Eu sabia. Mandala e o marido, nossos amigos do meio liberal há anos, tinham me puxado para conversar duas semanas antes. Me explicaram sobre o sítio no interior, a lista de convidados, o que aconteceria depois dos parabéns. Ajudei a esconder, a despistar, a manter Ana longe de suspeitas enquanto ela planejava seu próprio aniversário comigo, inocente, achando que eu era só o namorado atencioso.
No dia, dirigi em silêncio pela estrada de terra, o carro balançando. Ana ao lado, cabelos longos e ondulados soltos no ombro, olhos castanhos claros distraídos com a paisagem, pele branca iluminada pelo sol que entrava pela janela. Um metro e sessenta de curvas que ela mantinha com disciplina, vestido leve colado na cintura fina. Linda de um jeito que ainda me desarmava, mesmo depois de tudo que tínhamos vivido, mesmo sabendo o que a esperava.
— Você tá estranho — ela disse, sem virar. — Quieto demais.
— Só concentrado na estrada.
Ela aceitou. Confiante em mim, como sempre.
Quando o sítio apareceu — casa grande, luzes já acesas, carros estacionados escondidos atrás do galpão — ela demorou a entender. Só quando a porta se abriu e a sala explodiu em "Surpresa!" é que ela levou a mão à boca, os olhos marejados, genuinamente emocionada.
Eu a abracei por trás, beijei sua nuca, e sussurrei:
— Feliz aniversário, amor.
Ela se virou, ainda sem palavras, e me beijou na boca. Ainda não sabia que eu sabia.
A festa foi normal, no começo. Bolo com velas, cantoria desafinada, abraços de amigos. Muitos casais do nosso grupo, alguns solteiros, todo mundo bem-vestido, comportado.
Eu notei as ausências. João, Pedro, outros caras que deveriam estar ali. Notei rostos novos, homens que não reconheci. Notei Mandala circulando, o olhar que ela trocava com o marido.
Ana abria os presentes na sala de estar. Lingerie preta, vibrador, óleos, livro, cremes. Ela ria, exibindo, achando que era só brincadeira de amiga.
Quando os presentes acabaram, Mandala pegou o microfone de karaokê.
— Gente — ela disse. — A gente prometeu o maior presente, né?
Ana riu, ainda sem desconfiar.
— Já deu, Mandala.
— Não. — Mandala olhou para mim. — Léo, vem cá. Ajuda ela.
A venda era de seda preta. Eu coloquei nos olhos de Ana, as mãos dela firmes nas minhas.
— Confia em mim? — perguntei.
— Sempre.
Mandala segurou um braço, eu o outro, e conduzimos Ana pelo corredor. A porta do quarto ficou aberta. Dentro, já estavam posicionados alguns amigos e amigas em cadeiras ao redor — o casal Carla e Ricardo, a Fernanda de cabelo rosa com o namorado, outros que Ana não podia ver. Pelas janelas grandes, silhuetas se aglomeravam na varanda externa. No corredor, atrás de nós, mais gente se empurrava para ver.
Ana entrou no centro do quarto e parou. O cheiro a atingiu — suor, tesão, presença masculina densa. Ela inclinou a cabeça, tentando enxergar através da venda.
— Tem gente aqui — disse, baixo.
— Tem — respondi, e soltei sua mão. Recuei para a parede.
A porta aberta deixava entrar a luz. E através dela, mais amigos se aglomeravam — o Pedro, que deveria estar ausente, apareceu na janela com mais dois caras. O João estava no corredor, tentando passar. A Patrícia do RH já estava sentada num canto, as pernas cruzadas, ansiosa.
Uns 9 homens negros esperavam no quarto, nenhum com menos de um metro e oitenta, todos pelados, todos duros. Alguns eu conhecia — o irmão do Ricardo, o personal trainer Thiago, um cara do futebol de domingo. Outros eram estranhos, selecionados, um com o pau maior que o outro.
Mandala entrou e fez o anúncio:
— Regras! Ela tem que adivinhar quem é quem! Só pegando no pau! Erra, chupa! Acerta... acerta e decide!
Do lado de fora, alguém riu alto. Na janela, o Pedro bateu no vidro.
— Vai, Ana! — ele gritou. — Adivinha o meu!
Ana riu, surpresa, excitada.
— O quê? — ela virou a cabeça na direção da voz.
— Você ouviu! — Mandala confirmou. — Só tocando!
Carla, de sua cadeira, acrescentou:
— E o Léo vai ficar no cantinho, quietinho, só vendo! Não é, corno?
Risadas pelo quarto. Eu senti o rosto queimar, mas assenti. Era meu lugar.
Ana estendeu as mãos à frente, encontrando o vazio, depois pele. O primeiro era grosso, curvado para cima, a pele escura quente contra sua palma branca.
— Grande — murmurou, pesando, passando a mão de base à ponta. — Mas não sei quem é.
— Errou! — o coro veio de dentro e de fora do quarto.
Ela ajoelhou. A boca se abriu, a língua lambeu a ponta, e ela engoliu. O dono — um estranho alto, de ombros largos — gemeu, as mãos indo para seus cabelos. Ela engasgou, recuou, e ele puxou de volta. Ela foi, acelerando, gostando. Quando ele gozou, foi no peito dela, o vestido manchado.
— Primeiro! — Mandala anunciou. — Quem será?
— Não faço ideia — Ana riu, limpando a boca, já sendo guiada para o próximo.
O segundo ela reconheceu imediatamente. Pegou, apertou, e riu.
— Thiago! — ela disse, certeira. — Esse eu conheço.
O personal trainer riu.
— Saudades, Ana.
— O que eu ganho?
— O que quiser.
Ela pensou. Depois se virou para a sala, ainda vendada, dirigindo-se a todos que não podia ver.
— Quero que vocês vejam — ela disse, alto. — Quero que todo mundo veja.
— Ahn, ahn! — Fernanda aplaudiu, da cadeira. — Mostra para o Léo o que é pau de verdade!
— O Léo já sabe — Ricardo comentou, da parede ao meu lado. — Ele só não tem, né, corno?
Risadas. Eu não respondi. Minha mão já estava na calça.
Ana se levantou. Thiago e outro homem — o terceiro, ainda mais grosso, com uma curva pronunciada para a esquerda — aproximaram-se. Ela pegou nos dois, comparando, uma mão em cada, os braços estendidos.
— Esse é o João — ela disse, apontando para o da esquerda. — Conheço o formato.
— Acertou! — alguém gritou do corredor.
— E esse? — ela apertou o outro, maior ainda, a cabeça roxa e pulsante. — Não sei. Novo?
— Errrrrou! — o coro veio de todos os lados.
Ela riu e ajoelhou diante do desconhecido. A boca abriu mais dessa vez, se esforçando, as lágrimas saindo dos olhos vendados enquanto tentava engolir. Ele era imenso — vinte e cinco centímetros, eu diria, o maior da sala. Ela conseguiu metade, no máximo, babando, engasgando, sendo guiada pela mão dele na nuca.
— Olha ela! — Carla gritou, em pé agora, a mão do namorado dentro de sua blusa. — Olha a Ana! Tão esforçada!
— O Léo nunca fez ela engasgar assim! — Fernanda acrescentou, rindo. — Nunca precisou, né, amor? Pau pequeno não engasga ninguém!
Mais risadas. Eu punhetava devagar, envergonhado, excitado.
O quarto homem aproximou-se — mais curto, mas grosso como lata, a cabeça enorme. Ana pegou, confusa, passando a mão em círculos.
— Não sei — ela disse. — Não reconheço.
— Chupa! — alguém gritou da janela. — Chupa, Ana!
Ela obedeceu. Ajoelhou, e desta vez foi mais rápida, mais voraz, como se o jogo a tivesse despertado. O homem gozou rápido, na garganta dela, e ela engoliu sem hesitar.
— Cinco! — Mandala contou. — Vamos lá, aniversariante!
O quinto era longo, fino, com as veias saltadas. Ana passou a mão de leve, quase reverente.
— Pedro? — ela arriscou.
— Errou! — Pedro gritou, da janela, rindo. — Sou eu aqui fora, sua louca! Esse é o meu irmão!
Ana riu, alto, genuína, e ajoelhou diante do irmão do Pedro. A boca trabalhou, a cabeça se movendo em ritmo, os cabelos sendo segurados por mãos invisíveis. Quando ele gozou, foi no rosto dela, e ela deixou, sorrindo, a língua saindo para lamber os lábios.
— Seis! — Mandala anunciou.
O sexto era médio, mas com uma curva para baixo que Ana reconheceu imediatamente.
— Ricardo! — ela disse, certeira. — Seu pau é torto pra baixo, todo mundo sabe!
Risada geral. Ricardo, da parede ao meu lado, fez uma reverência.
— Para você, Ana, torto ou reto!
— O que eu ganho?
— O que quiser.
Ela pensou. Depois se virou na direção da minha voz — ou talvez só do meu cheiro, do meu silêncio.
— Quero que o Léo veja de perto — ela disse. — Léo, vem cá.
Eu não me movi. Não podia. Mandala me empurrou.
— Vai, corno! — ela disse. — Ela mandou!
Eu fui, tropeçando, até o centro do quarto. Ana estendeu a mão, me encontrou, e me puxou para perto — não para tocá-la, para enxergar melhor. Minha cara ficou a centímetros do pau de Ricardo, ainda duro, ainda molhado da boca dela.
— Vê? — ela sussurrou, só para mim. — Vê o tamanho? Vê o que eu preciso?
Eu assenti. Não tinha voz.
— Volta para o canto — ela ordenou. — E não goza ainda. Quero você assistindo tudo.
Voltei. As risadas me seguiram. O sétimo homem já se aproximava.
O sétimo era o irmão da Carla — eu o reconheci, apesar de nunca termos falado. Alto, musculoso, pau reto, grosso, a cabeça rosada. Ana pegou, hesitou, passou a mão de leve.
— Não sei — ela disse. — Não conheço.
— Chupa! — o coro veio de todos os lados.
Ela obedeceu. Desta vez, enquanto chupava, as mãos dele foram para seus seios, massageando por cima do vestido. Ela gemeu, a boca cheia, e ele aproveitou para apertar mais forte.
— Olha o Léo! — alguém gritou — acho que foi a Patrícia, do canto. — Olha a cara dele! De pau duro e cara de triste!
— Corno manso! — outro acrescentou, do corredor. — Só sabe bater uma vendo!
Eu estava. Punhetando abertamente agora, sem vergonha, sem controle.
O oitavo homem era o último dos desconhecidos — imenso, talvez vinte e oito centímetros, a base tão grossa que Ana não conseguia fechar a mão. Ela pegou com as duas mãos, espantada.
— Meu Deus — ela murmurou. — Quem é você?
— Errrrrou! — o quarto todo gritou, uníssono.
Ela tentou. Se ajoelhou, abriu a boca o máximo possível, e conseguiu apenas a cabeça, as bochechas esticadas, os olhos vendados lacrimejando. Ele segurou sua cabeça com as duas mãos e meteu devagar, profundo, até ela engasgar e ele recuar. Repetiu. Ana aceitou, se entregando, sendo usada.
— Nove! — Mandala gritou, excitada. — Só falta um!
O nono era o mais grosso de todos — não o mais longo, mas o mais largo, uma circunferência que Ana mal conseguia abraçar com a mão. Ela riu, nervosa pela primeira vez.
— Isso não vai entrar em lugar nenhum — ela disse.
— Vai sim! — alguém gritou da janela. — No seu cuzinho, Ana!
— No cuzinho dela! — outros repetiram, em coro.
Ana hesitou. Depois riu, maliciosa, e ajoelhou. A boca se abriu, se esforçou, e ela conseguiu mais da metade, a garganta trabalhando, o corpo inteiro se movendo para acomodar. Ele gozou rápido, surpreso por sua própria excitação, e ela engoliu, limpou a boca, e se levantou.
— Quantos? — ela perguntou, ofegante.
— Nove! — Mandala anunciou. — Você acertou dois, errou sete! Sete chupadas, aniversariante!
Ana riu, alto, e se virou para a sala, ainda vendada, o corpo inteiro irradiando tesão.
— E agora? — ela perguntou. — Qual é o prêmio?
Mandala se aproximou. Tirou a venda, devagar, deixando Ana ofuscada, piscando, vendo pela primeira vez o quarto cheio de gente — as amigas nas cadeiras, os amigos nas paredes, os rostos nas janelas, os outros no corredor. Ela piscou, processando, e sorriu.
— Ah — ela disse, simples. — Tinha gente vendo.
— Todo mundo — Mandala confirmou. — E agora, o presente de verdade.
Ela apontou. Os homens se aproximaram. Não mais um a um. Todos juntos.
Foi quando começou de verdade. Antes tinha sido jogo, brincadeira, preliminar. Agora era uso.
As mãos deles em Ana — na bunda, nos seios, levantando o vestido, encontrando a pele. Ela deixou, ainda ofuscada pela luz, rindo, se contorcendo. Alguém tirou o vestido por cima da cabeça. Outro abaixou a calcinha, devagar, e ela levantou os pés para ajudar.
Alguém se ajoelhou e começou a chupar. Ela gemeu, as pernas cedendo, e outro a segurou por trás, o pau duro encostado em suas costas. Outro aproximou da frente, oferecendo, e ela abriu a boca, cheia dos dois lados.
— Vai, Ana! — Carla gritou, em pé agora, a blusa aberta, os seios de fora. — Toma tudo!
— Olha o Léo! — Fernanda acrescentou, ela própria de quatro na cama ao lado, sendo fodida pelo namorado enquanto assistia. — Olha o corno! Batendo uma de novo!
— Não para, Léo! — o Pedro gritou, da janela, punhetando também. — Não para de ver sua mulher ser puta!
Eu não parava. Não podia. Punhetava sem parar, gozando já, já gozando de novo, enquanto Ana era levada para a cama king-size.
O primeiro entrou de quatro — não sei quem, as costas largas bloqueavam. Vi o rosto dela, a boca aberta, os olhos finalmente abertos, finalmente vendo, finalmente conscientes de todos que assistiam. Ela gemeu, alto, e outro aproximou da frente, e ela abriu para receber, cheia dos dois lados.
— Fala, Ana! — Mandala ordenou, perto do ouvido dela. — Fala para o Léo!
— Sou puta! — Ana gritou, o corpo sendo empurrado para frente e para trás. — Puta deles! De todos!
— E o Léo?
— Léo é meu corno! — ela gritou, olhando para mim, me encontrando no canto. — Meu corno manso! Meu frouxo! Olha ele, gozando na calça, enquanto eu tomo pau de verdade!
Risadas, aplausos, gritos de incentivo. Eu gozei de novo, na calça, vergonhoso, excitado, destruído.
E dali foi uso livre. Meteram nela com vontade, o quanto quiseram, todas as posições. Ela foi virada de costas, de lado, de bruços — alguém levantou seu quadril com travesseiros, e eu vi quando tentaram a bunda, ela tensioando, depois relaxando, depois gemendo mais alto do que antes, liberando para quase todos.
— O cuzinho! — alguém gritou da janela. — Ela liberou o cuzinho!
— Para quem tem pau grande! — outro acrescentou. — O Léo nunca entrou ali!
— Nunca entrou! — a Patrícia repetiu, ela própria sendo fodida agora, na cadeira, as pernas abertas. — Pau pequeno não entra no cuzinho da Ana!
Eu assistia, punhetando, gozando, sendo o que eles diziam que eu era.
O último foi o maior — o oitavo, o desconhecido imenso, vinte e oito centímetros. Ele a virou de bruços de novo, quando ela já estava exausta, e ela sentiu o tamanho e suspirou, não de dor, de gratidão, de querer mais, sempre mais. Ele começou a meter, devagar, profundo, e Ana gemeu no travesseiro, as mãos agarrando lençóis, pedindo mais, pedindo tudo, sendo insaciável, sendo de todos, sendo só dela mesma.
Quando ele gozou, foi profundo, ela sentindo, o corpo tremendo em espasmos que não paravam. Ele saiu devagar, e eu vi o gás escorrendo dela, branco, múltiplo, de quantos eu não sabia mais — nove, dez, quinze? Ana desabou no colchão, a respiração ofegante, o cabelo colado no rosto suado, a boca aberta, sorrindo, destruída, perfeita, gloriosa.
O quarto inteiro aplaudiu. As amigas, os amigos, os rostos nas janelas, os do corredor. Mandala se aproximou, beijou a testa de Ana, e anunciou:
— Gostou do presente? Quem gozou, gozou. Quem não gozou... — ela olhou para mim — ...vai limpar.
Risadas. Eu estava no chão, literalmente, as costas na parede, a calça encharcada, o pau ainda duro, ainda querendo, ainda sendo o que ela fizera de mim.
Ana abriu os olhos, me encontrou, e sorriu. Sorriu para mim, para todos, para o que tinha sido.
— Gostou? — ela perguntou, a voz rouca, quase inaudível, mas dirigida a mim, só a mim.
Eu assenti. Não tinha palavras. Só gratidão. Só tesão. Só ser o corno dela, para sempre, para todos verem.
