O que eu vou contar aqui é sobre o que eu vivi com um homem casado com uma mulher. Um homem que era, simplesmente, um tesão ambulante. Passivo, discreto, perigoso.
Ele trabalhava no prédio onde eu dou aula. Sempre educado, sempre segurando o elevador pra mim. Alto, magro, uns 1,87, branco, cabelo e barba bem feitos, óculos de grau. Sempre perfumado.
A simpatia, o cheiro, o olhar… e aquele jeito meio desengonçado faziam daquele homem uma tentação constante.
No começo, eu nem reparava tanto. Eu vivia correndo, entrando e saindo, sempre atrasado. Mas com o fim do ano chegando, apresentações, reuniões, eu comecei a ficar mais tempo no prédio. Comecei a conversar com os porteiros, com o pessoal da limpeza, com todo mundo. E ele sempre estava lá, segurando o elevador, apertando o 14º andar pra mim.
Até que um dia ele entrou no elevador comigo e, meio sem jeito, puxou assunto:
— Tá calor por aí?
Eu ri. Estava de shortinho e uma camiseta que marcava bem o peito e os braços.
— Calor não tá, mas dando aula desse jeito eu não aguento.
Ele me olhou de cima a baixo. Um olhar lento, carregado. Desejo sem disfarce.
— Tá tudo bem? — eu perguntei, provocando.
— Poderia estar melhor, mas… — ele parou, como se tivesse medo de terminar a frase.
O elevador abriu. Ele saiu, e me deixou com aquele gosto de curiosidade e tesão grudado na boca.
A partir desse dia, eu passei a olhar pra ele com outros olhos.
E ele fazia de tudo pra ficar perto de mim.
Uma semana depois, eu saí da academia e fui direto dar aula. Bermudão de futebol, regata, bolsa de lado. Suado, cheio de testosterona. Ele fez questão de me acompanhar até o meu andar.
Eu, sem vergonha, apertei minha rola por cima da bermuda. Tesão pós-treino. Ele viu. Não disfarçou.
— Quer pegar? — eu perguntei, cara de pau.
— Quero, mas não aqui, seu puto.
Poucos dias depois, ele conseguiu meu número no cadastro do prédio.
Marcamos dele ir na minha casa no horário de almoço.
Quando ele entrou, não teve conversa. Ele me agarrou com vontade, com urgência, com medo e desejo misturados.
— Me fode logo, antes que minha esposa ligue de novo.
Aquilo me arrepiou inteiro. O perigo deixava tudo mais intenso.
Eu não tive pena. Dei uma lição nele. Ele gemia, pedia, reclamava:
— Calma, caralho…
— Calma o caralho. Tu não queria minha piroca?
— Então fode esse cuzinho…
E eu fodi. Sem dó. Foi intenso, bruto, urgente.
Quando terminou, ele saiu de casa apressado, ajeitando a roupa, olhando o relógio, voltando pra vida de homem casado.
Depois disso, nunca mais ficamos. Mas nos esbarramos sempre.
E o olhar dele…
Ainda me olha como quem quer tudo de novo.