Mas eu queria mais. O risco havia se tornado um vício que me pedia doses cada vez mais altas, uma fome que a normalidade nunca conseguiria saciar.
Precisava me exibir. Queria assombrar os lugares com minha nudez inesperada.
Mas vamos continuar a história.
Eu estava hospedada no sítio de um amigo do meu pai.
Logo após o café, encontrei o Seu Zé perto do galpão de ferramentas.
Eu vestia apenas um biquíni minúsculo e uma canga amarrada na cintura.
Curtia também provocar com pouco tecido em vez de nenhum.
Quando me aproximei para pedir uma indicação de um lugar reservado para me molhar, senti o olhar dele travar no meu peito e descer, devagar, pelas minhas pernas.
Foi um olhar pesado, demorado, o de um homem acostumado à solidão do campo diante de uma garota de dezoito anos vinda da capital. O cheiro de tabaco velho e terra batida se misturou ao suor dele.
Aquele olhar, aquele silêncio fez meu corpo sentir um frio. Mas tentei me controlar e falei naturalmente:
– Seu Zé, tem algum lugar por aqui perto que seja mais reservado para eu tomar um banho de água doce? – perguntei, ajeitando a alça do biquíni de propósito, deixando o contorno da auréola transparecer.
O capataz pigarreou, tentando disfarçar a inquietação, e ajeitou o chapéu de palha com a mão trêmula:
– Tem sim, moça. Seguindo aquela trilha de bambuzal nos fundos do sítio, uns dez minutos andando, tem um riacho de água limpa... Um igarapé. É bem escondido, quase ninguém vai lá nessa hora. É o lugar mais sossegado que tem.
– Obrigada, Seu Zé... – sorri de canto, notando a respiração dele ligeiramente alterada e o olhar fixo no balanço dos meus quadris.
A caminhada pela trilha foi um prelúdio de pura ansiedade. O som dos meus pés descalços na terra batida e o roçar das folhas secas pareciam amplificados.
Quando cheguei ao riacho, o cenário era um refúgio perfeito: uma clareira cercada por vegetação alta e densa, com águas mornas e cristalinas correndo suavemente sobre um leito de areia fina e pedras lisas, aquecidas pelo sol forte.
Não pensei duas vezes. A barreira do biquíni me incomodava, parecia uma aflição na pele. Tirei a canga, desamarrei o topo e puxei a calcinha pelas pernas de uma só vez.
A sensação da brisa quente do mato tocando minha pele totalmente nua trouxe um alívio imediato. Tudo bem que não eram as loucuras que eu fazia ficando nua em lugares públicos, mas tinha seu prazer próprio.
Como é gostoso ficar assim. A nudez é tão boa, se não fosse não nascíamos pelados.
Entrei na água morna, lavei o corpo e, ao sair, me deitei de costas sobre uma pedra grande e chata à beira da água, colocando meus óculos de sol escuros para proteger os olhos da claridade.
Fiquei ali por alguns minutos, relaxando ao som do gotejar da água. Foi quando o ar ao meu redor mudou drasticamente.
Pela lente espelhada dos meus óculos, que funcionava como um pequeno retrovisor, notei um movimento sutil na vegetação fechada, a cerca de dez metros atrás de mim. De repente, um estalo seco de galho quebrando rasgou o silêncio do riacho.
Crack!
O sangue zumbiu nos meus ouvidos como um alto-falante em falha. O ar quente de Alagoas pareceu evaporar, substituindo-se por um gelo súbito na nuca. Um susto gelado percorreu minha espinha de uma ponta à outra.
A adrenalina pura congelou o meu sangue por um segundo, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem instantaneamente. A respiração travou na garganta.
Alguém estava ali. Escondido entre as folhas densas do bambuzal, a poucos passos de mim, devorando a minha nudez sem que eu soubesse.
Senti medo e insegurança. Desta vez era totalmente diferente das minhas exibições.
Eu não tinha ido atrás do risco na estrada; o risco tinha me caçado e me seguido até o meu refúgio mais íntimo.
A dúvida e o pavor começaram a corroer minha mente num ritmo frenético: Quem era? O Seu Zé, que não resistiu depois de me ver de biquíni e veio atrás? O Seu Haroldo, amigo do meu pai, aproveitando que a casa estava vazia? Ou algum estranho, algum roceiro desconhecido da região que me viu entrar na trilha e me cercou?
A vulnerabilidade inicial me deu um nó no estômago, um susto que quase me fez ter o impulso de me cobrir. Mas, em questão de segundos, esse medo cego e primitivo começou a se fundir com uma onda avassaladora, perversa e incontrolável de tesão.
O pavor não passou; ele mudou de frequência. O mesmo tremor que me fazia querer gritar agora pulsava entre as coxas, transformando a adrenalina do perigo em uma fome elétrica. Eu não sabia quantos eram ou quem era, mas sabia de uma coisa: alguém estava babando e se masturbando nas sombras enquanto olhava o meu corpo nu.
A percepção do perigo iminente acendeu um incêndio no pé da minha barriga. Minha vulva, sensível pelo calor do sol e pelo susto recente, começou a pulsar com força e a lubrificar involuntariamente, minando um muco quente que escorria para a pedra.
Em vez de me cobrir e fugir em pavor, o meu lado mais vadio e exibido tomou conta. Eu ia dar a esse espectador anônimo o maior e mais obsceno espetáculo da vida dele. Mesmo sabendo que isso poderia fazer ele sair de trás do seu esconderijo e me atacar.
Fingi que não tinha percebido nada. Controlei o tremor do corpo e mantive a respiração cadenciada, como se estivesse apenas preguiçosa sob o sol.
Devagar, fiquei de pé sobre a pedra plana. Fiquei totalmente ereta, nua sob a luz do meio-dia, sentindo a brisa mover os fios do meu cabelo. Meus seios pesados subiam e desciam com a respiração propositalmente funda, os mamilos eretos, duros e endurecidos pelo pico de ansiedade e tesão.
Então, iniciei o alongamento mais calculado, lento e pornográfico que pude criar. Não foi apenas um alongamento; foi uma execução.
Juntei as pernas, inspirei fundo fazendo o peito estufar e inclinei o tronco para a frente de forma tortuosamente lenta, baixando as mãos até tocar as pontas dos pés sobre a pedra.
Nessa posição fiquei um tempo parada, meu bumbum redondo, liso e empinado ficou projetado diretamente na direção do mato onde a sombra se escondia.
Para tornar a visão ainda mais agressiva e exibida, abri ligeiramente as pernas enquanto segurava os tornozelos, abrindo a carne dos glúteos e deixando minha fenda rosada, úmida, inchada e completamente exposta para quem quer que estivesse entre as folhas.
Ouvi um arfar abafado e o som de pés descalços se ajeitando no cascalho do mato. A pessoa tinha prendido o ar de puro choque e tesão.
A certeza de estar sendo olhada fixamente daquele ângulo fez minha vagina queimar. Aqueceu cada fibra do meu corpo.
Mantive a pose por longos e torturantes segundos, sentindo a lubrificação natural escorrer devagar pela minha coxa interna, antes de me erguer de costas, jogando o cabelo para trás e soltando um gemido manhoso, alto e rouco que ecoou por todo o riacho.
Deitei-me novamente na pedra, mas não de forma discreta: abri as pernas em um "V" bem amplo e escancarado, sem pudor algum. Tirei os óculos de sol com a mão esquerda, mantendo os olhos semicerrados e provocantes fixos na vegetação, enquanto minha mão direita descia lentamente pela minha barriga quente.
Queria que ele captasse minha expressão. Precisava me ver exposta por inteira.
Passei os dedos pelos meus pelos pubianos, espalhando a umidade e descendo até encontrar meus lábios externos completamente inchados e melados. Comecei a me tocar sem nenhuma timidez, fazendo questão de criar som. O estalo úmido dos meus dedos esfregando o clitóris misturava-se ao barulho da água e aos meus gemidos cada vez mais altos e descarados.
– Ahhh... isso... olha bem... – sussurrei e gemi com a voz rouca, deixando a cabeça pender para trás, expondo meu pescoço, a garganta e meus seios que balançavam a cada movimento.
Aquela sensação era maravilhosa. A curiosidade me matava. Eu não usava apenas os dedos; arqueava o quadril com força sobre a pedra quente, esfregando meu sexo no couro da minha própria pele, completamente entregue à loucura de me exibir para um fantasma no mato. A cada fricção, eu abria mais os lábios da vulva com dois dedos para que a pessoa visse o brilho da minha lubrificação sob a luz do sol.
O som da minha respiração ofegante e dos meus gemidos agudos cortava o ar do riacho. Eu queria que ele ouvisse o quanto me deixava louca saber que ele estava me olhando.
O orgasmo me atingiu como um raio, uma onda violenta, espasmódica e arrebatadora. Meu corpo inteiro estremeceu sobre a pedra, as pernas tremeram descontroladas e minha vulva se contraiu em pulsações fortes e dolorosas de tão gostosas, expelindo jorros de lubrificação.
Não segurei o som: soltei um gemido alto, longo, manhoso e escandaloso que fez os passarinhos da clareira voarem em bando das árvores.
Gozar sem saber para quem ou quantos era uma sensação maravilhosa. Aquilo deixou o orgasmos muito mais gostoso.
Fiquei ali por vários minutos, completamente imóvel, com a pele brilhando de suor e suco vaginal, os olhos fechados e o peito subindo e descendo descompensado. Não dormi. Apenas descansei, ainda consciente, sentindo o corpo inteiro formigar e os ouvidos atentos a qualquer movimento no mato.
Sabia que se ele saísse não teria como me defender. Mas seria realmente ruim?
Quando abri os olhos, peguei os óculos do chão e, antes de colocá-los, usei a lente espelhada para verificar a trilha. Percebi um farfalhar rápido, desesperado e apressado na vegetação.
Quem quer que estivesse ali — sufocado de tesão e chocado com a minha audácia — tinha corrido de volta pela trilha, incapaz de aguentar mais um segundo sem gozar ou perder o controle.
Depois de um tempo, fui até a região. Existia algo viscoso na terra batida que deixava claro que alguém aproveitou o show.
Sorri satisfeita e voltei.
Sentei-me na pedra com um sorriso vitorioso e perverso nos lábios, trêmula, gostosa, completamente dona da situação e da mente daquele homem. Vesti o biquíni devagar, sentindo o tecido sintético esfregar contra a pele ainda sensível. Não era mais uma roupa; era uma armadura. Eu não apenas tinha sido vista; eu tinha sido consumida. E o melhor de tudo era que ele nunca saberia se eu tinha gozado de verdade, ou se tinha performado perfeitamente o papel da vítima que virou caçadora. O sorriso que travei não era de alívio, era de posse.




