Entrei.
O vendedor — um homem de uns cinquenta anos, óculos de aro fino, blusa bege abotoada até o pescoço — levantou os olhos da caixa registradora e ficou de boca aberta. Eu senti o rosto inteiro pegar fogo. Lá estava eu, pelada, só de óculos, meias brancas, tênis e tornozeleira, entrando numa loja de roupas como se fosse a coisa mais normal do mundo. Meus mamilos estavam visivelmente duros e enrugados. Minha buceta ainda estava molhada. O cheiro de sexo que eu exalava era inconfundível naquele espaço fechado.
Ele foi direto para um cabide, pegou uma blusa branca de manga longa e me estendeu. Vesti. O tecido encostou na pele e eu quase chorei de alívio — a sensação de algo cobrindo meu corpo depois de horas exposta era quase insuportável. Mas então olhei para ele. Ele esperava. E eu entendi. Tirei a blusa. Devolvi.
Ele pegou uma calça jeans. Vesti, despi. Uma saia. Vesti, despi. Um casaco. Vesti, despi. Cada peça era uma chance real de me cobrir. Cada peça eu recusei. O vendedor nos observava curioso, mas sem entender, os olhos saltando entre mim e ele, provavelmente achando que era indecisão na escolha de minhas roupas. Mas não era. Eu é quem tirava as roupas. Minhas mãos. Minha decisão.
E foi aí que algo se encaixou dentro da minha cabeça, com uma clareza que me deu náusea: nada me obrigava a estar pelada. As roupas estavam ali, ao meu alcance. Eu podia vestir qualquer uma e sair andando vestida. Ele não estava me impedindo. Não estava gritando, não estava ameaçando. Apenas esperava para ver o que eu fazia. E eu — eu tirava tudo.
Ficar pelada era minha escolha.
Essa consciência me atingiu como um soco no estômago. Até aquele momento, eu podia contar a história para mim mesma como uma coisa que aconteceu comigo, algo que ele me fez passar. Mas não. Eu estava ali, nua, porque eu queria estar. Cada peça que eu vestia e tirava provava isso.
Ele se aproximou e falou baixo, perto do meu ouvido: "Só tenho dinheiro para uma peça. Escolhe." Apontou para um vestido longo, azul-marinho, que cobria do pescoço até o tornozelo. Um vestido que esconderia tudo — tetas, buceta, bunda, coxas. Tudo. Eu podia sair dali vestida. Podia terminar o dia de volta ao normal.
Olhei para o vestido. Depois para a blusa branca. Para a calça. Para a saia. Para o casaco. Todas as peças penduradas nos cabides, esperando. E depois olhei para a bancada de acessórios perto do caixa. Pulseiras, anéis, colares.
Escolhi uma pulseira.
Uma pulseira de prata, fina, simples. Paguei com o dinheiro que ele me deu. O vendedor me olhou incrédulo. Enquanto ele colocava a pulseira em meu pulso, eu fiquei ali, pelada, como se fossse a coisa mais normal do mundo. Meu corpo inteiro estava exposto — tetas com os bicos engugados de fora, buceta molhada de fora, bunda de fora — e eu tinha acabado de escolher uma pulseira em vez de um vestido.
A vergonha que senti nesse momento foi diferente de tudo o que senti o dia inteiro. Não era a vergonha de ser vista nua. Era a vergonha de ter escolhido ser vista nua. Tive a chance de me vestir. A chance real, concreta, com roupas à disposição e dinheiro na mão. E escolhi continuar pelada. Isso não expunha só meu corpo — expunha minha intenção. Minha vontade. Minha indecência. Qualquer um que olhasse para a situação entenderia: ela podia ter se vestido e não vestiu. Ela quis ficar assim.
A pulseira ficou no pulso esquerdo, do mesmo lado da tornozeleira. Mais um adorno. Mais uma peça inútil. Cinco "peças" agora: óculos de grau, meias, tênis, tornozeleira, pulseira. O vendedor sem saber o que dizer, disse: — Ohh! Essa pulseira ficou bem em você, combina com... a tornozeleira — Isso me excitou muito, pois para ele ter reparado na tornozeleira ele precisaria ter reparado em tudo.
Saí da loja. O sol bateu na minha pele nua e eu senti a umidade entre as pernas escorrendo de novo. A vergonha da escolha — minha escolha — era tão intensa que me deu um calafrio na barriga, um vazio quente que desceu direto para a buceta. Eu tinha escolhido isso. Eu queria isso. E todo mundo que olhasse para mim saberia que eu era o tipo de mulher que, podendo se vestir, escolhe ficar pelada na rua.
A vergonha me excita. E saber que era minha escolha fez a vergonha dobrar de tamanho.
Caminhei. Ele atrás de mim. Pelada. Pulseira nova brilhando no pulso. Buceta molhada. Tetas balançando. E a consciência terrível, lúcida, inegável de que eu estava ali porque eu mesma decidi estar.
Parei no meio da calçada, a alguns metros da loja de placa azul. Não havia vitrine para encostar, nem poste para me apoiar, nem bancada de jornal para esconder atrás. Só o concreto sob meus tênis e o espaço aberto ao redor. O sol batia em meus ombros nus, no meu peito descoberto, na minha barriga, em tudo que eu era — e tudo que eu era, naquele momento, era uma mulher pelada no meio de uma rua comercial com gente vestida me olhando de todos os lados.
Levei as mãos aos bicos das tetas. Comecei devagar, com a ponta dos dedos indicadores fazendo movimentos circulares na areola, do jeito que eu gosto, pressionando só o suficiente para sentir o bico endurecer entre os dedos. Joguei o ombro esquerdo para frente e minhas tetas balançaram para a direita. Joguei o direito e elas balançaram para a esquerda. Alternei, uma vez, outra, outra, e cada movimento fazia o peso delas oscilar de um lado para o outro, os bicos apontados para a frente, duros como pedras. Um homem de camisa social parou a três metros de mim, segurando um saco de padaria. Outro homem que passava por perto parou no meio do passo.
Enfiei o dedo médio na buceta. Estava encharcada — escorria pelo dedo, pela mão, escorria pela coxa interna desde a loja. Movimentos de vai e vem, o dedo entrando até a junta, saindo até a ponta, entrando de novo. A umidade fazia um som pequeno, úmido, que eu conseguia ouvir apesar do zumbido no meu ouvido. Alternei para dois dedos no clitóris, alisando em movimentos longitudinais, lentos, depois rápidos, depois lentos de novo. Meus quadris se moveram sozinhos, empurrando para frente, buscando minha própria mão.
Gemendo. Comecei a gemer alto, com a boca aberta, sem tentar controlar. "Ahh... ahh..." Os gemidos saíam guturais, irreconhecíveis para mim mesma. Queria que todo mundo visse e ouvisse que minha nudez não era artística, não era um protesto, não era performance. Era uma exibicionista sexual tarada se masturbando no meio da rua porque não conseguia se controlar. O som do meu gemido cortou o barulho da rua e as conversas morreram ao redor. Mais gente parou. Um grupo de quatro executivos saindo de um restaurante. Um entregador de motocicleta que estacionou na calçada e tirou o capacete.
Continuei. Dedo na buceta, vai e vem, depois dois dedos no clitóris, alisando, depois de volta aos bicos das tetas, beliscando, puxando, e o ombro jogando para frente para balançar as tetas para a multidão que se formava. Gemendo mais alto. "Ahh, ahh, ahh..." eu gritava: — "Olhem só como minhas tetas balançam!!!" — Minhas pernas tremeram. O orgasmo subiu como uma onda que eu não pedi — veio rápido, violento, e eu me curvei para frente com um gemido longo que saiu da minha garganta como um som que eu não conhecia. A buceta apertou meu dedo em espasmos. Eu estava tão excitada que minha lubrificação escorria pela mão, mostrando a todos que minha nudez não era nada inocente.
Fiquei parada, curvada, respirando forte. E então a vergonha veio.
A vergonha chegou como um muro caindo. Levantei e vi: seis, oito, dez pessoas paradas, olhando. O homem do saco de padaria. O homem que quase tropeçou ao me ver. O entregador de capacete na mão. Um idoso de bengala. Dois vendedores de lojas. Todos tinham acabado de ver eu gozar no meio da rua, pelada, gemendo como uma vadia. Meu rosto pegou fogo. O sangue subiu ao meu cérebro como água fervente. A pulseira de prata no meu pulso esquerdo brilhou sob o sol e eu pensei: escolhi isso. Escolhi a pulseira em vez do vestido. Escolhi ficar pelada. Escolhi me masturbar aqui. Ninguém me forçou.
A culpa veio logo depois, misturada com o arrependimento. O que eu fiz? Gozei na frente de desconhecidos, de um idoso, de gente que só queria comprar pão e voltar para casa. Meu estômago revirou. Quis cobrir as tetas com os braços, cobrir a buceta com a mão, mas meus braços não obedeceram. Ficaram ao lado do corpo, inúteis. Comecei a rir . A vontade de rir era incontrolável, fazendo meus dentes aparecerem e meu rosto ficar vermelho de vergonha. Tirei os óculos, limpei com o dorso da mão, botei de volta. O mundo continuava nítido demais.
Meu marido esperava presenciando tudo, ele estava atrás de mim. Não precisei olhar para saber. A camisa branca impecável, a calça preta, o silêncio. Ele estava vendo tudo. Me viu gozar, me viu gemer, viu eu me arrepender. E não disse nada, apenas curtiu.
Comecei a andar. Não tinha para onde ir a não ser para frente. Minhas tetas balançavam a cada passo, a bunda também, e eu sentia cada movimento com uma consciência aguda — o peso da teta subindo e caindo, a nádega direita comprimindo e soltando, a esquerda, a direita, o vento na pele molhada da buceta. Andei uns vinte passos. O grupo de pessoas que tinha me assistido ficou para trás. Novas pessoas surgiram na calçada — não me viram gozar, só viram uma mulher pelada andando com tetas e bunda balançando, de óculos de grau, meias brancas, tênis, uma tornozeleira e uma pulseira.
E o tesão voltou.
Não veio devagar. Veio como uma pontada no baixo ventre, uma contração involuntária da buceta, um calor que subiu do estômago para o peito. Lembrei do olhar do entregador. Lembrei do rosto do homem que parou só para me ver. Lembrei do som do meu gemido ecoando na rua. E a umidade voltou entre as pernas, escorrendo de novo, misturada com a umidade que já estava ali.
Parei. Outra vez no meio da calçada, sem nada para me apoiar. Novas pessoas ao redor. Quem estava na frente me via toda pelada, quem estava atrás via toda minha bunda. Novos olhos. Levei a mão direita à buceta. O dedo médio entrou fácil, deslizando no mel que escorria. Comecei os movimentos de vai e vem, gemendo baixo, depois alto. A mão esquerda subiu para a teta esquerda, beliscou o bico, puxou. Joguei o ombro para frente, as tetas balançaram. Gemendo. "Ahh... ahh..." Mais gente parando. Mais olhos. O ciclo recomeçando — vergonha que alimenta tesão que alimenta vergonha — e eu ali, uma verdadeira louca tarada envergonhada, pelada no meio da rua, sem conseguir parar.