Foi exatamente, como contei no conto anterior, sair casulo, só que o tempo mostrou algo diferente.
Chegando na cidade grande travestida, não foi exatamente como imaginei, senti medos, tive duvidas se deveria assumir, se estava pronta, não estava pronta para voar.
Passei dias difíceis, estudando muito, pois havia conseguido iniciar o sonho, seria engenheira civil.
Na faculdade encontrei canalhas e pessoas boas. Aprendi que a Julia tinha que vencer. Segui os conselhos da minha mãe, ser a travesti que eu amava ser, não usei o argumento para me modificar.
Passei vontades e muitas masturbações, nas noites escuras sem alguém para uma xicara de café.
Entre estudar e trabalhar em um escritório, onde nunca questionaram minha identidade, fui me moldando, cuidando para ser a verdadeira Julia. Sentia saudades do Pedro, mas era um caso encerrado.
Me transformei exatamente no que mais amo, uma mulher maravilhosa, corpo e cérebro equilibrado para seguir encantando, mas sem dar oportunidades.
Não que não houve, mas não com homens não. Uma colega de trabalho descobriu e falou que amaria ficar. Ficamos, foi bom, encontrei equilíbrio para prosseguir.
Formada e com um currículo bem interessante, mas na vida sexual, faltava a Julia encontrar alguém para amar.
Fui a uma feira de equipamentos pesados em Campinas.
Rodava tranquilamente entre maquinas, quando ouvi.
— Julia!
Me virei, a voz não soou conhecida, mas sorri feliz, ali estava o Pedro.
— Não acredito!
Foi um abraço delicioso, muita saudade ficou solta ali.
Fomos para uma lanchonete, percebi a aliança.
— Se casou?
— Achei minha metade. Você está lindíssima, ainda livre?
— Não consegui enfrentar uma realidade, não será fácil ter uma mulher e... não quero somente um homem. Entende?
Ele estava mais bonito, mais homem, adorei e não escondi.
— Senti saudades.
— Eu também.
Maquinas, peças, isso era outro mundo. Queria ser feliz.
O motel foi o local para matar mais que saudade, duvidas e medos.
Fiz o que fazíamos, eu o despi, beijei todinho e me acabei naquele pau que estava maior. Engoli a porra quente, viscosa e com cheiro de saudade antiga.
Lambuzamo-nos como fazíamos, beijamos mais que antes, éramos adultos carentes, antes, inexperientes.
Fui agraciada pelo que fez, me despiu, mordiscou meus mamilos enormes pela tezão, me lambeu e me chupou até gozar na garganta.
Os beijos, já não havia lutas de espadas, eu era a Julia, que desejava me acabar naquele pau. Transamos de todas as formas e lados, me encheu de porra, vazava, escorria criando caminhos, matava a saudade.
Nos banhamos, tomamos água, ele voltou para o meu pau, brincou com os dedos, beijou e chupou a cabeça até a reação ficar insuportável. Me olhou nos olhos.
— Depois que partiu, fiquei louco, me xinguei, queria você.
— Queria ser... não acredito!
— Você adora, não é? Acha que tem como ficar imune aos seus gemidos, gritos e gozadas sem se tocar?
Beijou os mamilos, mordiscou, passou a língua e chupou com avides, pediu.
— Faça isso comigo.
Empurrei para o lado, beijei os lábios, os olhos e suguei cada mamilo até crescerem. Seu pau estava babando, o meu também. Encostei e brinquei na porta, melando, insinuando, sorri com os gemidos, olhos fechados, forcei. Abriu os olhos, gemeu alto, pediu.
— Devagar, sou virgem.
— Não carrego gel.
— Quero sentir por muito tempo, só vá com calma.
Lubriquei com a gala, saliva e babando, penetrei a glande. Gemeu, abriu o que pode as pernas, a bunda, implorou com os gemidos. Fui devagar, senti sua dor, senti o rebolar, a falta de ar. Dei um tempo para se acostumar com o volume.
Sorriu.
— Olha o que fez. Como é grosso.
— Menor que o seu, mas a primeira vez falta o ar.
— Sim. Mas está uma delícia.
Fui devagar tirando e voltando, ia lubrificando, ele gemia, rebolava, falava palavrão e pedia para encher de porra.
Fui terrivelmente perversa, demorei. Ele gozou sem se tocar, continuei bombando, gememos juntos. Cada estocada ele vibrava, rebolava pedindo mais forte.
O gozo chegou junto, eu a primeira, ele, varias. Enchi com a saudade e a certeza de que ele estava feliz. Melado, barulhento, escorrendo, continuamos em outra posição, desta vez fui amorosa, mordi sua costa e avisei, ele apertou, gemeu, rebolou e gritou.
— É isso, minha querida. Quero ser assim, entende?
Foi um encontro que prometia outros, foi avassaladora, havia saudade antiga e desejos recentes em cada ejaculada.
Não havia dor, só saciedade, só certeza que valeu a pena esperar, valeu cada estocada, cada gota usada para relembrar.
Ficamos duas vezes nesses dias, eu vibrava, ali estava o que eu queria, um homem para me saciar, arrobar e encher de porra e, um homem que aceitava me dar prazer, deixar extravasar a parte macho em gozos intensos.
Não desviamos dos nossos caminhos, não, ele amava a esposa, amava ficar comigo, amava voltar pra casa saciado total, mas ter a mulher, a fêmea que daria continuidade, o mantinha centrado.
Eu, sou feliz, não importo em dividir a cama, não divido sentimentos e muito menos o direito de ser feliz.
Assim, vamos seguindo, quando o desejo chega, lá estamos nós.
dorinhaz