Entrei em casa com as pernas ainda trêmulas, a mente em um turbilhão de imagens de mãos anônimas e olhares cínicos. Fui direto para o chuveiro, deixando a água quente escorrer por cada curva do meu corpo. Esfreguei a pele, esperando ver a tinta lilás da blusa e a tinta verde claro da bermuda se dissolverem em redemoinhos no ralo, mas, para minha surpresa, a pintura continuava ali, intacta e vibrante.
A ideia de que eu estava "marcada", de que aquela farsa de roupa era agora parte de mim e não podia ser removida tão facilmente, me fez sentir um tesão absurdo. Não consegui ficar parada. Em vez de me vestir, apenas coloquei meus óculos, as meias e os tênis, e saí novamente para a noite, sentindo-me invencível em minha nudez pigmentada.
Caminhei até um terminal de metrô lotado, onde o fluxo de pessoas era incessante. O contraste era brutal: centenas de pessoas envoltas em casacos, echarpes e roupas pesadas de inverno, enquanto eu desfilava com minha blusa lilás e bermuda verde, sentindo o ar gelado lamber os bicos das minhas tetas. Apoiei-me em uma coluna de concreto, observando a multidão. Um homem com um sobretudo escuro e expressão severa parou à minha frente. Ele me olhou com um desdém quase clínico.
— Você realmente acredita que essa tinta te veste? — ele perguntou, a voz baixa e rouca.
— Eu me sinto vestida, e isso é a única coisa que importa — respondi com um sorriso descarado. Claro que era mentira, eu me sentia a mulher mais pelada do mundo, mas cinicamente fingia que não, sentindo meu clitóris pulsar.
Ele não disse mais nada. Apenas estendeu a mão e, com a ponta dos dedos, começou a alisar minhas tetas com uma delicadeza torturante, comentando que a "roupa" era surpreendentemente macia. De repente, ele se inclinou e lambeu meu bico, com uma lentidão que me fez arquear as costas. Enquanto a multidão passava por nós, ignorando ou fingindo ignorar, ele deslizou um único dedo para dentro da minha buceta, movendo-o com uma precisão técnica que me levou ao ápice em poucos minutos. Gozei ali mesmo, no meio do fluxo humano, sentindo-me a criatura mais vulgar e poderosa daquela estação.
Continuei minha jornada, afastando-me cada vez mais de casa, movida por um desejo insaciável. Parei em uma conveniência de posto de gasolina, onde a luz branca e cruel expunha cada detalhe da minha pele. O atendente, totalmente vestido com um uniforme de brim grosso, me encarou com um sorriso torto enquanto eu pedia um café.
— Moça, se sua intenção é fazer as pessoas acharem que seu corpo pintado é um corpo vestido, você está fracassando, pois parece que sua bermuda está transparente demais — ele observou, saindo de trás do balcão.
Ele se aproximou e passou a mão na minha bunda, sentindo a pele nua sob o pigmento.
— Parece que o material está ficando mais fino... — ele sussurrou, enquanto me virava de costas e começava a masturbar meu clitóris com movimentos rápidos e ritmados.
A sensação de ser usada ali, entre prateleiras de óleos e salgadinhos, me levou a outro orgasmo intenso. Eu estava em transe, entregue ao prazer e à exposição, sem notar que a tinta, reagindo ao sol do dia anterior e a componentes químicos internos, estava começando a desbotar.
Caminhei por avenidas residenciais, onde o silêncio da madrugada era quebrado apenas pelo som dos meus tênis. Encontrei um grupo de rapazes perto de um quiosque; eles usavam moletons largos e bonés. Quando me viram, o riso foi imediato.
— Olha só a peladona! — gritou um deles.
Nesse momento, comecei a perceber que o desenho da minha roupa estava sumindo; as cores vibrantes estavam desaparecendo, deixando minha pele nua novamente. A percepção de que eu estava perdendo minha única proteção psicológica me deixou desesperada por prazer.
Um dos rapazes me puxou para a sombra de uma árvore. Ele começou a lamber meus bicos com voracidade, enquanto outro passava a mão na minha buceta, rindo do fato de que agora podia ver a cor real da minha pele através do pigmento que se apagava. Fui masturbada por ambos, em um ritmo frenético que me levou a dois orgasmos sucessivos, cada um mais visceral que o anterior, enquanto eu soluçava de prazer e vergonha.
Não senti fome e nem frio, apenas o tesão extremo. Parei em um banco de praça, sob a luz de um poste que piscava. Um homem vestido com um terno formal, provavelmente voltando de algum evento, sentou-se ao meu lado. Ele me olhou e viu apenas uma mulher completamente pelada, sem nenhuma tinta sequer no corpo. Com um sorriso cínico, ele deslizou a mão por onde antes estaria a bermuda desbotada.
Ele começou a me estimular com uma lentidão agonizante. Eu lutava contra a demora do meu corpo para gozar, sentindo a agonia de estar totalmente nua diante dele e de qualquer pessoa que passasse. Levei quase quarenta minutos para atingir o ápice, um orgasmo que me deixou exausta e completamente vulnerável.
Finalmente, tentei me levantar para voltar. Calculando de cabeça a distância que havia percorrido, percebi o erro fatal: eu havia caminhado para longe demais. Eu estava a pelo menos quatro horas de distância de casa, totalmente exposta, pois a tinta tinha sumido totalmente da minha pele.
Sentei-me novamente no banco, sentindo o asfalto frio e a brisa noturna. Um estranho que passava, totalmente agasalhado, parou e me olhou. Ele não disse nada, apenas estendeu a mão e começou a masturbar minha buceta com um movimento técnico e indiferente, como se fosse a coisa mais natural do mundo encontrar uma mulher pelada em um banco de praça às três da manhã.
A consciência de que eu teria que enfrentar quatro horas de caminhada naquele estado, sendo vista e tocada por qualquer um que tivesse a audácia de se aproximar, disparou meu sexto orgasmo. Foi o mais profundo de todos, um gozo que nasceu do medo e da aceitação total da minha própria exposição. Fiquei ali, ofegante, olhando para o caminho longo que me separava de casa, sentindo que cada quilômetro de volta seria uma nova oportunidade de ser envergonhada e masturbada.
E foi o que aconteceu durante minha volta. Varias vezes, e de maneira deliciosa. Adorei sentir tanta vergonha.