Ela estava tão alheia ao ambiente ao seu redor que mal notou a aproximação de sua amiga, até ouvir uma voz quebrando o transe:
— Hey, Marianne!
Marianne piscou, voltando subitamente à realidade, e ergueu a cabeça.
— Hey, Kate!
Caminhando com passos leves e uma postura curiosa pelo salão, Kate se aproximou do balcão. Ela vestia um top branco de alças finas que realçava a sua figura e calças legging esportivas em tons de cinza e preto. Ao notar a expressão diferente no rosto da amiga, Kate parou, inclinando levemente a cabeça com um sorriso astuto.
— Oh. Isso é um pouco de um sorriso? — Kate provocou, os olhos brilhando de malícia. — A mulher do pornô apareceu, não?
Marianne revirou os olhos, mas não conseguiu disfarçar a ponta de empolgação que suavizava suas feições normalmente rabugentas.
— A mulher que tem um trabalho para mim apareceu, sim. Eu não sei sobre essa sua "mulher do pornô".
Kate soltou uma risada nasalada, cheia de deboche, encostando a mão no quadril.
— Yeah, sei. A mulher que tem um trabalho para você. Nada a ver com pornô, apenas quer que você tire suas roupas por nenhuma razão... — Ela fez uma pausa dramática. — Como foi tudo?
Marianne respirou fundo, endireitando a postura.
— Nós trocamos números e arrumamos um encontro para mais tarde.
As sobrancelhas de Kate subiram em um misto de surpresa e animação.
— Oh, okay. Onde vocês duas irão se encontrar?
— Na casa dela; ela mandou uma mensagem com o endereço uma hora atrás. — Marianne mordeu o lábio inferior, adotando uma expressão quase suplicante. — Olhe, Kate, eu sei que deveríamos sobrepor essas últimas duas horas, mas você se importa se eu for embora um pouco mais cedo hoje? Se formos pegas e o chefe perguntar, diga a ele que: Marianne disse a você para ele enfiar o punho no rabo.
Kate soltou uma gargalhada alta e cristalina que ecoou pelas paredes de tijolos da cafeteria. Ela abanou a mão no ar, dispensando a preocupação com um gesto descontraído.
— Yeah, eu não me importo se você sair. Ainda tenho umas duas semanas aqui. Vá encontrar a porn star!
Tomada por um imenso alívio, Marianne deu a volta no balcão e abraçou Kate de forma apertada e genuína, algo raro para sua personalidade arisca.
— Você é a melhor, Kate. Muito obrigada.
— Eu sei que eu sou — Kate respondeu de forma convencida, retribuindo o abraço antes de soltá-la. — E de nada. Ouça, antes de você ir para lá... Apenas mande-me uma mensagem com o endereço.
Marianne recuou um passo, franzindo a testa.
— Para quê?
— Apenas no caso de ela ser algum tipo de serial killer e você ficar desaparecida — Kate explicou com uma naturalidade mórbida impressionante. — Então eles encontrarão seu corpo e ela será pega.
Marianne soltou um suspiro exasperado, balançando a cabeça em descrença.
— Que merda, Kate. Porn stars e serial killers... O que há com você?
— Nunca se pode ser cuidadoso demais, não é? — Kate deu de ombros, subitamente adotando um tom maternal e protetor. — Quer dizer, você realmente não sabe nada sobre ela além do tipo de café que ela gosta. Apenas mande uma mensagem com o endereço.
Apesar da bizarrice da situação e da imaginação fértil da amiga, Marianne sabia que Kate só estava preocupada com a sua segurança. Ela sorriu de canto e concordou com a cabeça.
— Yeah, eu farei isso. Eu estou indo agora.
Com o coração batendo rápido e uma mistura inebriante de nervosismo e liberdade correndo pelas veias, Marianne foi até os fundos, pegou suas coisas e caminhou em direção à porta. Atrás dela ficava o cheiro de café e a rotina sufocante; à sua frente, as ruas ensolaradas de Miami e o endereço de Sienna a aguardavam.