Para sempre: Meu pai, meu homem 2 ( Parte 5)

Passamos o sábado juntos, quando foi domingo de manhã acordei com o céu claro, o vento morno, o cheiro de terra seca misturado com café recém-passado. Para variar, meu pai já tinha acordado, encontrei meu ele sentado na varanda, camisa clara, calça simples, o rádio desligado ao lado.
— Pai… bom dia!!


— Bom dia filha

—Já vi que o senhor arrumou suas coisas

— Sim.

Me aproximei dele dando-lhe um abraço por trás enquanto ele se apoiava na coluna da varanda. Entramos, tomamos o café da manhã e começamos a nos arrumar para partir.

Quando ele fechou a porta, ficou ali parado, com a chave na mão, olhando a casa como quem se despede de um tempo inteiro da vida.

Fiquei calada só observando-o, sabia que aquele momento era só dele. Entramos no carro e fomos até a casa de seu GIlmar deixar a chave da casa.

De lá, partimos rumo a capital, na estrada, meu pai ia calado, olhando pela janela. O vento entrava pelo vidro entreaberto, bagunçando o cabelo grisalho dele. Em certo momento, ele encostou a cabeça no banco e fechou os olhos. Não dormiu. Só descansou. E eu soube: aquele silêncio não era vazio — era leve.

Quando nos afastamos de vez da cidade, ele falou, quase como um sussurro:

— Faz tempo que não me sinto assim… como se tivesse permissão para viver.

Eu sorri, com os olhos marejados, mantendo as mãos firmes no volante. Naquele domingo, não levei só meu pai comigo. Levei um homem que estava, finalmente, saindo de um lugar que tinha virado prisão.

— Sim pai, agora o senhor vai viver.

Estendia minha mão encostando na dele fazendo um carinho. Ele sorriu, um sorriso de agradecimento.

— Obrigado minha filha. Eu estou sentindo como se um peso tivesse saído de mim

Ele foi o caminho praticamente todo calado, eu também não quis invadir o momento dele.Deixei ele a vontade para falar quando sentisse vontade

Chegar na capital com meu pai foi estranho e bonito ao mesmo tempo. O trânsito pesado, os prédios altos, o barulho constante — tudo aquilo que pra mim já era rotina parecia grande demais pros olhos dele.

Ele desceu do carro devagar, camisa simples, a sacola pequena numa mão e o rádio antigo na outra, olhando em volta como quem entra num mundo que não pediu, mas aceita.

— É tudo muito alto… — ele murmurou, meio impressionado, meio desconfiado.

No apartamento, ele andou em silêncio, observando cada canto. Passou a mão no sofá, abriu a janela, ficou alguns segundos olhando lá pra baixo, pros carros pequenos demais vistos de cima,deve ter visto também supermercados, farmácias e escolas que o bairro jaguaribe possuem.Não reclamou. Só respirou fundo, como se estivesse tentando se encaixar.

Ele foi explorando os cômodos e em seguida me olhou e disse: “onde eu vou dormir?”. Olhei pra ele e respondi: “como assim onde!?” O senhor não viu o quarto?”Então ele respondeu: “mas só tem um quarto!”

Foi então que eu entendi, parece que para ele ainda não tinha ficado claro. “Pai, o que o senhor acha que vai acontecer daqui pra frente agora que a gente tem uma relação mais íntima?” Então vi pelo olhar dele a ficha cair..

“É verdade, as coisas mudaram” disse ele e eu respondi com um “hurum” e sorri. Em seguida levei ele para conhecer o nosso quarto.
Meu pai entrou devagar, olhou em volta.Cama arrumada, cortina clara, uma mesinha perto da janela pro rádio. Quando ele viu, sorriu daquele jeito contido,
que diz mais do que palavra.

Em seguida, passou a mão na colcha limpa, simples. Ele soltou um suspiro longo e relaxado.

Ficamos o restante do dia arrumando as coisas, e depois de tudo finalmente silenciar, fomos deitar. Eu fiquei na cama, vestia uma camisola vinho, ele deitado ao meu lado, apenas de cueca, cada um no seu canto, as luzes apagadas, só o barulho distante da cidade entrando pela janela entreaberta.

O lençol ainda cheirava a sabão novo, e eu sentia o corpo dele rígido, como quem não estava acostumado a dividir espaço outra vez.

— Engraçado… — eu disse, quebrando o silêncio. — Se alguém me dissesse, anos atrás, que a gente ia acabar assim… eu não acreditava.

Ele respirou fundo antes de responder.

— Nem eu. Passei tanto tempo achando que ficar sozinho era o que me cabia… que nem pensei que a vida
podia mudar desse jeito.

Virei o rosto na direção dele, mesmo no escuro.

— Eu também carreguei isso, pai. Essa angústia de ter ido embora, de ter te deixado lá… mesmo sem querer. Acho que a solidão te moldou. E a culpa… me moldou também.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, depois falou baixo, com aquela voz calma que sempre me desmontou:

— A vida foi apertando a gente por lados diferentes… até não sobrar muito espaço pra ninguém entrar.

Assenti, sentindo um nó na garganta.

— E talvez por isso o que existe entre a gente seja… diferente. Não melhor. Só diferente. — engoli seco. — Não é uma coisa que todo pai e filha têm. Nem vão ter

Ele virou levemente o rosto na minha direção.


— Porque não nasceu do normal. — disse. — Nasceu da falta. Da ausência. Do que se tem que aprender a suportar sozinho.

O silêncio voltou, mas não era pesado. Era cheio de entendimento.

— Tem coisas que não são pra todos. — eu completei. — Nem todo mundo entenderia. Nem precisa.

Ele suspirou, como se concordasse com o corpo inteiro.

— O importante é que a gente chegou aqui. Do jeito que deu. Do jeito que a vida deixou.

Fechei os olhos, sentindo uma calma estranha, quase inédita. E eu soube: aquilo entre nós não precisava de nome.Porque não era para todos.

O silêncio foi ficando mais fundo, e o cansaço do dia inteiro começou a pesar no meu corpo. Virei um pouco mais pro lado dele, ele não disse nada. Só abriu o braço devagar, com aquele cuidado. Quando encostei a cabeça no peito dele, senti o ritmo calmo da respiração, firme, constante. Foi ali que meu corpo
relaxou de verdade.


Não lembrava a última vez que tinha me sentido assim

Meu pai passou a mão pelos meus cabelos, devagar, fazendo carinho nas mechas soltas, como fazia quando eu era pequena e tinha medo de dormir sozinha. Um dengo simples, repetido, quase automático — desses que não pedem resposta.

— Dorme…meu amor — ele murmurou baixo

Aquilo me desmontou
.
Fechei os olhos sentindo um calor subir pelo peito, uma sensação de proteção que eu não sabia que ainda existia em mim. Como se, depois de tanto tempo forte, eu finalmente tivesse permissão pra ser fraca por alguns minutos.

O braço dele firme ao meu redor, a mão seguindo o movimento lento no meu cabelo… tudo dizia o que nenhuma palavra dava conta:

Antes de pegar no sono, pensei nisso — como a vida tinha sido estranha com a gente. Me levou pra longe, me fez adulta cedo demais, me colocou em relações onde eu nunca me senti inteira. E, ainda assim, foi ela que me trouxe de volta pra esse lugar improvável de cuidado.

Adormeci ali, nos braços do meu pai, sentindo-me protegida como não me sentia há anos.

E ele ficou acordado por mais um tempo, eu sei. Porque o carinho no meu cabelo continuou mesmo depois que meu corpo já tinha cedido ao sono — como
quem vela algo precioso que quase perdeu


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Ficha do conto

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Nome do conto:
Para sempre: Meu pai, meu homem 2 ( Parte 5)

Codigo do conto:
253801

Categoria:
Incesto

Data da Publicação:
03/02/2026

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