O vestido azul estava um pouco amassado nas laterais, o cabelo não estava tão perfeito quanto quando eu cheguei, e eu sentia a umidade escorrendo devagar entre as coxas toda vez que dava um passo. Ninguém parecia notar. Ou talvez notassem e eu não ligasse. O vinho que peguei na bandeja de um garçom estava frio, mas não o suficiente para apagar o que tinha acabado de acontecer.
Ricardo voltou ao posto. Eu o via de longe, andando pela festa como se nada tivesse ocorrido. Ombros largos, barriga marcada sob a camisa preta, mãos grandes cruzadas atrás das costas. Só que agora eu sabia o peso daquelas mãos na minha cintura. Sabia como o pau grosso dele me abria. Sabia o gosto dele na minha língua.
Passei mais de uma hora conversando, sorrindo, fingindo interesse em projetos e prazos. Toda vez que ele cruzava o salão, nosso olhar se encontrava por um segundo. Nada demais. Só o suficiente para eu sentir o clitóris latejar de novo.
Perto da meia-noite a festa começou a esvaziar. Algumas pessoas foram embora, outras se aglomeraram perto do bar. Eu fui até o corredor de novo, o mesmo de antes. Ricardo estava perto da porta de serviço, falando baixo com outro segurança. Quando me viu, disse alguma coisa ao colega e veio na minha direção.
— Intervalo de novo? — perguntei, a voz baixa.
— Não. Agora estou de saída. O turno acaba em vinte minutos.
Ele parou perto de mim. O cheiro dele — suor limpo, cologne barato, pele quente — me acertou de novo.
— Onde você está hospedada?
Eu disse o nome do hotel. Quarto 814.
Ele assentiu uma vez.
— Me encontra no estacionamento em meia hora. Eu levo você.
Não foi um pedido. Foi uma confirmação. Eu só balancei a cabeça e voltei para o salão só o tempo suficiente para me despedir de duas pessoas e pegar a bolsa.
No estacionamento o ar estava mais fresco. Eu esperava perto da entrada quando o carro dele parou. Um sedan escuro, comum. Ricardo abriu a porta do passageiro sem descer. Entrei. O vestido azul subiu até a coxa. Ele olhou.
— Ainda está molhada, não está?
Eu não respondi. Só abri um pouco mais as pernas. Ele colocou a mão direita entre elas enquanto dirigia, por cima do tecido. Os dedos pressionaram o local exato. Eu soltei o ar devagar.
O trajeto até o hotel foi curto. No elevador íamos sozinhos. Assim que as portas se fecharam ele me empurrou contra a parede de espelho, beijou minha boca com força e enfiou a mão por baixo do vestido. Dois dedos dentro de mim de novo, sem aviso. Eu gemi no beijo dele. O elevador parou no oitavo andar. Ele tirou a mão, limpou os dedos na minha coxa e saiu primeiro.
No quarto, mal fechei a porta e ele já estava me virando de frente para a cama. O zíper do vestido desceu devagar. O tecido azul escorregou pelos ombros, pelos seios, pelo quadril, até cair no chão. Fiquei só de calcinha preta, salto fino e joias. Ricardo ficou olhando. Não como alguém que acha uma mulher bonita. Como alguém que quer foder até o fundo.
— Tira o resto — disse.
Eu desci a calcinha, pisei fora dela. Os saltos eu deixei. Ele gostou. Aproximei-me, desabotoei a camisa preta dele. O peito era largo, peludo, a barriga dura de músculo e gordura ao mesmo tempo. Eu passei a mão por ela, desci até o cinto. A calça e a cueca desceram juntos. O pau já estava duro, grosso, apontando para cima. Eu me ajoelhei na frente dele de novo, mas dessa vez não chupei de imediato. Só passei a língua devagar da base até a cabeça, olhando para cima. Ele segurou meu cabelo.
— Abre a boca.
Eu abri. Ele empurrou até a garganta de uma vez. Eu engasguei, saliva escorrendo pelo queixo, mas não me afastei. Deixei ele usar minha boca. As estocadas eram profundas, o cheiro dele forte, o gosto salgado. Quando ele tirou, um fio de saliva ligava minha língua à cabeça do pau.
Ricardo me puxou para cima e me jogou de costas na cama. Abriu minhas pernas, ajoelhou entre elas e enterrou o rosto. A língua era larga, molhada, sem delicadeza. Chupou o clitóris com força, meteu a língua dentro, voltou a chupar. Eu segurava o lençol, o corpo se arqueando. Ele colocou dois dedos de novo e chupou ao mesmo tempo. O orgasmo veio rápido, forte, as coxas tremendo em volta da cabeça dele. Eu gozei na boca dele gemendo alto, sem me importar com o volume.
Antes que eu terminasse de tremer ele subiu o corpo, encaixou o pau e enterrou até o fundo. O gemido que saiu de mim foi quase um grito. Ele era grosso demais, longo demais, e nessa posição chegava em lugares que o encontro no salão não tinha alcançado. Começou a meter devagar no começo, sentindo cada centímetro. Depois acelerou. A barriga dele batia na minha a cada estocada. O peito peludo raspava nos meus seios. Eu cravei as unhas nas costas largas dele.
— Mais fundo — pedi, a voz rouca.
Ele agarrou minhas coxas, abriu ainda mais e fodeu com força. O barulho era molhado, obsceno. Eu sentia cada veia, cada pulsar. Outro orgasmo começou a subir. Eu segurei a cabeça dele e beijei com fome enquanto gozava de novo, as paredes se contraindo em volta do pau grosso.
Ricardo tirou, virou-me de quatro. O salto fino ainda nos meus pés. Ele segurou minha cintura com as duas mãos grandes e entrou de uma vez. Nessa posição ia ainda mais fundo. Cada estocada fazia minha bunda bater na barriga dele. Eu empurrava para trás, pedindo mais. Ele deu um tapa forte na minha nádega, depois outro. A dor misturou com o prazer. Eu gemia sem parar, o rosto enterrado no travesseiro.
— Você gosta de ser comida assim, não gosta? — ele perguntou, a voz baixa e rouca.
— Gosto. Me fode mais forte.
Ele obedeceu. As estocadas ficaram brutais. Eu sentia o pau batendo no fundo, o volume abrindo tudo. Quando ele inclinou o corpo sobre o meu e mordeu meu ombro, eu gozei pela terceira vez, as pernas fraquejando, o corpo inteiro tremendo.
Ricardo não aguentou muito depois disso. Puxou meu cabelo, meteu até o talo e gozou dentro. Eu senti os jatos quentes, o volume pulsando. Ele ficou enterrado mais alguns segundos, respirando pesado contra minha nuca.
Quando saiu, o sêmen escorreu devagar pela minha coxa. Eu virei de lado, ainda de salto, o corpo mole e suado. Ele deitou ao meu lado, o peito subindo e descendo. Passei a mão pela barriga dele, sentindo o calor.
— Vai ficar? — perguntei.
Ele olhou para o teto por um momento.
— Tenho que trabalhar amanhã cedo. Mas posso ficar mais uma hora.
Eu sorri, cansei, e subi em cima dele. O pau ainda semi-duro escorregou entre meus lábios molhados. Eu me esfreguei devagar, sentindo o sêmen dele misturado com o meu gozo. Ele endureceu de novo sob mim.
— Então usa essa hora direito — disse, encaixando-o outra vez e descendo até o fundo.
Dessa vez fui eu quem controlou o ritmo. Devagar no começo, sentindo cada centímetro grosso me preencher. Depois mais rápido, a bunda batendo nele, os seios balançando. As mãos grandes dele apertaram minha cintura, depois subiram e apertaram os seios com força. Eu gozei mais uma vez sentada nele, o corpo se contraindo, a boca aberta.
Ele me segurou firme e gozou de novo dentro, gemendo baixo, o som grave vibrando no peito dele contra o meu.
Quando finalmente paramos, o relógio do quarto marcava quase duas da manhã. Eu estava deitada de bruços, o vestido azul jogado no chão, o corpo marcado pelas mãos dele. Ricardo se vestia em silêncio. Eu o observava. O corpo grande, a barriga, as mãos. Nada de bonitão de revista. Só um homem grande, pesado, que me fodeu exatamente do jeito que eu precisava naquela noite.
Antes de sair ele se inclinou e beijou minha boca uma última vez. Não foi um beijo carinhoso. Foi um beijo de quem ainda queria mais.
— Se ainda estiver na cidade amanhã à noite — disse só —, me liga.
Eu não respondi. Só assenti, ainda com o gosto dele na língua e o corpo latejando.
A porta se fechou. O quarto ficou em silêncio. Eu virei de costas, abri as pernas e senti o sêmen dele escorrer devagar pelo lençol.
A viagem de trabalho ainda tinha mais dois dias.
E eu já sabia que não ia passar esses dias sozinha.

