“Eimi” não é um nome próprio, nome de gente entre os mosuo, meu povo, na China. “Eimi” significa “mamã”, ou “mãinha”, é uma forma carinhosa e muito particular de nos referirmos à nossa mãe. Como não desejo revelar o seu nome aqui, vou passar a usar este nome mesmo pra me referir a ela.
Pelo que soube a seu respeito, que ela mesma me contou e o que fiquei sabendo por parte de outras pessoas, inclusive de sua própria “eimi”, ela sempre foi uma garota muito fogosa, diferente de mim, que só descobri minha fogosidade depois que fiquei adolescente e encontrei Yamagushi. Um dia, talvez, eu conte como consegui agarrar meu querido e muito amado companheiro e bombeiro particular.
Aqui, vou relatar a vida vulcânica de minha querida e honrada mamã.
Quando digo “vulcânica” é a isso mesmo que quero me referir, ela era uma verdadeira bomba-relógio pronta pra explodir na aldeia! Ririririririri!
Entre meu povo, as pessoas não são constrangidas a smió praticarem sexo a partir de certa idade ou após o casamento, mesmo porque esta instituição não existe, nós não casamos, nós escolhemos parceiros, que são alterados de acordo com o momento, o gosto da pessoa, entre outras coisas. Eu sei que, para um ocidental, isto parece promiscuidade, mas entenda, isto é apenas um modo de vida, uma escolha e tem funcionado muuuuito bem entre nós, tanto é que as brigas, os crimes, os abandonos, as discussões por motivos amorosos ou sexuais são coisas muito raras entre o povo. Claro, nenhuma cultura está livre de erros, de pessoas que pensam diferente, mas a vida parece mais simples e fácil entre meu povo do que no ocidente, onde já vivi por anos, inclusive temos um apartamento no centro de uma das cidades mais agitadas do sudeste de seu país, pelo menos é a cidade mais turística que vocês têm; e uma casa na Costa do Descobrimento... só não diremos os nomes destas duas cidades ou mesmo do país, por motivos profissionais, pois trabalhamos para... entidades... que, por contrato, exigem que assim seja...
Yamagushi é biólogo e especialista em T.I.; eu, administradora de empresas... e paizinho é a melhor empresa que já administrei na vida! E ele pede pra acrescentar que eu sou o melhor estudo que já fez em biologia ou em I.A. – nisso, ele brinca, pois sou real, mas ele quer dizer que sou um grande desafio à sua inteligência sempre muito bem ordenada, mas que fica fora dos fusos perto de mim, perde o rumo completamente!
Desculpem-me a dissertação, eu falava da primeira vez de “eimi”, este vulcão ambulante! Nem todas as mulheres entre nosso povo são fogosinhas assim como nós duas, não se engane... mas eu herdei mesmo este tufão que varre as “praias de mãinha”.
“eimi” viveu uma vida exemplar na aldeia entre outras meninas, trabalhava em casa, cozia roupas, fazia comida, plantava e colhia junto com as demais pessoas. Ia aos rios se banhar, por aqui ninguém repara na nudez das pessoas, embora, logicamente, todos andem vestidos... mas isto só importa depois que “os segredos do corpo feminino” surgem pela primeira vez.
E aconteceu assim com “eimi”.
Ela era querida de todos, as pessoas por aqui amavam “eimi” por ser ligeira de ações, um riso sempre matreiro nos lábios, um jeito infantil que nunca perdeu e um jeito de sentar no colo de todos sem preocupações... os homens adoravam, claro, mas ela apenas sentava, beijava todos, sorria, conversava ativamente com as pessoas como se fosse adulta, era bem esperta, mas os homens, adultos ou não, eram os mais encantados, colocavam-na no colo e apertavam-na toda, ela sorria e parecia dar uma reboladinha que os deixava numa tentação só. No entanto, isto não evoluía, ela não ia além daquilo. Sapeca, mas esperta. Ou inocente, sei lá.
Um dia em que estava a lavar roupas no riacho, percebeu que as águas ficavam tintas de vermelho. Era sangue.
Foi o primeiro sinal.
O segundo foi uma febre que se instalou em seu corpo e que a vitimou por dias. Todo seu corpo ardia mesmo, seus cabelos tinham o cheiro de plástico quente.
Aquilo também passou.
E “eimi” foi enviada com urgência à “casa das mulheres”. Ali ficou por dias, semanas até sua temperatura voltar a se estabilizar, mas nunca mais voltou a ser normal como a dos demais moradores, sendo por pouco mesmo inferior a trinta e sete graus. E, como um magneto atrai ferro, “eimi” atraia os homens, fossem jovens, adultos ou os demais. Dizem todos que era quase irresistível, ela tinha (ainda tem) uma atração estranha que se infiltrava nos homens e os atraia, levando-os a procurarem-na constantemente.
Mas, entre os mosuo, os homens não decidem a vida sexual ativa das mulheres, são elas que regulam toda a sua atividade, escolhendo com quem querem “passar a noite”. Para isso, há um costume mosuo muito curioso. Quando uma mulher deseja um homem, basta abrir a porta da casa onde habita na hora em que o fulano estiver passando. Claro, ele não é obrigado a aceitar, nós respeitamos a decisão de cada um, seu direito de escolha. Ele pode simplesmente considerar que não deseja aquela mulher, ou que tem coisas que não podem esperar por ele... ele pode seguir em frente e deixar aquela mulher frustrada... mas ela vai tentar outras vezes, até dar certo ou encontrar coisa melhor.
Contam que, ao sair da “casa das mulheres”, “eimi” tinha mudado de aparência. O que tinha de infantil desapareceu, surgiu no lugar uma feminilidade incrível e muito atraente, para nós, nada é tão importante quanto ela. E “eimi” era feminil, sexy, dizendo em termos ocidentais... mas não é bem isso... ser “sexy” entre os ocidentais é apenas um convite pra promiscuidade desregrada, nada além... “feminilidade” é bem mais que isso! É aquilo que faz de uma mulher mais do que apenas objeto de desejo sexual dos homens, é a representação da beleza feminina, capaz de atrair homens e mulheres em volta de uma pessoa! Assim, entre o povo da aldeia e de outras por onde sua fama se espalhou, ela vivia como se fora uma pessoa da nobreza. Era saudada nas ruas, atendida em seus desejos, dos mais simples aos mais caprichosos, dizem que não era arrogante em nenhum grau, sendo mesmo levada a ser humilde muitas vezes, mas aquilo só fazia seu fascínio ser maior. Todos sabem das atividades sexuais de todos na aldeia, é segredo de ninguém, as atividades de “eimi” também não eram. Mas era embaraçoso. Ao passo que ela atraia os homens, nenhum a atraia e ela mantinha sua “porta fechada” a quem desejava visitá-la. Disse-me ela que naqueles tempos, não sabia o que fazer de tanto que sentia calor, um calor que não tinha fim, que a sufocava a qualquer hora do dia ou da noite. Ela era vista nas madrugadas a banhar-se no lago, nos ribeiros, nos regos de irrigação da lavoura.
Estava ela em casa certa vez e lançava a cabeça pra fora da jelosia, quando avistou ele.
Era um japonês.
Sim, um simples japonês que visitava a aldeia a negócios. Um humilde praticante de um jogo japonês, o go. É um jogo muito apreciado no pais, tá. E é só. Diz mamã que, naquele momento, toda a aldeia desapareceu, tudo o que sempre foi importante, ela só percebia aquele ribenren (japonês) a passar na estrada.... no mesmo instante ela desceu de seu quarto e foi ao mercado, comprou alimentos e os fez transportar a sua casa. Vocês entenderão o motivo já, já, se é que ainda não desconfiaram. Chamou alguns meninos e fez com que atrasassem o caminhar do ribenren, fizessem com que não passasse por sua porta antes de ela sinalizar seu consentimento. Bem, entendam, alguns anos já haviam se passado desde seu afloramento de feminilidade. De algum modo seu desejo foi realizado e, quando viu-se preparada, saiu à porta da casa e, com um belo sorriso, abriu a porta ao estranho no momento em que ele por ali passava, disse que ele não pensou duas vezes e a visitou.
Pois bem, durante uma semana inteira aquele ribenren ficou sem encontrar o caminho de volta! Todos os alimentos e presentes diversos que ela adquiriu foram usados naquela semana com o ribenren. Por toda uma semana ouviram-se gemidos e gritos no solar de “eimi” e, quando finalmente, o japonês foi liberado, ele entendeu que precisava retornar ali ao menos mais uma vez em sua vida.
E por que cargas d’água eu disse que ela era uma bomba-relógio pronta a explodir?
Ah, malandrinhos, descubram isso no próximo, a continuação deste! Vou contar direitinho





As fotos aqui não são ilustrativas, todas são minha mamã ("eimi") em fases diferentes da vida. Linda, não acham?!