A viagem para a cidade no litoral I

Já fazia quase um tempo desde a minha relação com meu antigo chefe.

Eu tinha saído daquela empresa. Tinha mudado de cidade. Estava namorando um novo homem. A vida parecia ter voltado a um lugar seguro, previsível, limpo. Eu usava um anel de compromisso que ele tinha me dado quando me pediu em namoro. Por dentro, porém, ainda existia um lugar que ninguém tocava. Um lugar que só homens mais velhos, com mãos grandes e jeito calmo de mandar, conseguiam alcançar.

Foi por isso que eu aceitei a viagem.

Um fim de semana de trabalho numa cidade litorânea. Reuniões na sexta à tarde, um evento rápido no sábado de manhã, e o resto do tempo livre. Meu namorado não pôde ir. Tinha compromisso com a família. Eu disse que não tinha problema. Embalei uma mala, escolhi vestidos leves, biquínis, sapatos e o perfume que eu só usava quando queria me sentir diferente.

Cheguei na sexta no final da tarde. O hotel era bom, frente para o mar, corredores silenciosos, cheiro de madeira e sal. O quarto tinha varanda e uma cama grande demais para uma pessoa só. Eu deixei a mala no canto, abri a porta da varanda e fiquei olhando o mar escurecer. O celular vibrou com uma mensagem do meu namorado:

“Chegou bem? Te amo.”

Respondi rápido.

“Cheguei. Tudo certo. Te amo também.”

Depois desliguei o som e deixei o telefone virado para baixo.

À noite desci para o bar do hotel. Queria só uma taça de vinho e um pouco de silêncio. Estava de vestido longo azul-marinho, leve, com alças finas e um decote que mostrava a curva dos seios sem ser vulgar e um salto alto. Cabelo solto. O anel brilhando no dedo.

Foi ali que eu o vi.

Ele estava sentado sozinho na ponta do balcão, uma dose de uísque na frente. Cabelo grisalho curto, bem cortado. Rosto marcado, pele bronzeada de quem passa tempo ao ar livre. Ombros largos, camisa social branca com as mangas dobradas até o cotovelo. Não era magro. Tinha aquele corpo de homem na casa dos cinquenta que não se preocupa em esconder a barriga. Mãos grandes em volta do copo. Olhar calmo, cansado, do tipo que já viu muita coisa e não se impressiona fácil.

Ele me olhou quando eu me aproximei do balcão. Não sorriu. Só segurou o olhar por um segundo a mais do que o educado. Eu pedi vinho branco. Sentei três bancos de distância. O suficiente para sentir a presença dele sem parecer que estava me oferecendo.

O barista serviu. Eu dei o primeiro gole. Ele deu o segundo no uísque. Depois de alguns minutos, a voz grave soou baixo, quase só para mim:

— Você não parece estar aqui a trabalho.

Eu virei o rosto. Ele ainda me olhava, sem pressa.

— Pareço estar aqui para quê, então?

— Para esquecer alguém.

A frase acertou em cheio. Eu segurei o copo com um pouco mais de força. O anel brilhou sob a luz baixa do bar. Ele notou. O olhar desceu até meu dedo e voltou para meu rosto. Não comentou. Só deu mais um gole.

— E você? — perguntei.

— Estou sozinho o fim de semana. Casa de praia. Resolvi não ficar olhando as paredes.

Silêncio. Não era desconfortável. Era carregado. Eu sentia o vinho descer devagar e o corpo reagir àquilo que eu já reconhecia: a calma, a idade, a forma como ele falava sem tentar impressionar.

Ele se levantou, deixou dinheiro sobre o balcão e parou ao meu lado por um segundo.

— Se cansar de beber sozinha, estou na mesa do canto perto da janela.

Não esperou resposta. Foi até a mesa e sentou de costas para a maior parte do salão, olhando o escuro do lado de fora.

Eu terminei o vinho sem pressa. O coração batia mais forte do que eu queria admitir. O anel parecia mais pesado no dedo. Eu podia subir para o quarto, mandar mensagem para o namorado, dormir cedo e fingir que aquela fome não tinha voltado.

Em vez disso, pedi outra taça e caminhei até a mesa dele.

Ele ergueu os olhos quando eu me aproximei. Não sorriu. Só puxou a cadeira ao lado com o pé.

— Senta.

Eu sentei. O vestido subiu um pouco na coxa. Ele notou e não disfarçou. A mão grande girou o copo de uísque devagar.

— Como se chama?

— Amanda.

— Roberto.

Só isso. Sem sobrenome, sem história longa. Eu gostei.

Conversamos baixo. Nada importante. O mar, a cidade, o quanto o hotel era silencioso. De vez em quando o joelho dele encostava no meu sob a mesa e nenhum dos dois afastava. Eu sentia o calor subir entre as pernas a cada minuto que passava. A voz dele era grave, pausada, do tipo que fazia meu corpo lembrar exatamente do que eu tinha tentado deixar para trás.

Quando a segunda taça acabou, ele olhou para meu dedo de novo.

— Ele sabe que você está aqui sozinha?

— Sabe.

— E sabe o que você veio procurar?

A pergunta foi direta demais. Eu segurei o olhar dele.

— Eu não vim procurar nada.

Roberto inclinou um pouco o corpo para frente. O cheiro dele — cologne discreto, pele quente, um pouco de sal — me atingiu de perto.

— Então por que você está sentada aqui comigo em vez de estar no quarto mandando mensagem para ele?

Eu não respondi. Não precisei. Ele já sabia.

Roberto terminou o uísque, deixou o copo sobre a mesa e se levantou. Estendeu a mão. Não para me ajudar a levantar. Só esperou. Eu coloquei minha mão na dele. Os dedos eram ásperos, quentes, grandes demais. Ele me puxou de leve para cima.

— Meu quarto é no terceiro andar. Ou a gente sobe agora, ou você volta para o seu e a gente finge que essa conversa não aconteceu.

O coração batia na garganta. O anel apertava o dedo. Eu pensei no meu Namorado, na mensagem que ainda estava no celular, na vida limpa que eu tinha construído.

Depois pensei na forma como aquele homem me olhava. Sem pressa. Sem pedir desculpa. Como se já soubesse exatamente o que eu queria.

— Terceiro andar — respondi baixinho.

Ele assentiu uma vez só. Soltou minha mão e saiu na frente. Eu o segui pelo corredor silencioso do hotel, o vestido azul-marinho roçando nas pernas, o corpo já aquecido, a certeza de que aquele fim de semana não ia ser nada parecido com o que eu tinha prometido a mim mesma.

Na frente do elevador ele apertou o botão. As portas se abriram. Entramos. Assim que se fecharam, Roberto me encostou na parede de espelho com uma mão só no meu quadril. Não beijou minha boca. Desceu o rosto e mordeu de leve a curva do meu pescoço, logo abaixo da orelha. Eu soltei o ar num tremor.

— Última chance de desistir — murmurou contra a pele.

Eu agarrei a camisa dele com os dois punhos.

— Não vou desistir.

As portas do elevador se abriram no terceiro andar.

Ele me guiou pelo corredor. Parou na frente de um quarto, passou o cartão e empurrou a porta. O clique da fechadura soou definitivo.

Lá dentro, a luz estava baixa. A cama era grande. A porta da varanda entreaberta deixava entrar o barulho distante do mar.

Roberto fechou a porta atrás de nós e se virou para mim. O olhar desceu pelo vestido, pela aliança, pela forma como meu peito subia e descia mais rápido.

— Tira o vestido.

A ordem veio baixa, calma, sem espaço para discussão.

Eu passei as alças pelos ombros e deixei o tecido escorregar até o chão. Fiquei só de calcinha de renda e salto. O anel ainda brilhava no dedo.
Ele olhou. Demorou. Depois se aproximou, segurou meu queixo com uma mão grande e finalmente beijou minha boca. O beijo foi fundo, lento, dominante. A outra mão desceu pelas minhas costas e apertou a bunda por cima da renda.

— Agora a calcinha.

Eu desci o tecido pelas pernas e chutei para o lado. Fiquei nua na frente dele, a não ser pelos saltos e pela aliança. Roberto deu um passo para trás só o suficiente para me olhar inteira. Depois começou a desabotoar a própria camisa, sem pressa.

— Sobe na cama. De quatro.

Eu obedeci.

O colchão afundou sob meus joelhos. Eu ouvi o barulho da calça dele descendo. Depois o calor do corpo se aproximando por trás. As mãos grandes abriram minhas coxas um pouco mais. Os dedos encontraram a umidade que já escorria e espalharam.

— Há quanto tempo você não é comida direito? — perguntou, a voz rouca.

— Há tempo demais — respondi, a voz falhando.

Ele soltou um som baixo, quase satisfeito. Depois senti a cabeça grossa do pau se encaixar na entrada.

— Então aguenta.

E empurrou até o fundo de uma vez.


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Comentários


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nanaemuco Comentou em 09/09/2026

muito bommmmmmmmmmmmmmm

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coroa55bh Comentou em 09/09/2026

Femea sendo dominada..Prazer intenso.

foto perfil usuario sergio barros55

sergio barros55 Comentou em 09/09/2026

Lindo conto...




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Ficha do conto

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Nome do conto:
A viagem para a cidade no litoral I

Codigo do conto:
271809

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
09/09/2026

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