Estava bem no meio da pandemia. Trabalhava online, mas meu chefe mandou um e-mail pedindo para eu ir ao prédio assinar uns documentos do fechamento. Depois das dezoito, prédio quase vazio, menos gente circulando. Ele até colocou um emoji de máscara. Achava que estava me protegendo do vírus. Estava, de um jeito. Só não era do vírus.
Cheguei às seis e quinze. O saguão estava morto. O segurança atrás do acrílico mal ergueu os olhos quando passei o crachá. No elevador, silêncio absoluto.
O décimo andar estava quase no escuro. Alguns escritórios fechados desde o começo da crise, cartazes de “Aluga-se” já amarelando. Eu adorava aquele corredor vazio. De dia era só escritório. À noite parecia meu.
Assinei tudo rápido. Mas a solidão daquele andar me deu ideias.
Pensei, na oportunidade que tinha, afinal, sou exibicionista e dificilmente teria a mesma oportunidade.
Fui até a antiga sala de reuniões da diretoria. Desativada fazia tempo, mas a fechadura ainda funcionava por dentro. Tranquei a porta. Persianas abertas. A cidade inteira lá embaixo.
Meu coração já estava acelerado. Como gosto de fazer isso. Fazer no serviço dava uma ansiedade e medo tão gostosos. Eu me sentia uma cadela babando ao ver um bife.
Então comecei a me libertar.
Tirei a blusa devagar, sentindo o tecido escorregar pelos braços.
Adoro gastar esse tempo, sentindo o pano me deixando.
Depois a camisa, botão por botão. Isso, isso, vai abrindo, isso, isso. Era um prazer me desnudar.
A calça desci pelas coxas com calma, deixando ela cair no chão.
Fiquei de sutiã e calcinha por um tempo, só olhando meu corpo no reflexo escuro do vidro.
— Você é louca, disse para o meu reflexo.
— Não vai parar, não é? Você quer ficar assim no serviço, sua safada.
O meu reflexo respondia com um sorriso safado e olhar quase alucinado.
Depois tirei o sutiã. Os seios pesaram livres, os mamilos endureceram com o ar frio.
O sutiã é um castigo para algo tão belo que deveria ficar o tempo inteiro solto e a vista de todos.
Por último a calcinha. Esse sempre era o gesto que mais me excitava: o tecido descendo e eu ficando completamente nua.
Só deixei a máscara N95. Branca, bem ajustada. Protocolo, né?
Fiquei me olhando no reflexo e sentindo o carpete em meus pés. Imaginava dando reunião ali, assim para todos, nua e apenas com a máscara.
Comecei a fingir.
— Alguma dúvidas senhores?
— Sim, adoro me depilar. Não, o assunto é a proposta e não meus seios, mas obrigado pelo elogio.
— Não senhores, não posso sentar no colo de vocês. Foquem no gráfico.
Era tão gostoso brincar assim ali.
Foi aí que eu vi a luz no prédio da frente. Oitavo andar.
Estava preza imaginando a reunião que não o vi. Um homem sozinho, debruçado numa mesa.
Ainda não tinha me visto. Deveria estar preso no trabalho chato.
Eu podia simplesmente me vestir e ir embora.
Em vez disso, acendi a luminária de canto.
O facho amarelo bateu direto no meu corpo contra o vidro. Acendi e apaguei algumas vezes até ele levantar a cabeça.
— Vamos meu caro. Olha aqui, deixa eu ter salvar do tédio.
Vi o exato momento em que ele percebeu. Parou o que estava fazendo. Endireitou o corpo na cadeira. Depois se virou por completo.
Meu estômago revirou de um jeito gostoso.
Ele estava paralisado, mas eu não. Se não fosse a máscara ele veria o meu sorriso predador.
Comecei a rebolar devagar, sem música, só no ritmo da minha respiração. Uma mão na cintura, a outra subindo pela barriga.
Ele deveria achar que eu não tinha ossos pela forma que me mexia, mas não, era prática.
Fui até o vidro e encostei os seios na superfície fria, esmagando eles de leve, vendo os mamilos se achatarem contra a transparência.
— Gosta de ver? Falei baixo, mesmo sabendo que ele não ouvia.
— Gosta de me ver peladinha assim, rebolando pra você? Fala que valeu a pena vir presencial e trabalhar até tarde...diz seu puto.
Desci o corpo devagar, agachei, abri os joelhos e subi de novo, empinando a bunda na direção dele. Quando voltei a ficar de pé, ele já estava colado no vidro, uma mão espalmada.
— Quer saber quem eu sou, não quer? Continuei falando contra a máscara, a voz abafada.
— Quer saber o nome da putinha que está se exibindo para você…
Eu estava encharcada só com o olhar dele.
Foi quando ouvi passos no corredor.
O coração disparou de verdade. Congelei.
A voz do segurança veio abafada através da porta:
— Moça? Tudo bem aí? Vi a luz acesa, ainda não terminou?…
Eu engoli seco, ainda nua, a poucos metros do vidro.
— Tudo bem! Respondi, tentando soar normal.
— Estou terminando aqui e já saio.
— Ok então. Qualquer coisa é só chamar.
Os passos se afastaram. Eu soltei o ar que estava prendendo. O susto tinha me deixado ainda mais molhada.
Voltei para a janela. O homem do outro prédio continuava lá. Agora eu via melhor: uma das mãos dele não estava mais no vidro. Estava na calça. Ele se masturbava enquanto me olhava.
Isso me quebrou.
— Você é muito safadinho. Se punhetando para mim. Pena que estamos longe, senão ajudava.
Fui até a mesa de reuniões, puxei a cadeira de couro e sentei de frente para ele.
— Deixa eu te agradecer melhor com meu show, deixa eu gozar para você.
Abri as pernas bem largas, pés em cima do assento, e comecei a me tocar sem nenhuma pressa. Os dedos escorregavam fácil. O tecido da máscara já estava úmido do meu hálito e dos gemidos abafados.
— Olha só pra isso… Sussurrei, mesmo sem ele escutar.
— Estou me tocando pra você. Está vendo como eu fico molhada quando me olham?
Do outro lado ele masturbava mais rápido. Eu acompanhava o ritmo. O prazer subia forte. A cadeira do chefe ia ficar marcada com o meu cheiro e eu adorava a ideia.
Gozei olhando pra ele, o corpo se contraindo na cadeira, a máscara embaciada, um gemido longo preso na garganta. As pernas tremeram. Eu precisei segurar a mesa para não escorregar.
Quando abri os olhos de novo, ele ainda estava no vidro. Vi o momento em que ele gozou. O corpo dele tremeu. Depois ele se afastou um pouco, pegou um papel e começou a limpar o vidro por dentro, com pressa. Apagando o que tinha escorrido.
Eu ri baixinho, ainda ofegante.
Fiquei mais um tempo nua, só recuperando o fôlego, enquanto ele limpava a evidência. Depois levantei, dei um tchau lento com a mão e fechei a persiana.
Vesti a roupa com calma. Desliguei a luminária. Destranquei a porta. O corredor continuava vazio.
Lá embaixo o segurança ergueu os olhos do celular quando passei a catraca.
— Conseguiu fazer tudo o que veio fazer?
— Consegui. Respondi, ajeitando a bolsa.
— E muito mais. Adorei visitar o prédio hoje.
— Pois é… às vezes é melhor assim, sem ninguém atrapalhando.
— É. Sem ninguém atrapalhando.
Na rua, ainda dava para ver a janela dele acesa. A silhueta andava de um lado para o outro, como quem não conseguia se acalmar.
Peguei o metrô de máscara, anônima. O corpo ainda latejava. Ninguém naquele vagão fazia ideia de que a mulher de N95 entre os poucos passageiros tinha acabado de se exibir nua e gozar na frente de um desconhecido, oito andares acima da cidade.




