Ficou viciada na exposição de andar nua. A emoção de poder ser flagrada ou o que fazer se fosse, gerada um prazer, uma adrenalina que nenhuma droga teria o potencial de gerar.
Era de madrugada, ela parou o carro na beira de uma estrada, bem na entradinha de uma trilha de terra.
O lua brilhava alto. Ela lembrou das experiências que teve nos últimos 5 dias que quase acabaram com ela pega pela polícia.
Mas em vez de se arrepender ou tomar jeito pelo perigo que passou, ela apenas sentiu um tesão e uma vontade de mais.
Ela então decidiu, viveria um pouco mais daquela emoção, não importa onde.
Então saiu do carro e soltou a bicicleta que estava presa atrás. Olhou ao redor. Não conhecia o lugar, então o que passava na cabeça era arriscado, mas isso dava um tesão, uma ansiedade.
Deixou o desejo mandar e depositou toda a roupa no carro, ficando totalmente nua. Trancou o carro e deixou a chave enterrada perto de uma das rodas.
O coração disparou. Apesar de não ter movimento, era o desconhecido que mexia com ela.
Subiu na bicicleta e começou a pedalar, nua na direção da estradinha de terra.
A estrada de terra era uma cicatriz amarelada no meio da mata, uma linha reta que desaparecia na escuridão. O som dos pneus de borracha da bicicleta no solo solto era o único ritmo do mundo: thump, thump, thump.
Como Marina adorava aquela sensação, cada pedalada estava mais longe da segurança do carro. Aquilo apenas a deixava mais e mais excitada.
Marina pedalava com a respiração ofegante, o peito balançando a cada impulso.
Ela sentia o movimento dos seios soltos, o calor do assento no seu bumbum. Era totalmente diferente de tudo que já sentiu.
O ar da madrugada vinha úmido, carregado de cheiro de terra molhada e folhas apodrecidas. Ela estava nua.
Como era bom estar nua.
A roupa ficara no carro, amassada no banco do passageiro, junto ao perfume que agora pertencia apenas à memória. Ali, no escuro, ela era pura carne e osso.
A brisa noturna não era fria; era densa. Batia em seus seios, enrijecendo os mamilos e arrepiando a pele do estômago. O suor escorria pelas costelas, pegajoso, misturando-se à poeira fina levantada pelas rodas. A terra batida ainda guardava o calor do dia, mas a atmosfera cortava sua nudez.
Ela parou.
Avistara uma única casa naquele caminho, pequena, cercada por um muro tal frágil. Era o único sinal de civilização do caminho. A única possível ameaça.
O movimento cessou. O silêncio que se seguiu não era vazio; pulsava de possibilidades.
Podia prosseguir, ou entender como aviso e voltar. Afinal já tivera sua aventura.
Mas puxa, por que parar de sentir essa sensação. O perigo gerava mais prazer.
Marina desceu, deixando o quadro de alumínio repousar na poeira. O metal frio tocou sua pele febril.
Sentou no chão, pernas abertas, o corpo inteiro à mostra. O vento despenteava seus cabelos, descobrindo o pescoço, a clavícula, o peito.
Olhou para a casa.
As luzes acesas sugeriam vida. Alguém podia estar ali — um homem, uma mulher, um casal. Podiam abrir a porta a qualquer instante.
Será que teria alguém olhando para ela por uma fresta? Um pequeno descuido, alguém poderia abrir a janela e vê-la?
Não daria tempo de subir na bicicleta sem ser vista.
Que delicia era essa possibilidade.
A ideia acelerou seu coração. Não era apenas excitação; havia um gosto de perigo perigoso, uma lâmina roçando a pele.
Sentou-se, tombando o corpo um pouco para trás, mais alto na grama. O chão retinha um morno suave, enquanto o sereno da noite começava a penetrar seus ossos. A poeira grudou-se à umidade do seu suor. Ela levou a mão entre as pernas.
Ela precisava aproveitar aquele lugar, para completar a aventura. Não bastava apenas se expor. Precisava gozar.
A vulva estava inchada, brilhante de lubrificante natural. O sopro da noite roçou a região sensível, enviando um arrepio direto à sua espinha. Seus dedos iniciaram um toque lento, deliberado, deslizando sobre a textura áspera da pele. Fechou os olhos, entregue à sensação. O som da própria respiração preenchia o espaço.
Pensou em ser vista.
Imaginou uma janela aberta, um olhar fixo. Um homem que, por um segundo, flagraria uma mulher nua, sentada na terra, entregue ao próprio prazer. Pensou no choque, no risco terrível de ser apontada, na marca indelével que aquela imagem deixaria.
Que tesão aquilo dava. O movimento dos dedos acelerava.
A fantasia arrancou dela um gemido baixo, abafado pelo vento.
Acelerou mais o ritmo. Os dedos friccionavam o clitóris com intensidade quase dolorosa. Abriu mais as pernas, escancarando-se à escuridão, vulnerável demais.
De repente, o ronco de um motor cortou a calada da noite.
Marina congelou por um único segundo. O prazer diminuiu diante da invasão sonora, mas não deu lugar ao medo — deu lugar à audácia. Algo diferente....a respiração, o coração, tudo.
Não era o ruído de um automóvel comum, mas um grave pesado e vibrante: vroooom... vroooom...
Um trator. E vinha devagar.
O veículo avançava pela estrada de terra, os faróis potentes rasgando as sombras da escuridão. A luz amarelada começou a varrer o acostamento, aproximando-se implacavelmente de onde ela estava sentada. O sangue de Marina ferveu. Qualquer pessoa sensata teria corrido, se escondido no mato ou pulado o muro daquela casa.
Qualquer um na situação dela teria procurado segurança.
Mas ela não era sensata. E a ideia de se esconder agora parecia uma covardia imperdoável diante do fogo que sentia.
Aquela emoção com o som do caminhão. Ela não podia desperdiçar.
Ela não se mexeu para fugir. Pelo contrário: fincou ainda mais as coxas no chão, abriu as pernas escancaradamente e deitou de costas na terra morna, expondo tudo ao mundo.
Parecia uma cadela mostrando submissão.
O veiculo apareceu na curva e foi vindo, vindo, vindo....
O ronco do trator engasgou, diminuindo a marcha a poucos metros dela. A claridade brutal dos faróis cortou a noite e caiu diretamente sobre seu corpo, transformando a beira da estrada em um palco.
Com os olhos fixos na cabine alta. Estava ali, vendo ela.
O corpo inteiro ficou sensível. Ela precisava explorar essa sensibilidade com aquela plateia.
Marina levou os dedos de volta à vulva encharcada.
O coração martelava descompassado, mas a adrenalina era doce como veneno. O motorista, um homem rústico de meia-idade, freou o trator instintivamente. O veículo parou com um suspiro pesado de motor, a poucos metros de distância.
Os faróis iluminavam cada detalhe: a poeira grudada no suor de suas coxas, o brilho dos seus fluidos, o relevo de seus seios arfando.
O homem, lá do alto, olhou para baixo.
A luz expunha o corpo dela. Ele viu. Não havia como não ver. Viu uma mulher nua, estendida na terra, de pernas abertas, tocando-se sem o menor pudor.
Marina só pensava: - Me olhe, não tira os olhos de mim. Aproveita a surpresa da noite.
Ela não desviou o olhar nem por um instante. Ela sustentou a linha de visão com ele, desafiadora, e começou a mover os dedos com mais força, deslizando-os sobre o clitóris com uma lentidão deliberada.
Como podia aquela sensação ficar mais intensa. Por estar ali nua, no meio do nada e aquele estranho vendo. A emoção o prazer eram sobrenaturais.
Ela pensava, como podia ter vivido sem isso antes.
O homem travou na cabine. A mão dele na alavanca de câmbio tremeu levemente. Ele abriu a boca para dizer algo, para gritar, para repreender, mas nenhum som saiu. O choque de se deparar com aquela cena nua e crua na calada da noite o deixou mudo, hipnotizado pelo descaramento absoluto daquela mulher.
Ele não foi embora. Ele continuou ali, sentado no alto do trator, com os faróis acesos, testemunhando tudo, incapaz de desviar o rosto.
A consciência de que um estranho a assistia — de que ela havia quebrado a realidade daquele homem para sempre — foi o estopim que faltava. Marina gemeu alto, arqueando as costas na poeira, os dedos afundando na própria carne com fúria.
Ela não ligava se o som dos gemidos dela junto com os do trator chamassem a atenção de alguém na casa.
— Podem vir. Pensou.
— Quanto mais vendo eu gozar aqui melhor.
O orgasmo a atingiu como um raio, violento e estrondoso, fazendo suas pernas tremerem intensamente sob a luz implacável dos faróis. Ela fechou os olhos por um segundo de puro delírio, sentindo o calor do clímax espalhar-se enquanto o trator permanecia parado ao seu lado, como se o tempo tivesse congelado para os dois.
Quando Marina abriu os olhos novamente, o motorista ainda estava lá, respirando fundo, com o rosto banhado pelo reflexo daquela cena.
Ela sorriu para ele — um sorriso lento, prazeroso e selvagem.
Tentou falar, mas apenas movimentou os lábios torcendo que ele entendesse:
— Obrigada.
Com o rosto ruborizado e as mãos trêmulas no volante, o homem finalmente engatou a marcha, desviou o trator para o lado com um solavanco e arrancou na direção oposta, fugindo de uma intensidade que ele não sabia como lidar.
Marina continuou deitada na terra quente, ofegante, com o corpo ainda pulsando de prazer. A estrada estava escura de novo, mas a marca daquela exposição permaneceu acesa para sempre.
Precisava de um tempo, até poder voltar a pedalar e voltar a realidade das roupas no carro.
Mas quem sabe, mais um motorista ou o pessoal do carro a encontrasse antes disso?


