Tinha vinte e três anos na época. Morena, corpo firme, cabelo longo escuro que eu gostava de deixar solto. Trabalhava numa empresa de médio porte, num cargo que exigia presença, reuniões e muita conversa com a diretoria. Foi ali que eu conheci ele.
Seu nome era Eduardo. Quarenta e nove anos. Chefe do departamento. Não era um homem bonito. Longe disso. Rosto marcado, cabelo já ralo nas laterais, um pouco de barriga que a camisa social não escondia delicado. Ombros largos, mãos grandes e veias aparentes, voz grave que saía baixa e segura. Olhar calmo, quase preguiçoso, mas que demorava um segundo a mais quando pousava em alguém. Não era o tipo que fazia as mulheres virarem a cabeça na rua. Era o tipo que, quando falava, as pessoas paravam para ouvir.
No começo eu só o respeitava. Ele era exigente, direto, sem rodeios. Não elogiava à toa. Quando gostava de um trabalho, dizia apenas “ficou bom”. Quando não gostava, apontava o erro sem subir o tom. Aquela segurança quieta me irritava e, ao mesmo tempo, me prendia.
A atração veio devagar.
Foi num final de tarde, numa reunião que se estendeu além do horário. A sala já estava quase vazia. Só nós dois e os papéis espalhados sobre a mesa de vidro. Eu usava uma saia lápis cinza e uma blusa branca de seda. O ar-condicionado estava alto demais. Meus mamilos marcavam o tecido e eu sabia. Ele também sabia. O olhar dele desceu por um segundo, voltou ao meu rosto, e ele continuou falando como se nada tivesse acontecido. Mas a voz ficou um pouco mais baixa.
Naquela noite eu cheguei em casa e me toquei pensando nele. Foi a primeira vez. Fechei os olhos e imaginei as mãos grandes dele na minha cintura, a voz grave dizendo meu nome perto do ouvido. Gozei rápido, com o rosto enterrado no travesseiro, surpresa com a intensidade.
Depois daquilo, tudo mudou de temperatura.
Eu comecei a escolher a roupa com mais cuidado nos dias em que sabia que ia encontrá-lo. Saia um pouco mais justa. Blusa que abria um pouco mais no decote. Perfume mais próximo do pescoço. Ele nunca comentava. Só olhava. E aquele olhar calmo, demorado, me deixava molhada no meio do expediente.
Certo dia ele me chamou na sala dele no final da tarde. A porta ficou entreaberta. Eu entrei e fechei sem ele pedir. Ele estava sentado atrás da mesa, a camisa azul clara com as mangas dobradas até o cotovelo, mostrando os antebraços grossos e peludos. Tirei o casaco e sentei na cadeira à frente. A saia subiu um pouco demais na coxa. Eu não ajeitei.
Ele olhou.
Não disfarçou.
— Você tem feito um trabalho muito bom ultimamente — disse, a voz baixa. — Mas está distraída.
Eu segurei o olhar dele.
— Distraída com o quê?
Ele inclinou o corpo para frente, apoiou os cotovelos na mesa. As mãos grandes ficaram juntas. O anel de casamento brilhou de leve sob a luz. Eu já sabia que ele era casado. Todo mundo sabia. E mesmo assim meu estômago revirou.
— Comigo — respondeu, simples.
O silêncio ficou pesado. Eu senti o coração bater entre as pernas. Não desviei o olhar.
— E se estiver?
Eduardo ficou quieto por alguns segundos. Depois se levantou, rodeou a mesa e parou ao meu lado. De pé, ele parecia ainda maior. O cheiro dele — cologne discreto, pele quente, um pouco de suor do final do dia — me atingiu de perto. Ele não tocou em mim. Só ficou ali, olhando de cima.
— Você é jovem — murmurou. — Tem namorado, pelo que me disseram.
— Tinha.
A mentira saiu fácil. Na verdade ainda tinha, mas naquele momento não importava.
Ele soltou um som baixo, quase um riso sem humor.
— Então você sabe o que está fazendo.
Eu levantei o queixo.
— Eu sei.
A mão dele subiu devagar e segurou meu queixo. Os dedos eram ásperos, quentes, grandes demais para o meu rosto. Ele inclinou minha cabeça para trás e estudou minha boca. Eu senti a respiração dele misturar com a minha. O polegar passou pelo meu lábio inferior, abrindo um pouco.
— Se a gente começar isso — disse, a voz quase no meu ouvido —, não vai ser doce. Nem romântico. Eu não sou esse tipo de homem.
Eu engoli em seco. A calcinha já estava úmida.
— Eu não quero doce.
Ele segurou meu olhar por mais um segundo. Depois soltou meu queixo, voltou para trás da mesa e se sentou como se nada tivesse acontecido.
— Tranca a porta.
O comando foi baixo, seco. Eu me levantei, fui até a porta e girei a chave. O clique soou alto demais na sala silenciosa. Quando me virei, ele já estava de pé de novo, a expressão calma, quase impaciente.
— Vem cá.
Eu atravessei a sala. Cada passo fazia a saia roçar nas coxas. Parei na frente dele. Eduardo passou a mão pela minha cintura, sentindo o tecido, e puxou meu corpo contra o dele. A barriga firme encontrou a minha. O volume duro já se marcava na calça social. Ele não beijou minha boca de imediato. Desceu o rosto e mordeu de leve a curva do meu pescoço, logo abaixo da orelha. Eu soltei o ar num gemido baixo.
— Assim — murmurou contra a pele. — Sem pressa de fingir que é outra coisa.
A mão grande subiu pela minha costela e cobriu um seio por cima da blusa. Apertou com firmeza. O polegar encontrou o mamilo já duro e esfregou em círculos lentos. Eu arquejei o corpo contra ele. A outra mão desceu, pegou a barra da saia e puxou para cima até a cintura. Os dedos encontraram a calcinha úmida e pressionaram o tecido contra o clitóris.
— Já está molhada — constatou, a voz rouca. — Há quanto tempo você pensa nisso?
— Há semanas — admiti, quase sem voz.
Ele puxou a calcinha para o lado e enfiou dois dedos de uma vez. Eu gemi mais alto, as mãos agarrando os ombros largos dele. Os dedos eram grossos, ásperos, entravam e saíam com um ritmo lento e profundo. O polegar continuava no clitóris. Meu corpo inteiro tremeu.
— Olha para mim enquanto eu te toco.
Eu obedeci. O olhar calmo dele não desviava. Ele metia os dedos com mais força agora, o som molhado preenchendo o espaço entre nós. Eu sentia o orgasmo subindo rápido demais. As pernas fraquejavam. Ele segurou minha cintura com o braço livre para eu não cair.
— Goza — ordenou, baixo.
Eu gozei. O corpo se contraiu em volta dos dedos dele, um gemido longo e rouco escapando da minha garganta. Ele continuou o movimento até o último tremor passar. Depois tirou os dedos, olhou para eles brilhando e os passou pelos meus lábios.
— Chupa.
Eu abri a boca e limpei os dedos dele com a língua, sem desviar o olhar. O gosto de mim mesmo misturado com a pele dele me fez estremecer de novo.
Eduardo desfez o cinto com uma mão só. O zíper desceu. A calça e a cueca baixaram o suficiente. O pau saiu pesado, grosso, a cabeça já úmida. Não era o pau de um homem jovem e definido. Era proporcional ao corpo dele: grosso, veias saltadas, a base cercada de pelos escuros. Eu engoli em seco.
Ele segurou meu queixo de novo.
— De joelhos.
Eu desci. O carpete da sala era macio sob meus joelhos. Abri a boca e ele empurrou a cabeça do pau para dentro sem pressa. O gosto era salgado, quente. Eu chupei, a língua girando, tentando engolir mais. A mão grande dele foi para o meu cabelo, segurando sem forçar demais. Ele metia devagar, controlando a profundidade, olhando para baixo enquanto eu o chupava.
— Isso… assim — murmurou. — Boca de quem quer agradar.
Eu gemia em volta do pau, a saliva escorrendo pelo queixo. A cada estocada rasa eu sentia o volume preencher minha boca. A outra mão dele desceu e puxou o decote da blusa, libertando um seio. Os dedos apertaram o mamilo enquanto eu o chupava.
Quando ele tirou o pau da minha boca, um fio de saliva ligava minha língua à cabeça. Ele me puxou para cima, virou-me de frente para a mesa e empurrou meu tronco para baixo. O peito encontrou a madeira fria. A saia estava erguida até a cintura. A calcinha foi puxada para o lado. Eu senti a cabeça grossa se encaixar na entrada.
— Fica quieta — disse.
Ele entrou de uma vez. O ar saiu dos meus pulmões num gemido alto. O pau grosso me abriu, esticou, preencheu até o fundo. Ele não deu tempo de eu me acostumar. Começou a meter com estocadas profundas e ritmadas, as mãos grandes segurando meus quadris com força. A barriga batia na minha bunda a cada golpe. O som era molhado, carnal, alto demais para uma sala de escritório.
Eu segurava a beirada da mesa, o rosto virado de lado, gemendo sem conseguir controlar o volume. Ele metia com a mesma calma com que falava em reuniões — controlado, preciso, sem pressa de terminar. Uma das mãos subiu pela minha coluna e segurou a nuca, mantendo meu tronco baixo.
— Você gosta de ser comida assim no trabalho? — perguntou, a voz baixa e rouca.
— Gosto — consegui responder entre as estocadas.
— Então aguenta.
Ele acelerou. As estocadas ficaram mais fundas, mais pesadas. Eu sentia cada centímetro, cada veia. O orgasmo veio de novo, forte, me fazendo apertar o pau dele com força. Eu gozei gemendo alto, as pernas tremendo, o corpo mole sobre a mesa. Ele não parou. Continuou metendo através do meu orgasmo até eu estar quase sem ar.
Quando tirou, virou-me de frente, me levantou e me sentou na beirada da mesa. Abriu minhas pernas, encaixou de novo e voltou a meter, agora olhando nos meus olhos. Uma mão no meu pescoço, a outra na minha coxa. O ritmo era bruto, constante. Eu me segurava nos ombros largos dele, gemendo contra a boca dele quando ele finalmente me beijou — um beijo fundo, dominante, sem nenhuma doçura.
Ele gozou dentro, com um gemido baixo e gutural, o pau pulsando fundo em mim. Eu senti os jatos quentes, o volume latejando. Ficamos assim por alguns segundos, respirando pesado, a testa dele encostada na minha.
Quando saiu, o sêmen escorreu devagar pela minha coxa. Ele ajeitou a calça, o cinto, a camisa. Eu ainda estava sentada na mesa, a saia erguida, a blusa aberta, o corpo tremendo.
Eduardo passou o polegar pelo meu lábio inferior, limpando um pouco da saliva que ainda estava ali.
— Amanhã você vem mais cedo — disse, a voz já de volta ao tom calmo de sempre. — Tranca a porta de novo.
Eu só consegui balançar a cabeça.
Ele abriu a porta, saiu, e eu fiquei sozinha na sala, o cheiro de sexo no ar, o corpo ainda latejando, a certeza de que aquilo não tinha sido só uma vez.
Foi assim que começou.
Não com um homem bonito.
Com um homem que me olhava como se já soubesse exatamente o que eu queria… e que não tinha nenhum problema em me dar.