Quando o amor incomoda - 74


Os dias passaram em Serra Verde. O prefeito tentou abafar tudo o que tinha acontecido, mas a notícia já tinha explodido na internet e não havia como conter. Charles, o filho, ficou na cidade por alguns meses. O pai repetia para quem quisesse ouvir que não sabia de nada da Igreja Nova Palavra. Assim que o barulho começou a esfriar, mandou o filho para o exterior com a desculpa de terminar os estudos num colégio interno. Anos depois Charles voltou casado com uma ex-modelo europeia e, algum tempo depois, se tornou prefeito de Serra Verde. A volta dele reacendeu os antigos burburinhos de que o casamento era apenas uma fachada.
Gurizão não resistiu ficar longe de Marilda. Continuaram se encontrando escondidos até as investigações sobre a morte de Rogério serem concluídas. Os legistas indicaram infarto, associado ao assalto que Marilda havia contado. O corpo de um conhecido delinquente foi encontrado em estado de decomposição no rio, perto de Serra Dourada. A polícia concluiu que ele tinha sido o assaltante e Marilda, apesar de nunca ter visto o homem antes a não ser por fotos em jornais, confirmou. Caso fechado.
Marilda esperou mais seis meses e finalmente assumiu Gurizão. Estava feliz, os olhos brilhando, a cabeça explodindo de ideias. Com a ajuda dele, foi expandindo a Elegance de forma consistente, lojas físicas e presença digital, até ter ao menos uma unidade em cada Estado brasileiro.
Enquanto a marca e o relacionamento de Marilda cresciam, Luiz Felipe e Gustavo também evoluíam. Concluíram a faculdade de Educação Física e, com o apoio de Gurizão, compraram a principal academia de Serra Verde. Depois foram expandindo para os grandes shoppings do Brasil. Na unidade da cidade, Diegão virou gerente, casou com Maria Eduarda e juntos tiveram um casal de filhos. Milena se mudou de Serra Verde, construiu sucesso com sua loja virtual de produtos eróticos e, anos depois, se aposentou casada com outro ator de conteúdo adulto; os dois viraram sócios e também tiveram um casal de filhos.
Luigi, Kenji e Gabriel formaram um trisal e, com o apoio de Gustavo, passaram a tocar uma ONG de acolhimento a jovens homossexuais abandonados. A casa oferecia moradia e cursos profissionalizantes em logística, teleatendimento, cuidados estéticos e empreendedorismo.
O amor de Felipe e Marilda incomodou muito Eulália pela diferença de idade, pelo fato de ela ter sido casada e depois viúva, pela desculpa dos netos biológicos. O de Luiz Felipe e Gustavo também. No fim ela aceitou. Hoje não trabalha mais no hospital: vive embarcada em cruzeiros, viajando o mundo, bancada pelos filhos.
Mas e Romário e Eduardo?
Romário havia prometido levar as amigas de Pamela nas visitas íntimas. Pamela nem apareceu. Mandou dizer, pela mãe de Romário, que o relacionamento tinha acabado. Foi a única e última visita que a mãe fez. No dia da visita, o grupo cobrou a promessa.
_ E aí primão? Cadê as primas? Estou morrendo de saudades delas.
_ Então… Ezequiel é que…
Tentou se justificar Romário.
_ Segurem ele!
Deu a ordem Ezequiel já descendo a calça.
_ Calma ae primo. Eu vou dar um jeito!
_ Calma o caralho! Tu vai dar mesmo, e vai ser agora!
Ezequiel e os outros três encarcerados meteram em Romário de forma bruta e sem amor tampando a boca do recém chegado a prisão e aquilo só fez crescer ainda mais o ódio que Romário passou a sentir por Eduardo é assim que foi solto jogado no chão todo melado de cuspe, porra e sangue Romário disse.
_ Mulher eu não consigo, mas se quiserem uma putinha loira do olho azul…
Os presos brilharam os olhos e na semana seguinte no dia da visita os quatro entocaram Eduardo e o levaram para uma cela mais afastada coberta com alguns colchões.
Óbvio que Eduardo não aceitou numa boa, mas quatro contra um, primeira muito murro, chute e soco.
_ Eu te venerava, minha vida toda passei atrás de você como uma sombra e o que você fez? Me tratou feito lixo!
_ Você queria me comer negão!
_ Sempre que você arrumava confusão na escola quem estava junto para te livrar? Quando você trepava nas encolhas quem vigiava? Quem te ajudou com seu irmão? E o que eu ganhei em troca? Humilhação, cadeia! Está na hora de você me retribuir.
Disse Romário, mas Ezequiel entrou na frente
_ Tocante a história de vocês, mas quem vai meter nessa putinha primeiro sou eu. Mas antes, escuta bem o que eu vou te dizer seu filho de uma puta, se você encostar os dentes na minha rola você vai passar a usar dentadura tá ligado? Abre a boca!
Ezequiel meteu seu pau na boca de Eduardo enquanto os outros dois o seguravam e Romário puxava seu cabelo e se queixo depois que todos os três meteram na boca e no cu de Eduardo foi a vez de Romário.
Quando deixaram Eduardo no chão da cela. O rapaz não se aguentava levar e em prantos chorava encharcado de porra sangue cuspe e mijo pois os quatro após transarem com ele e xingarem mijaram nele para humilha lo ainda mais.
O tempo passou e as visitas dos quatro a Eduardo passaram a ser frequentes até um a um serem soltos, Romário foi o último Eduardo ficou mais três anos na cadeia.
Quando saiu em regime semiaberto, voltou para a casa dos pais, mas o convívio ficou insuportável. Saiu mais agressivo e revolto. Não conseguiu emprego. A fama de explosivo e de ex-presidiário fechava todas as portas. A mãe pediu ajuda a Gustavo. Ele topou, mas Luiz Felipe lembrou o que tinha acontecido da última vez. Gustavo então entregou dinheiro escondido e pediu que a mãe não contasse. Eduardo sumiu de Serra Verde. Quando o dinheiro acabou e a polícia o procurou, entrou na prostituição.
Um dia recebeu uma ligação. Uma mulher queria contratar seus serviços. Ao chegar no local, deu de cara com Romário.
_ Dança pra mim seu puto!
Disse em tom de comando Romário.
Eduardo partiu para cima de Romário com chutes e murros, Romário contra atacou. Eduardo puxou um punhal escondido Romário quebrou uma garrafa de cerveja e ameaçou Eduardo com a garrafa quebrada os dois se enfrentaram e se apunhalaram os dois morreram em uma casa abandonada, abandonados descobertos dias depois por conta do mal cheiro.
Anos se passaram. Depois de tanto trabalho lado a lado, Gustavo se afastou um pouco da gerência das academias e voltou a se dedicar à fotografia, agora só como Rob, por prazer. Luiz Felipe foi delegando mais, ficando só com balanços e visitas ocasionais. O resto do tempo era para eles.
Eles se permitiam tudo o que o amor pedia.
Num parque aquático lotado de gente da mesma idade, Luiz Felipe puxava Gustavo pela cintura atrás de um toboágua. A pele molhada brilhava sob o sol. Ele beijava o pescoço do namorado, sentindo o corpo quente colado no seu. As mãos desciam devagar pelas costas largas, apertavam a bunda firme, enquanto o riso baixo de Gustavo vibrava contra a boca dele. No banheiro da cabine familiar, a pressa virava urgência: roupas molhadas no chão, beijos profundos, dedos entrelaçados. Luiz Felipe entrava nele com lentidão deliberada, olhando nos olhos castanhos, sussurrando o quanto o amava. As mãos de Gustavo arranhavam as costas largas, as pernas se fechavam em volta da cintura. O orgasmo vinha junto, intenso, e depois só restava o abraço apertado debaixo do chuveiro, beijos preguiçosos e o cheiro de cloro misturado ao suor.
Nos shoppings, entre uma reunião e outra, eles sumiam nos camarins. Luiz Felipe ajoelhava, abria o zíper de Gustavo com os dentes e o chupava devagar, olhando para cima, enquanto as mãos firmes seguravam os quadris. Gustavo puxava o cabelo dele, gemia baixo, e quando chegava perto do limite puxava o namorado para cima e o beijava com fome. Depois era a vez de Luiz Felipe ser empurrado contra o espelho, as calças baixadas, o corpo de Gustavo entrando nele com força controlada, uma mão na boca para abafar o gemido, a outra apertando o peito. Saíam sorrindo, de mãos dadas, o cheiro um do outro ainda colado na pele.
Na praia, debaixo do guarda-sol, as toalhas escondiam o que as mãos faziam. Luiz Felipe passava protetor nas costas de Gustavo com carinho exagerado, os dedos deslizando pela coluna até a curva da bunda, apertando, provocando. À noite, no quarto do hotel de frente para o mar, as janelas abertas, o barulho das ondas entrava junto com os gemidos. Eles faziam amor devagar, depois rápido, depois devagar de novo. Luiz Felipe chupava os mamilos de Gustavo enquanto entrava fundo, as coxas tremendo. Gustavo revirava os olhos, puxava o cabelo do outro, dizia “te amo” entre um gemido e outro. Quando gozavam, ficavam enroscados, suados, beijando qualquer pedaço de pele que alcançassem ombro, pescoço, peito, boca.
Nos cinemas escuros, as mãos andavam por baixo das blusas. Nos shows, o corpo de um colava no outro no meio da multidão, o pau duro esfregando contra a bunda, o beijo roubado no escuro. Em casa, depois de um dia longo, Luiz Felipe cozinhava sem camisa e Gustavo chegava por trás, beijava a nuca, descia a mão pela barriga até dentro do short. Acabavam no sofá, no chão da sala, na cozinha. Sempre com muito carinho depois: dedos passando no cabelo, beijos demorados, “eu te amo” sussurrado no escuro.
O amor deles incomodou muita gente.
Mas eles ficaram.
E continuam ficando intensos, suados, apaixonados, de mãos dadas em qualquer lugar que o mundo permita.

Fim!

Notas do autor: Agradeço a todos que com paciência chegaram até o fim dessa história, creio que a mais longa já escrita por mim. Como sabem não sou escritor profissional escrevo por diversão e tento unir conto erótico com alguma relevância não apenas sexo por sexo, mas temas que levem a reflexão. Nem sempre acerto, no tom de suspense ou mistério ainda estou aprendendo e o feedback de vocês é muito importante para meu desenvolvimento como escritor. Um abraço forte a todos e até a próxima!

Autor: Mrpr2

Foto 1 do Conto erotico: Quando o amor incomoda - 74


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Quando o amor incomoda - 74

Codigo do conto:
271695

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
07/09/2026

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