— Não confunda isso com romance, Cláudio. É só o meu trabalho — ela respondeu, virando o rosto para mim e plantando um selinho rápido, quase casto. Mas os olhos dela diziam outra coisa.
Era a terceira vez que Juliana dormia na minha casa. Nas três noites anteriores, eu nem pus os pés no inferninho. Ela bastava. Bastava para me fazer acordar mais cedo, para me deixar mais atento no trampo, para inflar uma confiança que eu nem sabia que ainda existia dentro de mim.
Consegui a promoção no serviço, o aumento veio junto. Meu plano agora era claro: sair da casa dos meus pais. Morando lá, eu era prisioneiro — tinha que inventar desculpas pros sumiços de madrugada, pras roupas amassadas, pro cheiro de perfume barato que ficava na pele.
Sozinho, eu poderia receber quem quisesse. Juliana, ou qualquer outra do inferninho. Sem portas rangendo, sem explicações. Só pagar, foder e pronto.
Eu estava viciado nisso. Pagar por sexo tinha virado a saída mais fácil: sem laços, sem cobranças emocionais, sem risco de me machucar de novo. Mas Juliana... com ela era diferente. Querendo ou não, eu gostava dela. Ela me deixava louco porque fazia tudo exatamente como eu precisava: sem pressa, sem julgamento, com uma entrega que parecia verdadeira. Aos dezenove aninhos, ela tinha o corpo de quem ainda não foi gasto pela vida, mas os olhos de quem já viu demais.
Na primeira vez que veio aqui, nós dois estávamos nervosos. Eu, porque era ela — a netinha da dona Maria, a vizinha de porta, a menina que eu via todo domingo chegando de mãos dadas com o namorado pra almoço de família, de vestido florido e sorriso recatado. Nunca imaginei essa outra Juliana. A segunda vida que agora eu invadia.
Ela se afastou um pouco no meu colo, me encarou com aquele sorriso meio safado, meio doce que me desmontava. Sem uma palavra, levou as mãos às alças finas do vestidinho curto — aquele tecido leve, colado, que gritava “garota de programa” de longe. Puxou devagar, provocante, revelando as coxas grossas, a barriga lisa e macia, até jogar a peça no canto do quarto.
Depois veio o sutiã de renda preta. Quando caiu, os seios grandes e morenos saltaram livres. Pesados, redondos, num tom quente de canela queimada que contrastava com os mamilos escuros, inchados e duros de tesão.
Balançavam levemente a cada respiração dela, como se respirassem sozinhos. Eu não conseguia desviar o olhar.
Ficou só de calcinha minúscula preta e as sandálias de salto alto, aquelas tiras finas subindo pela canela, alongando as pernas. O contraste era cruel: a garotinha do almoço de domingo agora quase pelada no meu colo, o corpo quente colado no meu, o cheiro de baunilha misturado com suor leve.
Ela desceu devagar, ajoelhando entre minhas pernas. Olhou pra cima, direto nos meus olhos, enquanto abria o zíper com uma lentidão torturante.
Foi aí que a culpa me acertou como um soco no estômago.
Sujo. Sujo pra caralho.
Aquela era a Juliana da casa ao lado. A neta da dona Maria, que me chamava de “menino Cláudio” quando eu levava bolo pra ela. A menina que ria das minhas piadas idiotas no portão, que carregava sacola do mercado pra avó com o cabelo preso num rabo de cavalo inocente. E agora estava de joelhos, semi-nua, prestes a me chupar como se eu fosse só mais um cliente qualquer. O peso daquilo esmagava meu peito, mas meu pau latejava loucamente na cueca, traindo tudo.
Quando ela puxou a cueca pra baixo e meu pau grosso saltou livre, ela o envolveu com a boca quente. Soltei um gemido rouco, quase animal. Cada chupada lenta e profunda fazia as veias incharem mais, pulsando contra a língua macia dela, como se quisesse explodir. A saliva escorria pelos cantos da boca, os lábios grossos deslizavam até a base, e eu sentia a garganta se contrair me engolindo inteiro.
Queria parar. Queria dizer que ela merecia mais, que aquilo era errado, que eu era um filho da puta por estar gostando tanto. Mas minha mão já estava nos cabelos dela, guiando o ritmo sem pedir licença. A outra apertava o lençol como se fosse salvar minha alma.
Enquanto ela trabalhava minha rola com devoção, os pezinhos dela se mexiam de leve no chão frio — as sandálias de salto clicando baixinho, um ritmo abafado toda vez que ela mudava o apoio de joelho. Os joelhos firmes no piso gelado, a pele arrepiada pelo contraste com o calor que subia do corpo todo. A cabeça dela subia e descia com precisão: engolia fundo, a garganta apertando, depois lambia a cabeça devagar, a língua afiada traçando as veias antes de descer de novo. Cada sucção mais forte que a anterior, um puxão molhado e quente que me viciava mais fundo nessa merda de vida.
Olhava pra baixo e via as costas torneadas: lisas, morenas brilhando de suor fino, os músculos se contraindo e relaxando a cada movimento. As omoplatas se destacando sutilmente, a curva da espinha descendo até a bundinha empinada dentro da calcinha minúscula. Era perfeito. Pecaminoso. E familiar demais — a mesma garota que eu via todo domingo agora de quatro no meu quarto, me levando pro inferno com a boca.
A culpa queimava ainda, mas o prazer era maior. A cada descida profunda, a cada gemido abafado que ela soltava com meu pau na garganta, eu afundava mais. Juliana era só o começo. O inferninho estava cheio delas: morenas, loiras, novinhas, experientes, todas prontas pra me dar exatamente o que eu quisesse, na hora que eu quisesse, pelo preço combinado. E eu ia comer todas, uma por uma, bem gostoso, sem parar, sem remorso.
Mas naquele instante, só existia ela. A boca quente engolindo tudo, os pezinhos dançando nas sandálias, as costas perfeitas se movendo no compasso da minha ruína. Segurei os cabelos com mais força, guiando-a, e deixei escapar:
— Caralho, Juliana... não para.
Ela não parou. Acelerou. Sugou com mais fome, como se soubesse que estava me arrastando pro fundo do poço — e que eu estava adorando cada centímetro da queda.