Quando o amor incomoda - 71



O ar da fazenda carregava o cheiro denso de terra úmida, esterco fresco e folhas de hortelã. O sol da tarde batia de lado, dourando as cercas de arame e as telhas velhas do galinheiro. Pastor Ubirajara caminhava à frente, a voz grave e pausada, as mãos abertas em gestos amplos, como se abençoasse cada metro de chão.
— Aqui é a parte do galinheiro. Nossa horta é bem sortida. Também temos a parte de suínos e algumas vacas leiteiras. Não são muitas, mas suprem nossa necessidade. A maior parte da nossa alimentação vem da própria fazenda. Isso deixa a comida dos internos mais orgânica, mais saudável. Sabemos que o inimigo tem planos para a alimentação… então, quando nossos irmãos voltam para a sociedade, já saem com conhecimento para criar suas próprias hortas. Ainda é um projeto pequeno, mas imaginem isso em escala. O excedente sendo trocado entre os membros,fortalecendo a comunidade.
Luigi (Marcos, para os olhos do pastor) assentiu com um sorriso dócil, quase servil. Ajeitou a camisa social um pouco larga demais e falou com a voz melosa de quem aprendeu a bajular:
— É realmente uma bênção o que o pastor está fazendo aqui.
Eulália ( fingindo ser Neide ) caminhava um passo atrás. O vestido simples escondia o corpo tenso. O olhar dela varria os pastos, os galpões, as figuras distantes que se moviam entre as árvores. Até que parou.
_ Luiz Felipe!
Murmurou baixo.
Ele estava ali, de costas, carregando um balde. A camisa suja de terra, o ombro um pouco curvado. Eulália sentiu o chão ceder. O corpo inteiro tremeu. As mãos subiram para o rosto. Um soluço seco escapou antes que ela conseguisse engolir. As pernas fraquejaram. Lágrimas quentes escorreram entre os dedos.
Luigi se virou no mesmo instante. Avançou, a abraçou por trás, puxando-a contra o peito. Os braços firmes, a boca colada ao ouvido dela.
— Calma… calma, vai dar tudo certo vamos tira lo daqui.
Pastor Ubirajara parou, franzindo a testa.
— O que houve, irmã?
Luigi ergueu o rosto, os olhos úmidos na medida certa.
— Emoção, pastor. Foi só emoção. Era exatamente isso que ela sempre imaginou para o filho… e não a aberração em que ele está se transformando. Me desculpe. Poderia trazer um pouco de água?
Ubirajara assentiu, já se afastando em direção à casa principal. Assim que o pastor se afastou o suficiente, Luigi soltou Eulália com cuidado e caminhou até o filho. Os passos eram calmos, mas o coração batia no fundo da garganta.
Luiz Felipe se virou. Os olhos se abriram. A boca se abriu sem som.
— Pai…? Finalmente me achou. Mas como? Mãe…?
Luigi segurou o ombro do filho com força, a voz baixa, urgente.
— Calma, filho. Agora não. Presta atenção. Pega esse celular. Filma tudo aqui. Tudo.
— Pai, eles fazem absurdos com a gente. Torturam e…
— Eu sei. Ou melhor… imagino. Já registrei o que pude. Nós vamos te tirar daqui.
— Eles têm vigias em todos os lados. Portões. Câmeras. Como vamos sair?
— Agora a gente precisa raciocinar com a cabeça fria. Estamos disfarçados. Tem gente vindo. Disfarça.
Um homem alto, de calça jeans suja e camisa aberta no peito, apareceu entre as árvores. Na mão direita, um cacete grosso de madeira. O olhar era duro, desconfiado.
— O que está acontecendo aqui? Quem são vocês? Não podem estar aqui.
Pastor Ubirajara acelerou o passo, levantando a mão aberta.
— Calma, irmão. Eles são novos membros. Estou mostrando nossa infraestrutura para eles.
O vigilante hesitou. Tentou esconder o cacete atrás da perna, mas o movimento foi desajeitado.
Luigi sorriu, tentando parecer inocente.
— É comum esses homens com esses cacetes?
Ubirajara riu, baixo, quase paternal.
— As vacas podem ficar um pouco agitadas às vezes. O senhor já trabalhou em fazenda?
— Ah, sim. Entendo. Trouxe a água?
O pastor entregou a garrafa. Luigi levou até Eulália, que ainda tremia. Os três se afastaram, escoltados pelo olhar atento de Ubirajara até o portão principal.
Antes de entrarem no carro, o pastor se aproximou de Luigi, a voz baixa, quase íntima.
— Desculpe a pergunta… mas já nos conhecemos antes? Você não me parece estranho.
Luigi manteve o sorriso sereno.
— Creio que não. Minha esposa é de Serra Verde, mas eu não nasci aqui. Viajei bastante. Pode ser que a gente tenha se cruzado na cidade. É uma cidade pequena.
— É verdade.
Confirmou Ubirajara.
O carro de Gurizão esperava na frente da igreja. Quando as portas se fecharam, Gustavo se ergueu do banco de trás, onde estava escondido.
— E aí? Encontraram o Luiz Felipe?
Eulália não respondeu. Só chorava, o corpo inteiro sacudido por soluços profundos. Luigi passou a mão pelos cabelos dela, a voz rouca.
— Sim. Ele está lá. Precisamos voltar. Tirar ele de lá.
Disse Gustavo se agitando.
— A segurança é forte, além disso, a polícia está envolvida. E pelo que você descreveu, tem gente poderosa também.
Temos que fazer as coisas com calma para não nos prejudicar e prejudicar o Luiz Felipe.
Luigi já digitava no celular. A mensagem para o filho foi curta. A resposta veio rápida: o prefeito tinha ligação direta com a fazenda. Respondeu Luiz Felipe.
_ “Filma tudo e já sobe tudo na nuvem agora.”
Envia outra mensagem Luigi.
Kenji, no banco de trás do carro, ligou para o jornalista que conhecera nas reuniões da associação de empreendedores. A voz era seca, profissional.
— Se tiverem provas, eu ajudo.
Disse o jornalista do outro lado da linha.
As imagens começaram a chegar. Uma a uma. O caso ia se montando.
Longe dali na cidade de Serra Verde já, no apartamento alugado, as luzes estavam baixas. O ar cheirava a cerveja e perfume. As câmeras de Milena espalhadas pelo lugar, possibilitando vários ângulos, cortes e vídeos na edição.
Eles tinham filmado um pequeno roteiro de início para o vídeo principal, no bar do Tonho. Risadas altas. Copos batendo. Depois o caminho até o prédio. Agora estavam no sofá. Como se fosse uma história de amigos que após o bar foram para um after.
Pamela estava de joelhos entre as pernas de Romário. A boca dela descia e subia no pau grosso e já babado do namorado. Romário tinha a cabeça jogada para trás, os olhos semicerrados, mas quando podia não olhava para ela. Olhava para Eduardo.
Eduardo estava sentado do outro lado do sofá, pernas abertas. Milena ajoelhada entre elas, a boca cheia, a garganta trabalhando. O pau de Eduardo era grosso, veias saltadas, a cabeça brilhante de pré-gozo. Ele tentava manter a pose, mas o rubor no pescoço e a respiração irregular o traíam e demonstravam seu constrangimento.
Romário gemeu baixo, a mão apertando o cabelo de Pamela.
— Porra… que tesão do caralho!
Milena se afastou, os lábios vermelhos e úmidos. Se sentou no sofá, as pernas abertas, e puxou Eduardo pela camisa.
— Sobe. Mete na minha boca.
Eduardo obedeceu. Ajoelhou no sofá, a bunda peluda erguida, o pau deslizando entre os lábios de Milena. O movimento de vai e vem era lento no começo, depois mais fundo. A cada estocada, a bunda dele se contraía.
Romário quase gozou só de ver. Segurou a cabeça de Pamela com as duas mãos e começou a socar a boca dela com força. O pau sumia até a base. Pamela engasgou, as unhas cravadas nas coxas dele, tentando o empurrar. Lágrimas escorreram pelos cantos dos olhos dela.
— Romário… — a voz saiu abafada, quase um gemido de protesto.
Ele parou na hora, a respiração ofegante.
— Desculpa. Porra, desculpa.
Milena se levantou, os seios ainda presos no sutiã, a calcinha já molhada e deslocada.
— Vamos pro quarto.
Os quatro se moveram juntos. Levando as câmeras para o novo ambiente. A porta do quarto se fechou atrás deles, o microfone pegava os sons: a cama rangendo, a respiração acelerada, o estalo úmido de bocas e pele, o gemido rouco de Romário quando finalmente entrou em Pamela, e o suspiro baixo de Eduardo quando Milena o montou de frente, descendo devagar, a bunda dele aberta para a câmera, o pau sumindo dentro dela.
Do lado de fora, a cidade continuava. Mas dentro daquele quarto, o tesão estava nas alturas.
O cheiro de sopa e suor impregnava o refeitório da fazenda. As lâmpadas fluorescentes tremiam no teto, jogando uma luz amarelada e cansada sobre as longas mesas de madeira. Os internos comiam em silêncio, a cabeça baixa, os ombros curvados. Luiz Felipe segurava a colher com a mão esquerda e, com a direita, deslizava o celular sob a perna, a tela virada para baixo. O ângulo captava os vigias andando entre as fileiras.
Eles carregavam os cacetes com naturalidade, batendo de leve nas costas de quem mastigava devagar demais ou tentava conversar. Um deles parou atrás de um menino de uns dezenove anos e falou sem levantar a voz:
— Acelera a lavagem dos pratos. O culto começa em vinte minutos. Quem atrasar fica de joelhos até o fim.
Luiz Felipe esperou o vigia se distrair com outro grupo. Levantou-se como se fosse ao banheiro, passou pelo corredor lateral e subiu a escada de madeira que rangia a cada degrau. No andar superior, o ar era mais frio. Ele enfiou o celular na fresta de uma prateleira alta, apontando a lente para o salão principal, e desceu de novo antes que alguém notasse sua ausência.
O culto tradicional terminou com os hinos e as mãos erguidas. Então a “sessão de readequação” começou.
Os rapazes afastaram os bancos pesados de madeira. No centro foi colocado uma banheira enorme, quase uma piscina rasa, que foi trazida por uma empilhadeira, trouxeram uma mangueira e foram enchendo de água gelada. Projetores ligaram nas paredes. Imagens de casais heteros se acariciando, sorrindo, beijando em dados momentos homens se abraçando, beijando, se tocando. Cada vez que a cena aparecia era homoafetiva, choques elétricos percorriam os corpos dos que estavam dentro da água. Alguns se contraíam, gemendo. Outros tentavam desviar o olhar e levavam chicotadas nas costas molhadas. Um grupo de homens e mulheres rezava em volta, vozes monótonas, enquanto baldes de água fria eram jogados sobre as cabeças dos jovens. O vapor do suor e o cheiro de medo misturavam-se ao som dos gritos abafados.
As imagens chegaram ao jornalista Diogo em tempo real. Ele parou o café no meio do caminho até a boca. O rosto do filho do prefeito apareceu claramente entre os corpos tremendo dentro da banheira. Sem hesitar, ele ligou para o delegado e enviou um trecho curto do vídeo.
Do outro lado da linha, a voz do delegado Queiroz tentou soar firme:
— Isso deve ser uma brincadeira de mal gosto. Não tem como ser real.
— Está ao vivo — Respondeu o jornalista Diogo, a voz baixa e cortante. — Eu estou vendo agora. E não sou o único. O denunciante já está em contato com outros jornalistas, imprensa de TV e portais de internet. Eu posso fazer uma matéria a favor da polícia de Serra Verde… ou a polícia vai ser massacrada por omissão. A escolha é sua.
O delegado não discutiu mais. Reuniu uma força-tarefa e partiu em direção à fazenda. Acionou também o delegado de Serra Dourada, cidade vizinha, que chegaria mais rápido. O policial Rodrigues tentou ligar para o pastor Ubirajara. A chamada caiu na caixa postal. Ubirajara estava dentro da sessão de readequação e não atendeu. Rodrigues continuava tentando as ligações e enviar mensagens.
No apartamento, o clima era de sexo. A cama rangeu sob o peso dos quatro corpos. Romário deitado de costas, as mãos grandes segurando a cintura de Pamela enquanto ela cavalgava. O pau dele entrava e saía dela com estalos úmidos, a pele de ambos brilhando de suor. Ao lado, Eduardo metia em Milena de quatro. As mãos dele apertavam a bunda dela com força, os quadris batendo forte, o som da pele contra pele misturando-se aos gemidos.
Romário fazia movimentos amplos de propósito. A cada estocada, a mão esquerda “esbarrava” na coxa de Eduardo, depois no quadril, depois quase nos testículos. Eduardo já tinha olhado de lado duas vezes. Na terceira, soltou um grunhido baixo.
Romário riu, ofegante:
— Foi mal… sem querer.
Mas continuou. Quando Eduardo se virou e deitou de costas para que Milena o montasse, a bunda dele ficou perto demais da mão de Romário. Romário ergueu a mão e tocou. Não foi um toque de acidente. Foi uma carícia aberta, os dedos deslizando pela pele quente e peluda.
Eduardo reagiu no reflexo. O pé direito acertou o peito de Romário com força, empurrando-o para trás.
A confusão explodiu.
Romário se reergueu, o pau ainda duro e brilhante, o peito marcado pelo chute.
— Qual é, irmão? Tá ficando louco?
Eduardo se levantou também, a respiração pesada, o olhar escuro.
— Eu que te pergunto. Tá virando viado? Quer pegar no meu pau?
— Tá viajando, Edu. Não tá vendo que eu sou macho e tô mandando ver na minha mulher? Não tô te entendendo.
— Eu que não tô te entendendo. Uma cama desse tamanho, uma mulher como a Pam do teu lado, e você fica esbarrando, acariciando… tô te estranhando. Fica esperto.
Disse Eduardo apontando o dedo para Romário que deu um passo à frente, o sorriso sínico nos lábios grossos.
— Esbarrando mesmo. Foi sem querer. Se eu quisesse, já tinha metido nessa bunda que toda hora você arreganha pro meu lado.
Eduardo não respondeu com palavras. Partiu pra cima. O primeiro soco acertou o maxilar de Romário. O segundo foi bloqueado. Os dois caíram na cama, rolando, pernas e braços se enrolando, chutes, socos, gemidos de dor misturados aos gemidos de excitação que ainda ecoavam no quarto. Pamela e Milena gritaram, tentando separá-los, os corpos nus e suados puxando pelos ombros.
Do lado de fora, os vizinhos já batiam na porta com força.
— Ei! O que tá acontecendo aí dentro?!
A cama rangia. O ar cheirava a sexo e adrenalina. E a câmera, esquecida no canto, continuava gravando.

Autor: Mrpr2

Foto 1 do Conto erotico: Quando o amor incomoda - 71


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Quando o amor incomoda - 71

Codigo do conto:
271222

Categoria:
Gays

Data da Publicação:
01/09/2026

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