**Domingo, 20 de Outubro**
Querido Diário,
Hoje foi um daqueles dias que parecem ter saído de um filme, daqueles que a gente assiste e pensa: “Isso nunca aconteceria na vida real”. Pois bem, aconteceu comigo. E tudo começou na festa de aniversário dos dezoito anos do meu sobrinho, Duarte.
O ambiente era típico de uma festa familiar: jovens correndo, música alta demais, mesa farta e aquela sensação aconchegante de estar entre os seus. Eu estava feliz, realmente. Mas confesso que, às vezes, nessas reuniões, sinto um certo tédio. A conversa sempre gira em torno dos mesmos assuntos: filhos, trabalho, contas a pagar. Foi então que ele entrou no meu campo de visão.
João. O primo da minha cunhada, Teresa. Raras vezes o tinha visto antes. Estava sentado do outro lado da mesa, com um sorriso fácil e um olhar que parecia conseguir fixar-se em tudo ao mesmo tempo. A Teresa o apresentou brevemente, e ele se sentou à minha frente. A princípio, foi só mais um rosto novo na multidão.
A conversa começou de forma banal. Comentamos sobre a festa, sobre Duarte. E então, não sei como, o assunto derivou para as nossas profissões.
— E você, Andreia, o que faz? — perguntou ele, com genuíno interesse.
— Sou arquiteta. E você?
— Sou dentista — respondeu, com um meio sorriso.
— Uau, deve ser muito interessante! — disse eu, sem conseguir evitar de olhar diretamente nos seus olhos. Eles eram de um castanho claro, quase âmbar, e pareciam guardar uma centelha de diversão.
— Às vezes é cansativo — ele retrucou, com um suspiro teatral. — Mas tem seus momentos.
E foi assim. A conversa fluiu. De arquitetura para odontologia, de odontologia para viagens, de viagens para livros. Rimos de coisas bobas. E, vez ou outra, nossos olhares se encontravam e se sustentavam por um segundo a mais do que o socialmente aceitável. Havia uma corrente elétrica no ar, algo palpável e, ao mesmo tempo, completamente irracional. Eu, uma mulher de 34 anos, com duas filhas de 18 e 19 anos respectivamente, casada com Celso, sentindo-me como uma garota no colégio trocando olhares com João.
A cada piscada de olho, meu coração dava um pequeno salto. Era estúpido. Era perigoso. Era irresistível.
A Teresa passou por nós, deu uma olhada e sorriu de forma cúmplice. Será que era óbvio? A tensão sexual que parecia emanar de nós dois? Decidi que precisava de um momento. Precisei de ar, ou de coragem, não sei ao certo.
— Vou ao banheiro — anunciei, levantando-me.
No caminho, o coração batia forte contra as costelas. No corredor que levava aos banheiros, encontrei Teresa. Ela estava sozinha, ajustando o brinco. Uma ideia louca, impulsiva, tomou conta de mim. Abri minha bolsa, peguei um bloco de notas pequeno e uma caneta. Escrevi, com letra trêmula e acelerada:
“Vem ter comigo no banheiro feminino. — Andreia.”
Dobrei o papel e o estendi para a Teresa.
— Teresa, por favor, entrega isso para o João. Discretamente, sim?
Ela olhou para o bilhete, depois para mim, e seu sorriso se ampliou. Não houve julgamento, apenas um brilho divertido em seus olhos.
— Claro, cunhadinha — disse ela, pegando o papel. — Boa sorte.
Entrei no banheiro feminino. Estava vazio. Encostei-me na pia e olhei-me no espelho. Meu rosto estava corado, meus olhos brilhavam com uma luz que eu não via há muito tempo. “O que você está fazendo, Andreia?”, perguntei à minha reflexão. A mulher no espelho não respondeu. Ela apenas sorria, expectante.
Alguns segundos se arrastaram. E então, a porta se abriu.
Era ele. João entrou no banheiro, trancou a porta com um clique suave e se apoiou contra ela. O espaço, que antes parecia amplo, de repente ficou minúsculo, carregado com a presença dele.
— Chega perto de mim — pedi, minha voz um pouco mais rouca do que o normal.
Ele não hesitou. Cruzou a pequena distância entre nós em dois passos. Seus braços me envolveram, fortes e decisivos, puxando-me contra seu corpo. Senti a musculatura dele através do meu vestido. Ele enterrou o rosto no meu pescoço, inalando profundamente, e então seus lábios encontraram os meus.
O beijo foi intenso desde o primeiro momento. Não foi um prelúdio tímido; foi uma declaração. Nossas línguas se encontraram, dançando em um ritmo urgente e familiar, como se já nos conhecêssemos há eras. Minhas mãos subiram por suas costas, puxando-o ainda mais para perto. Uma das mãos dele deslizou para o meu decote, encontrando o contorno do meu seio por sobre o tecido do vestido. Um gemido escapou dos meus lábios.
— Foda-se, puta que pariu, — gemi…
Sem quebrar o beijo, minhas próprias mãos foram para a cintura dele, desfazendo o cinto e o botão da calça. Ele entendeu o movimento. Suas mãos desceram, agarrando a barra do meu vestido estampado e levantando-a. O ar frio do banheiro atingiu minhas coxas. Ele se ajoelhou, e com movimentos rápidos, puxou minha calcinha e meus collants para baixo, até que ficaram presos na dobra dos meus joelhos.
Não houve tempo para hesitações, para pensamentos racionais. Havia apenas desejo, puro e cru. Ele se levantou, e eu o guiei para dentro de mim. A sensação foi de um preenchimento imediato, intenso, que me fez prender a respiração por um segundo.
— Hum, que bom — sussurrei, meu rosto colado ao dele. — Fode-me, João. Mete gostoso, querido.
Meus braços se enrolaram em seu pescoço, e meus quadris começaram a se mover em sincronia com os dele, encontrando um ritmo antigo e primal. A cada investida, um novo gemido saía da minha garganta, abafado contra seu ombro. O som dos nossos corpos se encontrando ecoava no banheiro pequeno, misturado à nossa respiração ofegante.
—Vai, fode…fode…mete…ai caralho…fode-me com força…faz meu Celso cabrão…
Estava disposta a meter sérios cornos no meu marido e João era o homem ideal para isso…
Senti o calor se acumulando dentro de mim, uma tensão deliciosa que se espalhava desde o baixo vento até as pontas dos dedos. Meus fluidos vaginais começaram a liberar-se, e percebi, com um distante registro na minha mente, a secreção mais espessa e esbranquiçada. Estava ovulando. O pensamento, que em outras circunstâncias teria causado pânico, agora só acrescentou uma camada de perigo proibido ao momento. Mas estava segura. Tinha tomado a pílula religiosamente. Aquele era um risco calculado, ou melhor, um risco ignorado em nome do prazer imediato.
O ritmo dele aumentou, tornando-se mais profundo, mais insistente. Eu me agarrava a ele, minhas unhas cravando-se levemente em suas costas através da camisa. O mundo exterior deixou de existir. Não havia festa, não havia família do lado de fora da porta, não havia responsabilidades. Havia apenas aquela conexão física brutalmente honesta, a pele contra a pele, o suor, o sabor salgado dos nossos beijos.
A onda do orgasmo começou a se formar, uma pressão tremenda e gloriosa. — Vou gozar — gemia como uma puta…
Isso pareceu detonar algo nele. Seus movimentos ficaram descontrolados, e com um último empurrão profundo, senti-o pulsar dentro de mim…era óbio que me ia encher totalmente da sua porra…Meu próprio clímax me atingiu em seguida, uma explosão de luz branca e calor que me fez tremer da cabeça aos pés, abafando um grito contra seu peito.
Foi então rendindo pelas paredes gostosas da minha cona João finalmente gozou..e gozou muito…
—Foda-se, Andrea, vou-me vir…ah ah aaargh…a esporra escorria-me pelas coxas…
Ficamos assim por um longo minuto, entrelaçados, ofegantes, nossas testas unidas. A realidade começou a voltar aos poucos: o cheiro de sabonete líquido do banheiro, o som abafado da música vindo da sala, o frio do azulejo contra minhas costas desprotegidas.
Ele se afastou primeiro, ajudando-me a me recompôr com uma gentileza que contrastava com a ferocidade de minutos antes. Ajustei minha roupa em silêncio, evitando meu reflexo no espelho. Sabia como devia estar: cabelo despenteado, batom manchado, olhar desfocado.
Depois puxei para cima minhas cuecas e collants como se nada fosse…
Ele lavou as mãos, e eu fiz o mesmo. Nossos olhares se encontraram mais uma vez no espelho.
— Isso foi… — ele começou, sem conseguir terminar.
— Foi — concluí, com um sorriso pequeno e cansado.
Ele se inclinou, deu um beijo leve no meu ombro e, sem dizer mais nada, destrancou a porta e saiu, deixando-me sozinha com o eco do que acontecera.
Voltei para a festa alguns minutos depois. Ninguém parecia ter notado nada. O João estava de volta ao seu lugar, conversando calmamente com meu marido Celso como se não tivesse ocorrido nada. Nosso olhares se cruzaram uma única vez, rápido e intenso, antes de cada um voltar ao seu papel.
Agora, em casa, depois de ter colocado minhas filhas para dormir e ter lavado a louça do jantar, escrevo estas linhas. O que foi aquilo? Um momento de loucura? Uma reafirmação de uma feminilidade que às vezes sinto adormecida? Uma simples e básica necessidade física atendida?
Não sei. Sinto um misto de culpa e euforia. Culpa pela imprudência, pelo local, pelo risco. Eufórica por me sentir viva, desejada, capaz de um ato tão impulsivo e passional.
Foi arriscado. Foi imprudente. Foi delicioso.
E, por mais errado que seja, uma parte de mim espera que não fosse a última vez.
Andreia.



