A noite já estava bem avançada quando Mateus saiu da tenda pela segunda vez. Ele murmurou alguma coisa sobre voltar pra fogueira antes que os outros desconfiassem demais, passou a mão pelo meu cabelo de um jeito quase distraído e fechou o zíper atrás de si. O ar dentro da tenda ainda estava quente, carregado do cheiro dos três corpos, do sexo, do suor. Eu fiquei deitado, o corpo marcado, o cu ainda latejando com a memória das duas invasões. Bruno não saiu. Ele ficou sentado na beira da cama estreita, a camisa aberta, o peito largo subindo e descendo com a respiração que ainda não tinha normalizado por completo. A mão grande repousava na minha coxa, o polegar fazendo círculos lentos na pele. Eu olhei pra ele. Os olhos escuros, a barba por fazer, o jeito rústico de quem passou a vida no sol e no trabalho pesado. Mas havia algo diferente no olhar agora. Menos urgência bruta. Mais atenção. — Você tá bem? — ele perguntou, a voz rouca e baixa. A pergunta me pegou de surpresa. Mateus tinha sido intenso, possessivo, quase voraz. Bruno, mesmo tendo metido com força, agora parecia… preocupado. — Tô — eu respondi. — Cansado. Mas bem. Ele assentiu. A mão subiu pela minha coxa, passou pelo quadril, parou no meu abdômen. Os dedos calejados traçaram as linhas do músculo com uma delicadeza que contrastava com o tamanho da mão. — Eu nunca fiz isso antes — ele disse, quase pra si mesmo. — Com homem. Nunca beijei, nunca toquei… nada. Mas quando eu te vi ali, com o Mateus… caralho. Eu não consegui sair. — E agora? Bruno olhou pra mim. O olhar era direto, sem desviar. — Agora eu quero de novo. Só nós dois. Mas eu quero fazer direito. Quero te ver gozar. Quero ouvir você. Quero sentir que você tá gostando de verdade. Eu senti o peito apertar um pouco. Não era o tipo de coisa que eu esperava ouvir de um peão de Barretos no meio de uma tenda de camping. — Então faz — eu disse. Ele se inclinou. O primeiro beijo foi lento. A barba arranhando meu queixo, os lábios secos no começo, depois se abrindo. A língua dele entrou com cuidado, explorando, não invadindo. Eu respondi. O beijo aprofundou aos poucos. Bruno passou a mão pela minha nuca, os dedos enterrados no cabelo, segurando sem apertar demais. O outro braço envolveu minha cintura e me puxou pra mais perto. O peito dele contra o meu. O calor. O cheiro de suor, de terra, de homem. — Você beija gostoso pra porra — ele murmurou contra minha boca. — Macio. Quente. Ele beijou de novo. Dessa vez mais fundo. A língua dele encontrava a minha, brincava, succionava meu lábio de baixo. Eu gemia baixo dentro do beijo. A mão dele desceu pelas minhas costas, parou na curva da nádega, apertou com força controlada. O polegar desenhou círculos na pele sensível. — Posso te tirar a roupa de novo? — ele perguntou, a voz rouca. Eu sorri de canto. — Pode. Bruno tirou minha camiseta com cuidado, quase reverente. Depois a calça e a cueca. Eu fiquei pelado na cama estreita. Ele ficou de joelhos entre minhas pernas, olhando. O olhar desceu pelo meu peito, pelo abdômen, parou no pau que já começava a endurecer de novo só com a atenção dele. — Porra, Lucas… você é bonito. De verdade. Corpo de quem treina, mas não exagera. Pele macia. E esse pau… — ele envolveu com a mão grande. — Gostoso pra caralho. Ele masturbou devagar. O polegar passou pela cabeça, espalhou o pré-gozo que já começava a aparecer. Eu soltei o ar entre os dentes. Bruno se inclinou e lambeu a cabeça. Só a ponta da língua no começo. Depois passou a língua inteira, de baixo pra cima, devagar, como se estivesse aprendendo o gosto. Eu gemi. A mão dele apertou um pouco mais a base. — Assim é bom? — ele perguntou, olhando pra cima. — É ótimo. Continua. Ele engoliu a cabeça. A boca quente, molhada, apertada. Desceu um pouco, subiu, desceu de novo. A língua pressionava a parte de baixo, a sucção era constante, cuidadosa. Bruno não engasgava de propósito. Ele ia no ritmo que conseguia, sempre olhando pro meu rosto, verificando. Quando eu soltava um gemido mais alto, ele repetia o movimento. Quando eu apertava o cabelo dele, ele descia mais. — Porra… sua boca… — eu gemia. Ele tirou a boca só o suficiente pra falar, a voz rouca e molhada: — Eu quero te chupar até você quase gozar. Depois eu quero te foder devagar. Quero sentir cada centímetro. Quero te ver gozar no meu pau. Pode ser? Eu balancei a cabeça. — Pode. Quero isso. Bruno voltou a chupar. Dessa vez com mais vontade. A mão livre dele desceu e acariciou minhas bolas, o polegar passando pela pele sensível. Depois os dedos desceram mais, tocaram a entrada ainda sensível do meu cu. Ele não enfiou. Só passou o dedo em círculos, espalhando a umidade residual, pressionando de leve. Eu gemia alto agora, o quadril se mexendo sozinho. — Relaxa — ele murmurou, a boca ainda no meu pau. — Eu vou cuidar de você. Ele cuspiu nos dedos e voltou. Um dedo entrou devagar. Eu soltei o ar. Bruno moveu o dedo com cuidado, curvando, procurando. Quando acertou o ponto, eu soltei um gemido mais alto e o pau latejou dentro da boca dele. Ele sorriu em volta do meu pau e repetiu o movimento. Depois colocou o segundo dedo. A entrada ardeu um segundo, depois abriu. Bruno abria os dedos em tesoura, preparava, sempre olhando pro meu rosto. — Tá doendo? — Não. Tá gostoso. Continua. Ele preparou por um tempo longo. Três dedos. Lubrificante que ele tinha pego da carteira de Mateus. A mão no meu pau masturbando no mesmo ritmo. Eu estava no limite, o baixo-ventre apertando, o orgasmo subindo. — Para — eu pedi, a voz quebrada. — Se continuar eu vou gozar. Bruno tirou a boca e os dedos. O sorriso dele era pequeno, quase carinhoso. — Então agora eu te fodo. Devagar. Quero sentir você por inteiro. Ele se levantou só o suficiente pra tirar a própria calça e a cueca. O pau grosso, veias marcadas, cabeça rosada, já pingando. Ele colocou a camisinha com cuidado, espalhou mais lubrificante. Depois se posicionou entre minhas pernas. Eu abri elas. Bruno se inclinou e beijou minha boca de novo, profundo, enquanto a cabeça do pau pressionava a entrada. — Me olha — ele pediu. — Quero ver sua cara quando eu entrar. Eu olhei. Os olhos escuros dele fixos nos meus. Ele empurrou. A cabeça entrou. A sensação foi diferente da de Mateus. Mais lenta. Mais controlada. Eu senti cada milímetro: a grossura abrindo, a pele esticando, a pressão quente e profunda. Bruno parava a cada pouco, beijava minha boca, perguntava se estava bem. Quando eu acenava, ele avançava mais. Quando finalmente estava todo dentro, até as bolas, os dois ficamos parados. Eu respirava pela boca. Bruno estava com a testa encostada na minha, os olhos fechados, o maxilar travado de contenção. — Porra, Lucas… você aperta tão gostoso… quente… perfeito. — Mexe — eu pedi. — Devagar. Ele puxou quase até sair e empurrou de novo. O movimento era longo, fluido, profundo. A cada entrada eu sentia a cabeça passar pelo anel interno, a grossura preencher, o atrito molhado. Bruno beijava minha boca no ritmo das estocadas. A língua dele encontrava a minha, os gemidos se misturavam. A mão dele descia entre nossos corpos e envolvia meu pau, masturbando no mesmo ritmo lento. — Assim? — ele perguntou contra meus lábios. — Tá bom pra você? — Tá perfeito. Mais fundo. Ele obedeceu. As estocadas ficaram um pouco mais profundas, mas ainda controladas. Eu sentia o peso do corpo dele sobre o meu, o peito largo, o suor misturando. Bruno beijava meu pescoço, minha clavícula, voltava pra boca. A cada beijo ele murmurava alguma coisa: — Você é gostoso pra caralho… — Seu cu foi feito pra isso… — Me aperta assim de novo… isso… — Eu quero te foder a noite toda… O ritmo aumentou aos poucos. Ainda carinhoso, mas mais intenso. Bruno se apoiava nos antebraços, o quadril se movendo com força controlada. Eu passava as mãos pelas costas largas dele, sentindo os músculos se contrair a cada estocada. As unhas marcavam a pele. Bruno gemia baixo, o som rouco e rouco, quase um rosnado contido. — Vira de lado — ele pediu de repente. — Quero te abraçar enquanto te fodo. Eu virei. Bruno se ajeitou atrás de mim, uma perna entre as minhas, o peito colado nas minhas costas. O pau deslizou de volta pra dentro com facilidade. O novo ângulo era mais fundo. Ele começou a meter de novo, uma mão no meu peito, a outra no meu pau. Os beijos agora eram na minha nuca, no ombro, atrás da orelha. A barba arranhava. A voz dele no meu ouvido era baixa e rouca: — Você sente eu fundo? — Sinto. — Eu quero que você goze primeiro. Quero sentir seu cu apertar meu pau quando você gozar. — Então mete mais forte. — Assim? — Assim… porra, Bruno… Ele aumentou a força. As estocadas ficaram mais pesadas, mais profundas, mas ainda com aquele cuidado de quem está prestando atenção em cada reação. A mão no meu pau masturbava no ritmo perfeito. Eu sentia o orgasmo subindo rápido, apertando o baixo-ventre, subindo pela espinha. Bruno percebeu. A respiração dele ficou mais irregular. — Isso… vem… goza pra mim… quero sentir… Eu gozei. O corpo inteiro contraiu. O cu apertou o pau dele em ondas fortes. Os jatos saíram na mão dele e no colchão. Eu gemi alto, o nome dele saindo da boca sem eu controlar. Bruno segurou fundo, o corpo tensionado, esperando as ondas passarem. Depois voltou a meter, agora mais rápido, perseguindo o próprio orgasmo. — Porra, Lucas… você aperta tão gostoso quando goza… eu não aguento… Ele meteu mais algumas vezes, fundo, e gozou. O gemido foi longo, rouco, quase um rosnado contra minha nuca. Eu senti o pau latejar dentro da camisinha, o corpo dele tremer contra o meu. Bruno ficou enterrado, respirando pesado, a mão ainda no meu peito, o polegar fazendo círculos distraídos no mamilo. Ficamos assim por um tempo longo. Só a respiração, o suor esfriando, o coração batendo. Bruno beijou minha nuca, meu ombro, a curva do pescoço. A mão desceu e tirou a camisinha com cuidado, deu um nó, jogou pro lado. Depois voltou a me abraçar por trás, o peito colado nas minhas costas, a perna entrelaçada na minha. — Você tá bem? — ele perguntou de novo, a voz agora mais baixa, quase mansa. — Tô. Melhor que bem. Ele soltou um riso baixo, o peito vibrando contra minhas costas. — Eu não sabia que podia ser assim. Tão… intenso e ao mesmo tempo tão… calmo. Eu queria te foder com força, mas também queria te beijar o tempo todo. Queria te ouvir gemer. Queria cuidar de você. Eu virei o rosto o suficiente pra ele me beijar de novo. O beijo foi lento, profundo, cheio de língua e de algo que se parecia perigosamente com carinho. — Então cuida — eu murmurei contra a boca dele. — A noite ainda é longa.
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