Naquela quinta, ela combinou com ele. Disse: "Vai no bar com o Marquinhos. Mas antes de sair, passa aqui em casa."
Ele passou. Chegou às 19h. De cinto. De cueca. Ela tinha saído às 16h e voltado às 18h. Sem banho. Cheia. Escorrendo.
— Ajoelha. Rápido. Você tem que sair em vinte minutos.
Ele ajoelhou. Cheirou. Lambeu. Tomou porra. Tomou tudo. Lambeu o suficiente para ela gozar uma vez. Engoliu. Limpou. E levantou.
— Fala o que você é.
— Sou corno manso de castidade.
— Fala mais alto.
— SOU CORNO MANSO DE CASTIDADE!
— Isso. Agora vai. E hoje, no bar, você vai contar pro Marquinhos.
— Contar o quê?
— Tudo. Que você é corno. Que você limpa. Que você usa cinto. Que você come a própria porra. Que eu mando. Tudo. Vai.
Ele ficou branco.
— Mas ele vai rir.
— Vai. E você vai gostar. Fala o que você é.
— Sou corno manso de castidade. E vou contar pro meu melhor amigo.
— Fala mais alto.
— SOU CORNO MANSO DE CASTIDADE! E VOU CONTAR PRO MEU MELHOR AMIGO!
— Isso.
NO BAR
Chegaram no boteco. Pediram. Beberam. Conversaram. Futebol. Trabalho. Mulher. E aí o Marquinhos falou:
— Tá estranho, hein.
— Estranho como?
— Sei lá. Você tá diferente. Tá mais quieto. Tá mais manso.
Ele engoliu a cerveja.
— Tem uma coisa.
— Fala.
— Você tem que prometer que não ri.
— Não prometo nada.
— Tá bom. — Ele respirou. — Eu sou corno.
O Marquinhos parou. Olhou para ele.
— Como assim, corno?
— Corno manso. Minha esposa sai, fica com outro, e eu chego em casa e limpo ela. Lambo. Tomo a porra de outro. E gozo só de lamber. E uso cinto de castidade. E ela manda. Em tudo.
O Marquinhos abriu a boca. Ficou parado. Cinco segundos.
— Você tá de castidade AGORA?
— Tô.
O Marquinhos começou a rir. Alto. Bateu na mesa.
— Meu Deus! Você! Você! O mandão! Você tá de cinto AGORA?!
— Tô.
— Deixa eu ver.
Ele olhou para os lados. Baixou a calça um pouco. Só o suficiente. O metal brilhou.
O Marquinhos quase caiu da cadeira. Riu mais. Bateu palma.
— Meu Deus! Você tá preso! Você tá preso!
Ele riu também. Pela primeira vez, ele riu de si mesmo. Deu um gole na cerveja.
— E tem mais.
— Mais?! — o Marquinhos se inclinou na mesa.
— Ela manda em tudo. Na cama, na casa, na hora que eu gozo. Eu não gozo sozinho. Eu não toco no meu pau. Eu só gozo lambendo ela. Levando tapa nas bolas. Comendo a minha própria porra depois.
O Marquinhos ficou quieto. Bebeu. Olhou para ele. E falou, sério:
— E você gosta?
— Muito.
— Muito quanto?
— Mais do que qualquer coisa que eu já gostei na vida.
O Marquinhos riu de novo. Mas agora diferente. Riu admirado. Bateu no ombro dele.
— Você é um caso perdido.
— Sou.
— E quem é o cara? Tem um cara?
— Vários.
— VÁRIOS?! — o Marquinhos quase gritou. — Você deixou ela pegar vários?!
— Deixei. E ela vai continuar. E eu vou continuar limpando. E agora ela vai começar a marcar. Fixo. Sexta, sábado. Toda semana.
O Marquinhos jogou o corpo para trás na cadeira. Olhou para o teto. Riu.
— E ela é bonita?
— Muito.
— E você assiste?
— Às vezes. No sofá. De cinto. Olhando. Depois ela manda eu ajoelhar e limpar.
O Marquinhos bebeu o resto da cerveja de um gole. Bateu o copo na mesa.
— Cara. Eu quero ver isso.
— Ver o quê?
— Ver ela mandando em você. Uma vez. Eu quero ir aí. Um dia. Ver o corno limpando.
— Fala com ela.
O Marquinhos pegou o celular. Já ia digitar. Parou.
— Não. Fala você. Que eu não aguento falar com ela sem rir.
Ele pegou o celular. Mandou a mensagem.
"O Marquinhos quer ver."
A resposta veio em trinta segundos.
"Amanhã. Oito da noite. Traz ele. E avisa: ele fica até o fim. Vai ver tudo."
Ele leu. Virou o celular para o Marquinhos.
O Marquinhos leu. Levantou o copo.
— Amanhã. Eu tô lá.
NA SEXTA, ÀS 20H
O Marquinhos chegou. Cerveja na mão. Ele estava na sala. De cueca. De cinto. Sentado no sofá. Quieto.
A esposa estava no quarto. Fechada. E do lado de dentro — passos. Vozes. Gemidos baixos. A cama rangendo.
O Marquinhos arregalou os olhos.
— Tem alguém aí?
— Tem.
— QUEM?!
— O Rafael.
— O RAFAEL?! O Rafael da firma?! Do banco?!
— É.
O Marquinhos riu. Alto. Sentou no sofá. Do lado dele.
— E a gente fica aqui?
— A gente fica.
— E depois?
— Depois eu limpo.
O Marquinhos bebeu. Olhou para a porta do quarto. E aí os gemidos subiram. Ela gritou. Alto. Do outro lado da porta. Nome. Xingou. E o Marquinhos, ali no sofá, começou a rir nervoso.
— Cara, isso é surreal.
Ele — o marido — de cinto, na ponta do sofá, olhou para a porta. Sorriu. E falou baixo:
— É o melhor que já me aconteceu.
Quarenta minutos depois, a porta abriu. O Rafael saiu. Cueca na mão. Sorriso no rosto. Passou pelo sofá. Cumprimentou o Marquinhos com a cabeça.
— E aí.
— E aí — respondeu o Marquinhos, sem saber o que dizer.
O Rafael foi embora. Fechou a porta. E aí a voz dela veio de dentro do quarto:
— Vem.
Ele levantou. O Marquinhos foi atrás. Parou na porta do quarto. Ela estava deitada. Nua. Pernas abertas. A buceta brilhando. Cheia. Escorrendo. O cheiro invadiu o corredor.
— Ajoelha.
Ele ajoelhou. Na frente do Marquinhos. Na frente da cama.
— Cheira.
Ele cheirou. Fundo.
— Cheiro de quê?
— De macho.
— Lambe.
Ele enfiou a língua. E o Marquinhos, na porta, viu. Viu o melhor amigo, o mandão, o diretor de banco, de cinto, ajoelhado, lambendo a esposa cheia de porra de outro. Viu a língua dele entrando. Viu ele engolir. Viu ele lamber mais. Viu ele enfiar o rosto. Viu ele beber.
O Marquinhos ficou parado. Sem rir. Sem falar nada. Só olhando.
Ela — deitada, pernas abertas, mão na cabeça dele — falou, alto, para o Marquinhos ouvir:
— OLHA ELE. OLHA O SEU AMIGO. O MANDÃO. O DIRETOR. DE CINTO. LAMBENDO A MINHA BUCETA CHEIA DE PORRA DO RAFAEL. ELE NÃO É MANDÃO. ELE É CORNO. CORNO MANSO. FALA O QUE VOCÊ É.
— Sou corno manso.
— FALA MAIS ALTO, PRO MARQUINHOS OUVIR.
— SOU CORNO MANSO! SOU O CORNO DA CASA! E VOCÊ É A DONA!
O Marquinhos soltou uma risada. Uma risada longa. Mas de admiração. E ela olhou para ele.
— Tá vendo, Marquinhos? Ele goza só disso. Só de lamber. Sem tocar. Sem mão. De cinto. Olha.
Ela esticou a mão. Passou por baixo. Tocou o cinto. Sentiu a cueca molhada.
— Tá vendo? Ele já gozou. Só de lamber. E nem começou.
O Marquinhos olhou. Viu a mancha. Balançou a cabeça.
— Cara... — falou, baixo.
Ela empurrou a cabeça dele. Ele voltou a lamber. E ela bateu tapa nas bolas. TAPA. O Marquinhos ouviu o som. Arregalou os olhos.
— Bate nas bolas dele?
— Bato. E ele gosta. Fala, corno.
— Gosto!
— Fala mais alto.
— GOSTO!
— Fala o que você é.
— SOU CORNO MANSO DE CASTIDADE!
Ela bateu de novo. TAPA. Ele gemeu. Lambeu mais rápido. Ela gozou. Gritou. Puxou o cabelo dele. E ele gozou junto. De cinto. Sem tocar. Escorreu. Melou. Gemeu baixo.
Ela pegou a porra dele. Com os dedos. Enfiou na boca dele. Ele lambeu. Tomou. Na frente do Marquinhos.
— Toma. Come. Prova que você é corno. Fala.
— Eu sou corno. E como a minha porra.
— Fala mais alto.
— EU SOU CORNO! E COMO A MINHA PORRA!
O Marquinhos — ali, na porta — aplaudiu. Devagar. Três palmas.
— Cara. Você é o homem mais feliz que eu conheço.
Ele levantou do chão. Melado. Sorrindo. Olhou para o Marquinhos.
— Sou.
E ela, do quarto, falou:
— Marquinhos, volta semana que vem. Vou chamar o Índio. O massagista. Você vai ver um negão de dois metros comer ela e ele limpando. Vai ser melhor ainda.
O Marquinhos olhou para ele. E os dois riram juntos. Um rindo do outro. Um rindo de si. E ele — o corno, o manso, o de cinto — sabia. Sabia que a vida dele tinha virado. E que era exatamente o que ele sempre quis. E que agora era para sempre.