Tenho quarenta e nove anos , Meu marido, o Coronel Armando, ainda vive — mais grisalho, mais calado, mais ausente do que nunca. Ele passa os dias no quartel ou trancado no escritório, fumando charutos cubanos que o regime lhe manda de presente. Não pergunta mais por Rafael. Não quer saber. Para ele, o filho morreu no dia em que foi preso. Eu finjo que concordo. Mas dentro de mim, o luto não é só pelo menino que perdi para a cadeia. É por Andira, que se foi há seis meses e levou consigo a metade do meu coração que ainda batia de verdade.
Ela morreu numa madrugada de julho, sem alarde. O coração simplesmente parou. Eu estava ao lado da cama, segurando sua mão fria, sentindo o último suspiro dela escapar como um suspiro de alívio. O Coronel nem acordou. Quando eu contei de manhã, ele só assentiu, disse “era de se esperar” e foi para o quartel. Eu chorei sozinha na cozinha, olhando o hábito preto pendurado no cabide como se fosse um fantasma. Chorei porque perdi a sogra que virou minha confidente mais íntima, a mulher que me contava cada detalhe sujo e doce das visitas ao neto, a mulher que me fazia gozar só de ouvir as palavras dela.
Os meses seguintes foram um buraco negro.
Eu acordava às quartas-feiras com o corpo ansioso, o sexo latejando antes mesmo de abrir os olhos. Ia até o armário, tocava o tecido do hábito, cheirava o resquício de lavanda que ainda restava. Me deitava na cama dela, abria as pernas e me masturbava devagar, imaginando Rafael dentro dela, gozando dentro dela, gemendo “vó” enquanto enchia a boceta da avó. Gozava chorando, chamando o nome dos dois. Era o único jeito de sentir que eles ainda estavam vivos em mim.
Mas a promessa pesava mais que a dor.
Andira me fez jurar no leito de morte, com a voz fraca e os olhos brilhando: “Se eu não puder mais… você vai. Você vai vestir o hábito. Vai visitar ele. Vai dar pra ele o que ele precisa. Vai amar ele como eu amei.” Eu jurei. Com a mão dela na minha, jurei.
Preparei tudo com o cuidado de quem enterra um segredo. O hábito dela cabia em mim — apertado nos quadris, mas o véu escondia o tremor. Comprei uma calcinha preta de renda fina, igual às que ela usava nos últimos tempos. Lavei o crucifixo pesado que ela levava no pescoço. Quando me olhei no espelho, vestida de freira, vi uma mulher que não era mais só esposa de coronel, nem só mãe de preso. Era a continuação dela. A herdeira do fogo.
A primeira visita foi numa quarta-feira de outubro.
O guarda me olhou de cima a baixo, reconheceu o hábito e disse: “A nova irmã, né? E deu uma piscadinha Uma hora, confissão longa”. Trancou a porta e sumiu.
Rafael entrou . Parou na porta como se tivesse levado um soco. Os olhos dele — aqueles mesmos olhos que Andira descrevia com tanto desejo — se arregalaram. A barba crescida, o corpo endurecido pela cadeia, mas o rosto… o rosto era de quem via um milagre e um fantasma ao mesmo tempo.
— Vó…? — a voz saiu rouca, quase quebrada.
Eu tirei o véu devagar. Deixei o cabelo castanho com fios grisalhos cair sobre os ombros. Levantei o rosto para ele me ver inteiro.
— Não existe mais a vó, meu filho. Sou a Leonir. Sua mãe. E vim cumprir a promessa que fiz a ela.
Ele ficou imóvel por longos segundos. Depois deu três passos largos e caiu de joelhos na minha frente. Abraçou minhas pernas por cima do hábito, rosto enterrado na minha barriga. Chorou como eu nunca o vi chorar — soluços profundos, de menino perdido. Eu passei os dedos no cabelo dele, sentindo as lágrimas quentes molharem o tecido preto.
— Ela me contou tudo… — sussurrei, voz tremendo. — Cada beijo na boca. Cada vez que você chupou ela até gozar. Cada vez que enfiou o pau na boceta dela, no cuzinho dela. Cada jato de porra que você deixou dentro dela. Ela me fez prometer que eu ia continuar. Que eu ia ser sua. Que eu ia te amar como ela amou.
Ele levantou o rosto. Olhos vermelhos, mas brilhando de algo feroz. Saudade misturada com fome crua.
— Mãe…
Eu me abaixei, segurei o rosto dele com as duas mãos e o beijei. Um beijo lento no começo, depois profundo, com língua. Ele gemeu na minha boca, mãos subindo pelas minhas coxas por baixo do hábito. Encontrou a calcinha já encharcada e soltou um gemido rouco.
— Você tá molhada… pra mim… pro seu filho…
— Sempre estive, Rafael. Toda vez que ela voltava e contava… eu gozava ouvindo. Gozava imaginando você dentro dela. Agora é minha vez de sentir você dentro de mim.
Ele me levantou como se eu fosse leve, me sentou na mesa velha. Abriu o hábito na frente com pressa, expôs meus seios. Chupou um mamilo com fome, depois o outro, mordendo de leve. Eu arqueei as costas, gemendo baixo.
— Me fode, meu filho… me fode como você fodia ela. Me enche como enchia a vó.
Ele abriu a calça da cadeia. O pau saltou, duro, grosso, veias pulsando. Encostou a cabeça na minha entrada e empurrou devagar. Entrou molhada, quente, pronta para ele. Quando chegou ao fundo, nós dois gememos juntos — um som de alívio e pecado.
— Tão apertada… mãe… que delicia mãe…
Ele começou a estocar. Forte. Fundo. A mesa rangia sob nós. Eu segurei nos ombros dele, unhas cravadas, gemendo sem vergonha:
— Isso… fode a sua mãe… enche minha boceta de porra, Rafael… marca ela como marcou a vó…
Ele acelerou. Gozei primeiro, apertando ele lá dentro, gozo escorrendo pelas coxas dele. Ele não parou. Virou-me de costas, me dobrou sobre a mesa e entrou por trás. Fodeu mais fundo ainda, as bolas batendo na minha boceta. Quando gozou, foi dentro — jatos quentes, grossos, enchendo meu útero como se quisesse me reivindicar para sempre.
Ficamos abraçados depois, suados, ofegantes. Ele beijava meu pescoço, minhas costas, sussurrando:
— Eu te amo, mãe. Como amei ela. Como amo você agora.
Eu sorri, lágrimas nos olhos, gozo dele ainda escorrendo pelas minhas coxas.
— E eu te amo, meu filho. Meu homem. Vamos continuar isso. Pelos sete anos que ela viveu… e por todos os que ainda virão.
No ônibus de volta, eu sentia cada gota dele dentro de mim. Cheguei em casa, tirei o hábito devagar e deitei na cama dela. Me toquei lembrando cada estocada, cada gemido.
Andira estava morta.
Mas o amor não morreu.
Ele só mudou de corpo.
E agora era meu.
Para sempre.
Capítulo 10 – As Quartas que Viraram Eternas
E as quartas-feiras agora são minhas. Só minhas.
O Coronel Armando mal percebe que saio de casa toda semana vestida de freira. Ele acha que vou à igreja rezar pela alma de Andira, ou talvez pela de Rafael — ele nem pergunta mais. Fica no escritório com seus charutos e seus papéis do regime, cada vez mais distante, cada vez mais velho. Eu agradeço a Deus por isso. Quanto menos ele vê, melhor.
A primeira visita foi só o começo. Depois dela, veio a segunda. E a terceira. E todas as que se seguiram.
Rafael me esperava na mesma sala cinzenta, mas agora o olhar dele era diferente. Não era mais só saudade misturada com desejo. Era posse. Era certeza. Quando eu entrava, ele me puxava contra si antes mesmo de a porta fechar. O beijo vinha faminto, como se tivesse passado sete dias sem água. As mãos dele subiam por baixo do hábito, rasgavam a calcinha de renda sem cerimônia, e ele me fodia ali mesmo, em pé, contra a parede, ou me deitava na mesa e entrava fundo, estocando com força até eu gemer alto demais e ele tapar minha boca com a mão.
— Fala baixo, mãe… ou o guarda vai ouvir sua uma puta sendo fodida pelo próprio filho.
Eu ria entre gemidos, apertando ele lá dentro.
— Deixa ouvir. Que ouça como a mamãe goza gostoso.
Ele adorava quando eu falava assim. Quando eu chamava ele de “meu menino safado”, de “meu macho”. Quando eu pedia pra ele gozar dentro, encher minha boceta de porra quente, marcar o útero que o gerou. E ele fazia. Toda vez. Jatos grossos, quentes, que escorriam pelas minhas coxas no ônibus de volta.
Às vezes ele me virava de bruços, abria minha bunda e entrava por trás. Devagar no começo, depois forte, batendo fundo no cu. Eu gozava só com aquilo — um prazer diferente, sujo, profundo. Ele gozava lá dentro também, me deixando cheia por todos os lados. Depois me abraçava, beijava minhas costas, sussurrava:
— Você é minha agora, mãe. Minha mulher. Minha puta. Minha tudo.
E eu respondia, voz rouca de tanto gemer:
— Sempre fui, Rafael. Desde o dia que Andira me contou o primeiro beijo. Eu já era sua.
Em casa, eu tirava o hábito devagar, sentindo o corpo marcado — chupões nos seios, marcas de dedos na bunda, gozo seco nas coxas. Deitava na cama dela, abria as pernas e me masturbava devagar, revivendo cada estocada, cada palavra suja. Gozava pensando nele, chamando o nome dele baixinho, como se ele pudesse me ouvir do outro lado da cidade.
O Coronel nunca desconfiou.
Ou talvez desconfiasse e preferisse não saber.
O regime continuava. As prisões continuavam. Mas dentro daquela cela, Rafael e eu construíamos um mundo só nosso. Um mundo de suor, gemidos, porra e amor que ninguém podia tocar.
Sete anos Andira viveu isso.
Eu já estava no meu segundo ano.
E pretendia viver mais sete. Mais dez. Mais o que restasse.
Porque agora não era mais só uma promessa cumprida.
Era necessidade.
Era vício.
Era a única coisa que ainda me fazia sentir viva.
E toda quarta-feira, quando eu vestia o hábito e pegava o ônibus, eu sorria sozinha.
Porque eu sabia:
naquela sala cinzenta, meu filho me esperava.
Duro.
Faminto.
Pronto para me foder como se o mundo fosse acabar.
E eu ia deixar.
Toda vez.
Até o fim.
Capítulo 11 – A Fuga
Meu nome é Leonir, e agora carrego dentro de mim a prova mais concreta do que construímos nesses anos todos.
Descobri a gravidez numa manhã de fevereiro, dois meses depois de uma visita em que Rafael me fodeu com tanta força na mesa que eu saí mancando até o ônibus. Os enjoos começaram devagar, depois vieram fortes. Comprei um teste na farmácia da esquina, daqueles baratos que vendem embrulhados em jornal. Duas linhas. Meu corpo, cinquentae um anos , ainda era capaz. Ou talvez fosse o desejo dele que tinha forçado a vida a acontecer de novo.
Eu chorei de alegria e de medo ao mesmo tempo. Alegria porque era dele — meu filho, meu homem, meu amante. Medo porque o Coronel Armando ainda vivia na mesma casa, ainda comandava o mesmo quartel, ainda podia destruir tudo com uma palavra. E porque uma prisão política não perdoa uma gravidez incestuosa. Se descobrissem, matariam Rafael. Matariam a mim. Matariam o bebê.
Decidi na mesma tarde: tínhamos que fugir.
Eu sabia onde estava o dinheiro.
Durante os anos todos do regime, Armando acumulou fortunas em subornos, propinas, “doações” de empreiteiras que construíam estradas fantasmas e quartéis que nunca foram terminados. Ele guardava parte em casa, num cofre embutido atrás do crucifixo grande da sala — ironia que Andira sempre achava engraçada. O resto estava em contas na Suíça, mas o que eu precisava estava ali: duzentos mil dólares em notas usadas, embrulhados em plástico, mais algumas barras de ouro pequenas que ele achava que eu nunca descobriria.
Eu usei parte desse dinheiro durante os sete anos de Andira. Subornei o carcereiro chefe — um sargento gordo chamado Zé Maria — para que as visitas durassem mais, para que a porta ficasse trancada, para que ninguém perturbasse. Ele recebia envelopes toda semana, sem perguntas. Quando Andira morreu, continuei pagando. E agora eu ia pagar mais uma vez. Mas não por tempo. Por liberdade.
Na quarta-feira seguinte, vesti o hábito como sempre. Levei na bolsa não só pão de queijo e bolo de fubá, mas um envelope grosso com cinquenta mil dólares. Quando o guarda Zé Maria abriu a porta da sala, eu o encarei firme.
— Sargento… preciso falar com você. Sozinho.
Ele hesitou, mas o cheiro do dinheiro fala mais alto que medo. Entramos no corredor estreito. Eu abri o envelope e mostrei as notas.
— Isso aqui é pra você. Cinquenta mil agora. Mais cinquenta mil quando ele sair. E o resto quando estivermos do outro lado da fronteira. Bolívia. Você arranja o transporte, os documentos falsos, o caminho livre. Ninguém pode saber.
Ele olhou as notas, depois para mim. Depois para minha barriga, que ainda não aparecia, mas que ele parecia adivinhar.
— É dele? Do preso?
Eu não respondi. Só sorri.
Zé Maria pegou o envelope. Mãos tremendo.
— Três semanas. Preciso de tempo pra organizar. Caminhão de carga, motorista de confiança, passagem pela fronteira em Cáceres. Documentos como freira e noviço. Ninguém mexe com freira.
— Três semanas — repeti. — E se falhar, você morre antes dele.
Ele assentiu. Eu entrei na sala.
Rafael me esperava. Quando contei, ele ficou em silêncio por um minuto inteiro. Depois me puxou para o colo, beijou minha barriga por cima do hábito.
— Um filho nosso… mãe… meu Deus…
— Vamos fugir, Rafael. Pra Bolívia. Lá ninguém vai nos procurar. Vamos criar ele juntos. Como marido e mulher.
Ele me beijou com desespero. Me deitou na mesa devagar, com cuidado, porque agora eu carregava vida. Abriu o hábito, beijou meus seios inchados, lambeu devagar entre minhas pernas. Entrou em mim com suavidade, estocadas lentas, profundas, como se quisesse sentir cada centímetro do meu corpo que agora era lar do nosso filho.
— Eu te amo… — sussurrava enquanto gozava dentro de mim, devagar, enchendo sem pressa. — Vamos ser livres. Nós três.
Gozei chorando, abraçada nele, sentindo o pau dele pulsar no meu útero.
No ônibus de volta, toquei a barriga. Sorri sozinha.
O Coronel ainda dormia no escritório quando cheguei. Tirei o hábito, guardei o resto do dinheiro no cofre — ele nem notaria a falta. Deitei na cama de Andira e me toquei devagar, lembrando da promessa que cumpri e da nova que estava fazendo.
Três semanas.
Depois disso, a freira e o preso sumiriam para sempre.
E uma família nasceria do outro lado da fronteira.
Livre.
Amada.
Inteira.
Capítulo 12 – O Fim que Foi Começo
Meu nome é Leonir.
E agora, finalmente, eu sou livre.
As três semanas passaram como um sonho febril. Zé Maria cumpriu o combinado. Na madrugada de uma quarta-feira chuvosa de março, um caminhão de carga parou na estrada de terra atrás da cadeia. Zé Maria ao volante calado, de bigode grosso, não perguntou . Rafael saiu pela porta dos fundos, algemas cortadas com alicate, vestido de noviço simples — túnica marrom . Eu o esperava dentro do caminhão, ainda de hábito preto, véu molhado pela chuva.
Quando ele subiu, me abraçou tão forte que senti o bebê mexer entre nós. Beijamos com gosto de liberdade e medo. O caminhão seguiu pela BR-364 até Cáceres. Na fronteira, os guardas bolivianos viram um soldado uma religiosas e um noviço carregando malas de doação para a igreja. Ninguém revistou. O envelope final de cinquenta mil dólares foi para Zé Maria na última parada antes da linha imaginária que separa o Brasil da Bolívia. Ele não disse adeus. Só acenou e sumiu na escuridão.
Chegamos em Santa Cruz de la Sierra numa manhã de sol forte. O ar cheirava a terra molhada e frutas maduras. Eu vendi as barras de ouro restantes num ourives discreto no mercado negro — preço baixo, mas suficiente. Com o dinheiro comprei uma fazenda pequena de cacau no Chapare, a umas três horas de carro da cidade. Terreno de quarenta hectares, casa de madeira branca com varanda, plantação já madura, rio correndo nos fundos. O vendedor era um velho italiano que queria voltar para a Europa. Ele nem perguntou nossos nomes verdadeiros. Só assinou os papéis e foi embora.
A fazenda se chamava “El Refugio”. Eu mudei para “Refúgio de Andira”. Placa nova na entrada, feita por um marceneiro local. Rafael riu quando viu. Beijou minha barriga e disse:
— Ela ia gostar. Ia dizer que a gente tá vivendo o que ela sonhou pra gente.
Os meses seguintes foram de trabalho e amor.
Rafael cortava mato, aprendia a cuidar das árvores de cacau com os locais . Eu cozinhava, lavava, cuidava da barriga que crescia. À noite, na cama grande de madeira, ele me amava com cuidado — devagar, fundo, sussurrando no meu ouvido que eu era a mulher mais linda do mundo. Gozava dentro de mim mesmo grávida, como se quisesse lembrar ao bebê que ele era feito de nós dois.
O menino nasceu numa tarde de novembro, no quarto da fazenda, com uma parteira indígena que não fez perguntas. Chorou forte, pele morena como o pai, olhos claros como os da avó que nunca conheceu. Batizamos de André — em homenagem a Andira, mas com força de homem. André cresceu correndo entre as árvores de cacau, pés sujos de terra vermelha, rindo alto quando Rafael o jogava no ar. Eu o amamentava na varanda, olhando o sol se pôr no horizonte boliviano, sentindo o cheiro doce das vagens maduras.
O Coronel Armando nunca nos procurou. Talvez ache que Rafael morreu na fuga. Talvez ache que eu enlouqueci e fugi para um convento. Não importa. Ele ficou no Brasil, com seus charutos e seu regime que já começava a rachar. Nós ficamos aqui.
Passaram-se anos.
André tem agora dez anos. Alto, forte, inteligente. Sabe que o pai e a mãe são “diferentes ”, que o amor deles é diferente, mas nunca perguntou por quê. Ele só sabe que é amado. Que a casa cheira a chocolate fresco porque processamos nosso próprio cacau. Que a avó Andira vive nas histórias que contamos antes de dormir — a freira corajosa que visitava o preso e levava pão de queijo e amor.
À noite, quando André dorme, Rafael me pega no colo e me leva para a rede da varanda. Me beija devagar, tira minha roupa com calma, entra em mim sob as estrelas. Ainda me chama de “mãe” às vezes, ainda me chama de “minha mulher” sempre. Eu gozo sussurrando o nome dele, sentindo o mesmo pau que me possuiu na cela agora me possui na liberdade.
Não há mais hábito preto no armário. Só vestidos leves, calcinhas de algodão, o corpo marcado pelo tempo e pelo desejo. Não há mais cadeia. Só terra fértil, cacau doce, um filho correndo livre.
Andira morreu sorrindo.
Eu vivo sorrindo.
Porque o amor que começou como pecado virou salvação.
E aqui, no meio do Chapare boliviano, mãe e filho criam o filho deles.
Livres.
Inteiros.
Para sempre.




