Madalena, que parecia cansada, perguntou:
— “Posso ir dormir no quarto do Josué?” O quarto do filho deles, que estava fora da cidade, era sempre oferecido aos visitantes.
Conceição respondeu prontamente, sua voz estável, enquanto seu pé continuava seu jogo ousado:
— “Claro, eu e o João vamos lavar a loiça.”
Madalena acenou com a cabeça, dando-me um beijo rápido na testa antes de seguir Domingos, que já se encaminhava para a sala.
Assim que ficamos sozinhos, Conceição puxou-me pela mão para a cozinha. O ambiente estava quente, ainda com o aroma das sardinhas. A pilha de pratos e talheres aguardava na pia.
— “Mete-se tudo na máquina”, disse ela, com um tom prático, mas seus olhos brilhavam com malícia. Enquanto eu começava a organizar os pratos, ela agachou-se diante de mim. Sem hesitar, abriu o zíper dos meus calções. Eu quase soltei um suspiro surpreso.
— “O que fazes?”, sussurrei, meu coração acelerado.
— “Mmmm, chup…chup… calma, eles estão a dormir”, murmurou ela, antes de envolver-me com a boca. A sensação era intensa, proibida, deliciosamente perigosa. A louça foi completamente esquecida.
Após alguns minutos, ela ergueu-se, os lábios húmidos, os olhos escuros de desejo. — “Quero pôr ele bem duro”, sussurrou, aproximando seu rosto do meu. — “E quero que me comas o cú à bruta.”
— “Mas isso vai fazer doer-te muito!”, protestei, ainda tentando processar a situação.
Ela riu baixinho, um som rouco e confiante…
— “Não sejas parvo!” Com movimentos rápidos, ela baixou as meias e a cueca até a dobra dos joelhos. Cuspindo na palma da mão, lubrificou o dedo e depois seu ânus, com uma naturalidade que me deixou sem fôlego.
— “Para ser mais fácil”, explicou, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Guiando-me com as mãos, ela posicionou-se contra a bancada da cozinha, de costas para mim. O ambiente era absurdo — os restos da refeição, o cheiro de detergente, o silêncio da casa adormecida. E, no meio disso, uma tensão elétrica que parecia iluminar o ar.
Quando a penetrei, ela arqueou as costas, soltando um gemido abafado.
— “Vai, cabrão… come-me à bruta”, ordenou, sua voz um misto de desafio e súplica.
O som húmido e rítmico ecoou na cozinha silenciosa — *splac… splac… splac* — marcando cada movimento. Minhas mãos seguravam seus quadris, e eu me entreguei ao ritmo, ao calor, à proibição do momento. Seu corpo respondia a cada investida, tenso e receptivo.
De repente, um ruído vindo da sala — um resmungo de Domingos no sofá. Congelamos. Conceição prendeu a respiração, seus dedos se agarrando à borda da bancada. Meus músculos tensionaram, prontos para se afastarem a qualquer segundo.
O ruído cessou. Apenas a respiração ofegante de Conceição quebrava o silêncio. Ela olhou para trás, sobre o ombro, e seus olhos encontraram os meus. Havia ali um triunfo, uma cumplicidade perigosa. Sorriu, um sorriso largo e selvagem.
— “Continua”, murmurou, quase inaudível.
E eu continuei, mais rápido agora, movido pelo risco e pelo desejo. O mundo fora daquela cozinha desapareceu. Havia apenas o corpo dela, o som abafado da nossa união, e a certeza de que estávamos cruzando uma linha da qual não haveria retorno.
Quando o clímax chegou, foi como uma explosão contida — um tremor silencioso, um aperto de mãos, um suspiro rouco abafado no ombro dela. Ficamos imóveis por um longo momento, ouvindo os batimentos cardíacos acelerados, tentando recuperar o fôlego.
—Puta que pariu…gemia Conceição enquanto suas pernas trémulas me faziam gozar mais e mais…
Conceição endireitou-se lentamente, puxando a roupa de volta para o lugar. Ela não parecia arrependida ou envergonhada. Pelo contrário, havia uma serenidade estranha em seus movimentos. Lavou as mãos na pia, como se estivesse apenas terminando a louça.
— “Amanhã é outro dia”, disse ela, secando as mãos num pano. Sua voz era calma, normal, como se comentasse o tempo.
Eu arrumei minha roupa, minhas mãos ainda trêmulas. A realidade começava a se infiltrar novamente — Madalena dormindo no quarto ao lado, Domingos no sofá, a amizade de anos que talvez nunca mais fosse a mesma.
Conceição aproximou-se e deu-me um beijo rápido nos lábios, um beijo que sabia a sal e a perigo.
— “Até à próxima sardinhada”, sussurrou, com um brilho nos olhos.
Saí da cozinha em silêncio, dirigindo-me ao quarto de hóspedes. Madalena dormia profundamente, inocente do que acontecera a poucos metros de distância. Deitei-me ao seu lado, o corpo ainda elétrico, a mente um turbilhão.
Lá fora, a noite estava quieta. A lua brilhava sobre o telhado da casa dos Domingos. E eu sabia, com uma clareza perturbadora, que aquela dose de sardinhas mudara tudo para sempre. Algumas fronteiras, uma vez cruzadas, não permitem volta. E o sabor do proibido, como descobrira naquela noite, era ao mesmo tempo amargo e irresistivelmente doce.
Uma puta de mamada
Era uma madrugada silenciosa, o tipo de silêncio que só existe quando o mundo ainda dorme. As cinco da manhã, o apartamento estava imerso em penumbra, apenas uma fresta de luz debaixo da porta da casa de banho desenhava um retângulo dourado no chão do corredor. A necessidade fisiológica trouxe-me até ali, sonolento, com os pés descalços no piso frio. Mas ao aproximar-me, uma presença emanava de lá dentro, uma energia que reconhecia mesmo antes de ver: era Conceição.
A porta estava entreaberta. Antes que pudesse bater ou recuar, a voz dela surgiu, suave como seda, mas carregada de uma intenção que me fez estremecer.
— “Joazito, podes entrar, querido.”
Entrei. Sempre com aquele receio antigo, aquele frio na espinha que misturava desejo com culpa, com a consciência pesada de que isto era um segredo, um território proibido. A luz quente da casa de banho iluminava-a como num quadro. Ela estava junto à pia, vestindo apenas uma camisa de dormir de seda que conhecia bem. O tecido caía sobre as suas curvas, translúcido sob a claridade.
Não disse uma palavra. Os seus olhos, castanhos claros, prenderam os meus. Com movimentos deliberados e lentos, como se desembrulhasse um presente, ela puxou o elástico das minhas calças de pijama e dos meus boxers, deixando-os cair aos meus tornozelos. O ar fresco do ambiente contrastou com o calor que subitamente me inundou.
Ela ajoelhou-se. A imagem era tão poderosa que me tirou o fôlego. Sem pressa, envolveu-me com os lábios, e o mundo exterior desmoronou. O único som era o ritmo suave e húmido do seu movimento, um sussurro íntimo que enchia o pequeno espaço.
— “Chup… blurp… blurp…” Era hipnótico. Era devorador.
A sua mão acompanhava o ritmo da boca, uma punheta suave e firme que fazia a tensão acumular na base da minha espinha, uma espiral de prazer que subia, subia, implacável. Eu apoiava-me no lavatório, os dedos brancos contra o mármore frio, lutando para me manter de pé.
Depois, ela parou. Afastou-se apenas alguns centímetros, o seu hálito quente contra a minha pele sensível. As suas mãos seguraram-me firmemente, enquanto a sua língua, nada mais do que a ponta, começou a traçar círculos lentos e deliberados na glande. Era uma cócegas excruciante, uma tortura doce que me levava ao limite da sanidade.
— “Puta que pariu…”, grunhi, os músculos do estômago contraindo-se violentamente. “Vou gozar…”
Ela não se afastou. Manteve o olhar fixo em mim, e naquele instante, não era apenas um ato físico. Era uma conversa, uma entrega, uma confissão silenciosa no crepúsculo da madrugada. O meu corpo rendeu-se em golfadas, e ela recebeu cada uma, sorvendo com um prazer evidente, um som suave e satisfeito na sua garganta.
Quando acabou, ela limpou os lábios com as costas da mão, um gesto simples que foi inacreditavelmente sensual. Levantou-se, os seus olhos agora ao nível dos meus. Havia um brilho de cumplicidade e poder neles.
— “Hum!”, murmurou ela, uma ponta de sorriso a brincar nos seus lábios. A sua mão acariciou o meu rosto. — “Sabes muito bem.”
E sabia. Sabia que isto não era apenas sobre sexo. Era sobre estes momentos roubados, sobre a luz acesa às cinco da manhã que era um farol só para nós dois. Era sobre a loucura controlada de Conceição, que me levava a lugares onde o receio e o êxtase eram a mesma coisa. Era sobre o sabor proibido de algo que, na quietude da madrugada, parecia pertencer apenas a nós.
Ela afastou-se, deixando-me ali, ainda trémulo, a recompor-me. Ao sair da casa de banho, lançou-me um último olhar por sobre o ombro antes de desaparecer no corredor escuro, levando consigo a luz. Fiquei na penumbra, o aroma dela ainda no ar, o eco do seu murmúrio na minha mente, sabendo que o segredo que partilhávamos era a coisa mais viva naquele apartamento adormecido…e voltei inocente para junto de Madalena como se nada tivesse acontecido…




