bordas. Os olhos pesavam como se alguém tivesse despejado areia neles.
Eduardo olhava pela janela, quieto demais.
Luiz Felipe piscou forte, tentando focar a estrada que se dissolvia diante dos seus olhos.
A última coisa que Luiz Felipe pensou, antes da escuridão começar a tomar conta, foi que o gosto da cerveja tinha ficado estranho demais.
Autor: Mrpr2