Não parava de pensar naqueles homens me vendo de longe nua. Não senti vergonha, também não sei dizer se era medo, mas era uma emoção que não conseguia esquecer, uma sensação que tinha feito me sentir tão viva.
A dúvida e o conflito interno do que fiz e do que tinha vontade estavam me matando. Eram quase nove horas da noite. Eu estava sentada na beira da cama, encarando o roupão de cetim preto dobrado sobre o colchão.
— Será que eu sou louca? — pensei, sentindo um aperto frio no estômago.
Não parava de lembrar que há algumas horas tinha andado da casa pelo mato até perto daquele bar isolado. Andado totalmente nua e vista. Aquela sensação... por que eu queria mais dela?
O receio começou a crescer, misturado com o medo real de ser pega, de alguém invadir a casa, de dar tudo errado. Nunca sentira isso antes e parecia que não dava mais para viver sem.
Não imaginava que uma aventura exibicionista, que ocorrera sem planejamento pudesse estar agora me consumindo como uma droga. Precisava de mais.
A ideia não saía da minha cabeça; ela rodava em looping, me consome, me empurrava para o abismo.
— E se eles me pegarem? E se chamarem a polícia? E se acharem que sou uma maluca?
O medo era palpável, fazia minhas mãos suarem frio, mas o vício do tesão era mais forte. A indecisão me dilacerava por dentro até que, num impulso trêmulo, puxei o roupão, vesti-o sem nada por baixo e decidi enfrentar o escuro.
A escuridão não gerava medo suficiente para vencer a necessidade de ser vista.
Eu tremia. Não sei dizer o motivo, pois só medo não poderia fazer isso. Eu deveria estar louca.
Passei novamente aquele mesmo portão dos fundos, o que ficava bem no meio do mato.
Se não fosse ele, não teria acontecido e não estaria repetindo.
— Que droga. O que estou fazendo? Não sou esse tipo de pessoa. Pensei, tentando botar razão e voltar, mas eu continuava enfrentando a noite e o mato por mais.
O breu da mata era absoluto. A noite do interior engolia tudo, transformando os troncos das árvores em silhuetas fantasmagóricas. Eu caminhava na ponta dos pés pelo trilho estreita, guiada apenas pelo rádio velho e pelas vozes abafadas do bar de beira de estrada.
O problema era justamente a escuridão pesada: dali de onde eu estava, escondida entre os arbustos densos, eu percebia que a pouca luz amarela da lâmpada do bar mal alcançava o mato. Se eu ficasse muito recuada, eles não veriam nada além de sombras indistintas.
Não poderia me exibir de longe como fizera naquele mesmo dia... precisava ir além, me arriscar mais. Pensei:
— Bom, um bom motivo para desistir e voltar...
Só que em vez disso avancei.
Dei uma risada boba. Afinal com tudo podendo dar errado, avançava.
— Será que eles conseguem reparar que é uma garota nua? Ou será que pareço apenas um bicho no mato? Será que conseguem distinguir meu rosto?
A dúvida me frustrava. Eu não queria ser só uma sombra genérica; eu queria que soubessem exatamente o que estava ali, que me desejassem, que percebessem cada detalhe.
Foi essa urgência de ser vista, de ter certeza de que eles absorveriam cada centímetro meu, que me forçou a dar mais passos para a frente, saindo da segurança da vegetação densa e pisando bem na linha tênue onde a claridade fraca da varanda alcançava o chão.
Eu tremia, eu tremia muito e a respiração era tão ofegante que parecia ter corrido ou carregado um grande peso até lá.
Deixei o roupão escorregar pelos meus ombros, despencando na grama. Estava completamente nua. O corpo branquinho, os seios fartos subindo e descendo com a respiração curta, a barriga contraída de puro nervosismo. Levei as mãos aos cabelos, soltando os fios, e joguei a cabeça para trás.
Eu olhava para o grupo. Parecia que além da casa onde estava, apenas ali existia sinal de vida.
Estava paralisada assistindo eles. Parecia um sonho.
Respirei fundo e continuei prosseguindo, prosseguindo cada vez menos área me cobrindo.
O silêncio na mesa dos homens durou apenas o espaço de um suspiro. O homem de chapéu parou a garrafa no meio do caminho.
Eu o encarava e ele me encarava. Não consigo dizer o tamanho da emoção. Como a mente o corpo são afetados. Acho que uma batida de carro seria mais bondosa comigo do que aquela avalanche de emoções.
Depois o outro.
Os quatro pares de olhos se voltaram para mim em uníssono, arregalados, brilhando de pura incredulidade na penumbra.
— Caralho... — um deles murmurou, a voz trêmula cortando o ar.
Minha pele clara deveria ter se destacado ali. Naquela parte, a luz da lua conseguia bater em mim. Poderia ser fraca, mas com certeza eles conseguiam saber que era uma garota nua.
Senti o meu coração bater tão forte na garganta que parecia querer escapar. O sangue zunia nos meus ouvidos. Essa sensação era boa, muito boa. Já tinha fumado baseado, bebido até cair etc. Mas aquilo era totalmente diferente, viciante.
Era tão bom, tão gostoso. Precisava de mais, de mais, de mais...
Decidi provocar: virei de costas bem devagar, empurrando o bumbum para a frente, rebolando com lentidão antes de girar de novo para encarar os rostos deles, levando os dedos ensopados direto à minha virilha.
Eu massageava meu sexo enquanto me exibia. Nunca antes tinha ficado tão molhado, tão sensível. Meu movimento de quadril se tornava mais leve. Eu praticamente dançava para eles. Eu gemia e gozava com tanta facilidade. Nunca antes tinha sentido isso.
Foi aí que a situação escalou. Um deles, com os olhos injetados de tesão e incredulidade, levantou-se bruscamente da cadeira, largando a cerveja sobre a mesa, e deu alguns passos firmes em direção ao limite da luz, olhando fixamente para a minha nudez.
Eu me senti uma lebre sendo vista por um lobo. Os olhos dele não piscavam e o sorriso parecia alucinado.
— Então... vai ficar se exibindo aí de longe? Não quer vir mais perto não, sua puta? — a voz dele ecoou grossa, rasgando a noite com uma mistura de raiva e desejo reprimido.
— Se é tão tímida assim, eu vou aí buscar você...
O perigo bateu como um raio. O pânico gelou o meu sangue instantaneamente, misturando-se de forma violenta com o ápice do meu tesão. Minhas pernas fraquejaram e eu gozei ali mesmo, de pé, mordendo o lábio com força para não gritar.
O homem começou a avançar para dentro da mata.
Dei meia-volta de uma vez só, correndo desabalada pela trilha estreita. O problema é que, no breu absoluto da noite, a adrenalina turvou a minha visão. Errei o caminho exato do portãozinho de serviço e acabei me enfiando mais fundo na vegetação fechada.
Eu ouvia o mato sendo pisado e os galhos quebrando atrás de mim.
O coração martelando no peito parecia que ia explodir as minhas costelas. Para não ser pega, precisei me abaixar de uma vez e me esconder agachada atrás do tronco grosso de uma árvore frondosa, com o mato arranhando meus joelhos e coxas.
Não podia deixar nada de fora. A minha pele clara seria facilmente vista.
Mantive a respiração presa, ouvindo os passos pesados dele pisando nos galhos secos bem perto de mim.
— Cadê a desgraçada? Eu vi ela aqui, porra! Sumiu no ar? — a voz dele ecoava a poucos metros, irritada e ofegante.
— Não dá para deixar ela provocar e fugir de novo.
Fiquei petrificada, tremendo da cabeça aos pés, sentindo o suor misturado com o calor do orgasmo recente escorrer pelo meu corpo nu. Esperei alguns segundos intermináveis até os passos começarem a se distanciar, voltando resmungando em direção ao bar.
Só então, engatinhando com cuidado extremo para não fazer barulho, contornei a moita, encontrei a fresta certa do portãozinho de serviço, atravessei e passei o cadeado por dentro, encostando as costas na madeira fria.
Fiquei ali, escorregada na escada da piscina, o corpo inteiro formigando, a respiração curta. Eu tinha escapado por pouco, mas o vício já estava cravado na minha alma. Eles podiam ter quase me alcançado, mas o gosto daquilo era inesquecível.
Sabia que tinha sido loucura. Só que também sabia que aquela sensação só conseguia fazendo isso.
E as ideias giravam: paro ou continuo me arriscando?
Não imaginava que teria a resposta no outro dia, bem na minha porta.




