Eu tinha subido apenas uma vez ao segundo andar, aos aposentos do inferninho. Débora foi acolhedora, simples, fez o seu papel, recebeu o dinheiro e foi embora. Beijei a boca dela, e o pior é que gostei do gosto. Ela fez charme para me beijar.
— Eu não beijo qualquer um — disse, com uma espécie de arrogância.
— Eu pago a mais.
Ela me beijou.
Nos dias seguintes, Débora passava por mim como se não me conhecesse. Talvez nem se lembrasse mesmo; ela era uma das garotas com mais clientes. Não era para menos: era gostosa pra caralho. Fazia cada centavo valer a pena.
Toda noite eu chegava e ia direto para o bar. Lá estava César, o dono do puteiro. Até que um dia eu perguntei:
— Esses caras jogam valendo muito dinheiro? — Olhei para os homens sentados em uma mesa redonda, cartas de baralho na mão, aparentemente jogando pôquer. E completei: — Isso deve dar confusão.
Na verdade, eu só estava sondando. Tinha vontade de entrar numa daquelas rodas, vencer partidas, mostrar para as garotas da casa que eu era bom em alguma coisa.
— Depende do que você acha muito — respondeu César, me servindo a tradicional dose de conhaque. — Aqui os caras não estão para brincadeiras. São todos experientes. Quem arruma confusão nunca mais volta.
Dei um gole. A bebida desceu rasgando, do jeito que eu gostava.
As noites foram se sucedendo, e eu continuei fiel ao meu ritual: chegar, sentar no balcão, pedir a dose de conhaque e ficar ali observando o movimento. Principalmente Juliana.
Ela era a ninfetinha da casa, baixinha — mal devia ter um metro e cinquenta e cinco —, dezenove anos no máximo, corpo miúdo mas tudo no lugar certo. Peitinhos pequenos que balançavam sob o top curto, bundinha empinada que preenchia perfeitamente o shortinho jeans desfiado. O cabelo preto liso caía até a cintura, e o rosto... aquele rostinho de boneca, olhos grandes e escuros, boca carnuda sempre com um batom rosa brilhante. A conhecer de fora daquele lugar deixava tudo mais excitante.
No começo eram só olhares rápidos. Ela passando pelo salão com um cliente, virava o rosto na minha direção por um segundo a mais que o normal. Eu devolvia, sem sorrir, só sustentando o olhar até ela baixar os olhos com um sorrisinho tímido. Depois eram dois segundos, três. Em certa noite ela até parou do meu lado no bar, fingindo pedir uma bebida ao garçom, e roçou de leve o braço no meu. Senti o cheiro doce do perfume barato dela.
Uma noite, César me viu olhando para a mesa de pôquer de novo.
— Quer entrar numa rodada, afinal? — perguntou ele, limpando um copo com o pano de prato. — Tem vaga hoje. Os caras são duros, mas... quem sabe você não surpreende.
Hesitei um segundo, mas o ego falou mais alto.
— Pode ser.
Ele deu um sorriso de canto de boca e me levou até a mesa redonda no canto mais escuro do salão. Quatro homens já sentados, fumando, pilhas de fichas na frente. Me apresentaram rápido — nomes que nem gravei —, e eu comprei uma quantia modesta de fichas. Sentei.
Mal tinha distribuído as primeiras cartas e Juliana apareceu. Andou devagar até a mesa, como se estivesse só passeando, mas parou exatamente atrás de mim. Os caras nem ligaram; era comum as garotas circularem ali, trazendo sorte ou distraindo os adversários.
— Posso ficar aqui um pouquinho? — perguntou ela com aquela vozinha doce, olhando para mim.
— Fica à vontade — respondi, sem tirar os olhos das cartas.
Ela não pensou duas vezes. Deu a volta na cadeira e, com uma agilidade surpreendente, sentou no meu colo. Assim, do nada. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ela já estava acostumada a fazer aquilo.
Senti o peso leve dela, o calor do corpo pequeno se acomodando. As pernas dela, fininhas e lisas, pendiam dos lados da minha coxa. Os pezinhos delicados — deviam ser 34, no máximo — calçados em sandálias rasteiras de tiras finas, unhas pintadas de vermelho vivo, balançavam de leve no ar. Ela cruzou as pernas devagar, roçando a parte interna da coxa na minha calça.
E então começou o movimento. Quase imperceptível no começo: ela se ajeitava no colo, mexendo o quadril como se estivesse procurando uma posição mais confortável. Mas era de propósito. Sentia o shortinho jeans roçando no meu pau, que já começava a reagir. Ela se inclinava um pouco para frente para ver minhas cartas, e na volta encostava mais fundo, pressionando de leve, circulando devagar. O tecido fino do short deixava passar o calor da bucetinha dela. Eu tentava me concentrar nas cartas, mas era foda. Cada vez que ela se mexia, meu pau endurecia mais, apertado dentro da calça.
Pedi outra dose de conhaque. E mais uma. A bebida ajudava a disfarçar o tesão, mas também embaralhava um pouco os cálculos. Jogar pôquer online é uma coisa; pessoalmente, com os caras te encarando, lendo cada microexpressão, é outra completamente diferente. Eu blefava mal em alguns momentos, foldava quando talvez devesse ir, mas, sei lá, a sorte estava do meu lado aquela noite. Ganhei três potes bons, perdi dois menores. No fim das contas, saí com o dobro do que tinha entrado.
Juliana aplaudiu baixinho quando empilhei as fichas ganhas.
— Viu? Eu trouxe sorte — sussurrou no meu ouvido, o hálito doce de bala.
Separei uma nota de cem — não era muito, mas era um gesto — e coloquei na mãozinha dela.
— Fica com isso. Você deu sorte mesmo.
Ela apertou minha coxa de leve, os dedinhos roçando perigosamente perto do volume que ainda não tinha abaixado.
— Obrigada... — Os olhos dela brilharam de um jeito diferente. Ela mordeu o lábio inferior, hesitou um segundo, como se fosse dizer algo mais. Algo como “quer subir comigo agora?”.
Mas eu me levantei, ajudando-a a descer do colo. Senti o corpo dela deslizar no meu, as pernas roçando uma última vez.
— Boa noite, Juliana.
— Boa noite... — respondeu ela, os olhos grudados nos meus.
Saí do puteiro com o bolso mais pesado e a cabeça girando — não só pelo conhaque. Tinha quase certeza de que ela queria ter subido comigo. Quase certeza de que, se eu tivesse pedido, ela teria ido. Mas não pedi.
Guardei aquela sensação para as próximas noites. Juliana era diferente das outras.