Ela respondeu tranquila: "Ótimo, amor. Sozinha é melhor, aproveito mais. E faz parte, né? Gosto de te fazer de corno. Com você do lado, perde a graça”
Repassei o plano com ela. "Amor, deixa o áudio gravando tudo, do início ao fim. Não quero perder nenhuma parte. Quero ouvir o dia inteiro, tá? E, enquanto estiver com ele, vai gravando vídeo e me mandando. Grava uns áudios enquanto ele te come, só pra eu te ouvir. Não some, me mantém atualizado, manda foto. Mas, amor… o que eu mais desejo mesmo é ver você beijando ele na boca. Você faz isso por mim?"
"Sério, amor? Beijando na boca?"
"Sim, amor. Aquele beijo de língua, gostoso. Eu preciso ver você beijando outro cara, agarrada com outro cara. Você faz?"
"Claro, amor."
Quinta-feira de manhã. Minha esposa acorda cedo, toma café, toma banho, se arruma. Pra trabalhar? Não. Pra passar o dia num motel com um cara que ela nunca viu na vida, que não conhece, que só falou pela internet.
Claro que a gente tinha conversado com várias pessoas, perguntado sobre ele, e estávamos seguros quanto a isso. Ainda assim, eu estava com o endereço do motel, o localizador do GPS no celular dela, e um código de segurança caso ela ficasse com medo — um código simples, que ninguém desconfiaria.
"Amor, estou pronta. Vou indo, tá? Beijos e te amo."
O Pepe me ligou.
"Opa, beleza? Ela já tá a caminho, né?"
"Tá sim. Já saiu, tá na estrada."
"Ótimo. Então deixa eu alinhar uma coisa com você antes de ela chegar. A gente já conversou bastante, mas eu gosto de deixar tudo no claro — sou bom no que faço e não quero problema depois."
"Pode falar."
"Você me disse que gosta de ser corno. Ela me disse que quer, e que já esteve com outro antes de mim. Ou seja, isso aqui não é novidade pra ninguém, você já é. Mas eu preciso ouvir de você, agora, com ela quase batendo na porta: tudo que ela quiser aqui dentro, você aceita? Deixa claro que o 'não' dela continua sendo não, isso é regra minha. Mas tudo que ela disser sim, você respeita, faz o teu papel e deixa acontecer — sem culpa, sem cobrar dela depois?"
Eu travei. "Como assim?"
"Simples, cara. Se ela sair daqui querendo me ver de novo, querendo mais, você não atravessa. Não tenta fazer ela mudar de ideia, não pesa a mão quando ela chegar. Porque eu já te adianto uma coisa." Ele fez uma pausa, daquelas de propósito. "A tua mulher vai sair daqui de um jeito que você nunca viu. Você acha que ela é dada? Ainda não viu nada. Ela vai sair louca, e a culpa vai ser toda tua, que entregou."
Aquilo me subiu quente na hora — o medo e o tesão no mesmo nó, apertando. E eu, claro, aceitei.
Mas ele ainda não tinha acabado.
"E se depois você vier querendo mudar de ideia?", ele perguntou, calmo.
"Aí você me chama de corno e ri da minha cara", eu respondi, e ouvi a minha própria voz tremer de tesão ao dizer. "Isso vai me deixar excitado, e eu vou acabar aceitando de novo."
Ele riu baixo. Um riso de quem já tinha o que queria.
"Ótimo. Porque eu tô gravando essa ligação, mano. Tá tudo aqui. Você, com essa cara de corno, babando no telefone, aceitando tudo que eu falei. Agora não tem mais volta, nem se você quiser."
E o pior é que não ter mais volta foi exatamente o que me deixou mais duro.
A viagem. Ela mandava mensagem do carro: "Nossa, amor, tô tensa, kkk. Vou botar uma música da Luísa Sonza aqui pra entrar no clima, kkkk." "Amor, tô chegando." "Amor, entrei no motel." "Amor, acredita que entrei no motel errado? Ai, meu Deus, que vergonha, kkkkk. Mas já tô entrando no certo." "Amor, parei o carro, já tô indo pro quarto." "Cheguei, tá? Vou bater na porta. Me deseja boa sorte. Beijos."
Silêncio.
Alguns minutos. Longos minutos. Eu preocupado, quase ligando.
E então chegam três vídeos na sequência, de uma vez. Vídeos encaminhados — gravados por ele, não postados por ela.
Abri o primeiro. Era do ponto de vista dele, filmado no celular dele. O som dela batendo na porta, ele dizendo "pode abrir". Ela não ouviu, bateu de novo. Ele: "Entra, delícia." Foi até a porta e abriu. "Nossa, achei que você não ia me atender", ela disse, sorrindo. A filmagem era péssima — ele filmando a parede, os cabelos, não dava pra ver nada. Mas era nítido: estavam se beijando.
Eu não consigo descrever o tesão que eu sentia. Uma felicidade misturada com ciúme. Aquele som de beijo. Minha esposa chegou, entrou num motel com um cara que nunca viu na vida, e a primeira coisa que fez ao encostar nele foi abraçar e beijar na boca. Meu Deus, que tesão. Que orgulho. Que mulher é essa.
Segundo vídeo — gravado por ele antes dela chegar. De pé, filmando no espelho: "Já tô pronto, esperando minha namoradinha." Filmou a cama. "É ali que eu vou comer sua esposa." Hoje eu foder sua mulher do jeito que ela nunca foi antes, e pior ela vai sair daqui como uma verdadeira vagabunda, você não irá reconhecê-la mais, seu corno manso..
Terceiro vídeo — ela filmada por ele, de pé, bem próxima. A boca borrada pelo batom vermelho de quem acabou de beijar. "Nossa, amor, vamos gravar outro vídeo, porque no primeiro não saiu nada", e riu. Começaram a se beijar — agora bem filmado. Aquele beijo forte, virando a cabeça, cheio de tesão. Terminaram, ela olhou pra câmera, sorriu: "Gostou?" E riu. "Pronto, amor, agora vamos nos divertir. Beijos."
Cara do céu. Coração acelerado. Agora não era mais imaginação. Tinha vídeo. Eu vi ela beijando outro homem. Eu vi ela feliz. Eu vi. Sim, eu vi.
E aí veio o que eu não imaginava.
Pensei que ele fosse simplesmente comer ela de tudo que é jeito e encerrar. Mas o cara não opera assim. O cara transforma.
Ele armou o celular na estante, apontou pra cama, e falou com ela do jeito que se fala com quem tá prestes a assinar algo:
"Senta aí, delícia. Agora a gente alinha uma coisa."
Ela sentou. O celular filmava os dois.
"Você já traiu seu marido antes, né?"
"Sim."
"Você tem vontade de transar com outros caras e fazer seu marido de corno — ou, melhor, de corno ainda mais manso?"
"Sim."
"Qual é o seu limite?"
Ela sorriu. "Eu não tenho limite. Gosto de tudo. Quero sentir prazer. E até gosto de apanhar."
Ele anotou mentalmente, como quem preenche ficha.
"Você vai ficar aqui o dia inteiro?"
"Sim."
"Eu quero te levar até onde você quiser ir — e quero que o teu marido veja depois o que ele é. Aceita?"
"Sim."
"Levanta. Arruma essa roupa. Fica decente, parecendo mulher casada."
Ela riu e se ajeitou, vestido pra dentro, cabelo pra trás — tudo filmado.
"Agora vem aqui." Ele ficou de pé, reposicionou o celular num ângulo que pegava os dois, olhou direto pra câmera e começou: "Você é casada?"
Ela mostrou a aliança, rindo.
"Onde está o seu marido?"
"Em casa."
"Você gosta de fazer ele de corno?"
"Sim."
"Por quê?"
Ela pensou um segundo, olhou pra câmera pela primeira vez, e respondeu com uma calma que me destruiu:
"Porque ele é frouxo. Não sabe comer uma mulher de verdade."
"Ótimo", ele disse.
E manteve a câmera apontada.
"Então vamos analisar o quanto você é puta."
Ele falou devagar, com ela ali na frente, a câmera apontada.
"Uma mulher casada não se encontra num motel com outro cara. No entanto, você tá aqui."
Ele passou a mão pelo cabelo dela. Ela não recuou.
"Uma mulher casada não deixa um homem abraçar ela por trás. Mas aqui estou eu, te abraçando, te encoxando."
Puxou ela pela cintura, colou o corpo, e ela deixou.
"Uma mulher casada não deixa um desconhecido passar a mão na sua bunda. E você tá aqui, até se arrepiando."
A mão dele desceu, e ela se arrepiou.
"Uma mulher casada não deixaria um homem pegar nos seus peitos…" Ele ergueu a blusa, soltou os peitos pra fora. "…muito menos deixaria eles expostos assim." Parou, olhou. "Cara do céu, que delícia."
Ela tava tremendo. A câmera filmava tudo.
"Agora beija o teu macho. Vai."
Ela beijou.
Ele esperou o beijo acabar, segurou o queixo dela, e apontou pra câmera.
"Olha pra cá. Olha pro teu marido — o cara que te pediu em casamento. Diz pra ele o que você acha dele."
Ela olhou direto pra lente. Tremendo. E falou:
"Você é frouxo. Preciso de um homem de verdade. Porque eu gosto de homem de verdade, não de frouxo."
Ela repetiu a última parte sem ninguém pedir, a voz quebrando, se tremendo toda — e ele riu, mantendo a câmera firme, filmando cada gesto do corpo que ela entregava.
Ele manteve a câmera firme, olhou direto pra lente, e falou pra quem ia ver:
"Agora eu vou comer ela de tudo que é jeito. Ela vai sentir prazer que nunca sentiu antes. E a partir de agora, ela vai ser outra mulher."
Ela tremeu ao ouvir. Não de medo.
O vídeo corta ali.
E não parou mais. Chegaram mais vídeos, mais fotos — tudo pelo celular dele. Eles transando de papai e mamãe, ela cavalgando, ela de quatro, de lado, em cima em baixo… Caralho se eu queria ver minha mulher transando, agora eu estava vendo e ficou claro conforme eu assistia: que ela havia se entregado por inteiro, sem pudor, feliz.
Depois vieram os áudios. Dei play — era ela gemendo. Muito. Outro áudio, mais do mesmo. Outro: "Nossa, amor, tá uma delícia." Áudios e mais áudios. Tudo que eu perguntava era ignorado — ela nem tinha tempo de ler, só gravava e mandava.
Quase duas horas depois, um novo áudio: "Oi, amor, me desculpa, tá? É que não dava pra responder." E, rindo: "Ele não deixava. O Pepe não para." Ele rindo no fundo. "Nossa, amor, tá muito bom." De fundo, o Pepe: "Pergunta se ele quer fazer chamada de vídeo." Ela repetiu pra mim: "Você quer, amor?" Eu, em êxtase, travado: "Não, amor. Só grava." Ela respondeu alto: "Ele não quer não, só vídeo." "Tá bom, amor, eu gravo. Até daqui a pouco."
Teve um vídeo que me marcou — não pelo sexo, mas por um detalhe dela. Ela por cima dele, devagar, e mascando chiclete de boca aberta, com aquele meio sorriso de canto de boca, dizendo que tava muito bom. O Pepe, filmando sem pegar o rosto dela, não se aguentou — quando ela começou a falar e mascar o chiclete daquele jeito, ele filmou. Automático. Foi uma cena linda, do meu jeito doente de ver beleza: minha mulher ali, cavalgando, tranquila, mascando chiclete, como se nada no mundo pudesse tocá-la. Eu não sei o que dizer, meus amigos. Que orgulho da minha mulher. A vontade que eu tinha, e tenho, é de pegar o vídeo e mostrar pro mundo: essa é a minha mulher, ela é demais.
Veio outro vídeo que também não era de sexo — e foi o que mais me pegou. Os dois deitados, pelados, um ao lado do outro, e ela conversando naturalmente, filmando os dois. "Amor, achei um mais doido que você. Ele também serviu o Exército, fez isso e aquilo." Rindo, falando normal, sem tapar os peitos, sem se cobrir, completamente nua ao lado dele, encostadinhos — como se estivessem vestidos, em público, numa conversa qualquer. Essa naturalidade dela me desmontou mais que qualquer gemido.
Caramba.
Eu estava incrédulo.
Os dois no motel, pelados. Ele no computador, ela no celular, gravando áudio pra mim, mostrando como a bunda dela estava vermelha. Mostrando que tinha apanhado. Mostrando que tinha gostado.
E ela — muito natural. Sem vergonha. Sem timidez. Nenhuma. Como quem mostra pro marido que comprou pão.
Ele levantou atrás dela, botou a mão na cintura, e falou pro áudio:
"Agora a gente vai transar mais, porque o dia só começou. Ela não vai te mandar mais áudio, porque agora eu vou adestrar essa vadia. Certo?"
Virou pra ela, esperando. E ela, rindo, feliz, respondeu:
"Siiiim."
"Então desliga esse telefone sem dizer nada e vem ficar com o teu macho."
Ela simplesmente desligou. Sem tchau, sem beijinho, sem "te amo". Desligou e não respondeu mais.
O tempo passou.
O WhatsApp ficou sem os dois risos azuis. O visual sumiu. E eu fiquei ali, segurando a tela, olhando pro nada, esperando qualquer migalha que não vinha.
Às 13h, chegou um novo vídeo.
Os dois pelados, almoçando. Rindo. Ela completamente à vontade com ele — como se estivesse na casa dela, na mesa dela, na vida dela. Ele comeu um pedaço, pegou um copo de suco, e ergueu na mão.
"Olha como eu trato a tua mulher."
E jogou o suco na cara dela.
Eu prendi a respiração. Esperei ela ficar brava. Esperava ela reclamar, xingar, sair correndo. Era o que qualquer esposa faria.
Ela simplesmente riu.
"Você pode, Pepe."
E ficaram rindo juntos.
Foi aí que eu entendi. A humilhação não era o suco na cara. A humilhação era o que veio depois — a aceitação dela, o riso dela, a naturalidade com que ela deixou ele fazer aquilo e ainda achou graça. Uma mulher que aceita ser tratada assim por outro homem e ri não está sendo desrespeitada. Está escolhendo.
E eu, do outro lado do telefone, com o vídeo pausado no frame dela rindo com suco escorrendo, eu incrédulo.
Ela mandou mensagem.
"Corno, a gente vai continuar. O Pepe disse que agora é a minha transformação. Não sei o que ele vai fazer, mas tô doida querendo logo. Nunca me senti tão feliz em toda a minha vida. Sempre quis um homem assim, que me fizesse mulher de verdade. Agora eu vou aproveitar."
Eu li aquilo e não consegui responder. As mãos tremiam. O tesão e o pavor eram a mesma coisa.
Depois chegou um vídeo longo.
Demorou pra baixar. Quando abriu, os dois estavam vestidos. Pareciam gente normal — ela saia e blusa, ele de calça e camisa, sentados como quem conversa depois do almoço. Normal. Quase doméstico. E foi justamente isso que me desmontou, porque a putaria toda a gente espera. A intimidade depois, ninguém espera.
Ele filmava. "E aí, gostou?"
"Sim. Amei. Quero mais. Não vivo mais sem dias assim."
Ele riu. "Vamos ver se você é realmente minha."
Continuou gravando com a câmera. Com o celular, ligou pra um amigo.
"Fala, fulano, tudo certo?"
"Tudo e você?"
"Pô, tô namorando uma mina nova."
"Sério?"
"Sim. Olha ela aqui." — Filmou ela.
"Oi, fulano, tudo bem?"
"Caramba, Pepe, que gata."
"Mas ela é casada, né, delícia?"
"Sim", ela riu.
"Haá. Então ela é mais uma daquelas?"
"Daquelas o quê?"
"Daquelas putas que a gente vive fudendo?"
"Exato."
Ela ficou corada, rindo. "Nossa… é assim? Você tem um monte é?"
"Claro, delícia. Você é só mais uma." — E deram risada. E ela também.
Então manda ela te beijar Pepe.
Ela foi e beijou ele na boca apaixonadamente.
Caramba, ela está na sua mesmo hein Pepe, dominou mesmo hahaha
Cara, olha o que a minha mulher estava passando. Outro homem chamando ela de puta beijando na boca na frente de outros caras, chamando ela de "só mais uma", e ela rindo junto.
O cara perguntou: "Ela já tá bem domesticada mesmo, Pepe?"
"Pode testar."
"Então tira esses peitos pra fora, delícia, mostra pra mim."
Ela foi. Tirou os dois peitos pra fora e ficou balançando, sorrindo, olhando pro telefone.
"Que delícia. Essa é das nossas."
Minha mulher mostrando os peitos pra outro cara pelo telefone. E rindo.
O cara querendo compartilhar o que estava vendo levantou, foi até outra sala com o aparelho. "Olha só, fulano — o Pepe domesticou mais uma casadinha. Vai, vadia, balança os peitos."
Ela balançou. "Oiiii."
Cara, eu estava incrédulo.
Voltaram os dois pro celular.
"Pô, Pepe, só você mesmo. Onde você arruma esse tipo de vagabunda?"
Ele riu. "Cara, essas mulheres que casam com homem frouxo, quando saem com um de verdade, perdem as estribeiras."
Ela só sorrindo. Sem dizer nada. Sem se defender.
"Então, agora a melhor parte", ele disse. "Amor, vou precisar conferir um relatório ali. Você fica falando com eles pelo telefone, tá?"
"Tá bom, Pepe."
Ele deu o telefone na mão dela, foi pro computador, e reposicionou a câmera — agora filmando ela sozinha com o telefone na mão falando com os caras.
"Vai, delícia. Tira a roupa pra nós ver você tocar uma sirica."
Ela riu. "Nossa, como vocês são diretos."
"Você não viu nada. Semana que vem é minha vez de passar o dia com você."
"Como assim?"
"Seu macho vai te falar… mas é assim: quando você entra pra roda, você entra pra roda. Primeiro ele, depois eu, depois o fulano, e assim vai. Nosso grupo é de catorze. Se prepara que você vai passar na mão de cada um de nós."
Ela simplesmente sorriu.
"Nossa… não sabia."
"Por quê, não gostou?"
"Claro que gostei."
Nisso ela já estava praticamente pelada, e os caras já estavam mandando prints pro grupo — tirando foto da tela do vídeo, ela nua, e repassando. Em nenhum momento ela pediu pra ninguém não printar. Não pediu pra não mostrar. Não pediu pra apagar.
Ela estava em êxtase.
E eu, do outro lado do telefone, vendo tudo aquilo chegar quadro a quadro, entendendo que a minha mulher tinha acabado de entrar num rodízio de catorze homens e achado normal, cara o que aconteceu com a minha mulher? Eu estava com o pau estourando, mas desacreditado, cara, estão filmando o rosto dela.
Depois de muito tempo conversando enquanto o Pepe terminava o relatório de trabalho — como se nada estivesse acontecendo, como se ela ficar pelada no telefone com desconhecidos fosse rotina — desligaram.
O Pepe guardou o celular, olhou pra ela, e falou:
"Bom. Agora que você já conhece o pessoal, grava um vídeo se apresentando pro nosso grupo."
Ela sorriu.
"Tá bom, meu senhor." E riu.
Do jeito que estava — exposta, nua, o corpo inteiro entregue — ela pegou o telefone, armou a câmera, e começou a gravar.
"Oi, pessoal, tudo bem? Hoje foi meu primeiro dia com o Pepe. Estou com ele desde as nove da manhã e já são quase cinco. Então vocês já sabem que ele fez de tudo comigo." Riu. "Tudo. Não sobrou nada."
Sorriu, olhou pro vídeo, e continuou:
"Agora ele disse que eu sou de vocês, e eu confesso que estou adorando. Então me aguardem, porque agora eu sou a nova putinha do grupo. Pronta pra ser de cada um de vocês.
Beijou a câmera. Depois abriu as pernas pro vídeo, riu, e falou:
"Ela também manda um beijo. Tô toda derretida."
Deu risada. Encerrou o vídeo.
E eu, assistindo aquilo chegar no meu telefone, vendo a minha mulher se apresentar pra catorze desconhecidos como putinha, chamar eles de "meu", prometer se encontrar com cada um — rir de tudo, rir como quem ganhou presente — eu não aguentei.
Foi ali que eu soube que a mulher que saiu de casa de manhã e a mulher que mandou esse vídeo não eram a mesma. A que saiu era casada comigo. A que mandou era deles.
Eu confesso que não sabia como agir. Estava gostando. Mas estava com medo. Achei que tinha ido demais.
Ela mandou mensagem: "Amor, tô indo pra casa. Beijos."
O Pepe me ligou em seguida.
"E aí, corno? Eu falei que ia domesticar a tua mulher, né? Sabia que seria fácil, mas não achei que ia chegar nesse nível hoje. Ela foi a mulher mais fácil que eu já enrabeei e domestiquei. Ela me confessou que a vontade dela era ser puta na frente de todo mundo. Essa vontade suja, das pessoas saberem que ela é vagabunda, que trai o marido. Ela sente essa necessidade de se sentir foda. É isso. Agora ela vai ser puta do meu grupo. Mas fica tranquilo — tudo fica entre nós. Nunca divulgamos foto ou vídeo mostrando o rosto. Pode ficar tranquilo. Mas que ela vai ser nossa puta, ela vai."
Fez uma pausa.
"O Sergião vai pegar ela semana que vem. Ele é do tipo que gosta de transformar mulher em cadelinha. Você vai ver a tua mulher latir. Se prepara."
E fechou:
"Aproveita a tua nova mulher, corno."
Eu nem consegui falar nada pelo telefone.
Quando ela chegou, era outra.
Outra mulher. Entrou pela porta muito alegre, muito segura de si, com aquele sorriso que eu não via há tempo — só que esse sorriso não era meu. Nunca mais ia ser.
"Oi, amor!"
Eu pude sentir na hora. Aquele cheiro de puta barata. O rosto dela estava avermelhado dos tapas. Os lábios, inchados. E os olhos — os olhos eram o que mais mudava — vivos de um jeito que eu não conhecia.
Ainda bem que eu tinha deixado minha filha na casa da minha mãe. Porque ela entrou naquela casa cheirando a outro, e não era pouco.
Ela chegou rindo alto, me chamando de corno numa voz que qualquer vizinho ouviria.
"Amor, fala baixo", eu pedi.
Ela nem me ouviu. Começou a contar que adorou o Pepe, que ele era um gato, um macho de verdade — falando alto, sem vergonha nenhuma, como se eu fosse amiga e não marido.
Eu tive que pegar ela, beijar, abraçar. "Amor, fala baixo."
Ela meio que caiu em si.
"Nossa, amor, desculpa. É que… amor, eu tô tão realizada. Eu sempre sonhei em poder transar, sair com outros caras, tudo que eu queria quando era mais nova e não podia na minha cidade — e com ele, amor… transar sem pudor, poder gemer alto, ele me tratando como vagabunda, depois ligando pros amigos, me mandando tirar a roupa… Nossa, amor, eu sempre quis tanto isso. Tô me sentindo realizada."
Ela parou, pegou o celular, e me mostrou:
"Inclusive, eles me adicionaram no grupo. Me colocaram de foto do grupo, amor."
Abriu. Eu vi.
"Amei essa foto. Tô parecendo atriz pornô. Gostei muito dessa foto, amor."
Fez uma pausa. Me olhou com aquele olho de dona.
"Amor, obrigada por ter deixado, tá? Você é maravilhoso. Isso foi o melhor presente que você me deu. Nunca imaginei que você fosse tão corno com esse teu jeito sério. Ainda bem que você é meu frouxinho, amor."
Eu fiquei sem palavras.
Perguntei: "Você gravou?"
"Tudinho, amor. Cada palavra. Mas, amor, pensa bem antes de ouvir — porque eu não parecia nenhum pouco com uma mulher casada."
E riu.