Do décimo oitavo andar de seu apartamento no coração de São Paulo, o mundo parecia uma colmeia reluzente. Do alto da sacada, ela observava o fluxo incansável de faróis na Avenida Paulista, sentindo o pulso da metrópole vibrar contra os vidros. A noite pedia movimento, calor, álcool e música. O destino escolhido para aquela terça-feira era o Iccarus. A preparação foi uma cerimônia lenta e sensorial. Na penumbra do quarto, deslizou pela pele uma lingerie de renda bordô, ajustada perfeitamente ao corpo. Por cima, a seda leve do vestido abraçava a cintura, enquanto a meia-calça fina trazia um toque aveludado e misterioso às pernas. O toque final veio nos pés, com o estalo firme dos saltos em verniz, e nos lábios, pintados com um batom vermelho denso, marcante. A decepção veio na porta do bar: luzes apagadas e portas fechadas. O destino, contudo, traçava outra rota. De volta ao apartamento, o silêncio da sala era interrompido apenas pelo clique do salto no piso de madeira e pelo estalido seco da rolha ao libertar o gás da garrafa de espumante. O líquido dourado e borbulhante gelava a taça enquanto ela pegava o celular para passar o tempo. No aplicativo de encontros, uma notificação brilhava na tela: uma mensagem privada de Carlos SP. A conversa começou despretensiosa, mas o tom mudou rapidamente. Ele, preso em um rolê monótono no Centro; ela, frustrada em sua sala de estar. Quando ele soltou uma frase carregada de malícia e intenção velada, o ar entre a tela e o olhar dela pareceu esquentar. Sem hesitar, ela digitou: — Quer vir tomar um espumante comigo? Vinte minutos depois, o interfone tocou. Ao abrir a porta, o perfume dele preencheu o hall. Acomodaram-se no sofá, onde o tilintar das taças de cristal e as bolhas do espumante serviam apenas para mascarar o som das respirações que se encurtavam. O espaço entre os dois diminuiu até que Carlos cortou a distância, segurando seu queixo e selando os lábios em um beijo profundo, com gosto de uva e desejo. Suas mãos firmes começaram a mapear o corpo dela, sentindo a textura da meia-calça subindo pelas coxas até encontrar o tecido macio do vestido. Ele a puxou pela mão, colocando-os em pé no meio da sala. As roupas foram caindo em um balé lento: as roupas dele no chão, o vestido dela deslizando pelos ombros, a meia-calça sendo puxada suavemente até os tornozelos. — Vamos para a cama... — ela sussurrou contra o pescoço dele, arfando. Na penumbra do quarto, a luz dos prédios lá fora desenhava sombras na pele. Carlos, completamente nu, deitou-se sobre ela, cobrindo seu corpo com o calor do seu peso. Seus lábios desceram pelo pescoço dela, traçando um caminho ardente até os seios, onde a renda bordô foi puxada para o lado. Mudando o jogo, ela tomou o controle. Montou sobre ele com movimentos lentos e seguros, sentindo o enrijecimento completo de seu membro contra sua pele. Enquanto se movia, ele devorava seus seios com beijos quentes e mordidas suaves que a faziam arquear as costas. Tomada por um impulso avassalador, ela deslizou para baixo. Envolvendo-o com as mãos, iniciou uma sequência de sexo oral intensa e ritmada. Seus olhos permaneciam cravados nos dele, sem piscar, sustentando o olhar enquanto a ponta da língua e o calor de sua boca o levavam ao limite. O som dos suspiros dele preencheu o quarto; envolvido por aquele transe, Carlos gemeu alto, sem forças, confessando entre arfadas que aquele era o melhor sexo oral de sua vida. Apenas com a lingerie bordô desalinhada no corpo, ela se posicionou por cima, encaixando-se nele de uma só vez. A sensação do preenchimento fez ambos soltarem um suspiro fundo. Com as mãos firmes cravadas no quadril dela, Carlos guiava o ritmo de cada investida, profunda e certeira. Antes que o clímax os dominasse, ele a virou com cuidado, deixando-a de quatro sobre os lençóis desarrumados. A visão daquele quadril largo, da pele delineada pela luz da cidade e da curva perfeita de sua bunda deixou o ambiente incandescente. Sem dar tempo para trégua, ele a penetrou por trás em estocadas ritmadas, fortes e contínuas. O som do contato entre as peles ecoava pelo quarto como uma música própria. A entrega era total. Em uma sincronia perfeita de corpos e respirações, a onda do orgasmo atingiu os dois ao mesmo tempo, um choque elétrico que fez o tempo parar. Ali, sob a meia-luz do quarto e com o horizonte iluminado de São Paulo como testemunha silenciosa, os dois caíram sobre os travesseiros, sentindo o suor secar na pele e os corações aos poucos retomarem o ritmo.
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