Vanessa estava espremida no meio da cabine, entre Zé e Beto, tentando não encostar demais em nenhum dos dois. Impossível. O espaço era pequeno demais e o cheiro de homem — suor, diesel, cigarro e algo mais primitivo, algo que subia direto pra entre as pernas dela — invadia tudo.
Ela tinha contratado os dois pela internet, o frete mais barato que encontrou. Zé, o motorista, era uma montanha: ombros largos, braços grossos de carregar geladeira sozinho, barba por fazer, voz rouca de quem passou a vida na estrada. Beto, o ajudante, era mais magro, olhos escuros que não disfarçavam nada, sorriso torto de quem sempre sabe alguma coisa a seu respeito.
Quando eles foram buscar os móveis na casa antiga, Vanessa já tinha sentido aquele calor traidor latejando sob a calça. Naquela época ainda achou que ia passar. Que distância resolvia.
Foi por isso que estava ali afinal — a mudança, a cidade nova, a faculdade. O plano era simples, quase uma dieta: vida nova, foco inteiro nos estudos, aulas de manhã, estágio à tarde, nenhum tempo morto. Porque o tempo morto era o perigo. O tempo morto era quando a boca dela começava a pedir.
Sim, pedir um pau bem gostoso para chupar. Sentir pulsar e ele explodir e ela engolir tudo.
Não era nenhum segredo pra ela mesma de onde vinha aquilo.
A fixação tinha nome, gosto e forma. Textura.
A forma como cada um era diferente na boca dela — o cheiro, a grossura, a veia que pulsa quando o cara está perto.
A sensação de engolir devagar e sentir a respiração do homem desandar. Aquilo apertava alguma coisa no peito dela que sexo nenhum outro apertava. Já tinha tentado entender, já tinha tentado substituir. Não dava certo. A boca dela tinha vida própria.
A cidade nova era a última chance de ficar longe disso. E agora, parada no estacionamento de um posto no meio da rodovia, esperando a chuva passar, ela percebia o quanto estava enganada sobre a própria força de vontade.
Pior: percebia que ela mesma estava provocando. Sem coragem de dizer nada, fazia com o corpo. Esticava o braço "sem querer" encostando no de Zé. Ria mais alto das piadas de Beto. Cruzava e descruzava as pernas de um jeito que os dois olhos escuros do ajudante acompanhavam como quem segue um pêndulo. Os dois devolviam na mesma moeda. E mexia com ela. Mexia muito.
Ela queria que o convite viesse de algum deles. Pensava como aquilo era loucura.
— Acho que só amanhã diminui essa chuva. — Zé falou sem tirar os olhos da estrada encharcada.
— Se não fosse esse trecho que é perigoso e sem iluminação...
— Só tem uma cama aí atrás, mocinha. — Beto se virou no banco, olhando-a de cima a baixo, sem pressa nenhuma.
— Se continuar assim, a gente vai ter que se virar aqui os três.
Ela ficou vermelha e os dois riram.
— Relaxa. A gente não morde… — Zé pausou, e ela ouviu o sorriso na voz dele antes de virar o rosto e confirmar.
— A não ser que peça.
Vanessa sentiu o rosto esquentar. O jeans apertava, a costura da calça marcando exatamente onde ela não devia estar pensando. A blusa colava nos seios por causa do calor úmido da cabine, os mamilos apontando, e ela viu Beto olhar. Viu ele ver que ela percebeu. E viu ele não se importar.
Vanessa pensou nos três lá naquela cama estreita. O calor subiu forte e sentiu a umidade aumentar entre as pernas.
Disse não, não na cabeça. Tira essa ideia.
Ela tentou se concentrar no apartamento novo, na grade de aulas, na vida que estava tentando construir. Mas o cheiro dos dois — aquele cheiro de caminhoneiro de fim de jornada — desmontava qualquer controle linha por linha.
Fazia mais de duas semanas que não sentia o gosto de pau e sofria como se estivesse no meio do calor do deserto sem agua.
Isso é burrice, pensou. Eles sabem onde eu morava. Sabem pra onde eu tô indo. Têm meu número. A voz da razão era fina, porém. A outra voz, a quente, a que falava mais baixo perto do ouvido, era grossa.
O silêncio durou. A chuva batia. O vidro embaçado fechava os três dentro de uma caixa cheirando a tesão que nenhum dos três admitia em voz alta.
Beto passou a mão na própria coxa, lento, um gesto aparentemente distraído que não era distraído. Zé mexeu no rádio, desligou, ajeitou o corpo no banco — o banco estremeceu com o peso dele, e o ombro dela escorregou e encostou no braço dele, e ela não correu. Não afastou. Ficou ali, o coração batendo na garganta, sentindo o calor dele através da manga da camisa.
Foi ali, nesse toque que durou três segundos e um século, que ela soube que tinha perdido.
A vontade subia quente e insistente, a mesma de sempre. A de ajoelhar. A de sentir o gosto. A de encher a boca até engasgar. Ela apertou as coxas uma contra a outra, e o atrito só piorou tudo.
A respiração ficou difícil. Parecia que o coração batia tão forte que não dava tempo dos pulmões puxarem ar.
10 minutos de silêncio constrangedor se arrastaram. Ela contou as gotas no vidro. Rezou para a chuva parar. Rezou para não parar. No fim, falou, a voz baixa e trêmula, olhando para o próprio colo:
— Eu… estou com vontade.
Era o máximo que conseguia pela vergonha do que queria.
Os dois viraram o rosto ao mesmo tempo. O silêncio seguinte tinha gosto de perigo.
— Vontade do quê? — Zé perguntou, já com um sorriso lento descendo pelo canto da boca.
Vanessa engoliu em seco. A vergonha queimava, mas a excitação queimava mais.
— De chupar vocês. Os dois.
Beto soltou uma risada rouca, quase descrente, passando a mão pela barba por fazer.
— Porra… a moça da mudança. Quem diria.
Zé desligou o motor. O silêncio da cabine ficou absoluto: só a chuva.
— Tem certeza, mocinha? — Ele se virou por completo no banco, os olhos pequenos e escuros fixos nela. — Porque depois que começar, a gente não vai querer só boca não.
Ela soube na hora que estava se metendo em algo maior do que imaginava. Que dali não saía mais a menina aplicada da faculdade. Ainda assim, era exatamente esse o problema: era esse o tamanho da vontade dela. Confirmou com a cabeça:
— Tenho.
— Repete — pediu Beto, apertando o joelho dela.
— Olhando pra minha cara. Quero ver você pedir.
— Eu quero chupar vocês — ela repetiu, olhando, a cara em chamas.
— Por favor.
Não precisou de mais conversa. Beto puxou-a pelo braço e a trouxe para o espaço apertado entre os dois bancos.
Vanessa tirou a própria blusa com as mãos tremendo. Depois o sutiã — os seios pesados balançaram livres, e os dois homens soltaram aquele som gutural de apreciação que a fez estremecer inteira. Depois a calça, lutando com o jeans molhado de suor, e a calcinha, que veio grudada, encharcada, e Beto riu ao ver.
— Olha isso. Toda encharcada. Tava assim desde o posto, era?
Ela não respondeu. Ficou completamente nua na cabine do caminhão, a chuva batendo forte do lado de fora, e ajoelhou-se o melhor que conseguiu no vão entre os bancos.
Zé abriu a calça e puxou o pau para fora. Grosso, cabeçuda, já duro, aquele cheiro de virilha quente que fez o céu da boca dela salivar na hora. Beto fez o mesmo — o dele um pouco mais longo, a cabeça avermelhada brilhando, já vazando.
Vanessa segurou os dois ao mesmo tempo, uma em cada mão, o peso deles nas palmas, e fechou os olhos um segundo, só sentindo. Depois abriu.
Passou a língua primeiro no de Beto, lambendo devagar do saco até a cabeça, sentindo o gosto salgado, o cheiro de homem suado de um dia inteiro de estrada. Depois no de Zé, que era tão grosso que ela precisou abrir bem a mandíbula. Alternava. Engolia um até onde dava — e dava longe, ela sabia, a garganta treinada por anos de fixação — engasgava, espumava, puxava para fora com um fio de saliva grosso e ia para o outro, bombeando com a mão o que a boca abandonava.
— Olha essa putinha… — Beto gemeu, a mão enterrada no cabelo dela.
— Contratou a gente pra mudança e agora está mamando os dois no meio da estrada.
— Chupa com vontade. Isso. — Zé empurrou a cabeça dela para baixo, devagar, sem pressa, sentindo a garganta ceder.
— Usa a língua embaixo… porra. Você adora isso, né? Tá molhada só de engolir a gente.
Vanessa gemia em volta dos paus, o som abafado, a baba escorrendo pelo queixo e pingando nos seios. Cada vez que engolia fundo, sentia a garganta arder gostoso, os olhos marejarem, e era exatamente esse o aí: era disso que ela tinha saudade, dessa entrega burra da própria boca. Os pensamentos vinham misturados com o prazer, cada vez mais fracos:
Eles têm meu endereço novo… meu telefone… isso é idiotice… mas que gosto bom, meu Deus…
Não adiantava se lamentar, apenas aceitar e curtir.
Ela se revezava entre os dois com fome. Chupava Zé até ele gemer alto e rosnar "porra" pelo meio dos dentes; depois passava para Beto, que agarrava o cabelo dela e metia fundo, sem dó, usando a boca dela como punho fechado. A cabine cheirava a sexo, chuva e suor. O vidro todo embaçado por dentro.
Depois de um tempo, Zé puxou o cabelo dela para cima, arrancando-a do outro pau com um pop molhado.
— Chega de só boca. Levanta.
— Eu só queria chupar — ela tentou, a voz rouca de tanto pau engolido.
— E a gente só queria entregar sua mobilia. — Beto já tirava a calça por completo.
— Mas você pediu, mocinha. Pediu com jeitinho e tudo. Agora vai levar direito.
Eles a viraram de quatro no banco estreito. A mão de Zé desceu pelas costas dela, empinou a cintura, e ela arqueou, oferecendo, sem coragem de admitir em voz alta que estava implorando por dentro. Zé passou a cabeça do pau entre os lábios da buceta dela, sentiu o mel escorrendo, e disse, quase espantado:
— Porra, tá gozando na minha mão sem nem começar. Que putinha faminta.
E enfiou de uma vez, fundo. Vanessa gritou abafado, agarrando o braço de Beto, o corpo estremecendo num gozinho súbito e melado. Ao mesmo tempo Beto segurou a cabeça dela e enfiou o pau de volta na boca, calando o grito. O ritmo era pesado. Zé metia com força, segurando a cintura dela, os testículos batendo na carne molhada, enquanto Beto usava a boca sem piedade, alternando estocadas fundas na garganta e longas lambidas que ele mesmo arrancava do cabelo dela.
— Aperta essa buceta… isso. — Zé rosnava. — Chupa ele enquanto a gente fode essa sua boceta. Olha a cara de quem adora ser usada.
Vanessa estava destruída de prazer. O corpo inteiro tremia, a boca cheia, a buceta sendo aberta repetidamente, os dois falando grosso em cima dela. E era isso. Era exatamente aquilo que a fixação dela pedia: ser boca, ser buceta, ser o buraco quente de dois desconhecidos numa estrada — sujo, pesado, anônimo, perfeito. Gozou de novo, e de novo, os orgasmos rolando um sobre o outro como ondas da chuva lá fora.
Eles trocaram de posição sem cerimônia — Beto deitado no banco, puxando-a por cima, e ela deslizou na própria saliva ao engolir o pau dele de novo, enquanto Zé entrava por trás. Os comentários continuavam, cada frase cutucando um ponto exato:
— Engole tudo quando eu gozar. Essa garganta foi feita pra pau.
— Olha ela rebolando sozinha… nem precisa mandar.
— Vai chegar na cidade nova já arrombada pelos freteiros, mocinha. E vai ter que estudar com a nossa porra ainda escorrendo.
Quando os dois gozaram — Beto puxando o pau da boca dela e gozando na cara, na língua estendida, e Zé afundando até o fundo e enchendo-a por dentro — Vanessa estava acabada. Nua, suada, saliva e porra escorrendo, as pernas tremendo, o coração batendo no ouvido. A chuva lá fora ainda não tinha parado. Ela lambeu os lábios sem nem perceber que fazia isso.
Horas depois, já na cidade nova, o caminhão estacionou em frente ao prédio. Vanessa desceu com as pernas ainda moles, o rosto queimando de vergonha, a calcinha grudada no mel seco entre as coxas a cada passo. Zé e Beto começaram a descarregar os móveis. Dois ajudantes extras que ela nem conhecia chegaram para carregar as coisas até o apartamento — um moreno alto de camiseta colada, um garoto de vinte e poucos anos, cabelo black e olhão.
Enquanto subiam o sofá, Beto passou perto dela e falou baixo, só para ela ouvir, com aquele sorriso torto:
— Cuidado com a gorjeta, hein… tem mais dois aí. Vai dar atenção pra eles também?
Vanessa não respondeu. Só abaixou a cabeça e fingiu mexer no celular. O gosto dos dois ainda estava na boca. A cara ainda lembrava da mão de Zé.
E a vontade, traidora, já começava a coçar de novo.



