Marina exibida - A polícia bateu a porta, será que fui descoberta?

A batida firme na porta de madeira da casa tirou-me de qualquer transe. O sol da tarde batia forte no quintal, e eu acabara de sair da piscina. Vestia apenas um biquíni mínimo, fio-dental, com a pele ainda úmida brilhando de calor.

Pensei que talvez minha amiga tivesse voltado mais cedo. Estava me preparando para ela me zoar ao ver o biquíni indecente.

Mas logo meu humor mudou.

Olhei pelo olho mágico. Lá fora, além de uma viatura da polícia militar rural com o giroflex desligado, estavam três figuras: um policial fardado e sério, e, para o meu completo delírio interno e pavor absoluto, dois dos homens do bar da noite anterior — incluindo aquele que quase me alcançara na mata.

Meu coração deu um salto gigante no peito, parecendo que ia romper as costelas. O sangue fugiu do meu rosto por um segundo, gelando a espinha.

— Pronto. Acabou. Eles descobriram. Vieram me prender.

O medo real, cru e sufocante estalou nas minhas veias. A polícia na porta significava que o jogo tinha ido longe demais, que a minha audácia tinha cruzado a linha da loucura. Fiquei paralisada na sala por alguns instantes, as pernas bambas, a respiração travada na garganta.

Nova batida na porta.

— Oh de casa.

Então pensei:

— Eles não tem prova...fiz teatro...hora de ver se valeu o tempo e dinheiro.

Respirei fundo e falei para mim mesma.

— Finge. Você tem que fingir que não é nada. Se demonstrar pânico, eles te pegam.

E enquanto o pânico me consumia, um flash violento da noite anterior explodiu na minha mente: eu lembrei de cada segundo. O frio da mata, a audácia de ter tirado o roupão de cetim preto bem na mira deles, o corpo branquinho iluminado pela lua, a dança lenta com o quadril, o meu dedo na minha própria vagina, o orgasmo estrondoso de pé, a fuga desesperada ouvindo os galhos quebrando, o esconderijo atrás do tronco grosso da árvore frondosa segurando a respiração enquanto a voz dele ecoava a metros de distância procurando a "desgraçada".

E, pior do que isso: na correria cega da fuga, quando arranquei o roupão e corri, eu o deixara para trás, largado no chão da mata.

Eles acharam. — pensei com um horror gelado. Não era à toa que estavam ali com a polícia. Os homens tinham voltado lá de dia, vasculhado o mato e encontrado o meu roupão de cetim preto jogado na grama, todo sujo de terra, rasgado nos galhos e danificado por ter passado a noite inteira exposto ao sereno e à umidade daquela vegetação densa. A prova física do crime estava nas mãos deles.

Com as mãos trêmulas que eu escondi apertando a barra do biquíni, forcei um passo de cada vez até a entrada.

Abri a porta lentamente, forçando uma expressão de susto sonolento, ajeitando as alças finas do biquíni nos ombros como quem acabou de acordar de um cochilo à beira da piscina.

— Pois não? — perguntei com a voz mansa, fingindo inocência total, embora por dentro o meu estômago estivesse revirando de pavor e, paradoxalmente, de um tesão que teimava em queimar lá no fundo.

O policial deu um passo à frente, sério.

— Boa tarde, senhorita. Sou o sargento Mendes. Recebemos uma denúncia grave de moradores locais de que há uma mulher nua circulando e se exibindo pelas redondezas à noite, perturbando a ordem e se expondo na estrada. Viemos checar a segurança do perímetro e ver se a senhora não está correndo perigo ou se há algum invasor.

Antes que eu pudesse responder, os dois homens do bar que acompanhavam o sargento se esgueiraram pela lateral da porta, entrando no pequeno hall da sala. O olhar do homem que me perseguira na noite passada viajou pelo meu corpo molhado de cima a baixo.

Ele parou na marquinha do biquíni, com uma expressão de desconfiança feroz e fúria contida nos olhos. Ele sabia. Os olhos dele gritavam que ele tinha certeza.

— Nossa... que absurdo! — levei as mãos à boca, fingindo um horror exagerado para abafar o barulho do meu próprio coração que parecia ecoar na sala inteira. Enquanto isso, o calor da presença deles fazia a umidade descer pelas minhas pernas.

— Uma mulher nua por aqui? Que perigo! Tem gente louca no mundo, né? Fiquei até com medo agora.

O policial assentiu, olhando ao redor da sala com atenção.

— Exato. Os moradores aqui da região estão alarmados. Um deles jurou que a criatura passou por perto do bar de novo ontem à noite. E mais... — o sargento pigarreou, trocando um olhar pesado com os moradores

— Encontramos pertences femininos largados no mato perto de lá hoje cedo. Um roupão preto, completamente sujo, enlameado e danificado. Alguém esteve ali de verdade. Importa se dermos uma rápida olhada na parte externa e nos fundos para garantir que está tudo seguro?

— Claro, fiquem à vontade! — abri passagem, sorrindo de forma frágil, fingindo tremer um pouco de nervosismo real.

— Vamos ver se tem algum sinal de arrombamento ou se alguém tentou invadir.

Enquanto o sargento se afastava para checar o corredor que dava para os fundos da casa, eu fiquei na sala com os dois homens do bar. A porta da frente estava entreaberta, deixando entrar o vento morno da tarde.

O clima na sala mudou de repente, tornando-se denso e irrespirável.

O homem que me cercara na mata deu um passo à frente, fechando perigosamente o espaço entre nós. Ele cruzou os braços musculosos, os olhos fixos nos meus seios fartos contidos a custo pelo tecido mínimo do biquíni.

Fiquei parada, bem na frente dele. Deixando ele apreciar o meu corpo.

Eu encarava eles e vice versa. Não conseguia parar. Nem pensei em ir vestir alguma coisa, ficando com aquele fiapo de pano na frente deles.

— O que eu estou fazendo? — pensei em desespero, sentindo um frio na espinha.

— Parece que eu estou querendo ser pega. Por que diabos eu estou prolongando isso? Por que estou provocando e fazendo esses homens ficarem mais tempo aqui? Eu devia querer que eles fossem embora logo, mas estou implorando pelo perigo.

— É mesmo, mocinha? — ele falou com a voz grossa, num tom irônico que carregava um duplo sentido cortante, rasgando o silêncio.

— Acha absurdo uma mulher se exibir nua por aí para os trabalhadores da estrada?

Minha pele inteira formigava. Eu estava brincando com a fogueira, a centímetros de ser queimada viva. Encostei o quadril de leve na mesinha de centro, fingindo estar vulnerável e amedrontada, mas empurrando o corpo sutilmente para a frente de propósito.

— Mas é claro que acho... — respondi, engolindo em seco, com a voz ligeiramente trêmula pelo medo verdadeiro de ser desmascarada.

— Quer dizer, quem faria uma coisa dessas, né? Deve ser uma garota muito perturbada... Ou muito carente. Moço... o senhor que estava lá no bar ontem... Eu estive lá esses dias para comprar um refrigerante, sabe? Achei o lugar tão calmo, mas agora... nossa, fiquei com tanto medo. O senhor que estava lá, me conta... como era essa mulher? Como foi isso? Será que ela ainda está por aqui? Agora eu estou morrendo de medo de ter que passar por aquele caminho e acabar encontrando essa mulher no meio do mato...

Eu não sei explicar, mas queria provocar. Queria saber o que ele viu, mesmo que fosse arriscado.

O homem travou o maxilar de um jeito violento. Ele deu mais um passo, ficando a centímetros de mim, a ponto de eu sentir o calor do corpo dele. O cheiro de tabaco e poeira misturava-se com o meu perfume. Os olhos dele faiscaram de raiva e de um desejo animalesco reprimido. Ele percebeu cada centímetro da minha atuação, capturando o duplo sentido da minha voz, mas estava preso ali, sem poder me expor na frente da lei.

— Ela não era feia, não... — ele sibilou baixinho, quase colando a boca no meu ouvido, enquanto o parceiro dele olhava para a porta da rua, tenso.

— Era branquinha, jovem... Tinha o corpo idêntico ao seu, aliás. Cabelos longos... e uma cara de safada que implorava pra ser pega no pulo. Se eu pego aquela desgraçada de novo, juro que não solto mais... Ela gosta de brincar com o perigo, mas uma hora a casa cai. E olha que a gente achou até a prova do crime hoje cedo no mato: um roupão preto de cetim todo estragado, sujo de terra da noite passada.

Minhas pernas cruzaram-se de forma involuntária, roçando uma na outra. O orgasmo quase escapou ali mesmo, um formigamento tão forte que minhas coxas tremeram. Senti o biquíni encharcar de verdade. O pânico de ser descoberta pelo sargento a qualquer segundo, misturado com a confissão sussurrada daquele homem tarado na minha sala, criou uma bomba atômica de adrenalina dentro de mim. Minha mente gritava para eu parar, mas o meu corpo exigia mais.

Eu sabia que ele suspeitava, por isso tentava me assustar e fazer confessar. Mas apenas fiz uma cara de espanto e disse:

— Nossa... que horror... — sussurrei de volta, mordendo o lábio inferior com tanta força que senti o gosto de ferro do sangue, olhando direto nos olhos dele com um desafio brilhante e insano.

— Espero que o senhor nunca encontre ela... Ou talvez... ela só goste de ver até onde os outros são capazes de ir.

Ele parecia desconfortável e preste a dizer algo, mas fomos interrompidos.

Nesse instante, os passos pesados do sargento Mendes ecoaram no corredor, e ele apareceu na sala, limpando as mãos e balançando a cabeça.

— Tudo limpo por lá, senhorita Marina. Nenhuma marca de arrombamento, portão trancado por dentro, quintal vazio. Acredito que foi alucinação dos rapazes ou algum andarilho de passagem mesmo. Desculpe o incômodo, mas tínhamos que verificar.

— Imagina, sargento! A segurança em primeiro lugar, vocês fizeram muito bem — respondi com a voz mais doce, recatada e agradecida do mundo, ajeitando o cabelo com as mãos ainda trêmulas.

Acompanhei os três até a porta da frente. O policial foi na firmeza da farda, mas o homem que me ameaçara parou no umbral. Ele me olhou fixamente por três segundos longos, com um sorriso torto, sombrio e cúmplice nos lábios, entendendo perfeitamente o jogo perigoso que eu estava jogando bem debaixo do nariz da polícia. Ele sabia que eu era a garota da mata. E eu sabia que ele sabia.

— Boa tarde, senhorita ... Cuide-se bem à noite. O mato por aqui é perigoso para quem anda sozinho — ele disse, carregando cada palavra de uma ameaça cheia de tesão.

— Pode deixar... eu sei me cuidar muito bem — sorri de canto, cruzando os braços e sustentando o olhar dele até o último segundo.

Assim que a viatura policial e a picape arrancaram, levantando uma nuvem de poeira grossa que sumiu pela estrada de terra, tranquei a porta com duas voltas rápidas na chave.

Encostei as costas na madeira fria, respirei fundo com o peito arfando violentamente e escorreguei devagar até o chão da sala, sentada com as pernas bambas. O suor escorria pelo meu pescoço. O coração ainda batia descompassado. Eu tinha quase sido pega, tinha flertado com a desgraça absoluta, mas o gosto daquilo era o mais viciante do mundo.

As ideias giravam sem parar na minha cabeça: eu sou louca. Eu implorei para ser descoberta.

Mas enquanto olhava para o corredor vazio, uma certeza absoluta me consumia: eu faria tudo de novo.

Passados alguns minutos, com o silêncio da tarde retomando o controle da casa, caminhei lentamente até o quintal dos fundos. O sol ainda aquecia a água da piscina. Sem pensar duas vezes, desamarrei as tiras do biquíni e deixei a peça cair na grama, ficando completamente nua sob o céu aberto. Entrei na água morna, sentindo o alívio e a adrenalina ainda correndo forte nas veias. Fechei os olhos, encostada na borda, revivendo mentalmente cada segundo da ameaça daquele homem, o olhar dele na minha pele, o perigo de quase ter sido desmascarada na sala.

A lembrança daquela tensão extrema fez o calor subir pelo corpo de um jeito irresistível, e, ali mesmo, flutuando na quietude da piscina, entreguei-me àquela onda de prazer intenso e febril, me toquei com força, esfregando meu sexo sem dó, recordando a audácia de ter zombado da polícia e dos homens a poucos centímetros de distância.

Eu deveria estar com um sorriso de uma lunática.

Gozei, gozei e gozei várias vezes lembrando daquela quase prisão.

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Ficha do conto

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Nome do conto:
Marina exibida - A polícia bateu a porta, será que fui descoberta?

Codigo do conto:
273610

Categoria:
Exibicionismo

Data da Publicação:
01/10/2026

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