— Posso tocar?
A pergunta veio sem pressa, sem urgência, como se estivesse pedindo um copo d'água. Meu coração disparou. O silêncio que se seguiu durou talvez três segundos, mas pareceu um minuto inteiro. Meus dedos ainda estavam molhados, escorrendo entre as pernas. A buceta latejava. Pensei em dizer não. Pensei em me levantar, me cobrir com as mãos, esperar o marido. Em vez disso, ouvi minha própria voz, baixa e rouca:
— Pode.
Ele se levantou. — sabia que ele enxergava apenas um vulto, uma forma clara e envergonhada de mulher nua em pé na frente dele. Mas as mãos dele sabiam exatamente onde estavam indo. A primeira palma pousou no meu joelho esquerdo. Quente. Seca. Mãos macias e hidratadas. Os dedos se abriram devagar, como se estivesse mapeando a superfície de uma escultura que só existia para ele.
— O joelho é pequeno — ele disse para os outros. — Os ossos são finos. A pele é macia aqui, diferente do resto.
Os outros ficaram em silêncio. Eu ouvi respirações. A mão subiu pela minha coxa. Devagar. Cada centímetro era anunciado por uma pressão nova, um ajuste dos dedos, como se ele estivesse lendo em braile o contorno do meu corpo. Quando chegou na dobra da virilha, eu prendi a respiração. Ele parou.
— Aqui é quente — ele anunciou. — Muito quente. E úmido. A pele está escorregadia.
Meu rosto inteiro ardia. Eu sentia o sangue subindo pelo pescoço, pelas bochechas, até as orelhas. As tetas estavam duras, os bicos pontudos e sensíveis, e eu sabia que eles viam — os vultos, as formas, o que quer que enxergassem daquela distância. A mão dele continuou subindo. Passou pelo quadril, apertou de leve, e ele soltou um som baixo, quase um suspiro.
— O quadril é largo. Tem carne aqui. Ela é mulher de verdade, não é esse negócio de revista.
Os outros riram. Uma risada curta, seca. Eu não ri. Afastei as pernas um pouco mais, sem pensar. A mão dele subiu pela cintura, contornou as costelas, e quando os dedos encontraram a parte de baixo da minha teta esquerda, eu gemi. Não foi intencional. O som saiu antes que eu pudesse engolir. Os dedos dele pararam. Depois continuaram. Subiram pela curva, pesaram a teta na palma da mão, e o polegar encontrou o bico duro.
— O peito é cheio — ele disse, e a voz dele estava diferente agora, voz de quem está com tesão. — O bico está duro como pedra. Ela está gostando.
Eu estava. Meu corpo estava traindo cada tentativa de compostura. A buceta escorria. Quando ele circulou levemente o bico da teta com as ponta dos dedos, eu gemi de novo, mais alto, e meus quadris se mexeram sozinhos, empurrando para frente, como se procurassem algo.
A mão dele desceu. Passou pelo ventre, pelo umbigo, e eu soube exatamente para onde estava indo. Quando os dedos chegaram no topo da minha buceta, eu abri as pernas o máximo que consegui. Ele não enfiou. Só passou os dedos pelos grandes lábios — eu sempre depilo, e senti cada dedo alisando minha pele nua — e depois abriu delicadamente meus pequenos lábios.
— É lisinha, está toda depilada — ele disse aos outros. — E está aberta. Abri a buceta dela e enfiei um dedo. Ela está molhada aqui também, escorrendo.
Foi quando ouvi a porta da frente se abrir. O som da fechadura, os passos no corredor. Meu marido entrou na sala. Eu não me movi. Não consegui. A mão do cego ainda estava entre as minhas pernas, os dedos repousando sobre a minha buceta molhada. Meu marido parou na porta. Olhou para a cena — eu estava nua em pé, pernas abertas, as mãos de outro homem no meu corpo. Ele sorriu.
— Não vai parar por minha causa — ele disse, com aquela voz calma que eu conhecia. — Continua.
O cego não precisou ser chamado duas vezes. Os dedos escorregaram entre os meus lábios e encontraram o clitóris. Eu arquejei. Meu marido se encostou na parede, cruzou os braços, e ficou assistindo. O cego começou a esfregar em círculos lentos, e eu enlouqueci. Os outros quatro observavam os vultos. Eu gemia alto, sem controle, enquanto os dedos de um estranho me masturbavam e meu marido assistia a três metros de distância.
— Goza pra ele — meu marido disse. — Mostra como você goza.
Eu gozei. Gozei com os dedos dele no meu clitóris, com um dedo circulando o bico da minha teta, com cinco homens cegos me ouvindo e meu marido comandando. Gozei gritando, o corpo todo se arqueando, a buceta espremendo o ar, vazia, pulsando no espaço vazio.
Quando o espasmo passou, o cego retirou a mão devagar. Cheirou os dedos. Sorriu. Meu marido se aproximou, me deu a mão, me chamou para ir embora. Minhas pernas tremiam. Eu estava nua, molhada, marcada pelas mãos de outro homem, e ele me puxou pela mão se fosse a coisa mais natural do mundo, ele totalmente vestido, de mãos dadas para mim, para irmos embora.
— Vamos — ele disse.
— As roupas — eu sussurrei.
Ele me olhou. Sorriu de novo, daquele jeito.
— Não trouxe.
A frase caiu como um soco. Fiquei parada, nua, na sala iluminada, com cinco homens sentados ao redor. A vergonha subiu como uma onda de calor. Eu podia sentir cada olho — cada vulto embaçado — fixo em mim.
— Você... o que? — minha voz saiu fina, quase um fio.
— Não trouxe roupa nenhuma — ele repetiu, calmamente. — Você vai entrar no carro assim. Pelada. E vai voltar pra casa assim.
Olhei para a porta. A rua lá fora estava escura, mas não vazia. Teria que atravessar o quintal, a calçada, o estacionamento. Entrar no carro nua. Sentar no banco nua. Fazer o trajeto inteiro nua. O estômago sumiu. O rosto queimou. A buceta, aquela buceta traidora, apertou de novo.
— Vamos — ele disse de novo, e abriu a porta.
Eu caminhei. Peladona. Dois passos atrás dele, os pés descalços no cimento, o vento na pele, as tetas balançando, a bunda exposta, a buceta ainda molhada escorrendo pela coxa. Saí na noite. Entrei no carro. O couro do banco grudou nas minhas coxas. Ele ligou o motor. Eu quase morri de vergonha. Mas amei cada segundo.