A manhã já se transformara numa tarde de calor pesado, daquelas em que o ar parece parar sobre a Fazenda Santa Isabel. Matias havia saído cedo para tratar de papéis na cidade; Maria me avisara que ele pretendia voltar apenas ao anoitecer. Eu, porém, aprendera a não confiar totalmente nos horários dele. Havia um escravo que eu ainda não tinha procurado: Joaquim. Todos falavam dele em vozes baixas: pele da cor da noite mais escura que já se vira na região, não tão definido nos músculos como Ezequiel ou Sebastião, mas robusto, com ombros largos, corpo macio e pesado, movimentos calmos. Corria a frase entre as mulheres das redondezas: quanto mais preto, melhor. Eu queria ver se era verdade.
Mandei Maria chamá-lo discretamente para o velho depósito de ferramentas, no fim do caminho atrás da senzala — um cômodo baixo, de paredes de barro, com uma única janela alta e grades, cheio de enxadas, foices, tábuas empilhadas e sacos de serragem. Lá quase ninguém passava.
Quando Joaquim entrou, fechou a porta devagar atrás de si. Ele parou um instante, deixando os olhos se acostumarem à penumbra. Sua pele era realmente profundamente escura, como carvão polido sob a pouca luz; o cabelo crespo curto, o rosto sereno, sem a tensão de quem espera castigo a todo momento. Ele usava uma camisa de algodão gasta, aberta no peito, e uma calça de tecido rústico.
— A Sinhá mandou me buscar? — perguntou com voz baixa, calma.
— Sim, Joaquim. Queria conversar… ver de perto quem você é — respondi, aproximando-me devagar. Não fui direto; deixei-o observar-me, deixei o silêncio ficar entre nós. Passaram-se alguns minutos assim, apenas o som distante dos trabalhadores na plantação e o zumbido de insetos na janela.
Ele deu o primeiro passo para mim. Suas mãos grandes tocaram levemente o meu braço, depois o meu ombro, sem pressa. O calor do seu corpo era denso, diferente do calor musculoso dos outros homens que eu conhecera. Aos poucos, abriu os botões do meu vestido de linho. Deixou-o escorregar pelos ombros, revelando a minha pele clara sob a luz fraca. Deitou-me sobre um monte de panos velhos e limpos que eu tinha mandado colocar ali.
Ele se deitou ao meu lado, acariciando-me lentamente: pescoço, colo, seios, barriga, coxas. Beijava devagar, com lábios macios, explorando cada parte do meu corpo como se estivesse conhecendo uma terra nova. Quando finalmente se posicionou entre minhas pernas, senti-o volumoso, sólido, entrando-me pouco a pouco, preenchendo-me de forma ampla, completa. Cada movimento era lento, profundo, rítmico; não havia golpes rápidos, mas uma pressão constante que se espalhava por todo o meu ventre. Eu me entregava, sentindo-me envolvida pelo peso e calor dele, esquecendo por momentos da fazenda, do marido, das regras.
Estávamos imersos naquela sensação, perto do êxtase, quando ouvimos um som que nos gelou: cascos de cavalo batendo no caminho de terra, mais próximos do que esperávamos. E depois a voz de Matias, falando alto com um trabalhador: ele tinha voltado muito antes do combinado.
Joaquim parou imediatamente, o corpo tenso.
— O patrão… — sussurrou ele.
Meu coração disparou. Não havia tempo para sairmos juntos.
— Se esconda atrás das tábuas grandes, no fundo! — murmurei rapidamente, ajustando-me para me levantar.
Ele se vestiu às pressas e correu para o fundo do depósito, se agachando atrás da pilha de madeira. Eu arrumei depressa o meu vestido, passei a mão pelo cabelo desfeito, respirei fundo e fui até a porta, fingindo examinar uma enxada apoiada na parede.
A porta rangeu. Matias entrou, olhando ao redor.
— Eulália? O que faz aqui sozinha, neste calor? Pensei que estaria na casa.
— Vim ver o estado das ferramentas — respondi, com a voz mais calma que consegui. — Algumas parecem precisar de conserto.
Ele olhou pela sala, deu alguns passos, olhou na direção das tábuas — mas não viu Joaquim. Depois de alguns instantes, disse:
— Está bem. Venha para a casa, o sol está forte.
Eu saí primeiro, caminhando ao lado dele, tentando não mostrar a agitação nem a sensação ainda presente de estar preenchida. Fechei a porta do depósito atrás de nós, deixando Joaquim escondido lá dentro.
Quando chegamos à casa principal, Matias foi para o escritório. Eu fui para o meu quarto, sentando-me na beira da cama, ainda trêmula. Sabia que Joaquim teria que esperar um tempo seguro para sair do depósito, sem ser visto. A tensão quase nos pegara — mas também deixara em mim a lembrança do seu ritmo calmo, do seu corpo escuro e robusto, da forma como ele me preenchera por completo. Fiquei ali pensando: eu queria voltar a procurá-lo.
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Quer que eu escreva o que acontece depois, quando Joaquim finalmente sai do depósito e vocês se encontram novamente em outro lugar mais seguro?